O lince ibérico, com
o nome científico de Lynx pardinus, é
uma espécie da família dos felídeos que apresenta orelhas peludas, pernas
longas, cauda curta e um colar de pelo que se assemelha a uma barba, uma cor
castanho-amarelada com manchas, tendo comprimento da cabeça e do corpo de 85 a
110 centímetros, com a pequena cauda a acrescentar um comprimento adicional de
12 a 30 centímetros. O macho é maior que a fêmea e podem pesar até cerca de
27 kg. A longevidade máxima na natureza é de treze anos.
O lince ibérico foi uma espécie em perigo crítico até 2015, e
até 2024 considerada uma espécie em perigo. A reprodução em
cativeiro e os programas de reintrodução têm aumentado o seu número. Em 2022, a
população era já de 1 668 exemplares, dos quais 261 em Portugal. Em
2024, a população aumentou para 2 021 espécimes, levando à sua
reclassificação de espécie em perigo para espécie vulnerável.
O nosso post de hoje constitui uma homenagem a Pedro
Sarmento, biólogo do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, que
acaba de falecer aos 59 anos.
Pedro Sarmento foi o motor da reintrodução do lince ibérico
em Portugal. Quando os primeiros linces ibéricos foram libertados em Portugal,
em 2015, Pedro Sarmento passou dias e noites no terreno, a acompanhá-los, a
garantir que se adaptavam ao novo território sem percalços. “Estive quase um
ano só a acampar, a seguir linces 24 horas por dia”, recordava ele numa
entrevista que deu em junho de 2025.
Assinala agora o ICNF que o Pedro amava os linces, que eram
a sua razão de viver. Quando em 16 de dezembro de 2014 se libertou o primeiro
casal de linces ibéricos – a Jacarandá e o Katmandú –na
Herdade das Romeiras, em Mértola – o Pedro permaneceu durante várias noites no
exterior do cercado, velando para que nada de anormal acontecesse aos linces
recém-chegados, ela proveniente do CNRLI (Centro Nacional de Reprodução do
Lince Ibérico), em Silves, e ele originário de Zarza de Granadilla, na
Estremadura espanhola.
Foram muitas as noites mal dormidas e incontáveis os dias em
que o Pedro percorreu quilómetros atrás de quilómetros, a pé e em viatura,
dando tudo o que tinha, muitas vezes excedendo-se, para que o regresso do lince
ibérico a Portugal não falhasse e viesse a revelar-se, aos dias de hoje, o
projeto de conservação da natureza de maior sucesso em Portugal e na Península
Ibérica.
JAF

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