domingo, 28 de fevereiro de 2021

Mensagem da Associação Farol


 









A nossa congénere O Farol - Associação de Cidadania de Cacilhas, na pessoa do seu presidente da Direção, o amigo Henrique Mota, fez-nos chegar uma mensagem da maior oportunidade, que aqui reproduzimos com todo o gosto, e em sinal da nossa solidariedade:

Atendendo aos tempos difíceis que todos atravessamos, a Direcção de “O Farol” faz questão de afirmar a nossa esperança no futuro.

Para a comunidade têm sido tempos de preocupação, de incertezas e de isolamento.

Também alguns elementos da nossa Associação, amigos e companheiros têm sido atingidos pela pandemia do Covid 19.

Nos casos mais extremos de dor e sofrimento, deixamos uma palavra de solidariedade às famílias daqueles que vão, silenciosamente, partindo. Também para os doentes, vítimas da Covid 19 e que lutam contra a doença nos hospitais ou em casa. Isto sem esquecer os efeitos colaterais e devastadores na sua saúde e que se reflecte em todos nós.

Estamos certos de que, ao longo dos tempos, a nossa comunidade criou uma tradição de resistência às catástrofes através da solidariedade e fraternidade de pessoas e instituições.

As limitações das liberdades e da circulação das pessoas não pode liquidar a produção intelectual e artística.

Estamos, por isso, disponíveis para que nos enviem os vossos textos, fotografias, poemas e outras expressões artísticas, para que as divulguemos.

Envie a sua participação para: cacilhasfarol@gmail.com

Fica, ainda, o apelo para que não deixemos que ninguém fique sozinho. Porque a solidão enfraquece o espírito e o corpo e mina as comunidades humanas. Comunique por si e pelos outros.

A resistência humana colectiva e a ciência, com as novas vacinas e medicamentos, vão-nos ajudar a quebrar esta “peste” e um dia destes vamos voltar mais fortes e caminhar pelas ruas em liberdade, sem máscaras, e renovar os abraços adiados.

A todos os trabalhadores da saúde, reitera-se o nosso profundo reconhecimento e agradecimento, pelo enorme esforço, dedicação e abnegação em cuidar de todos nós.

Mantenham-se fortes e protegidos em casa. Vivos, solidários e activos, ligados social e intelectualmente!

A Direcção de O Farol - Associação de Cidadania de Cacilhas

terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

O Prego no Pão - Porque se chama PREGO a um pão com carne?

 









Quem diria que o prego, ou bife no pão, surge em Portugal na Praia das Maçãs?

"A verdadeira história está relacionada com o nome Manuel Dias Prego, um dos primeiros habitantes da Praia das Maçãs no final do século XIX, local onde era proprietário de uma taberna. A Taberna do Prego.

Ora nessa taberna Manuel Prego servia fatias de vitela fritas ou assadas em pão saboroso e acompanhadas de vinho da região.

Rapidamente a carne em pão se tornou um sucesso na Praia das Maçãs e arredores. Diz-se que terá sido nesse local que José Malhoa pintou o seu famoso quadro “Praia das Maçãs” (1918). Quem sabe se saboreando tal iguaria enquanto pintava!

Com o passar dos anos, o nome da sandes passou a ser vulgarmente conhecida como Prego, em honra do seu criador, sendo que no início do século XX já havia sido copiada a receita para outros locais, começando o Prego a fazer parte das ementas das tabernas de todo país e não só de Sintra."

Referido por  José Alfredo da Costa Azevedo, no livro: " VELHARIAS DE SINTRA VI" edição de 1988, promovida pela Câmara Municipal.

MEG

domingo, 21 de fevereiro de 2021

Licor "Africano"


 













Num período da nossa vida coletiva em que os temas do colonialismo e do racismo têm vindo a ser agitados, geralmente de forma muito pouco esclarecedora, vale a pena recordar alguns exemplos da iconografia salazarista relacionados com África:

Este é um rótulo de uma bebida, um licor talvez, cujo nome devia ser competitivo pelo domínio claro da preocupação com a "marca registada" e a sua contrafação, que representa quase todo o texto, com exceção do nome "Africano". 

A representação do "africano" é comum - o carácter simiesco do gigantesco sorriso, com os dentes branquíssimos fazendo contraste com o negro da pele, - mostra o "preto" em todo o seu esplendor. 

Mas há várias coisas incomuns neste rótulo. 

O "africano" tem bigode e está bem vestido, sentado como deve ser à mesa, bebendo o seu "Africano". 

Mesmo a posição tem alguma coisa de contido, de educado. Pega bem no copo e, mesmo que tenha bebido o que falta na garrafa, não mostra o seu álcool. 

É pura contradição. De facto, não se pode olhar muito para as imagens de publicidade porque se veem coisas demais. 

Deve ser do Africano...

EPHEMERA - Biblioteca e arquivo de José Pacheco Pereira, 21/2/2021

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Casa do Alentejo – Um Património de Memórias















Transcrevemos hoje um documento da autoria da nossa associada Rosa Honrado Calado, sobre a Casa do Alentejo de que é Directora. Embora longo, é um texto que vale a pena ser lido e guardado tal a riqueza do seu conteúdo. 

"Fala-se de Património da Casa do Alentejo e faz-se de imediato a interligação do palácio seiscentista com a Associação Regionalista. Isto porque a nossa Casa está instalada num edifício esplendoroso, um palácio seiscentista. Palácio que foi reconvertido, no princípio do século XX (1917-1919), num “club” luxuoso onde o jogo e o dinheiro dos ricos empresários criaram e guardaram ali uma vida dourada, completamente desfasada da realidade portuguesa, quando a guerra e a fome atingiam a maior parte da população.

Este palácio construído, primeiro como solar, no final de seiscentos, pertenceu aos viscondes de Alverca, foi arrendado (com exceção das lojas), em 1917, por um grupo de empresários que, após obras radicais assinadas pelo arquitecto Silva Júnior, fizeram do palácio um clube de recreio e de jogo denominado “Majestic Club”, passou pouco depois a chamar-se “Monumental Club” e assim permaneceu até 1928. O palácio encerrou durante algum tempo, até que em 1932 foi arrendado pelo Grémio Alentejano, colectividade que teve de mudar, nos anos quarenta, a designação para Casa do Alentejo. Em 1981, um descendente dos viscondes de Alverca vendeu o palácio à Associação Regionalista.

O visitante, transposta a rigidez da fachada, entra na Casa do Alentejo e tem uma agradável surpresa com a exuberância do seu interior. Subida a escadaria descobre o encantamento do belíssimo pátio árabe que lhe transmite uma frescura mourisca, ornado com varandas, galerias, fonte e tanque circular em mármore e a cúpula envidraçada fornece-lhe uma ambiência luminosa. O visitante encanta-se e quase esquece que aquele imóvel é a sede da Associação Regionalista do Alentejo.

É evidente que esta ambivalência tem aspectos muito positivos, mas acarreta a grande responsabilidade da manutenção, preservação e divulgação de tão rico património edificado.

Se por um lado, a nossa Associação Regionalista possui, entre as suas congéneres, a mais visitada e admirada sede, há que reconhecer também que tem sido graças ao empenho dos alentejanos que a cultura e o património do Alentejo deram vivência a um vetusto palácio da baixa pombalina. Tornaram-no um edifício público visitado por todos, nacionais e estrangeiros.

Património edificado revela-se aqui em perfeita harmonia com a cultura alentejana, insistentemente preservada e mostrada como património vivo.

Retorna-se ainda ao pátio árabe e conclui-se que ele é o centro, o cenário predilecto para os retratistas, espaço de convívio, de boas-vindas, de exposições. Recebe todos e é já um ex-libris. O seu pavimento foi restaurado em 1999. O visitante vai percorrer o interior das arcadas e é atraído pelo belíssimo toucador das senhoras em estilo “Luís XV” ou pela sala de sócios (sala Lourenço Bernardino), ambas decoradas com pinturas de José Bazalisa. Num plano mais elevado depara com o bengaleiro, que se mantem ainda como uma das marcas dos anos vinte, tendo passado já por algum estado de degradação, está, hoje, totalmente recuperado e iluminado. Ainda neste 1º piso aproveita para visitar o “Centro Interpretativo”, inaugurado recentemente, em 2018.

Antes de subir ao 2º piso, repara nas placas que preenchem uma parte das paredes e que foram ali colocadas, ao longo de décadas, para homenagearem e perpetuarem a memória dos alentejanos considerados como os mais ilustres, destaca-se a placa que assinala Jacinto Fernandes Palma como fundador da Casa do Alentejo.

Ao subir a escadaria, que lhe dará acesso ao 2º piso, continua a encontrar lambrins e azulejos hispano-árabes, contempla, agora, um patamar que foi habilmente iluminado por três grandes janelões com vitrais policromados. Neste inesperado espaço mostram-se peças de mobiliário com incrustações de madrepérola.

O visiteiro entrou no hall do 2º andar e surpreende-se com a mudança de estilo, encontra um ambiente mais intimista onde pinturas naturalistas são rematadas com medalhões de cabeças femininas. Recentemente, este hall recebeu um novo sistema de iluminação.

À esquerda, avistam-se os famosos salões. O maior, o grande salão dos espelhos, estilo Luís XVI com mobiliário a condizer, tecto e pinturas murais da autoria dos irmãos Benvindo Ceia, foi concebido para ser a grande sala de festas do “Magestic” e aí brilharam e rodopiaram as damas em datas festivas. Em 1948, os alentejanos denominaram-no como “Salão Victor Santos” para homenagearem o grande dirigente. Curiosamente este salão comunica com o principal salão de jogos através de um palco que se abre para ambos os lados. O salão de jogos, o coração do casino, foi decorado com pinturas alusivas, assinadas por Domingos Costa, natural de Campo Maior. No alto do tecto aparece suspensa “a fortuna” e os restantes painéis têm um estilo romântico neo-renascença. Para perpetuar a memória do professor Agostinho Fortes foi atribuído ao salão o seu nome.

A grandiosidade destes salões tem sido aproveitada pela nossa Colectividade. Considerados ainda como locais requintados são escolhidos para diversos eventos: festas, casamentos, baptizados, colóquios, conferências, homenagens, lançamentos de livros, espectáculos, filmagens…Aos sábados à tarde, no “Salão Agostinho Fortes” estão marcadas as tardes culturais com um programa variado onde predomina a festa do cante alentejano. A entrada é livre e oferecida a todos os visitantes – cortesia alentejana. Aos domingos, uma orquestra, colocada no palco, anima os dois salões e proporciona aos bailarinos os famosos e tradicionais “Bailes da Casa do Alentejo”.

Contíguo ao salão “Victor Santos” funcionou um bar, que possui um enorme painel a óleo, cujo tema é uma homenagem à luta dos trabalhadores alentejanos, obra das mais valiosas, da autoria do pintor alentejano Rogério Ribeiro.

Se caminhar noutra direcção vai deparar com a “Sala de Olivença”, zona que foi de leitura ou de espera. No presente, é a “Galeria”, onde os artistas expõem quadros e fotografias. Nesta sala há, agora, uma iluminação incidente nas obras expostas e outra que realça o friso de azulejos com ilustrações dos cantos dos Lusíadas, da autoria de Jorge Colaço. Desde há 13 anos, que esta sala ostenta orgulhosamente uma placa evocativa do 10º aniversário do Prémio Nobel Português, placa descerrada pelo próprio José Saramago que, nesse dia 10 de Dezembro de 2008, revelou, emocionado, ter uma parte da sua vida ligada à Casa do Alentejo.

Podemos afirmar que a placa de homenagem a José Saramago, tal como o painel de Rogério Ribeiro, são duas inestimáveis peças do património alentejano.

Se o visitante quiser degustar alguns pratos típicos da gastronomia alentejana pode optar entre duas salas, ambas bonitas, tranquilas e diferentes. Numa encontra as paredes cobertas com painéis que representam o meio rural português com fainas, romarias e festas religiosas, decoração azulejar de Jorge Colaço. Este espaço foi, nos idos do “Magestic”, sala de bridge e de outros jogos de vasa. A outra sala decorada com azulejos da 1ªmetade do século XVII, representam cenas palacianas e campestres, é um dos raros espaços que ainda mantem a decoração do palácio secular.

Neste piso continua a admirar a arte de Jorge Colaço e contempla a obra onde o artista figurou, em grandes painéis de azulejo, caçadas reais e uma cena medieval de perseguição de touros a rojão. Neste ambiente neo - gótico funcionava a sala de bilhar. Hoje, o visitante entra na sala, que os alentejanos denominaram como “Biblioteca Victor Paquete”, e é informado que aí se guarda o acervo bibliográfico com cerca de 10 mil exemplares, que pode usufruir de uma biblioteca especializada em temas alentejanos, ler escritores e poetas do Alentejo ou consultar as publicações da Casa do Alentejo – a nossa Revista, cujo 1º número trazia o nome” Boletim do Grémio Alentejano” e data de 1935 ou ler jornais, revistas, boletins, recebidos dos diversos municípios alentejanos. Poderá ainda fazer coincidir a sua visita com uma data que lhe permita assistir ou participar numa das tertúlias que aqui têm vindo a acontecer.

De regresso ao 1º piso, ainda espreitou as renovadas e modernas instalações sanitárias que, finalmente, servem também senhoras; como marcas dum tempo (princípio do Século XX) ficaram o lavatório com toucador para as senhoras e os mictórios.

A visita ainda não está concluída, porque ouviu falar de uns antigos “privados” e tem curiosidade em conhecê-los. Tem razão. Estes espaços ostentam características preciosas. Foram efectivamente salas privadas de jogo, concebidas para criar um ambiente de luxo e conforto, ostentam uma original decoração com estilos revivalistas império, arte nova, arabizante e têm um mobiliário em perfeita sintonia. Há décadas que estes privados são usados como gabinetes de trabalho e de reunião pelos elementos da direcção e dos órgãos sociais, foram recuperados há mais de uma década e guardam também as principais obras de arte oferecidas à nossa Casa. Dependurados estão quadros de Dórdio Gomes, Benvindo Ceia, Maria Toscano Rico, Manuel Ribeiro de Pavia, Rogério Ribeiro, Guy Ferreira, António Galvão, Pantoja Rojão e de tantos outros, fotografias consideradas como originais únicos, diplomas atribuídos à Colectividade e expostas peças de artesanato de grande valor estimativo. O nosso convidado está verdadeiramente compensado, “reviveu” o ambiente dos pequenos privados, mas ficou muito orgulhoso por ver preservado todo o património que os alentejanos têm doado à sua Casa do Alentejo.

Caros sócios e amigos da Casa do Alentejo, oxalá tenham apreciado a visita guiada.

Estamos em crer que ficaram encantados e motivados para planearem ao vivo uma boa confraternização, um espectáculo, um convívio, o sabor dum bom petisco, enfim... o que mais vos aprouver.

O maldito vírus vai render-se!

 Até breve... Saudações associativas e alentejanas.

A Direcção

Rosa Honrado Calado"

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Pérolas do ensino primário do fascismo


Reprodução do essencial da crónica "Medidas coercivas" publicada no "Público" de 2/2/2021:

(…) raios partam o antigo ensino primário e os resquícios irremovíveis que me tingem a mona desde que eu lá os enfiei para passar o exame da 4ª classe.

É uma lixeira a céu aberto, entrecortada por nomes de linhas ferroviárias e afluentes, sistemas orográficos, cidades tropicais que já há muito rejeitaram os nomes embaraçosos que lhes demos, peculiaridades ornitológicas, ditongos, trajos regionais e tragédias passadas com lobos.

Gosto de passear lá com outros sobreviventes, comparando ignorâncias e teimosias. Um dos setores mais acidentados é o das medidas que tentaram incutir-nos numa fútil tentativa de resistirmos ao sistema decimal.

Dessa lavagem cerebral só me restou uma surpresa: o quarteirão de sardinhas, que são vinte e cinco, já um quartilho são um quarto de 25, que dá meia dúzia mais uma sardinha a dividir por quatro.

Um almude de vinho são 30 litros (…). Meio almude, para os tête à tête mais confinados, são 15 litros. E um cântaro quantos decilitros tem? E um escrópulo? E um arrátel de milho-painço, quantas braças dá? Em querendo comprar uma canada de centeio, quantas arrobas sobram para pôr a mondar na eira brava?

Indo para a feira com duas pisgóias de tremoço seco e um xágara de água do poço, em querendo trocá-los por fangas de pevides, quantas posso pedir sem correr o risco de ser apedrejado?

Com uma toesa de salmoura e um salamim de bacalhau desfiado, quantas pulgadas galegas tenho de percorrer para assolhar os rebites de mordaça do boi?

Mentiria se dissesse que já soube as respostas a estas perguntas. Mas já soube.

Miguel Esteves Cardoso



 

domingo, 31 de janeiro de 2021

Continua a luta para que não destruam o nosso passado mouro


 







Através do post "Não destruam o nosso passado mouro", que publicámos em 17/10/2020 neste blogue, juntámos a modesta voz da ALDRABA à de tantos e tantas que protestavam contra a intenção, que existiu nas autoridades portuguesas da cultura, de autorizar o desmantelamento de algumas importantes estruturas da Grande Mesquita de Lisboa (séc. XII) que foram descobertas nas escavações arqueológicas em curso nos claustros da Sé de Lisboa.

Demos notícia, nessa altura, de que a administração da DGPC (Direção-Geral do Património Cultural) havia desautorizado a posição especializada das suas arqueólogas Alexandra Gaspar e Ana Gomes, que entendiam ser desejável procurar soluções técnicas que contrariassem o alegado problema da "segurança estrutural da Sé".

A enérgica tomada de posição do Sindicato dos Trabalhadores em Arqueologia, e outras atitudes veementes de muitos técnicos portugueses do setor, levaram a DGPC a tentar ganhar tempo, remetendo o assunto para o Conselho Nacional da Cultura, mas também levaram a Ministra Graça Fonseca, num despacho que aplaudimos, a anunciar que "face aos mais recentes achados arqueológicos, e tendo em conta o valor patrimonial das estruturas descobertas (...) decidiu, em diálogo com o Patriarcado de Lisboa, que os mesmos devem ser conservados, musealizados e integrados no projeto de recuperação e musealização da Sé Patriarcal de Lisboa".

A secção de património arquitetónico e arqueológico do CNC solicitou pareceres a um conjunto de peritos, recebidos e analisados já no corrente mês de janeiro de 2021, pareceres esses que são unânimes em recomendar a salvaguarda dos achados islâmicos em causa.

Assinam esses pareceres Felix Arnold, Rosa e Mário Varela Gomes, e Santiago Macias, os quais reconhecem a genuinidade dos vestígios islâmicos, ainda que assinalem "não existir evidência" de que os mesmos se integrassem na mencionada mesquita aljama de Lisboa. 

Em reunião de 13/1/2021, o CNC deliberou solicitar à equipa projetista a alteração do projeto para promover a "valorização e salvaguarda" dos vestígios islâmicos encontrados.

Em 28/1/2021, o Grupo Parlamentar do PCP apresentou na Assembleia da República um projeto de Resolução, visando recomendar ao Governo que (1) proceda à revisão do projeto de obras para assegurar a salvaguarda integral do conjunto monumental de estruturas arqueológicas islâmicas da Sé de Lisboa, garantindo a sua valorização e adequada integração museológica, e (2) crie todas as condições necessárias para a investigação e publicação integral, monográfica, dos resultados das intervenções arqueológicas desenvolvidas no claustro da Sé, entre 1990 e 2021, promovendo um amplo e bem documentado debate científico e académico sobre os mesmos.

O facto de a DGPC não ter publicitado na íntegra os pareceres dos especialistas consultados, pode colocar em causa a transparência do processo e a possibilidade de um efetivo escrutínio pelos vários interessados. À comunicação social, o Diretor-Geral do Património Cultural afirmou que só serão publicitados após a conclusão do processo de decisão. Ora, tal poderá traduzir-se na política do facto consumado, tão nefasta nestes domínios.

Tudo recomenda que todos nós, cidadãos informados, associações de defesa do património e agentes políticos, continuemos atentos e ativos nesta luta contra a "destruição do nosso passado mouro"!

JAF
 

 


quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Obrigado, Zé Chitas


 







José Carreiro Domingues Chitas, o nosso Zé Chitas, acaba de nos deixar, vítima de um acidente vascular cerebral agravado com o vírus da covid-19 contraído em meio hospitalar.

Associado da Aldraba desde a primeira hora, tendo participado na AG constituinte de 25/4/2005, e em muitas atividades realizadas (lembramos a sua presença calorosa nos Encontros do Fundão, de Alcoutim e de V.F.Xira, e no Jantar-tertúlia dos 40 anos do 25 de abril), o Zé Chitas foi um companheiro atento, crítico e solidário que nos deixa uma grande saudade.

Como cidadão, foi um professor primário muito respeitado, autarca exemplar do Município de Mora durante diversos mandatos, militante político empenhado, associativista ativo na Casa do Alentejo e noutras estruturas, tendo vindo a ser reconhecido e homenageado por todos esses meios, que lhe expressaram a sua maior gratidão. Hoje, 28/1/2021, é dia de luto municipal em Mora.

Também nós, Associação Aldraba, queremos agradecer singelamente ao Zé Chitas o que fez connosco e por nós, com um abraço muito comovido!

JAF