domingo, 3 de maio de 2026

Memória, território e experiência nas Linhas de Torres Vedras

 








Texto da técnica Sandra Oliveira, da Câmara Municipal de Sobral de Monte Agraço, publicado no número 39 da revista "Aldraba":

ENTRE MEMÓRIA, TERRITÓRIO E EXPERIÊNCIA

Centro de Interpretação das Linhas de Torres e Circuito do Alqueidão

No contexto da valorização do património histórico em Portugal, as Linhas de Torres têm vindo a afirmar-se como um exemplo relevante de articulação entre cultura, turismo e desenvolvimento territorial. Há territórios onde a história não se limita a ser evocada — é vivida, percorrida e reinterpretada. Em Sobral de Monte Agraço, essa relação entre passado e presente materializa-se de forma particularmente expressiva através do Centro de Interpretação das Linhas de Torres e do Circuito do Alqueidão, pela forma como têm contribuído para a dinamização cultural e turística do concelho.

As Linhas de Torres Vedras são, hoje, um dos mais notáveis exemplos de como o património histórico pode ser motor de cultura, turismo e desenvolvimento local. O maior sistema defensivo da Europa foi construído entre 1809 e 1810 no contexto das Invasões Francesas. Mais do que uma infraestrutura militar, representam um exercício de planeamento estratégico, engenharia e mobilização de recursos humanos sem precedentes em território nacional.

A sua eficácia ficou demonstrada ao travar o avanço das tropas napoleónicas, sem nunca serem testadas em combate direto: a sua “simples” existência, assente no conhecimento do território, foi suficiente para a dissuasão militar.

Mas a relevância das Linhas de Torres não se esgota na sua dimensão histórica. Elas constituem também um testemunho da vivência das populações locais, marcadas pela aplicação da política de “terra queimada”, que implicou o abandono de bens e territórios em nome de uma estratégia coletiva de resistência. É neste cruzamento entre história militar e história social que se constrói grande parte do seu significado contemporâneo.

É, contudo, na sua projeção contemporânea que este património adquire uma nova centralidade. As Linhas de Torres integram, hoje, um conjunto de redes e itinerários que se inscrevem nas políticas culturais europeias de valorização do património como fator de coesão, identidade e desenvolvimento. Inserem-se nos Itinerários Napoleónicos em Portugal e nas Rotas Napoleónicas por Espanha e Portugal, mas é sobretudo através do Itinerário Cultural Europeu Destination Napoleon que ganham enquadramento estratégico no contexto europeu.

Reconhecidos pelo Conselho da Europa, os Itinerários Culturais Europeus constituem instrumentos de política cultural que promovem uma leitura transnacional do património, valorizando temas comuns à história europeia e incentivando a cooperação entre territórios. Neste quadro, o património deixa de ser entendido apenas numa lógica local ou nacional, passando a integrar narrativas mais amplas, que cruzam fronteiras e promovem o diálogo intercultural.

Através da Rota Histórica das Linhas de Torres, este território integra ainda a Federação Europeia das Cidades Napoleónicas, que reúne cerca de 50 cidades europeias associadas à herança napoleónica. Esta integração não é apenas simbólica, traduz-se na participação em projetos de cooperação, na partilha de boas práticas e na construção de uma identidade europeia assente na memória comum. Ao mesmo tempo, contribui para posicionar territórios de menor escala, como o Sobral de Monte Agraço, em redes internacionais de relevância cultural e turística.

Neste contexto, o Centro de Interpretação das Linhas de Torres (CILT), localizado na Praça Dr. Eugénio Dias — cenário do combate ocorrido a 12 de outubro de 1810 —, assume-se como um espaço privilegiado para a leitura desse território multiescalar. Mais do que um equipamento expositivo, o CILT funciona como uma plataforma de mediação cultural, onde o visitante é convidado a compreender o território na sua complexidade histórica, social e paisagística, mas também na sua inserção em dinâmicas europeias.

É também uma porta de entrada para compreender o território como um todo.

Aqui, a história ganha vida através de recursos interativos, maquetes e conteúdos envolventes que ligam o passado ao presente. Mais do que conhecer factos, o visitante é convidado a descobrir histórias:

·        Porque não foi ocupada pelos franceses a Casa dos Condes de Sobral durante a sua permanência na vila?

·      O que está por detrás do nome “Rua das Casas Queimadas”, que ainda hoje é recordado pelos sobralenses?

·        O que aconteceu ao arquivo municipal anterior a 1810?

·        E, afinal, o que têm os scones a ver com o Sobral?

São estas pequenas curiosidades que tornam a experiência única e próxima, transformando o conhecimento em descoberta.

O CILT distingue-se ainda pela sua forte dimensão de mediação cultural. É um espaço pensado para todos — desde visitantes ocasionais a investigadores, passando por famílias e escolas —, promovendo uma relação ativa com o património e incentivando a sua apropriação pelas comunidades, contribuindo para a construção de uma relação contemporânea com o património, assente na participação, na reflexão e na partilha de conhecimento.

Esta experiência prolonga-se para além do espaço museológico, encontrando no território a sua expressão mais plena. Por isso, para compreender verdadeiramente a dimensão das Linhas e o papel do Sobral na Terceira Invasão Francesa, é preciso sair do edifício e entrar no território.

O Circuito do Alqueidão constitui, neste sentido, um exemplo paradigmático de como o património pode ser ativado através da fruição direta.

Localizado na serra do Olmeiro, o circuito integra quatro dos cinco fortes que compunham o Grande Reduto do Sobral, incluindo o Forte do Alqueidão, uma das estruturas mais relevantes de todo o sistema. Este forte desempenhou funções de comando tático, sob a liderança de Arthur Wellesley, figura central na estratégia militar aliada.

A cerca de 439 metros de altitude, o local oferece uma leitura privilegiada da paisagem e da lógica defensiva das Linhas. A amplitude visual — que abrange o rio Tejo, o Oceano Atlântico, as serras envolventes, a própria cidade de Lisboa e, em dias sem neblina, as Berlengas e o Palácio de Sintra — permite compreender, de forma quase intuitiva, a racionalidade territorial que sustentou este sistema.

O percurso pedestre que estrutura o circuito recupera, em parte, os antigos caminhos militares utilizados para o transporte de recursos e tropas. Ao longo do trajeto, o visitante cruza-se com vestígios materiais das fortificações, dispositivos interpretativos e elementos naturais que contribuem para uma experiência imersiva. Esta articulação entre património cultural e paisagem natural configura um modelo de fruição integrada, cada vez mais valorizado no contexto do turismo contemporâneo.

Para além da dimensão física, o Circuito do Alqueidão possui uma forte carga simbólica. A experiência de percorrer estes espaços implica um exercício de imaginação histórica, no qual se evocam os quotidianos dos soldados e das populações, as estratégias militares e as vivências associadas ao conflito.

E há detalhes que surpreendem: entre os aspetos mais curiosos associados às Linhas de Torres, destaca-se o elevado grau de secretismo que envolveu a sua construção, apesar de milhares de trabalhadores  e militares para aí terem sido mobilizados durante vários meses. A utilização de técnicas de camuflagem natural e a integração das estruturas na paisagem reforçavam essa invisibilidade estratégica. No caso do Forte do Alqueidão, a sua capacidade — cerca de 1600 homens e 27 peças de artilharia — evidencia a escala e a importância deste ponto no dispositivo defensivo.

São pormenores como estes que revelam a dimensão humana e estratégica deste património.

Na atualidade, o Centro de Interpretação e o Circuito do Alqueidão assumem um papel determinante na valorização e divulgação deste património, integrando uma estratégia mais ampla de desenvolvimento territorial promovida pela Rota Histórica das Linhas de Torres. Para além da função turística, estes equipamentos desempenham uma relevante missão educativa e cultural, alinhada com princípios contemporâneos de cidadania e sustentabilidade.

Mais do que visitar, trata-se de participar.

O CILT desenvolve um programa educativo dirigido às escolas que, a partir da história da guerra, promove valores de paz, pensamento crítico e reflexão sobre os desafios contemporâneos, em ligação com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Para o público em geral, o programa Expor(A)lqueidão, entre maio e outubro, convida à descoberta mensal do território através de múltiplas perspetivas — ambiental, astronómica, desportiva ou de bem-estar.

Já o Dia Nacional das Linhas de Torres, assinalado a 20 de outubro, traz consigo um mês inteiro de celebração, incluindo a mostra gastronómica À Mesa dos Generais e diversas atividades para todos os públicos. E, em dezembro, o aniversário do CILT reforça a ligação entre comunidade e património, e quem nos visita pode ficar a par de todos os eventos subscrevendo a newsletter no site www.cilt.pt

Num tempo em que se procura valorizar o património como recurso para o desenvolvimento sustentável, estes exemplos mostram como é possível transformar memória em experiência, território em narrativa e história em futuro.

Porque, no Sobral, o passado não ficou para trás — continua a ser vivido, partilhado e reinventado.

Sandra Oliveira

quinta-feira, 30 de abril de 2026

21.º aniversário muito animado


 


O salão da Casa do Concelho de Alvaiázere ficou repleto com os 26 associados e alguns amigos da Aldraba, que acorreram em 29.4.2026 ao convívio, com o caráter de jantar informal, que assinalou os nossos 21 anos (que se completaram no passado dia da liberdade).

A confraternização de mais de 3 horas foi particularmente animada, com o reencontro de muitos companheiros de longa data, e com o conhecimento inicial de quem estava pela primeira vez... Partilharam-se experiências, sensibilidades e conhecimentos, tudo isto no enquadramento de amizade que a Aldraba proporciona há longos anos.

O jantar propriamente dito foi bastante agradável, com o inevitável chícharo - leguminosa seca que é símbolo de Alvaiázere - como entrada, numa bela salada com atum, a que se seguiu boa sopa de legumes, o prato principal de lombo assado com arroz, acompanhado de migas de chícharo, pudim e café.

No final do repasto, proferiram breves palavras o presidente da direção da Aldraba, José Alberto Franco, o amigo Madrugo da direção da Casa de Alvaiázere, o presidente da Assembleia Geral da Aldraba, Jorge Branco, o antigo presidente da Associação das Coletividades do Concelho de Lisboa, Pedro Franco (que se fez associado da Aldraba), o presidente da Associação das Casas Regionais de Lisboa, Elísio Chaves. e a amiga Isabel Barata, da Catering dos Sabores, cuja equipa confecionou o saboroso jantar.

Longa vida à ALDRABA - Associação do Espaço e Património Popular!

JAF (fotos LPereira)

terça-feira, 28 de abril de 2026

Alterações climáticas

 

Pré-publicação do editorial do n.º 39 da revista "Aldraba":

Alterações climáticas

Nos passados meses de janeiro e fevereiro, tempestades brutais varreram largas zonas do Centro de Portugal, deixando atrás de si um cortejo de devastação, desolação, sofrimento humano, algumas vítimas e muita destruição de casas, de infraestruturas e, até, de algum património cultural – como no edificado religioso (que obrigarão a um gigantesco esforço de reconstrução).

É inevitável que todos associemos estes factos, e outros que se vêm sucedendo pelo mundo fora, às chamadas alterações climáticas, entendidas como as variações dos padrões meteorológicos de longo prazo na Terra, como a temperatura, os níveis do mar e a precipitação de chuva, com causas (ou, pelo menos, fatores de aceleração) na atividade humana.

A associação Aldraba e a sua revista, atentas a tudo quanto afeta e preocupa as nossas populações, não podem deixar de dar aqui um pequeno contributo para a obrigatória reflexão coletiva a este respeito.

Alguns negacionistas continuam a tentar semear dúvidas e minorar os problemas. Absurdo! Como muito bem escreveu, recentemente, Adolfo Mesquita Nunes, “o consenso científico é robusto: as alterações climáticas são reais, estão a acontecer e têm causas humanas identificáveis. Negar isto é negar décadas de dados empíricos, recolhidos e analisados por milhares de investigadores de todo o mundo, sujeitos a revisão por pares e a replicação independente”.

O aumento da temperatura média da Terra é um exemplo de alteração climática. A temperatura na Terra é regulada pelo chamado efeito de estufa: parte da radiação que o planeta recebe do Sol é refletida de volta para a atmosfera e, aí, é absorvida pelos “gases com efeito de estufa”, aquecendo a Terra. Isto veio intensificar mudanças nos padrões meteorológicos, como a precipitação, e a frequência e intensidade de fenómenos extremos, como secas, ondas de calor, inundações, cheias e furacões.

A queima de combustíveis fósseis como o petróleo, o carvão e o gás natural, junto com a agricultura, a pecuária e a desflorestação, emitem crescentemente para a atmosfera gases com efeito de estufa (dióxido de carbono, óxido nitroso e metano) e diminuem a extensão dos processos de remoção do carbono.

Em face desta constatação, todos os cidadãos conscientes e solidários que, como a Aldraba tem vindo a modestamente preconizar, se preocupam com o futuro, com a sustentabilidade das suas terras e com a felicidade das novas gerações, têm de adotar nas suas práticas individuais e coletivas comportamentos adequados.

Não é possível inverter as alterações climáticas, mas podemos, cada um de nós, contribuir para atenuar os seus efeitos, diminuindo a quantidade de emissões de dióxido de carbono libertadas para a atmosfera, com mudanças drásticas em setores como os transportes, a energia, a indústria, a habitação, a gestão dos resíduos e a agricultura, tornando a nossa sociedade mais resiliente, designadamente na utilização mais eficiente dos recursos hídricos escassos, na adaptação das práticas agrícolas e florestais e na garantia de que os edifícios e as infraestruturas serão capazes de resistir às condições climáticas e aos eventos extremos do futuro. 

Somos todos desafiados a mudar as nossas atitudes no dia-a-dia, como seja na redução da produção de resíduos, no evitar das deslocações em veículos motorizados, no dar prioridade às viagens em grupo em lugar das individuais, no uso dos transportes coletivos em vez do automóvel pessoal, etc..

No que se refere aos transportes coletivos, o economista Lino Fernandes alertava-nos há dias nas redes sociais, num tom otimista, que o efeito na substituição dos combustíveis fósseis pode ser mais rápido no caso português, porque os meios coletivos, no essencial, já estão eletrificados. A rede de comboios tem uma elevada taxa de eletrificação nas zonas metropolitanas e não só, e o transporte fluvial urbano também deu um grande salto na eletrificação, podendo ambos aumentar, rapidamente, o número de passageiros transportados.

É certo que os autocarros de passageiros têm, entre nós, uma taxa de eletrificação menor, mas temos produção nacional de veículos elétricos que pode ser aumentada.

Assim, que a nossa ação cívica, como seja, junto das autarquias e de outras entidades locais, se oriente pela reivindicação de investimentos que carecem de ser feitos na correção de infraestruturas e na maior produção de veículos limpos, e numa decidida transformação da oferta de serviços de transportes, satisfazendo, em termos de frequência e de cobertura dos dias da semana, as reais necessidades das populações.

No que se refere ao transporte de mercadorias, em que as viaturas rodoviárias pesadas queimam quase metade dos combustíveis líquidos consumidos, a aposta tem de ser decididamente na ferrovia para os percursos médios e longos, combinada com as viaturas elétricas ligeiras para a distribuição fina.

Como se vê, coloca-se à nossa frente um largo e exigente campo de intervenção, para todos os cidadãos que queiram efetivamente ser atores nas transformações obrigatórias a introduzir nas nossas sociedades doentes.

José Alberto Franco


quarta-feira, 22 de abril de 2026

Jantar comemorativo dos 21 anos da associação Aldraba










No próximo dia 25 de abril de 2026, sábado, completam-se 21 anos sobre a Assembleia Geral constituinte que fundou a nossa Associação.

Nesse dia, além do grande desfile popular do 25 de abril pela Avenida da Liberdade, realizam-se muitas outras atividades comemorativas que tornariam difícil promovermos uma celebração autónoma da Aldraba.

Assim, optou-se por organizar um jantar comemorativo do nosso 21.º aniversário na quarta-feira seguinte, dia 29 de abril de 2026, a partir das 19 h, na Casa do Concelho de Alvaiázere (sita na rua Eça de Queirós, 13, em Lisboa, numa transversal da av. Duque de Loulé, próximo do Marquês do Pombal).

O menu do jantar incluirá entradas de azeitonas, queijo e pão, prato de lombo assado com migas de chícharo, vinho/água, sobremesa e café, ao preço único de 20€, com outras bebidas pagas à parte. 

Os interessados em participar neste jantar de aniversário devem manifestar-se até 3.ª feira, 28 de abril, junto de aldrabaassociacao@gmail.com, ou junto do Albano Ginja (albanoginja@gmail.com ou T.914773956) ou ainda do José Alberto Franco (jaffranco@gmail.com ou T.963708481).

JAF


domingo, 19 de abril de 2026

Para breve o n.º 39 da revista "Aldraba"











O número 39 da revista "Aldraba" está em composição na gráfica, e estima-se para breve a sua publicação e divulgação. 

Desde já se dá a conhecer o plano desta edição:


EDITORIAL

As alterações climáticas

José Alberto Franco

OPINIÃO

Entre memória, território e experiência

Sandra Oliveira

60 000 anos a sobrevoar o imaginário humano

Miguel de Lemos Peixoto

Um olhar sobre as migrações humanas (I Parte)

Myriam Jubilot de Carvalho

PATRIMÓNIO IMATERIAL

O legado de Albino Moura

Luís Filipe Maçarico

ASSOCIATIVISMO E PATRIMÓNIO

Associação Do Fundo à Superfície

Manuel Camacho

50 anos da Constituição da República Portuguesa

Laurinda Figueiras

SABORES COM HISTÓRIA

Licor Beirão: biografia de um sabor português

Maria de Lurdes Pereira

Gastronomia alentejana: tradição identitária com alguma instabilidade

Luís Filipe Maçarico

DESABAFOS

Foi a 25 de abril que tudo finalmente mudou!

Rosário Narciso

CRÍTICA DE LIVROS

Mais do que um livro, “é uma poética da paisagem”

Ana Isabel Veiga

ALDRABA EM MOVIMENTO

O impacto da Aldraba na comunidade

Luís Filipe Maçarico e José Alberto Franco

Novembro de 2025 a abril de 2026

José Alberto Franco

 

O tio Moreno – Valdanta - Chaves (6)

Rodrigo Dias     (Verso da contracapa)

Amor de Maio

Jorge Serra de Almeida   (Contracapa)


JAF

sábado, 28 de março de 2026

Mamíferos selvagens em Portugal (4) - Castores





No passado ano de 2025, reapareceu em Portugal o castor europeu (castor fiber), segundo dá conta a associação Rewilding Portugal, organização privada sem fins lucrativos, fundada em janeiro de 2019 na Guarda, com a missão de promover a conservação da natureza por meio de medidas de “rewilding” em Portugal, e que trabalha atualmente na Beira Alta e em Riba-Coa (onde, segundo afirma, “as altas taxas de abandono de terras criaram oportunidades para trazer a natureza de volta”).

A “rewilding”, ou renaturalização, propõe-se ser uma abordagem progressista para a conservação, deixando a natureza cuidar de si mesma, ao permitir que os processos naturais moldem a terra e o mar, reparem ecossistemas danificados e restaurem paisagens degradadas.

Há anos que a Rewilding Portugal (RP) acompanhava sinais da aproximação do castor a partir de Espanha, cuja última presença confirmada em Portugal remontava ao final do século XV. Desde então, a espécie desaparecera devido à caça intensiva e à destruição do seu habitat.

Nessas ações de monitorização, foram identificadas marcas de roedura em árvores e estruturas típicas de manipulação da água. Câmaras confirmaram depois a presença de um jovem castor já em solo português.

“Estávamos atentos a este avanço há já alguns anos, e agora é com enorme entusiasmo que confirmamos este regresso. O castor é um aliado natural no restauro da saúde dos nossos rios e zonas húmidas e tem um papel fundamental a desempenhar nos nossos ecossistemas fluviais”, afirmou Pedro Prata, líder da equipa da RP, em comunicado de imprensa.

Verdadeiro “engenheiro dos ecossistemas”, o castor constrói represas, escava canais e transforma as margens dos rios. Estas alterações aumentam a retenção de água no solo, melhoram a qualidade da água e criam habitats ricos em biodiversidade. As estruturas criadas pelos castores contribuem ainda para mitigar cheias, combater a erosão e ajudar no armazenamento de água.

“O regresso do castor a Portugal é um símbolo de esperança e de mudança. Mostra que, se deixarmos espaço e tempo à natureza, ela responde. Cabe-nos agora garantir que este regresso seja bem acolhido e protegido”, reforçou Pedro Prata.

Apesar dos benefícios, a presença de castores pode gerar conflitos, sobretudo com atividades humanas junto aos rios, como agricultura e infraestruturas mal adaptadas. No entanto, vários países europeus (Suécia, Alemanha, Suíça e França) têm já estratégias eficazes para garantir a coexistência, seja no apoio a agricultores afetados, seja na implementação de infraestruturas de proteção.

Em Portugal, as autoridades foram alertadas pela RP para a chegada iminente do castor, propondo a criação de um plano de preparação e diálogo com as comunidades locais. Estes esforços merecem toda a nossa simpatia e apoio.

JAF


quarta-feira, 25 de março de 2026

23 participantes no 3.º Encontro de Poesia e 42.º Jantar-tertúlia







 



















Dando sequência à tradição, que começa a consolidar-se, de organizarmos anualmente o Encontro de Poesia da Aldraba nas proximidades do Dia Mundial da Poesia, reunimos no dia 20 de março de 2026 esta 3.ª edição, na Casa do Concelho de Tondela, onde fomos como sempre carinhosamente recebidos pelo amigo (e nosso associado) Elísio Luís Chaves, e onde no final partilhámos um saboroso jantar de jardineira de choco, com generosas entradas, sopa, doce e bebidas.

Na sessão de poesia, leram poemas - seus ou de autores de sua escolha - os associados e amigos Elísio Chaves, João Coelho, Joaquim Ferreira, Luís Ferreira, Jorge Almeida, Teresa Bispo, Maria Vilar, Nazaré Avó, Manuel Rodrigues Vaz, Lurdes Pereira, Luís Maçarico, Fátima Castro, Paula Teixeira e José Alberto Franco.

Belíssimo serão de cultura e de convívio!

JAF (fotos Marta Barata-13 e Luís Ferreira-2)