segunda-feira, 19 de outubro de 2026
Mamíferos selvagens em Portugal (6) - Esquilos
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Pãezinhos típicos com um nome pitoresco
A Aldraba soube recentemente que, no corrente ano de 2026, foi certificada pelos serviços da Comissão Europeia com a distinção de DOP - Denominação de Origem Protegida mais uma especialidade portuguesa de pastelaria/padaria/confeitaria.
Essa especialidade dá pelo nome de caralhotas de Almeirim!
Estes pãezinhos são a 9.ª confeção portuguesa reconhecida pela UE, após os ovos moles de Aveiro, o pastel de Tentúgal, o pastel de carne de Chaves, o pão de ló de Ovar, a fogaça da Feira, o folar de Valpaços, a amêndoa coberta de Moncorvo e o pastel de feijão de Torres Vedras. Portugal (ex-aequo com a República Checa) ocupa o 4.º lugar entre os 27 países da União com mais produtos certificados nesta especialidade, só ultrapassado pela Itália, pela França e pela Alemanha.
Debrucemo-nos então um pouco sobre esta preciosidade de padaria regional, que passa a estar juridicamente protegida contra a imitação, a utilização e as referências enganosas em todo o espaço comunitário.
Segundo o site oficial da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, as caralhotas de Almeirim são pequenos pães, com um diâmetro médio de 15 cm, de forma arredondada, côdea quebradiça e estaladiça, de tonalidade acastanhada, e miolo rústico, com olhos pequenos a médios. Os pães são amassados e obtidos através de métodos típicos da região de Almeirim, do distrito de Santarém.
As matérias-primas
utilizadas no fabrico das caralhotas de Almeirim são farinha de trigo de
tipo 55 ou tipo 65 ou similar; fermento de padeiro e/ou “pão acrescentado”, ou
seja, massa que ficou de véspera a levedar (cerca de 1% por cada 100 kg de
farinha); água (50-65% por cada 100 kg de farinha) e sal (1,5% por cada 100 kg
de farinha). A produção passa pela mistura dos ingredientes e
amassadura, depois a massa é levedada e por fim as “caralhotas" são
cozidas em forno, geralmente no forno tradicional a lenha.
O nome “caralhota” é
como se chama ao borboto das camisolas de lã, na região de Almeirim. A história
deste pão, segundo o transmitido oralmente de geração em geração, é a de que havia uma velhinha que estava a cozer pão e a filha raspou o alguidar de barro
e fez uma bolinha com os restos. Quando a senhora perguntou o que ela estava a
fazer, respondeu: ‘Uma caralhota, mãe!’ E ficou assim...
As caralhotas de Almeirim, segundo relatos dos historiadores do concelho, deverão ter surgido entre o século XIX e princípios do século XX.
“Há 40 e tal anos que faço pão. Ando sempre com a caralhota na mão. Não tenho férias, não vou para lado nenhum”. A citação é de Dona Emília David, que vai para 50 anos que leva ao forno as caralhotas de Almeirim e é a padeira mais popular da cidade onde o pão acompanha a Sopa da Pedra.
Foi em particular a restauração que deu fama a este pão redondo, com côdea estalica e o miolo rústico.
“As pessoas diziam-me que eu sabia fazer várias
coisas e comecei a fazer a caralhota doce que é recheada com canela, maçã e
noz, é muito boa. Faço ainda de torresmos, outra versão é de azeitona, orégão, azeite e alho, e também só com alho, farinheira, chouriça, e temos a caralhota
da pedra. É a última e é muito boa.”
JAF
domingo, 27 de setembro de 2026
Visita às exposições de pintura e de desenho de Artur Bual, em 26.9.2026
sábado, 19 de setembro de 2026
Até logo, Ricardo!
Com 36 anos de idade, o Ricardo Monteiro era um expoente da nova geração de ativistas sociais que, felizmente, despontam constantemente no contexto das associações, dos clubes, das autarquias e dos movimentos de base, em Lisboa e no resto do país.
Em Santos-o-Velho, onde nasceu, na Estrela, nos Olivais e em tantos outros locais da cidade de Lisboa em que militou, o Ricardo era um exemplo de dinamismo e criatividade que arrastava tudo à sua volta.
A doença, implacável, acaba de o levar... Estamos todos com uma enorme consternação, e com grande comoção com os seus familiares, amigos e companheiros!
Estivemos hoje dois membros dos órgãos sociais da Aldraba a exprimir, na igreja e no cemitério onde decorreram as homenagens, a nossa solidariedade, em particular ao pai - Luís Filipe Monteiro -, infatigável autarca da região ocidental de Lisboa.
Honra à memória do Ricardo, e que o seu exemplo brilhante possa frutificar!
JAF
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
15.ª visita a espaços de interesse para o património – Exposição “O Amor é Redondo”, na Galeria Municipal Artur Bual, Amadora, no sábado 26.9.2026, às 15h
O centenário do
nascimento do pintor, desenhador, escultor e ceramista Artur Bual, completou-se
no passado mês de agosto de 2026.
Assinalando esse
aniversário, a associação Aldraba leva a efeito no último sábado
deste mês, 26 de setembro, às 15 horas, uma visita guiada à sua exposição de
pintura “O amor é redondo”, que está patente na Galeria Municipal Artur
Bual, na Amadora.
A visita vai ser
acompanhada e guiada pela filha do artista, Maria João Bual.
Depois da visita à
exposição de pintura, poderemos ainda visitar a exposição de desenhos do Artur
Bual que está em exibição na Biblioteca Municipal Piteira Santos, muito próxima
da Galeria.
* * *
O Artur Bual foi
um expoente artístico do nosso séc. XX, que necessita de ser mais conhecido e
valorizado. Acerca dele, já se escreveu:
“A serena
inquietação dos seus gestos e movimentos poisa como pássaro de nenhum lugar nas
telas, indiciando a universalidade do traço de transpirações luminosas, com a
existência esvaindo-se em gritos festivos de raiva e amor.
Ele é unicamente
um ser original e truculento, sábio e criança, ingénuo e emotivo, mordaz e
perturbante, a fervilhar pela rua das conversas, na tasca da esquina ou à hora
de criação, sorvendo a essência de tudo, para na cara dos outros em cada poro
poder sentir que o sangue ainda está quente (…).
O Bual nunca
caberá nas definições fervorosas dos admiradores do seu trabalho, e será também
o sorriso maroto e aqueles dedos manchados de café e tinta, no frenesi de
saborear histórias sobre o rosto dos guardanapos depois de petiscar moelas, com
casqueiro e vinho da casa”.
* * *
A Galeria
Municipal Artur Bual fica na Rua Luís de Camões, 2 - Venteira, 2700-535
Amadora, próximo da estação ferroviária da Amadora, e é bem servida também por
transportes coletivos rodoviários.
Convidam-se todos
os associados e amigos da Aldraba a aparecerem e participarem nesta visita, e a
trazerem consigo outros amigos e familiares.
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
Longa vida ao GDE "Os Combatentes"!
Com uma pequena cerimónia - que incluiu o hastear das bandeiras da coletividade, da CPCCRD, da cidade de Lisboa e de Portugal - iniciaram-se ontem à noite as comemorações dos 120 anos do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", que decorrem ao longo dos meses de setembro e outubro de 2026 e de que daremos notícias oportunamente.
A fotografia regista a presença ontem do presidente da Associação das Coletividades do Concelho de Lisboa, Artur Botão, com o presidente da Assembleia Geral e vários membros da Direção d'"Os Combatentes".
A Aldraba, que tem há muito tempo um protocolo de amizade e cooperação com o GDEC, deseja as maiores felicidades a esta notável coletividade popular de Lisboa.
JAF
quinta-feira, 27 de agosto de 2026
A trança
Reproduzimos, com a devida vénia, um texto da nossa amiga Natércia Duarte que ela publicou há dias na sua página de facebook:
Ela tinha o cabelo prateado, da cor que a lua tem quando está alta. Era macio e tão comprido que, quando liberto da trança, lhe afagava a cintura, também ela fina, apesar da idade e dos muitos filhos que a tinham abraçado por dentro.
Durante
o dia, o seu cabelo vivia aprisionado no alto da sua cabeça, como se um
encantamento o tivesse transformado em flor. Flor redonda e bela. Tão quieta.
Mas
quando a noite chegava, quebrava-se o feitiço, e nas sombras do candeeiro ou na
luz coada do luar, as pétalas daquela flor desfaziam-se e transformavam-se em
rio.
-
Posso pentear-te, avó?
Guiado pela minha mão direita, o pente descia devagar, distribuindo os fios de prata pelas costas… a mão esquerda descia atrás, acariciando os fios mais rebeldes…
Por fim, os dedos da minha avó, transformados em agulhas de bordar, dividiam o
rio em três ribeirinhos que sabiam dançar a dança de entrelaçar cabelos.
-
Já está, vamos dormir. – dizia a avó, dando o último retoque na atadura da
trança.
-
Está bem, avó. Mas não se esqueça do conto.
Os lençóis de linho lavados na ribeira cheiravam a sabão e a esteva.
Eu
aconchegava-me no calor morno da sua pele, ouvia a sua voz tecendo palavras de
contar histórias e adormecia sonhando que a trança era uma corda para salvar
princesas da torre, para descer a poços fundos e negros em busca de tesouros ou
para subir aos telhados como os gatos que namoram as estrelas.
Natércia Duarte, 24/8/2026












