Foi enviada a todos os associados da Aldraba, subscrita pelo Presidente da MAG Jorge Branco, a convocatória da sessão ordinária de 2026 da Assembleia Geral relativa ao Relatório e Contas de 2025 e ao Plano e Orçamento do novo ano.
JAF
O Blogue da Aldraba - Associação do Espaço e Património Popular
Foi enviada a todos os associados da Aldraba, subscrita pelo Presidente da MAG Jorge Branco, a convocatória da sessão ordinária de 2026 da Assembleia Geral relativa ao Relatório e Contas de 2025 e ao Plano e Orçamento do novo ano.
JAF
O lince ibérico, com
o nome científico de Lynx pardinus, é
uma espécie da família dos felídeos que apresenta orelhas peludas, pernas
longas, cauda curta e um colar de pelo que se assemelha a uma barba, uma cor
castanho-amarelada com manchas, tendo comprimento da cabeça e do corpo de 85 a
110 centímetros, com a pequena cauda a acrescentar um comprimento adicional de
12 a 30 centímetros. O macho é maior que a fêmea e podem pesar até cerca de
27 kg. A longevidade máxima na natureza é de treze anos.
O lince ibérico foi uma espécie em perigo crítico até 2015, e
até 2024 considerada uma espécie em perigo. A reprodução em
cativeiro e os programas de reintrodução têm aumentado o seu número. Em 2022, a
população era já de 1 668 exemplares, dos quais 261 em Portugal. Em
2024, a população aumentou para 2 021 espécimes, levando à sua
reclassificação de espécie em perigo para espécie vulnerável.
O nosso post de hoje constitui uma homenagem a Pedro
Sarmento, biólogo do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, que
acaba de falecer aos 59 anos.
Pedro Sarmento foi o motor da reintrodução do lince ibérico
em Portugal. Quando os primeiros linces ibéricos foram libertados em Portugal,
em 2015, Pedro Sarmento passou dias e noites no terreno, a acompanhá-los, a
garantir que se adaptavam ao novo território sem percalços. “Estive quase um
ano só a acampar, a seguir linces 24 horas por dia”, recordava ele numa
entrevista que deu em junho de 2025.
Assinala agora o ICNF que o Pedro amava os linces, que eram
a sua razão de viver. Quando em 16 de dezembro de 2014 se libertou o primeiro
casal de linces ibéricos – a Jacarandá e o Katmandú –na
Herdade das Romeiras, em Mértola – o Pedro permaneceu durante várias noites no
exterior do cercado, velando para que nada de anormal acontecesse aos linces
recém-chegados, ela proveniente do CNRLI (Centro Nacional de Reprodução do
Lince Ibérico), em Silves, e ele originário de Zarza de Granadilla, na
Estremadura espanhola.
Foram muitas as noites mal dormidas e incontáveis os dias em
que o Pedro percorreu quilómetros atrás de quilómetros, a pé e em viatura,
dando tudo o que tinha, muitas vezes excedendo-se, para que o regresso do lince
ibérico a Portugal não falhasse e viesse a revelar-se, aos dias de hoje, o
projeto de conservação da natureza de maior sucesso em Portugal e na Península
Ibérica.
JAF
Este ano, adquiriu essa distinção o cedro da igreja de Runa
(Torres Vedras), botanicamente designado como “Cedro-do-buçaco” e Cupressus
lusitanica.
O belo espécime arbóreo de Runa obteve 3080 votos na recente
votação pública nacional, seguido da árvore da borracha australiana, de Ponta
Delgada, com 2890 votos, e da canforeira da ESAC, de Bencanta (Coimbra), com
1901 votos.
Quanto ao cedro de Runa, pode ler-se na respetiva
candidatura:
“Plantado no início dos anos 1950 pelo Sr. Alfredo, o
Cedro da Igreja de Runa, hoje com cerca de 75 anos, é parte essencial da
história e identidade local. Inicialmente frágil e amarelado, foi cuidado e
protegido pelo seu plantador, sobrevivendo contra todas as expectativas.
Testemunhou partidas, regressos, celebrações e silêncios, tornou-se no ponto de
encontro da saudade e dos abraços de todos os Runenses. Hoje, merece afirmar-se
como símbolo da aldeia de Runa e do concelho de Torres Vedras.”
Ainda uma nota acerca da localidade onde se encontra
plantada a árvore premiada.
Em 14/10/2024, no post (cont.43) da nossa série “Nomes
de localidades em azulejos”, escreveu-se aqui que Runa é “localidade da atual
União de Freguesias de Dois Portos e Runa, no concelho de Torres Vedras, do
distrito de Lisboa e da atual sub-região do Oeste”.
Informação esta que está agora incorreta, pois Runa, na
mini-restauração de freguesias aprovada pela Assembleia da República em 2025,
recuperou o estatuto de freguesia autónoma.
Por todas as razões, parabéns da Aldraba aos runenses!
JAF
Continuemos a viajar pelo património natural português, ou
seja, debruçando-nos sobre os animais e plantas que povoam o território do
continente português, e que partilham a nossa realidade física, tendo para com
eles, tanto quanto possível, o respeito que merecem enquanto seres vivos, e dos
quais tanto dependemos.
Em 17 de setembro do ano findo, iniciámos uma incursão pelos
“mamíferos selvagens em Portugal”, ou seja, as espécies zoológicas que surgem
no nosso território em espaço aberto, sem serem animais domésticos ou de
criação pecuária, sem contar com peixes, crustáceos, aves, répteis e insetos, e
deixando de fora as espécies animais que vivem em liberdade, que são mais
comuns (como ratos, toupeiras, coelhos ou lebres) e que a generalidade dos
portugueses não pressente como selvagens.
Selecionámos então castores, coatis, corços,
doninhas, esquilos, fuinhas, ginetos, javalis, leirões, linces, lobos,
musaranhos, ouriços, raposas, sacarrabos, texugos, ursos, veados e visões,
espécies selvagens avistadas em Portugal nos últimos anos, em
espaço aberto.
No primeiro post desta nova série, registámos e
assinalámos fotograficamente os javalis, cientificamente os sus scrofa,
também conhecidos como javardos ou porcos bravos, que se têm desenvolvido muito
no nosso país nos últimos tempos.
Debruçamo-nos hoje sobre os lobos, da família dos canídeos,
sendo a espécie mais conhecida em Portugal o lobo cinzento (canis lupus).
O lobo é conhecido muitas vezes através de contos, fábulas,
mitos e lendas, que se difundiram na Europa e na Ásia por as populações
sedentárias temerem as investidas dos lobos contra os animais de criação
pecuária.
O “lobo mau” aparece em inúmeras fábulas folclóricas de muitos
países, designadamente em histórias clássicas como o Capuchinho Vermelho e os 3
Porquinhos.
O “lobisomem” é um ser lendário que é descrito como um
humano capaz de se transformar em lobo em noites de lua cheia. Tais lendas são
muito antigas e encontram a sua raiz na mitologia
grega, tendo-se espalhado também no novo mundo com o colonialismo, em paralelo
à crença nas bruxas.
JAF
O Natal regressa sempre pela via mais antiga da memória: o
olfacto. Antes da palavra, antes da imagem, é o cheiro que anuncia a infância —
essa pátria primeira onde o tempo parecia deter-se. A casa respirava de outro
modo em dezembro. Havia no ar uma gravidade doce, feita de frio e de
expectativa, como se até as paredes soubessem que algo essencial se aproximava.
O frio, sim, tinha cheiro. Um frio limpo e presente, que
entrava cedo na casa e a obrigava ao recolhimento. Era um frio que avivava os
sentidos, tornava os gestos mais atentos e fazia do interior um refúgio
necessário. Nesse frio, a memória aprendia a escutar.
Na cozinha, coração silencioso do Natal, os cheiros
organizavam-se como uma liturgia antiga. A canela erguia-se no ar com
autoridade serena, misturada com o açúcar e o leite das farófias, leves e
contidas, repousando em travessas fundas. O frango acerejado libertava um
perfume denso e grave, onde o tempo tinha sido ingrediente, e a carne de caça
trazia consigo um odor profundo, quase ancestral, lembrando que cozinhar era,
antes de tudo, um acto de permanência.
E depois vinham os doces que eram herança e gesto repetido.
As fatias paridas, embebidas e quentes, guardando no interior a doçura lenta do
leite e da canela. As filhoses, feitas pelas mãos sábias da avó Luísa,
cheirando a massa viva, a açúcar e a tradição transmitida sem palavras. O
nógado repousava sobre folhas de laranjeira, onde o mel se encontrava com o
verde fresco das folhas, num equilíbrio silencioso, quase solene.
A infância habitava esses cheiros sem necessidade de os
nomear. Sabia apenas que eram sinal de pertença, de continuidade, de um mundo
ordenado por rituais simples e repetidos. Cada aroma era uma promessa: de mesa
cheia, de vozes cruzadas, de um instante suspenso antes da consoada, quando o
tempo parecia reconciliar-se consigo próprio.
Talvez por isso o Natal nunca seja apenas uma data. É uma
geografia sensível, feita de casas fechadas ao frio, de cozinhas em murmúrio,
de cheiros que persistem. E é, sobretudo, esse lugar invisível onde a infância
permanece — intacta — pronta a regressar ao primeiro sopro de canela no ar.
Ana Marta Nobre, 23/12/2025
Houve depois uma mesa de reflexão acerca da importância da
publicação para a salvaguarda do património com João Coelho, Myriam Jubilot de
Carvalho e J. Fernando Reis Oliveira.
Houve intervenções da assistência, designa- damente de António
Ferreira, Ana Isabel Veiga e Inês Ramos. Todos com sugestões para a revista ser
mais divulgada.
A Casa do Concelho do Sabugal recebeu com muita qualidade,
trazendo para a mesa convivial que se seguiu, enchidos da região representada,
uma salada deliciosa e um bacalhau único com bom azeite e batata a murro. Os
visitantes terminaram a refeição com arroz doce, bolo rei (da mesma padaria do
pão de centeio servido na refeição) e até aguardente. Quem fez dieta comeu
queijo e laranja.
Esta Casa e os actuais dirigentes recebem muito bem quem os
visita.
Bem hajam!
LFM (fotos LFM e Pedro Silva)