segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Mamíferos selvagens em Portugal (6) - Esquilos


Registamos hoje mais uma das 19 espécies animais selvagens inventariadas em setembro de 2025 no primeiro post desta série.

O esquilo scirius vulgaris é a espécie tradicional da Península Ibérica e de grande parte da Europa. 

Em Portugal, esta espécie adapta-se bem a bosques de carvalho, pinheiro-bravo, pinhal, matagal e zonas urbanas com cobertura arbórea. 

Caracteriza-se por uma pelagem que varia entre tons avermelhados e acastanhados, com uma cauda farta que funciona como leme de equilíbrio durante os saltos entre ramos. 

Este esquilo é diurno, ativo pela manhã e ao final da tarde, e utiliza as tocas criadas no tronco de árvores para guardar alimento e abrigar filhotes. A sua presença  em Portugal está associada a habitats com diversidade de árvores, disponibilidade de sementes, folhas e fungos, bem como a áreas com relativa estabilidade climática. 

JAF (foto e texto extraídos da internet)

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Pãezinhos típicos com um nome pitoresco





A Aldraba soube recentemente que, no corrente ano de 2026, foi certificada pelos serviços da Comissão Europeia com a distinção de DOP - Denominação de Origem Protegida mais uma especialidade portuguesa de pastelaria/padaria/confeitaria.

Essa especialidade dá pelo nome de caralhotas de Almeirim!

Estes pãezinhos são a 9.ª confeção portuguesa reconhecida pela UE, após os ovos moles de Aveiro, o pastel de Tentúgal, o pastel de carne de Chaves, o pão de ló de Ovar, a fogaça da Feira, o folar de Valpaços, a amêndoa coberta de Moncorvo e o pastel de feijão de Torres Vedras. Portugal (ex-aequo com a República Checa) ocupa o 4.º lugar entre os 27 países da União com mais produtos certificados nesta especialidade, só ultrapassado pela Itália, pela França e pela Alemanha.

Debrucemo-nos então um pouco sobre esta preciosidade de padaria regional, que passa a estar juridicamente protegida contra a imitação, a utilização e as referências enganosas em todo o espaço comunitário.

Segundo o site oficial da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, as caralhotas de Almeirim são pequenos pães, com um diâmetro médio de 15 cm, de forma arredondada, côdea quebradiça e estaladiça, de tonalidade acastanhada, e miolo rústico, com olhos pequenos a médios. Os pães são amassados e obtidos através de métodos típicos da região de Almeirim, do distrito de Santarém.

As matérias-primas utilizadas no fabrico das caralhotas de Almeirim são farinha de trigo de tipo 55 ou tipo 65 ou similar; fermento de padeiro e/ou “pão acrescentado”, ou seja, massa que ficou de véspera a levedar (cerca de 1% por cada 100 kg de farinha); água (50-65% por cada 100 kg de farinha) e sal (1,5% por cada 100 kg de farinha). A produção passa pela mistura dos ingredientes e amassadura, depois a massa é levedada e por fim as “caralhotas" são cozidas em forno, geralmente no forno tradicional a lenha.

O nome “caralhota” é como se chama ao borboto das camisolas de lã, na região de Almeirim. A história deste pão, segundo o transmitido oralmente de geração em geração, é a de que havia uma velhinha que estava a cozer pão e a filha raspou o alguidar de barro e fez uma bolinha com os restos. Quando a senhora perguntou o que ela estava a fazer, respondeu: ‘Uma caralhota, mãe!’ E ficou assim...

As caralhotas de Almeirim, segundo relatos dos historiadores do concelho, deverão ter surgido entre o século XIX e princípios do século XX.

“Há 40 e tal anos que faço pão. Ando sempre com a caralhota na mão. Não tenho férias, não vou para lado nenhum”. A citação é de Dona Emília David, que vai para 50 anos que leva ao forno as caralhotas de Almeirim e é a padeira mais popular da cidade onde o pão acompanha a Sopa da Pedra.

Foi em particular a restauração que deu fama a este pão redondo, com côdea estalica e o miolo rústico.

“As pessoas diziam-me que eu sabia fazer várias coisas e comecei a fazer a caralhota doce que é recheada com canela, maçã e noz, é muito boa. Faço ainda de torresmos, outra versão é de azeitona, orégão, azeite e alho, e também só com alho, farinheira, chouriça, e temos a caralhota da pedra. É a última e é muito boa.”

JAF 

domingo, 27 de setembro de 2026

Visita às exposições de pintura e de desenho de Artur Bual, em 26.9.2026







































Um grupo interessado e interveniente de associados e amigos da Aldraba ocupou a tarde de sábado, 26 de setembro de 2026, a visitar a bela exposição de pintura de Artur Bual que tem estado patente na Galeria Municipal da Amadora, e ainda tiveram ocasião de saborear a exposição de desenhos do mesmo autor no auditório da biblioteca municipal.

A acompanhar-nos esteve a incansável Maria João Bual, filha do autor, que nos transmitiu histórias preciosas sobre a vida e o trabalho deste grande artista plástico do séc. XX português, e que, no final, presenteou a nossa associação com uma serigrafia do pai (reprodução de um inspirado Cristo), e com um exemplar do magnífico álbum fotográfico "Extractos da Obra".

A nossa gratidão, querida Maria João!

JAF (fotos de LFM e JNarciso) 



sábado, 19 de setembro de 2026

Até logo, Ricardo!


 














Com 36 anos de idade, o Ricardo Monteiro era um expoente da nova geração de ativistas sociais que, felizmente, despontam constantemente no contexto das associações, dos clubes, das autarquias e dos movimentos de base, em Lisboa e no resto do país.

Em Santos-o-Velho, onde nasceu, na Estrela, nos Olivais e em tantos outros locais da cidade de Lisboa em que militou, o Ricardo era um exemplo de dinamismo e criatividade que arrastava tudo à sua volta.

A doença, implacável, acaba de o levar... Estamos todos com uma enorme consternação, e com grande comoção com os seus familiares, amigos e companheiros!

Estivemos hoje dois membros dos órgãos sociais da Aldraba a exprimir, na igreja e no cemitério onde decorreram as homenagens, a nossa solidariedade, em particular ao pai - Luís Filipe Monteiro -, infatigável autarca da região ocidental de Lisboa.

Honra à memória do Ricardo, e que o seu exemplo brilhante possa frutificar!

JAF

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

15.ª visita a espaços de interesse para o património – Exposição “O Amor é Redondo”, na Galeria Municipal Artur Bual, Amadora, no sábado 26.9.2026, às 15h





















O centenário do nascimento do pintor, desenhador, escultor e ceramista Artur Bual, completou-se no passado mês de agosto de 2026.

Assinalando esse aniversário, a associação Aldraba leva a efeito no último sábado deste mês, 26 de setembro, às 15 horas, uma visita guiada à sua exposição de pintura “O amor é redondo”, que está patente na Galeria Municipal Artur Bual, na Amadora.

A visita vai ser acompanhada e guiada pela filha do artista, Maria João Bual.

Depois da visita à exposição de pintura, poderemos ainda visitar a exposição de desenhos do Artur Bual que está em exibição na Biblioteca Municipal Piteira Santos, muito próxima da Galeria.

*   *   *

O Artur Bual foi um expoente artístico do nosso séc. XX, que necessita de ser mais conhecido e valorizado. Acerca dele, já se escreveu:

“A serena inquietação dos seus gestos e movimentos poisa como pássaro de nenhum lugar nas telas, indiciando a universalidade do traço de transpirações luminosas, com a existência esvaindo-se em gritos festivos de raiva e amor.

Ele é unicamente um ser original e truculento, sábio e criança, ingénuo e emotivo, mordaz e perturbante, a fervilhar pela rua das conversas, na tasca da esquina ou à hora de criação, sorvendo a essência de tudo, para na cara dos outros em cada poro poder sentir que o sangue ainda está quente (…).

O Bual nunca caberá nas definições fervorosas dos admiradores do seu trabalho, e será também o sorriso maroto e aqueles dedos manchados de café e tinta, no frenesi de saborear histórias sobre o rosto dos guardanapos depois de petiscar moelas, com casqueiro e vinho da casa”.

*   *   * 

A Galeria Municipal Artur Bual fica na Rua Luís de Camões, 2 - Venteira, 2700-535 Amadora, próximo da estação ferroviária da Amadora, e é bem servida também por transportes coletivos rodoviários.

Convidam-se todos os associados e amigos da Aldraba a aparecerem e participarem nesta visita, e a trazerem consigo outros amigos e familiares.

JAF 


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Longa vida ao GDE "Os Combatentes"!


 

Com uma pequena cerimónia - que incluiu o hastear das bandeiras da coletividade, da CPCCRD, da cidade de Lisboa e de Portugal - iniciaram-se ontem à noite as comemorações dos 120 anos do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", que decorrem ao longo dos meses de setembro e outubro de 2026 e de que daremos notícias oportunamente.

A fotografia regista a presença ontem do presidente da Associação das Coletividades do Concelho de Lisboa, Artur Botão, com o presidente da Assembleia Geral e vários membros da Direção d'"Os Combatentes".

A Aldraba, que tem há muito tempo um protocolo de amizade e cooperação com o GDEC, deseja as maiores felicidades a esta notável coletividade popular de Lisboa.

JAF

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A trança


Reproduzimos, com a devida vénia, um texto da nossa amiga Natércia Duarte que ela publicou há dias na sua página de facebook:


Ela tinha o cabelo prateado, da cor que a lua tem quando está alta. Era macio e tão comprido que, quando liberto da trança, lhe afagava a cintura, também ela fina, apesar da idade e dos muitos filhos que a tinham abraçado por dentro.

Durante o dia, o seu cabelo vivia aprisionado no alto da sua cabeça, como se um encantamento o tivesse transformado em flor. Flor redonda e bela. Tão quieta.

Mas quando a noite chegava, quebrava-se o feitiço, e nas sombras do candeeiro ou na luz coada do luar, as pétalas daquela flor desfaziam-se e transformavam-se em rio.

- Posso pentear-te, avó?

Guiado pela minha mão direita, o pente descia devagar, distribuindo os fios de prata pelas costas… a mão esquerda descia atrás, acariciando os fios mais rebeldes… 

Por fim, os dedos da minha avó, transformados em agulhas de bordar, dividiam o rio em três ribeirinhos que sabiam dançar a dança de entrelaçar cabelos.

- Já está, vamos dormir. – dizia a avó, dando o último retoque na atadura da trança.

- Está bem, avó. Mas não se esqueça do conto.

Os lençóis de linho lavados na ribeira cheiravam a sabão e a esteva. 

Eu aconchegava-me no calor morno da sua pele, ouvia a sua voz tecendo palavras de contar histórias e adormecia sonhando que a trança era uma corda para salvar princesas da torre, para descer a poços fundos e negros em busca de tesouros ou para subir aos telhados como os gatos que namoram as estrelas.


Natércia Duarte, 24/8/2026