terça-feira, 28 de abril de 2026

Alterações climáticas

 

Pré-publicação do editorial do n.º 39 da revista "Aldraba":

Alterações climáticas

Nos passados meses de janeiro e fevereiro, tempestades brutais varreram largas zonas do Centro de Portugal, deixando atrás de si um cortejo de devastação, desolação, sofrimento humano, algumas vítimas e muita destruição de casas, de infraestruturas e, até, de algum património cultural – como no edificado religioso (que obrigarão a um gigantesco esforço de reconstrução).

É inevitável que todos associemos estes factos, e outros que se vêm sucedendo pelo mundo fora, às chamadas alterações climáticas, entendidas como as variações dos padrões meteorológicos de longo prazo na Terra, como a temperatura, os níveis do mar e a precipitação de chuva, com causas (ou, pelo menos, fatores de aceleração) na atividade humana.

A associação Aldraba e a sua revista, atentas a tudo quanto afeta e preocupa as nossas populações, não podem deixar de dar aqui um pequeno contributo para a obrigatória reflexão coletiva a este respeito.

Alguns negacionistas continuam a tentar semear dúvidas e minorar os problemas. Absurdo! Como muito bem escreveu, recentemente, Adolfo Mesquita Nunes, “o consenso científico é robusto: as alterações climáticas são reais, estão a acontecer e têm causas humanas identificáveis. Negar isto é negar décadas de dados empíricos, recolhidos e analisados por milhares de investigadores de todo o mundo, sujeitos a revisão por pares e a replicação independente”.

O aumento da temperatura média da Terra é um exemplo de alteração climática. A temperatura na Terra é regulada pelo chamado efeito de estufa: parte da radiação que o planeta recebe do Sol é refletida de volta para a atmosfera e, aí, é absorvida pelos “gases com efeito de estufa”, aquecendo a Terra. Isto veio intensificar mudanças nos padrões meteorológicos, como a precipitação, e a frequência e intensidade de fenómenos extremos, como secas, ondas de calor, inundações, cheias e furacões.

A queima de combustíveis fósseis como o petróleo, o carvão e o gás natural, junto com a agricultura, a pecuária e a desflorestação, emitem crescentemente para a atmosfera gases com efeito de estufa (dióxido de carbono, óxido nitroso e metano) e diminuem a extensão dos processos de remoção do carbono.

Em face desta constatação, todos os cidadãos conscientes e solidários que, como a Aldraba tem vindo a modestamente preconizar, se preocupam com o futuro, com a sustentabilidade das suas terras e com a felicidade das novas gerações, têm de adotar nas suas práticas individuais e coletivas comportamentos adequados.

Não é possível inverter as alterações climáticas, mas podemos, cada um de nós, contribuir para atenuar os seus efeitos, diminuindo a quantidade de emissões de dióxido de carbono libertadas para a atmosfera, com mudanças drásticas em setores como os transportes, a energia, a indústria, a habitação, a gestão dos resíduos e a agricultura, tornando a nossa sociedade mais resiliente, designadamente na utilização mais eficiente dos recursos hídricos escassos, na adaptação das práticas agrícolas e florestais e na garantia de que os edifícios e as infraestruturas serão capazes de resistir às condições climáticas e aos eventos extremos do futuro. 

Somos todos desafiados a mudar as nossas atitudes no dia-a-dia, como seja na redução da produção de resíduos, no evitar das deslocações em veículos motorizados, no dar prioridade às viagens em grupo em lugar das individuais, no uso dos transportes coletivos em vez do automóvel pessoal, etc..

No que se refere aos transportes coletivos, o economista Lino Fernandes alertava-nos há dias nas redes sociais, num tom otimista, que o efeito na substituição dos combustíveis fósseis pode ser mais rápido no caso português, porque os meios coletivos, no essencial, já estão eletrificados. A rede de comboios tem uma elevada taxa de eletrificação nas zonas metropolitanas e não só, e o transporte fluvial urbano também deu um grande salto na eletrificação, podendo ambos aumentar, rapidamente, o número de passageiros transportados.

É certo que os autocarros de passageiros têm, entre nós, uma taxa de eletrificação menor, mas temos produção nacional de veículos elétricos que pode ser aumentada.

Assim, que a nossa ação cívica, como seja, junto das autarquias e de outras entidades locais, se oriente pela reivindicação de investimentos que carecem de ser feitos na correção de infraestruturas e na maior produção de veículos limpos, e numa decidida transformação da oferta de serviços de transportes, satisfazendo, em termos de frequência e de cobertura dos dias da semana, as reais necessidades das populações.

No que se refere ao transporte de mercadorias, em que as viaturas rodoviárias pesadas queimam quase metade dos combustíveis líquidos consumidos, a aposta tem de ser decididamente na ferrovia para os percursos médios e longos, combinada com as viaturas elétricas ligeiras para a distribuição fina.

Como se vê, coloca-se à nossa frente um largo e exigente campo de intervenção, para todos os cidadãos que queiram efetivamente ser atores nas transformações obrigatórias a introduzir nas nossas sociedades doentes.

José Alberto Franco


quarta-feira, 22 de abril de 2026

Jantar comemorativo dos 21 anos da associação Aldraba










No próximo dia 25 de abril de 2026, sábado, completam-se 21 anos sobre a Assembleia Geral constituinte que fundou a nossa Associação.

Nesse dia, além do grande desfile popular do 25 de abril pela Avenida da Liberdade, realizam-se muitas outras atividades comemorativas que tornariam difícil promovermos uma celebração autónoma da Aldraba.

Assim, optou-se por organizar um jantar comemorativo do nosso 21.º aniversário na quarta-feira seguinte, dia 29 de abril de 2026, a partir das 19 h, na Casa do Concelho de Alvaiázere (sita na rua Eça de Queirós, 13, em Lisboa, numa transversal da av. Duque de Loulé, próximo do Marquês do Pombal).

O menu do jantar incluirá entradas de azeitonas, queijo e pão, prato de lombo assado com migas de chícharo, vinho/água, sobremesa e café, ao preço único de 20€, com outras bebidas pagas à parte. 

Os interessados em participar neste jantar de aniversário devem manifestar-se até 3.ª feira, 28 de abril, junto de aldrabaassociacao@gmail.com, ou junto do Albano Ginja (albanoginja@gmail.com ou T.914773956) ou ainda do José Alberto Franco (jaffranco@gmail.com ou T.963708481).

JAF


domingo, 19 de abril de 2026

Para breve o n.º 39 da revista "Aldraba"











O número 39 da revista "Aldraba" está em composição na gráfica, e estima-se para breve a sua publicação e divulgação. 

Desde já se dá a conhecer o plano desta edição:


EDITORIAL

As alterações climáticas

José Alberto Franco

OPINIÃO

Entre memória, território e experiência

Sandra Oliveira

60 000 anos a sobrevoar o imaginário humano

Miguel de Lemos Peixoto

Um olhar sobre as migrações humanas (I Parte)

Myriam Jubilot de Carvalho

PATRIMÓNIO IMATERIAL

O legado de Albino Moura

Luís Filipe Maçarico

ASSOCIATIVISMO E PATRIMÓNIO

Associação Do Fundo à Superfície

Manuel Camacho

50 anos da Constituição da República Portuguesa

Laurinda Figueiras

SABORES COM HISTÓRIA

Licor Beirão: biografia de um sabor português

Maria de Lurdes Pereira

Gastronomia alentejana: tradição identitária com alguma instabilidade

Luís Filipe Maçarico

DESABAFOS

Foi a 25 de abril que tudo finalmente mudou!

Rosário Narciso

CRÍTICA DE LIVROS

Mais do que um livro, “é uma poética da paisagem”

Ana Isabel Veiga

ALDRABA EM MOVIMENTO

O impacto da Aldraba na comunidade

Luís Filipe Maçarico e José Alberto Franco

Novembro de 2025 a abril de 2026

José Alberto Franco

 

O tio Moreno – Valdanta - Chaves (6)

Rodrigo Dias     (Verso da contracapa)

Amor de Maio

Jorge Serra de Almeida   (Contracapa)


JAF

sábado, 28 de março de 2026

Mamíferos selvagens em Portugal (4) - Castores





No passado ano de 2025, reapareceu em Portugal o castor europeu (castor fiber), segundo dá conta a associação Rewilding Portugal, organização privada sem fins lucrativos, fundada em janeiro de 2019 na Guarda, com a missão de promover a conservação da natureza por meio de medidas de “rewilding” em Portugal, e que trabalha atualmente na Beira Alta e em Riba-Coa (onde, segundo afirma, “as altas taxas de abandono de terras criaram oportunidades para trazer a natureza de volta”).

A “rewilding”, ou renaturalização, propõe-se ser uma abordagem progressista para a conservação, deixando a natureza cuidar de si mesma, ao permitir que os processos naturais moldem a terra e o mar, reparem ecossistemas danificados e restaurem paisagens degradadas.

Há anos que a Rewilding Portugal (RP) acompanhava sinais da aproximação do castor a partir de Espanha, cuja última presença confirmada em Portugal remontava ao final do século XV. Desde então, a espécie desaparecera devido à caça intensiva e à destruição do seu habitat.

Nessas ações de monitorização, foram identificadas marcas de roedura em árvores e estruturas típicas de manipulação da água. Câmaras confirmaram depois a presença de um jovem castor já em solo português.

“Estávamos atentos a este avanço há já alguns anos, e agora é com enorme entusiasmo que confirmamos este regresso. O castor é um aliado natural no restauro da saúde dos nossos rios e zonas húmidas e tem um papel fundamental a desempenhar nos nossos ecossistemas fluviais”, afirmou Pedro Prata, líder da equipa da RP, em comunicado de imprensa.

Verdadeiro “engenheiro dos ecossistemas”, o castor constrói represas, escava canais e transforma as margens dos rios. Estas alterações aumentam a retenção de água no solo, melhoram a qualidade da água e criam habitats ricos em biodiversidade. As estruturas criadas pelos castores contribuem ainda para mitigar cheias, combater a erosão e ajudar no armazenamento de água.

“O regresso do castor a Portugal é um símbolo de esperança e de mudança. Mostra que, se deixarmos espaço e tempo à natureza, ela responde. Cabe-nos agora garantir que este regresso seja bem acolhido e protegido”, reforçou Pedro Prata.

Apesar dos benefícios, a presença de castores pode gerar conflitos, sobretudo com atividades humanas junto aos rios, como agricultura e infraestruturas mal adaptadas. No entanto, vários países europeus (Suécia, Alemanha, Suíça e França) têm já estratégias eficazes para garantir a coexistência, seja no apoio a agricultores afetados, seja na implementação de infraestruturas de proteção.

Em Portugal, as autoridades foram alertadas pela RP para a chegada iminente do castor, propondo a criação de um plano de preparação e diálogo com as comunidades locais. Estes esforços merecem toda a nossa simpatia e apoio.

JAF


quarta-feira, 25 de março de 2026

23 participantes no 3.º Encontro de Poesia e 42.º Jantar-tertúlia







 



















Dando sequência à tradição, que começa a consolidar-se, de organizarmos anualmente o Encontro de Poesia da Aldraba nas proximidades do Dia Mundial da Poesia, reunimos no dia 20 de março de 2026 esta 3.ª edição, na Casa do Concelho de Tondela, onde fomos como sempre carinhosamente recebidos pelo amigo (e nosso associado) Elísio Luís Chaves, e onde no final partilhámos um saboroso jantar de jardineira de choco, com generosas entradas, sopa, doce e bebidas.

Na sessão de poesia, leram poemas - seus ou de autores de sua escolha - os associados e amigos Elísio Chaves, João Coelho, Joaquim Ferreira, Luís Ferreira, Jorge Almeida, Teresa Bispo, Maria Vilar, Nazaré Avó, Manuel Rodrigues Vaz, Lurdes Pereira, Luís Maçarico, Fátima Castro, Paula Teixeira e José Alberto Franco.

Belíssimo serão de cultura e de convívio!

JAF (fotos Marta Barata-13 e Luís Ferreira-2)

sexta-feira, 13 de março de 2026

42.º Jantar-tertúlia, na Casa do Concelho de Tondela, 6.ªfeira, 20.3.2026, 20 horas

 





 




Todos os associados e amigos da Aldraba são desafiados a participar em mais esta saborosa refeição de convívio, que se realizará a seguir ao 3.º Encontro de Poesia na Casa do Concelho de Tondela, no fim do dia de 20 de março próximo, 6.ª feira, pelas 20 horas.

Recorda-se a localização da Casa de Tondela em Lisboa: Rua Miguel Torga, 21 Loja A, 1070-183 Lisboa, em Campolide (Telefone 21 383 05 99).

A ementa do jantar incluirá sopa de espinafres, jardineira de choco, bebidas, doce de cenoura com chocolate, café e digestivo, tudo pelo preço único de 15 euros.

Os interessados em participar no jantar devem inscrever-se até 4.ª feira, 18 de março, pelo mail aldrabaassociacao@gmail.com, ou junto do Luís Maçarico (lmacarico@gmail.com ou T.967187654) ou do J.Alberto Franco (jaffranco@gmail.com ou T.963708481).

JAF





terça-feira, 10 de março de 2026

3.º Encontro de Poesia da Aldraba - dia 20mar2026, 6.ªfeira, 18h30, na Casa do Concelho de Tondela

 
















Aproxima-se mais um Dia Mundial da Poesia, e a Aldraba volta a organizar uma sessão este ano, voltada para os seus associados e amigos que cultivam e amam a poesia.

O nosso 3.º Encontro terá lugar na 6.ª feira, 20.3.2026, às 18.30 horas, e como nos dois anos anteriores, realiza-se na Casa do Concelho de Tondela em Lisboa - uma associação regionalista nossa amiga situada na Rua Miguel Torga, 21 Loja A, 1070-183 Lisboa, em Campolide (Telefone 21 383 05 99), dirigida pelo incansável Elísio Luís Chaves.

Todos os associados e amigos da Aldraba, em particular os que escrevem e lêem poesia, são calorosamente convidados a comparecerem e a partilharem na sessão 3 ou 4 poemas da sua escolha.

JAF