quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Assembleia Geral da associação Aldraba no dia 12 de fevereiro de 2026, às 18 h












Foi enviada a todos os associados da Aldraba, subscrita pelo Presidente da MAG Jorge Branco, a convocatória da sessão ordinária de 2026 da Assembleia Geral relativa ao Relatório e Contas de 2025 e ao Plano e Orçamento do novo ano.

A sessão foi marcada para 12 de fevereiro próximo, 5.ª feira, pelas 18 horas, na Casa do Alentejo em Lisboa.

Apela-se à presença e participação ativa de todos os associados.

JAF 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Mamíferos selvagens em Portugal (3) - Linces




O lince ibérico, com o nome científico de Lynx pardinus, é uma espécie da família dos felídeos que apresenta orelhas peludas, pernas longas, cauda curta e um colar de pelo que se assemelha a uma barba, uma cor castanho-amarelada com manchas, tendo comprimento da cabeça e do corpo de 85 a 110 centímetros, com a pequena cauda a acrescentar um comprimento adicional de 12 a 30 centímetros. O macho é maior que a fêmea e podem pesar até cerca de 27 kg. A longevidade máxima na natureza é de treze anos.

O lince ibérico foi uma espécie em perigo crítico até 2015, e até 2024 considerada uma espécie em perigo. A reprodução em cativeiro e os programas de reintrodução têm aumentado o seu número. Em 2022, a população era já de 1 668 exemplares, dos quais 261 em Portugal. Em 2024, a população aumentou para 2 021 espécimes, levando à sua reclassificação de espécie em perigo para espécie vulnerável.

O nosso post de hoje constitui uma homenagem a Pedro Sarmento, biólogo do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, que acaba de falecer aos 59 anos.

Pedro Sarmento foi o motor da reintrodução do lince ibérico em Portugal. Quando os primeiros linces ibéricos foram libertados em Portugal, em 2015, Pedro Sarmento passou dias e noites no terreno, a acompanhá-los, a garantir que se adaptavam ao novo território sem percalços. “Estive quase um ano só a acampar, a seguir linces 24 horas por dia”, recordava ele numa entrevista que deu em junho de 2025.

Assinala agora o ICNF que o Pedro amava os linces, que eram a sua razão de viver. Quando em 16 de dezembro de 2014 se libertou o primeiro casal de linces ibéricos – a Jacarandá e o Katmandú –na Herdade das Romeiras, em Mértola – o Pedro permaneceu durante várias noites no exterior do cercado, velando para que nada de anormal acontecesse aos linces recém-chegados, ela proveniente do CNRLI (Centro Nacional de Reprodução do Lince Ibérico), em Silves, e ele originário de Zarza de Granadilla, na Estremadura espanhola.

Foram muitas as noites mal dormidas e incontáveis os dias em que o Pedro percorreu quilómetros atrás de quilómetros, a pé e em viatura, dando tudo o que tinha, muitas vezes excedendo-se, para que o regresso do lince ibérico a Portugal não falhasse e viesse a revelar-se, aos dias de hoje, o projeto de conservação da natureza de maior sucesso em Portugal e na Península Ibérica.

JAF


domingo, 18 de janeiro de 2026

O cedro da igreja de Runa é a "árvore portuguesa de 2026"


Assinalámos oportunamente a eleição do eucalipto de Contige (Viseu), como “árvore portuguesa de 2023”, da camélia-japoneira de Guimarães, como “árvore portuguesa de 2024”, e da “figueira dos amores” da Quinta das Lágrimas (Coimbra), como “árvore portuguesa de 2025”.

Este ano, adquiriu essa distinção o cedro da igreja de Runa (Torres Vedras), botanicamente designado como “Cedro-do-buçaco” e Cupressus lusitanica.

O belo espécime arbóreo de Runa obteve 3080 votos na recente votação pública nacional, seguido da árvore da borracha australiana, de Ponta Delgada, com 2890 votos, e da canforeira da ESAC, de Bencanta (Coimbra), com 1901 votos.

Quanto ao cedro de Runa, pode ler-se na respetiva candidatura:

“Plantado no início dos anos 1950 pelo Sr. Alfredo, o Cedro da Igreja de Runa, hoje com cerca de 75 anos, é parte essencial da história e identidade local. Inicialmente frágil e amarelado, foi cuidado e protegido pelo seu plantador, sobrevivendo contra todas as expectativas. Testemunhou partidas, regressos, celebrações e silêncios, tornou-se no ponto de encontro da saudade e dos abraços de todos os Runenses. Hoje, merece afirmar-se como símbolo da aldeia de Runa e do concelho de Torres Vedras.”

Ainda uma nota acerca da localidade onde se encontra plantada a árvore premiada.

Em 14/10/2024, no post (cont.43) da nossa série “Nomes de localidades em azulejos”, escreveu-se aqui que Runa é “localidade da atual União de Freguesias de Dois Portos e Runa, no concelho de Torres Vedras, do distrito de Lisboa e da atual sub-região do Oeste”.

Informação esta que está agora incorreta, pois Runa, na mini-restauração de freguesias aprovada pela Assembleia da República em 2025, recuperou o estatuto de freguesia autónoma.

Por todas as razões, parabéns da Aldraba aos runenses!

JAF

 


quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Mamíferos selvagens em Portugal (2) - Lobos


 








Continuemos a viajar pelo património natural português, ou seja, debruçando-nos sobre os animais e plantas que povoam o território do continente português, e que partilham a nossa realidade física, tendo para com eles, tanto quanto possível, o respeito que merecem enquanto seres vivos, e dos quais tanto dependemos.

Em 17 de setembro do ano findo, iniciámos uma incursão pelos “mamíferos selvagens em Portugal”, ou seja, as espécies zoológicas que surgem no nosso território em espaço aberto, sem serem animais domésticos ou de criação pecuária, sem contar com peixes, crustáceos, aves, répteis e insetos, e deixando de fora as espécies animais que vivem em liberdade, que são mais comuns (como ratos, toupeiras, coelhos ou lebres) e que a generalidade dos portugueses não pressente como selvagens.

Selecionámos então castores, coatis, corços, doninhas, esquilos, fuinhas, ginetos, javalis, leirões, linces, lobos, musaranhos, ouriços, raposas, sacarrabos, texugos, ursos, veados e visões, espécies selvagens avistadas em Portugal nos últimos anos, em espaço aberto.

No primeiro post desta nova série, registámos e assinalámos fotograficamente os javalis, cientificamente os sus scrofa, também conhecidos como javardos ou porcos bravos, que se têm desenvolvido muito no nosso país nos últimos tempos.

Debruçamo-nos hoje sobre os lobos, da família dos canídeos, sendo a espécie mais conhecida em Portugal o lobo cinzento (canis lupus).

O lobo é conhecido muitas vezes através de contos, fábulas, mitos e lendas, que se difundiram na Europa e na Ásia por as populações sedentárias temerem as investidas dos lobos contra os animais de criação pecuária.

O “lobo mau” aparece em inúmeras fábulas folclóricas de muitos países, designadamente em histórias clássicas como o Capuchinho Vermelho e os 3 Porquinhos.

O “lobisomem” é um ser lendário que é descrito como um humano capaz de se transformar em lobo em noites de lua cheia. Tais lendas são muito antigas e encontram a sua raiz na  mitologia grega, tendo-se espalhado também no novo mundo com o colonialismo, em paralelo à crença nas bruxas.

JAF


terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Nomes de localidades em azulejos (cont.45)





















 










Prestes a terminar o ano de 2025, pretendemos com a publicação de hoje levar tão longe quanto possível a tarefa que empreendemos a partir de 2010 - com a colaboração de muitos amigos da Aldraba e recorrendo ao que outros ativistas do património têm também efetuado incansavelmente - no sentido de localizar e registar fotograficamente as belas placas toponímicas de azulejos que o Automóvel Club de Portugal colocou à entrada das localidades do nosso país a partir do 1.º quartel do séc. XX.

Sendo cada vez mais raro conseguirmos encontrar novas placas ainda não divulgadas, optámos, tal como já fizemos anteriormente, por reproduzir aqui as fotografias publicitadas pela Maria Teresa Oliveira no seu blogue "Diário de Bordo", nos anos mais recentes, e que não coincidissem com placas já por nós publicitadas.

Publicamos pois, com a forte expressão do nosso agradecimento, 20 placas ACP divulgadas no blogue "Diário de Bordo", que a seguir se discriminam:

- uma segunda placa do Alandroal, concelho do mesmo nome e distrito de Évora (que se vem juntar a uma outra do Alandroal que fotografámos e divulgámos em 11/4/2010);
- uma placa de Alte, do concelho de Loulé e distrito de Faro;
- duas placas diferentes da localidade e concelho de Baião, do distrito do Porto;
- uma placa de Caldas de Vizela (o "S" e o "Z" trocados), do concelho de Vizela e distrito de Braga;
- uma segunda placa de Carvalhal da Louça, do concelho de Seia e distrito da Guarda (que se vem juntar a uma outra da mesma localidade que divulgámos em 23/10/2015);
- uma placa de Contenças de Baixo, do concelho de Mangualde e distrito de Viseu;
- uma placa de Forjães (falta o azulejo com o "F"), do concelho de Esposende e distrito de Braga;
- uma placa de Lanheses (faltam as 3 últimas letras), do concelho e distrito de Viana do Castelo;
- uma placa de Lavos, do concelho da Figueira da Foz e distrito de Coimbra;
- duas placas diferentes de Mourilhe, do concelho de Mangualde e distrito de Viseu;
- uma placa de Pinheiro de Baixo (faltam 3 letras no início e 1 no fim), do concelho de Mangualde e distrito de Viseu;
- uma placa de Rossas, do concelho de Vieira do Minho e distrito de Braga;
- uma placa de Serreleis, do concelho e distrito de Viana do Castelo;
- uma placa da localidade e concelho da Sertã (antiga grafia Certã), do distrito de Castelo Branco;
- duas placas diferentes da Tornada (a segunda com falta de 3 letras centrais), do concelho de Caldas da Rainha e distrito de Leiria;
- uma placa de Torredeita, do concelho e distrito de Viseu;
- uma placa da localidade e concelho de Vouzela, do distrito de Viseu.

As 20 placas hoje publicitadas, somadas às 183 que divulgámos até 11/10/2025, perfazem um total de 203 placas de azulejos divulgadas no blogue da Aldraba! Tais placas são afetas a 178 diferentes localidades, situadas em 93 concelhos da totalidade dos 18 distritos do continente português.

JAF
 
 

 


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Os cheiros e outras memórias do Natal português

Um texto maravilhoso que a nossa amiga Ana Marta Nobre (natural do Sobral da Adiça e trabalhadora da Câmara Municipal de Moura, que já publicou um poema seu na revista "Aldraba" em 2013) divulgou ontem e que aqui reproduzimos com todo o gosto:

O Natal regressa sempre pela via mais antiga da memória: o olfacto. Antes da palavra, antes da imagem, é o cheiro que anuncia a infância — essa pátria primeira onde o tempo parecia deter-se. A casa respirava de outro modo em dezembro. Havia no ar uma gravidade doce, feita de frio e de expectativa, como se até as paredes soubessem que algo essencial se aproximava.

O frio, sim, tinha cheiro. Um frio limpo e presente, que entrava cedo na casa e a obrigava ao recolhimento. Era um frio que avivava os sentidos, tornava os gestos mais atentos e fazia do interior um refúgio necessário. Nesse frio, a memória aprendia a escutar.

Na cozinha, coração silencioso do Natal, os cheiros organizavam-se como uma liturgia antiga. A canela erguia-se no ar com autoridade serena, misturada com o açúcar e o leite das farófias, leves e contidas, repousando em travessas fundas. O frango acerejado libertava um perfume denso e grave, onde o tempo tinha sido ingrediente, e a carne de caça trazia consigo um odor profundo, quase ancestral, lembrando que cozinhar era, antes de tudo, um acto de permanência.

E depois vinham os doces que eram herança e gesto repetido. As fatias paridas, embebidas e quentes, guardando no interior a doçura lenta do leite e da canela. As filhoses, feitas pelas mãos sábias da avó Luísa, cheirando a massa viva, a açúcar e a tradição transmitida sem palavras. O nógado repousava sobre folhas de laranjeira, onde o mel se encontrava com o verde fresco das folhas, num equilíbrio silencioso, quase solene.

A infância habitava esses cheiros sem necessidade de os nomear. Sabia apenas que eram sinal de pertença, de continuidade, de um mundo ordenado por rituais simples e repetidos. Cada aroma era uma promessa: de mesa cheia, de vozes cruzadas, de um instante suspenso antes da consoada, quando o tempo parecia reconciliar-se consigo próprio.

Talvez por isso o Natal nunca seja apenas uma data. É uma geografia sensível, feita de casas fechadas ao frio, de cozinhas em murmúrio, de cheiros que persistem. E é, sobretudo, esse lugar invisível onde a infância permanece — intacta — pronta a regressar ao primeiro sopro de canela no ar.

Ana Marta Nobre, 23/12/2025

 







quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Apresentação do n.º 38 da revista e jantar-tertúlia de confraternização












Apresentação da revista da Aldraba na Casa do Concelho do Sabugal, em 16 de Dezembro de 2025.

Houve depois uma mesa de reflexão acerca da importância da publicação para a salvaguarda do património com João Coelho, Myriam Jubilot de Carvalho e J. Fernando Reis Oliveira.

Houve intervenções da assistência, designa- damente de António Ferreira, Ana Isabel Veiga e  Inês Ramos. Todos com sugestões para a revista ser mais divulgada.

A Casa do Concelho do Sabugal recebeu com muita qualidade, trazendo para a mesa convivial que se seguiu, enchidos da região representada, uma salada deliciosa e um bacalhau único com bom azeite e batata a murro. Os visitantes terminaram a refeição com arroz doce, bolo rei (da mesma padaria do pão de centeio servido na refeição) e até aguardente. Quem fez dieta comeu queijo e laranja.

Esta Casa e os actuais dirigentes recebem muito bem quem os visita.

Bem hajam!

LFM (fotos LFM e Pedro Silva)