A Aldraba soube recentemente que, no corrente ano de 2026, foi certificada pelos serviços da Comissão Europeia com a distinção de DOP - Denominação de Origem Protegida mais uma especialidade portuguesa da pastelaria/padaria/confeitaria.
Essa especialidade dá pelo nome de caralhotas de Almeirim!
Estes pãezinhos são a 9.ª confeção portuguesa reconhecida pela UE, após os ovos moles de Aveiro, o pastel de Tentúgal, o pastel de carne de Chaves, o pão de ló de Ovar, a fogaça da Feira, o folar de Valpaços, a amêndoa coberta de Moncorvo e o pastel de feijão de Torres Vedras. Portugal (ex-aequo com a República Checa) ocupa o 4.º lugar entre os 27 países da União com mais produtos certificados nesta especialidade, só ultrapassado pela Itália, pela França e pela Alemanha.
Debrucemo-nos então um pouco sobre esta preciosidade de padaria regional, que passa a estar juridicamente protegida contra a imitação, a utilização e as referências enganosas em todo o espaço comunitário.
Segundo o site oficial da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, as caralhotas de Almeirim são pequenos pães, com um diâmetro médio de 15 cm, de forma arredondada, côdea quebradiça e estaladiça, de tonalidade acastanhada, e miolo rústico, com olhos pequenos a médios. Os pães são amassados e obtidos através de métodos típicos da região de Almeirim, do distrito de Santarém.
As matérias-primas
utilizadas no fabrico das caralhotas de Almeirim são farinha de trigo de
tipo 55 ou tipo 65 ou similar; fermento de padeiro e/ou “pão acrescentado”, ou
seja, massa que ficou de véspera a levedar (cerca de 1% por cada 100 kg de
farinha); água (50-65% por cada 100 kg de farinha) e sal (1,5% por cada 100 kg
de farinha). A produção passa pela mistura dos ingredientes e
amassadura, depois a massa é levedada e por fim as “caralhotas" são
cozidas em forno, geralmente no forno tradicional a lenha.
O nome “caralhota” é
como se chama ao borboto das camisolas de lã, na região de Almeirim. A história
deste pão, segundo o transmitido oralmente de geração em geração, é a de que havia uma velhinha que estava a cozer pão e a filha raspou o alguidar de barro
e fez uma bolinha com os restos. Quando a senhora perguntou o que ela estava a
fazer, respondeu: ‘Uma caralhota, mãe!’ E ficou assim...
As caralhotas de Almeirim, segundo relatos dos historiadores do concelho, deverão ter surgido entre o século XIX e princípios do século XX.
“Há 40 e tal anos que faço pão. Ando sempre com a caralhota na mão. Não tenho férias, não vou para lado nenhum”. A citação é de Dona Emília David, que vai para 50 anos que leva ao forno as caralhotas de Almeirim e é a padeira mais popular da cidade onde o pão acompanha a Sopa da Pedra.
Foi em particular a restauração que deu fama a este pão redondo, com côdea estalica e o miolo rústico.
“As pessoas diziam-me que eu sabia fazer várias
coisas e comecei a fazer a caralhota doce que é recheada com canela, maçã e
noz, é muito boa. Faço ainda de torresmos, outra versão é de azeitona, orégão, azeite e alho, e também só com alho, farinheira, chouriça, e temos a caralhota
da pedra. É a última e é muito boa.”
JAF
