sexta-feira, 19 de junho de 2026

Mamíferos selvagens em Portugal (5) - Doninhas

O nome científico da doninha comum é mustela nivalis

As doninhas possuem corpo alongado e esguio, com comprimento variando entre 17 e 55 cm, dependendo da espécie, e cauda proporcionalmente curta ou longa, podendo chegar a 20 cm em algumas espécies.

São predadores noturnos e solitários, caçando principalmente pequenos roedores, como ratos, mas também aves, ovos, insetos, répteis e, ocasionalmente, peixes. A sua habilidade de entrar em buracos e túneis estreitos permite capturar presas escondidas, tornando-os eficazes no controle de populações de roedores, o que beneficia ecossistemas e atividades humanas.

Segundo o investigador Francisco Álvares, especializado em mamíferos carnívoros, a doninha é “o carnívoro de menores dimensões da fauna portuguesa”.

Aparecem “numa grande variedade de ambientes, desde florestas mediterrâneas até prados alpinos, selecionando os habitats pela sua abundância de micromamíferos”, segundo o Atlas de Mamíferos de Portugal.

Em Portugal, os cientistas acreditam que as doninhas estão distribuídas por todo o território continental, “embora com grandes descontinuidades”, e também em algumas ilhas dos Açores. No entanto, como se trata de “uma espécie de difícil deteção”, havendo hoje um baixo número de registos, são necessários mais estudos sobre a presença deste mamífero, indica o Atlas.

JAF



sábado, 13 de junho de 2026

Ainda acerca do lenço dos namorados do Minho














Depois do post que aqui publicámos em 29 de maio último, com informação sobre a realidade etnográfica dos lenços de namorados do Minho, temos a notícia animadora de que esta preciosidade popular portuguesa acaba de ser registada no quadro jurídico da União Europeia para produtos artesanais e industriais, passando a ser protegida e reconhecida com Indicação Geográfica na UE (sistema que começou a ser aplicado em 1 de dezembro de 2025).

Segundo comunicado do Instituto da Propriedade Inteletual da União Europeia (EUIPO), divulgado no jornal Público, "Portugal é o país mais ativo no âmbito do novo sistema de proteção do património artesanal e industrial a nível europeu"...

Surpresa muito agradável, que saudamos calorosamente, e que contrasta com tanta indiferença e incúria que se tem observado sobre estes temas na nossa terra!

O diretor executivo do EUIPO, João Negrão, afirma que esta inscrição dos lenços de namorados do Minho evidencia "a riqueza e a diversidade cultural que o novo sistema europeu de indicações geográficas para produtos artesanais e industriais procura proteger".

E afirma ainda que se trata de "um símbolo importante da identidade portuguesa e da sua história, mas também de um exemplo de como as indicações geográficas podem ajudar a preservar o saber-fazer local, apoiar os artesãos e reforçar as economias em toda a Europa".

Os lenços de namorados do Minho fazem parte do primeiro grupo de produtos registados na União Europeia, a par com outros produtos solicitados pela Eslováquia, pela República Checa, pela Suécia, pela Eslovénia e pela França.

Na lista de produtos portugueses com processos de reconhecimento em curso estão bordados de Guimarães e das Caldas da Rainha, o fio de seda de Freixo de Espada à Cinta, a tecelagem de ponto alto da ilha de S. Jorge, os bonecos de Estremoz, a viola amarantina e a camisola poveira.

Informa o EUIPO que, durante os primeiros 6 meses de aplicação do novo regime, recebeu 74 pedidos de registo, o que reflete "o interesse contínuo e a crescente sensibilização dos produtores locais para a importância de combater a contrafação e a imitação".

JAF  

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Lenço dos namorados do Minho



O lenço dos namorados, também conhecido por lenço de pedido, lenço de conversados, lenço de comprometimento ou lenço de amor, é um lenço cuja origem é atribuída ao Minho, feito a partir de um pano de linho fino ou de lenço de algodão, bordado com motivos variados. É no entanto uma peça de artesanato e vestuário típica do Minho, com uma tradição local bastante marcada nas localidades de Vila Verde, Viana do Castelo, Guimarães e Amares, sendo tradicionalmente usado por mulheres vistas como tendo idade de casar.

Pensa-se que a origem dos lenços esteja ligada à nobreza portuguesa dos séculos XVII e XVIII, que se adornava de rendas e motivos bordados, que terão sido imitados pelas mulheres do povo, que criaram estes lenços. Os primeiros lenços deste tipo de que há testemunho datam de finais do século XIX.

Era hábito as raparigas bordarem lenços para entregar aos seus amados quando este se fosse ausentar - e que por vezes os rapazes mandavam bordar para oferecer às namoradas. O lenço servia tanto como prova de amor e compromisso, como instrumento de proteção. No entanto, existem também lenços em que a autora revela a disponibilidade do seu coração, e lenços de amor não correspondido. Nos lenços poderiam ter bordados versos, para além de vários desenhos, alguns padronizados, tendo simbologias próprias.

Era usado como ritual de conquista. Depois de confecionado, o lenço acabaria por chegar à posse do homem amado, que o passaria a usar em público - normalmente dobrado ao pescoço - como modo de mostrar que tinha dado início a uma relação. Se o namorado (também chamado de conversado) não usasse o lenço publicamente e o devolvesse, era sinal que tinha decidido não dar início a ligação amorosa.

Os lenços são habitualmente quadrados e bordados em linho ou algodão brancos, e variam em tamanho entre quinze e cinquenta centímetros de lado. São normalmente bordados de forma simétrica do centro para as pontas, e contêm inscrições (que incluem nomes, datas, frases e quadras), e elementos gráficos. Inicialmente usavam ponto-cruz, mas mais tarde outros tipos de ponto foram adicionados, como o ponto-espinha, o ponto cheio, o ponto pé-de-flor, o ponto nó, o ponto canutilho, o ponto em cadeia, o ponto de areia, o crivo, o ponto de recorte, ilhós. Os lenços mais antigos apresentam também um bordado mono ou bicromático, com a policromia atual desenvolvida mais tarde. Podem ainda apresentar bainhas abertas e picot.

Os motivos gráficos dos lenços estão normalmente ligados ao amor: casal de namorados, silva, chave, corações; à fidelidade: pombas, cães; ao casamento, através do uso de símbolos religiosos: cruzes, vasos, cibórios, custódias, candelabros. Para além destes, usam-se também motivos relacionados com a vida agrícola, com principal destaque para as vindimas: cestas, escadas, cântaros, barris, e também motivos alusivos à emigração: navios, pombas com cartas.

(Extraído da Wikipédia).

domingo, 24 de maio de 2026

Apresentação do n.º 39 da revista "Aldraba"


 








Na belíssima Sala Bento Martins, da Junta de Freguesia de Carnide, teve lugar em 22 de maio de 2026 a sessão de apresentação e lançamento do n.º 39 da revista "Aldraba".

A autarca Maria Vilar, com a também carnidense e nossa amiga Teresa Bispo, fizeram a apresentação calorosa do conteúdo da revista, acompanhada de forma interessada pelos 20 associados e amigos presentes.

JAF (fotos LFM)  



terça-feira, 19 de maio de 2026

Nomes de localidades em azulejos (cont.47)

 











Gota a gota, a intervalos de tempo cada vez mais dilatados, vão sendo descobertos novos exemplares das placas toponímicas que o Automóvel Club de Portugal colocou há cerca de 100 anos à entrada das localidades...

Desta vez, duas novas placas, velhinhas, ambas na sub-região Oeste, distrito de Lisboa, que foram fotografadas e enviadas à Aldraba (bem como uma terceira, que já reproduzimos no passado) pela nossa amiga Susana Rodrigues, incansável militante deste património, e que, ao longo dos 16 anos que levamos de post's alusivos, já nos forneceu 30 placas que publicámos, para além das muitas outras que ela forneceu ao blogue "Diário de Bordo" que também reproduzimos. Muito obrigado, querida Susana!

As duas placas de hoje são de:
- Cachimbos, localidade da freguesia de S. Quintino, concelho do Sobral de Monte Agraço; e
- Calçada, localidade da freguesia de Carnota, concelho de Alenquer.

Atingimos assim um total de 207 placas de azulejos divulgadas no nosso blogue, afetas a 181 diferentes localidades, situadas em 93 concelhos de todos os 18 distritos do continente português.

JAF

segunda-feira, 18 de maio de 2026

Maria Vilar vai apresentar o n.º 39 da revista "Aldraba", dia 22.5.2026, 18h, em Carnide























A nossa amiga Maria Vilar, ilustre cidadã da freguesia de Carnide, em Lisboa, vai dar-nos o gosto de fazer a apresentação pública do número 39 da nossa revista "Aldraba" na próxima 6.ª feira, dia 22.5.2026, a partir das 18 horas, na sala Bento Martins da Junta de Freguesia de Carnide, em Lisboa.

A Maria Vilar é uma mulher incontornável daquela zona de Lisboa, que foi presidente da Junta de Freguesia de Carnide desde os anos 1980's, em sucessivos mandatos, ultimamente presidente da Assembleia de Freguesia, que se define a si própria como mulher dos afetos, incansável lutadora de todos os combates cívicos e sociais da população da freguesia, seja no centro histórico, sejam os bairros novos, sejam as zonas populares da Horta Nova e do Bairro Padre Cruz.

A sede da Junta de Freguesia fica no Largo da Luz, frente à Igreja, e é servida pelos transportes públicos da Carris das linhas de autocarro 703 (Charneca-BºStªCruz), 726 (Sapadores-Pontinha), 764 (Cid.Universitária-Damaia), 767 (Cpº Mártires da Pátria-Reboleira e 55B (Carnide-circ.). As estações de Metro mais próximas são a do Colégio Militar e de Carnide (linha azul).

O sumário do n.º 39 da "Aldraba", já divulgado, é o seguinte:

EDITORIAL

As alterações climáticas

José Alberto Franco

OPINIÃO

Entre memória, território e experiência

Sandra Oliveira

60 000 anos a sobrevoar o imaginário humano

Miguel de Lemos Peixoto

Um olhar sobre as migrações humanas (I Parte)

Myriam Jubilot de Carvalho

PATRIMÓNIO IMATERIAL

O legado de Albino Moura

Luís Filipe Maçarico

ASSOCIATIVISMO E PATRIMÓNIO

Associação Do Fundo à Superfície

Manuel Camacho

50 anos da Constituição da República Portuguesa

Laurinda Figueiras

SABORES COM HISTÓRIA

Licor Beirão: biografia de um sabor português

Maria de Lurdes Pereira

Gastronomia alentejana: tradição identitária com alguma instabilidade

Luís Filipe Maçarico

DESABAFOS

Foi a 25 de abril que tudo finalmente mudou!

Rosário Narciso

CRÍTICA DE LIVROS

Mais do que um livro, “é uma poética da paisagem”

Ana Isabel Veiga

ALDRABA EM MOVIMENTO

O impacto da Aldraba na comunidade

Luís Filipe Maçarico e José Alberto Franco

Novembro de 2025 a abril de 2026

José Alberto Franco

 

O tio Moreno – Valdanta - Chaves (6)

Rodrigo Dias     (Verso da contracapa)

Amor de Maio

Jorge Serra de Almeida   (Contracapa)


JAF


quinta-feira, 14 de maio de 2026

A fisga











A fisga foi um objeto familiar para muitos jovens rapazes portugueses, há umas décadas atrás, em especial para os que viviam em áreas não-urbanas do país.

Era confecionada com materiais simples e sem custos pelos rapazes desembaraçados da nossa terra.

Como base um tronco de árvore bifurcado (escolhido com jeito e cortado entre os ramos de uma qualquer árvore), duas tiras de borracha para os elásticos laterais (obtidas, por exemplo, a partir de uma câmara de ar, já furada, de uma roda de bicicleta), e um pequeno pedaço de cabedal para servir de suporte às “munições” (pequenas pedras ou seixos).  

Horas e dias animados para a rapaziada pobre, que se divertia em provas de pontaria a objetos fixos, na caça às aves ligeiras, ou em outras malandrices mais ou menos censuráveis…

Uma calorosa recordação que nos foi trazida nos anos 1990’s por um grupo musical de duração efémera, que já evocámos aqui em agosto de 2025 num post relativo aos bilhetes postais dos CTT.

Trata-se do grupo que adotou o nome de Rio Grande, que reuniu seis notáveis artistas - o Rui Veloso, o Tim (dos Xutos e Pontapés), o João Gil (dos Trovante), o Jorge Palma, o Vitorino e o João Monge. Editaram em 1996 um álbum com o mesmo nome do grupo, e um segundo em 1998 com o nome de "Dia de Concerto".

Consta do primeiro desses álbuns uma bela peça, com letra do João Monge e música do João Gil, que hoje aqui reproduzimos:

A fisga

Trago a fisga no bolso de trás
E na pasta o caderno dos deveres
Mestre escola, eu sei lá se sou capaz
De escolher o melhor dos dois saberes

O meu pai diz que o sol é que nos faz
Minha mãe manda-me ler a lição
Mestre-escola, eu sei lá se sou capaz
Faz-me falta ouvir outra opinião

Eu até nem sequer sou mau rapaz
Com maneiras até sou bem mandado
Mestre escola diga lá se for capaz
P’ra que lado é que me viro, p’ra que lado

“Rio Grande”, 1996

JAF