quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Pãezinhos típicos com um nome pitoresco



A Aldraba soube recentemente que, no corrente ano de 2026, foi certificada pelos serviços da Comissão Europeia com a distinção de DOP - Denominação de Origem Protegida mais uma especialidade portuguesa da pastelaria/padaria/confeitaria.

Essa especialidade dá pelo nome de caralhotas de Almeirim!

Estes pãezinhos são a 9.ª confeção portuguesa reconhecida pela UE, após os ovos moles de Aveiro, o pastel de Tentúgal, o pastel de carne de Chaves, o pão de ló de Ovar, a fogaça da Feira, o folar de Valpaços, a amêndoa coberta de Moncorvo e o pastel de feijão de Torres Vedras. Portugal (ex-aequo com a República Checa) ocupa o 4.º lugar entre os 27 países da União com mais produtos certificados nesta especialidade, só ultrapassado pela Itália, pela França e pela Alemanha.

Debrucemo-nos então um pouco sobre esta preciosidade de padaria regional, que passa a estar juridicamente protegida contra a imitação, a utilização e as referências enganosas em todo o espaço comunitário.

Segundo o site oficial da Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, as caralhotas de Almeirim são pequenos pães, com um diâmetro médio de 15 cm, de forma arredondada, côdea quebradiça e estaladiça, de tonalidade acastanhada, e miolo rústico, com olhos pequenos a médios. Os pães são amassados e obtidos através de métodos típicos da região de Almeirim, do distrito de Santarém.

As matérias-primas utilizadas no fabrico das caralhotas de Almeirim são farinha de trigo de tipo 55 ou tipo 65 ou similar; fermento de padeiro e/ou “pão acrescentado”, ou seja, massa que ficou de véspera a levedar (cerca de 1% por cada 100 kg de farinha); água (50-65% por cada 100 kg de farinha) e sal (1,5% por cada 100 kg de farinha). A produção passa pela mistura dos ingredientes e amassadura, depois a massa é levedada e por fim as “caralhotas" são cozidas em forno, geralmente no forno tradicional a lenha.

O nome “caralhota” é como se chama ao borboto das camisolas de lã, na região de Almeirim. A história deste pão, segundo o transmitido oralmente de geração em geração, é a de que havia uma velhinha que estava a cozer pão e a filha raspou o alguidar de barro e fez uma bolinha com os restos. Quando a senhora perguntou o que ela estava a fazer, respondeu: ‘Uma caralhota, mãe!’ E ficou assim...

As caralhotas de Almeirim, segundo relatos dos historiadores do concelho, deverão ter surgido entre o século XIX e princípios do século XX.

“Há 40 e tal anos que faço pão. Ando sempre com a caralhota na mão. Não tenho férias, não vou para lado nenhum”. A citação é de Dona Emília David, que vai para 50 anos que leva ao forno as caralhotas de Almeirim e é a padeira mais popular da cidade onde o pão acompanha a Sopa da Pedra.

Foi em particular a restauração que deu fama a este pão redondo, com côdea estalica e o miolo rústico.

“As pessoas diziam-me que eu sabia fazer várias coisas e comecei a fazer a caralhota doce que é recheada com canela, maçã e noz, é muito boa. Faço ainda de torresmos, outra versão é de azeitona, orégão, azeite e alho, e também só com alho, farinheira, chouriça, e temos a caralhota da pedra. É a última e é muito boa.”

JAF 

domingo, 27 de setembro de 2026

Visita às exposições de pintura e de desenho de Artur Bual, em 26.9.2026







































Um grupo interessado e interveniente de associados e amigos da Aldraba ocupou a tarde de sábado, 26 de setembro de 2026, a visitar a bela exposição de pintura de Artur Bual que tem estado patente na Galeria Municipal da Amadora, e ainda tiveram ocasião de saborear a exposição de desenhos do mesmo autor no auditório da biblioteca municipal.

A acompanhar-nos esteve a incansável Maria João Bual, filha do autor, que nos transmitiu histórias preciosas sobre a vida e o trabalho deste grande artista plástico do séc. XX português, e que, no final, presenteou a nossa associação com uma serigrafia do pai (reprodução de um inspirado Cristo), e com um exemplar do magnífico álbum fotográfico "Extractos da Obra".

A nossa gratidão, querida Maria João!

JAF (fotos de LFM e JNarciso) 



sábado, 19 de setembro de 2026

Até logo, Ricardo!


 














Com 36 anos de idade, o Ricardo Monteiro era um expoente da nova geração de ativistas sociais que, felizmente, despontam constantemente no contexto das associações, dos clubes, das autarquias e dos movimentos de base, em Lisboa e no resto do país.

Em Santos-o-Velho, onde nasceu, na Estrela, nos Olivais e em tantos outros locais da cidade de Lisboa em que militou, o Ricardo era um exemplo de dinamismo e criatividade que arrastava tudo à sua volta.

A doença, implacável, acaba de o levar... Estamos todos com uma enorme consternação, e com grande comoção com os seus familiares, amigos e companheiros!

Estivemos hoje dois membros dos órgãos sociais da Aldraba a exprimir, na igreja e no cemitério onde decorreram as homenagens, a nossa solidariedade, em particular ao pai - Luís Filipe Monteiro -, infatigável autarca da região ocidental de Lisboa.

Honra à memória do Ricardo, e que o seu exemplo brilhante possa frutificar!

JAF

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

15.ª visita a espaços de interesse para o património – Exposição “O Amor é Redondo”, na Galeria Municipal Artur Bual, Amadora, no sábado 26.9.2026, às 15h





















O centenário do nascimento do pintor, desenhador, escultor e ceramista Artur Bual, completou-se no passado mês de agosto de 2026.

Assinalando esse aniversário, a associação Aldraba leva a efeito no último sábado deste mês, 26 de setembro, às 15 horas, uma visita guiada à sua exposição de pintura “O amor é redondo”, que está patente na Galeria Municipal Artur Bual, na Amadora.

A visita vai ser acompanhada e guiada pela filha do artista, Maria João Bual.

Depois da visita à exposição de pintura, poderemos ainda visitar a exposição de desenhos do Artur Bual que está em exibição na Biblioteca Municipal Piteira Santos, muito próxima da Galeria.

*   *   *

O Artur Bual foi um expoente artístico do nosso séc. XX, que necessita de ser mais conhecido e valorizado. Acerca dele, já se escreveu:

“A serena inquietação dos seus gestos e movimentos poisa como pássaro de nenhum lugar nas telas, indiciando a universalidade do traço de transpirações luminosas, com a existência esvaindo-se em gritos festivos de raiva e amor.

Ele é unicamente um ser original e truculento, sábio e criança, ingénuo e emotivo, mordaz e perturbante, a fervilhar pela rua das conversas, na tasca da esquina ou à hora de criação, sorvendo a essência de tudo, para na cara dos outros em cada poro poder sentir que o sangue ainda está quente (…).

O Bual nunca caberá nas definições fervorosas dos admiradores do seu trabalho, e será também o sorriso maroto e aqueles dedos manchados de café e tinta, no frenesi de saborear histórias sobre o rosto dos guardanapos depois de petiscar moelas, com casqueiro e vinho da casa”.

*   *   * 

A Galeria Municipal Artur Bual fica na Rua Luís de Camões, 2 - Venteira, 2700-535 Amadora, próximo da estação ferroviária da Amadora, e é bem servida também por transportes coletivos rodoviários.

Convidam-se todos os associados e amigos da Aldraba a aparecerem e participarem nesta visita, e a trazerem consigo outros amigos e familiares.

JAF 


quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Longa vida ao GDE "Os Combatentes"!


 

Com uma pequena cerimónia - que incluiu o hastear das bandeiras da coletividade, da CPCCRD, da cidade de Lisboa e de Portugal - iniciaram-se ontem à noite as comemorações dos 120 anos do Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes", que decorrem ao longo dos meses de setembro e outubro de 2026 e de que daremos notícias oportunamente.

A fotografia regista a presença ontem do presidente da Associação das Coletividades do Concelho de Lisboa, Artur Botão, com o presidente da Assembleia Geral e vários membros da Direção d'"Os Combatentes".

A Aldraba, que tem há muito tempo um protocolo de amizade e cooperação com o GDEC, deseja as maiores felicidades a esta notável coletividade popular de Lisboa.

JAF

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

A trança


Reproduzimos, com a devida vénia, um texto da nossa amiga Natércia Duarte que ela publicou há dias na sua página de facebook:


Ela tinha o cabelo prateado, da cor que a lua tem quando está alta. Era macio e tão comprido que, quando liberto da trança, lhe afagava a cintura, também ela fina, apesar da idade e dos muitos filhos que a tinham abraçado por dentro.

Durante o dia, o seu cabelo vivia aprisionado no alto da sua cabeça, como se um encantamento o tivesse transformado em flor. Flor redonda e bela. Tão quieta.

Mas quando a noite chegava, quebrava-se o feitiço, e nas sombras do candeeiro ou na luz coada do luar, as pétalas daquela flor desfaziam-se e transformavam-se em rio.

- Posso pentear-te, avó?

Guiado pela minha mão direita, o pente descia devagar, distribuindo os fios de prata pelas costas… a mão esquerda descia atrás, acariciando os fios mais rebeldes… 

Por fim, os dedos da minha avó, transformados em agulhas de bordar, dividiam o rio em três ribeirinhos que sabiam dançar a dança de entrelaçar cabelos.

- Já está, vamos dormir. – dizia a avó, dando o último retoque na atadura da trança.

- Está bem, avó. Mas não se esqueça do conto.

Os lençóis de linho lavados na ribeira cheiravam a sabão e a esteva. 

Eu aconchegava-me no calor morno da sua pele, ouvia a sua voz tecendo palavras de contar histórias e adormecia sonhando que a trança era uma corda para salvar princesas da torre, para descer a poços fundos e negros em busca de tesouros ou para subir aos telhados como os gatos que namoram as estrelas.


Natércia Duarte, 24/8/2026

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

O acervo documental da Aldraba (8bis): Doçaria e gastronomia

Ao longo dos 20 anos em que tem vindo a ser publicada, a revista "Aldraba" divulgou já dezenas de especialidades doceiras e gastronómicas da nossa terra.

Em 21/7/2013, no post n.º 8 desta série, indicámos aqui os 9 artigos publicados até essa altura na revista relativamente a doces, comidas e bebidas portuguesas.

Atualizamos hoje essa lista, incluindo todos os textos que entretanto foram publicados e que se referem aos dois descritores temáticos em causa:


Augusto Fernandes, “Viagem à terra do vinho dos mortos”, n.º 19 (Abr.2016), p.13

Carlos Cunha, “Pastel de feijão de Torres Vedras”, n.º 3 (Jun.2007), p.18

Carlos Vicente, “Os fornos do povo - catedrais do pão”, n.º 34 (Out.2023), p.6

Fernando Estevens, “Entre alimentação e comida, até à memória de cheiros esquecidos”, n.º 28 (Out.2020), p.2

João Coelho, “A confeção tradicional da broa numa aldeia beirã”, n.º 23 (Abr.2018), p.16

José Manuel Prista, “A ASAE e os sabores”, n.º 5 (Jul.2008), p.19

Luís Afonso, “ASAE”, n.º 5 (Jul.2008), verso da capa

Luís Afonso, “Dinheiros públicos”, n.º 8 (Dez.2009), verso da capa

Luís Afonso, “Nouvelle cuisine”, n.º 18 (Out.2015), verso da capa

Luís Ferreira, “Açorda de alho”, n.º 23 (Abr.2018), p.18

Luís Filipe Maçarico, “Afonso Miranda do ‘Sino Doce’ de Almada: Uma vida de muito trabalho ambicionando a qualidade”, n.º 26 (Out.2019), p.23

Luís Filipe Maçarico, “Batata doce - Associativismo em tempos de contenção. O singular caso da ADPHA”, n.º 27 (Abr.2020), p.18

Luís Filipe Maçarico, “Gastronomia alentejana: tradição identitária com alguma instabilidade”, n.º 39 (Abr.2026), p.18

Luís Reis Ágoas, “A caneja de infundice na Ericeira”, n.º 12 (Out.2012), p.15

Manuel Mamede Pereira, “Ser alfacinha”, n.º 13 (Abr.2013), p.15

Margarida Alves, “Queijadas de Sintra”, n.º 7 (Jul.2009), p.15

Maria de Lurdes Pereira, “Licor Beirão: biografia de um sabor português”, n.º 39 (Abr.2026), p.16

Nuno Roque da Silveira, “As cavacas de Mação”, n.º 37 (Abr.2025), p.24

Nuno Roque da Silveira, “Grandes artistas do efémero”, n.º 8 (Dez.2009), p.17

Nuno Roque da Silveira, “O queijo da Serra de Fornos de Algodres”, n.º 20 (Out.2016), p.22

Nuno Roque da Silveira, “Tigeladas e outros doces”, n.º 38 (Out.2025), p.14

Olga Cavaleiro, “As confrarias gastronómicas de Portugal”, n.º 25 (Abr.2019), p.14

Vanda Oliveira, “Os fofos de Belas”, n.º 6 (Dez.2008), p.9


Como sempre, qualquer associado ou amigo que deseje aceder a algum ou alguns destes artigos pode solicitá-lo por um simples mail para aldrabaassociacao@gmail.com, e teremos todo o gosto em o(s) reproduzir e enviar.


JAF