Continuemos a viajar pelo património natural português, ou
seja, debruçando-nos sobre os animais e plantas que povoam o território do
continente português, e que partilham a nossa realidade física, tendo para com
eles, tanto quanto possível, o respeito que merecem enquanto seres vivos, e dos
quais tanto dependemos.
Em 17 de setembro do ano findo, iniciámos uma incursão pelos
“mamíferos selvagens em Portugal”, ou seja, as espécies zoológicas que surgem
no nosso território em espaço aberto, sem serem animais domésticos ou de
criação pecuária, sem contar com peixes, crustáceos, aves, répteis e insetos, e
deixando de fora as espécies animais que vivem em liberdade, que são mais
comuns (como ratos, toupeiras, coelhos ou lebres) e que a generalidade dos
portugueses não pressente como selvagens.
Selecionámos então castores, coatis, corços,
doninhas, esquilos, fuinhas, ginetos, javalis, leirões, linces, lobos,
musaranhos, ouriços, raposas, sacarrabos, texugos, ursos, veados e visões,
espécies selvagens avistadas em Portugal nos últimos anos, em
espaço aberto.
No primeiro post desta nova série, registámos e
assinalámos fotograficamente os javalis, cientificamente os sus scrofa,
também conhecidos como javardos ou porcos bravos, que se têm desenvolvido muito
no nosso país nos últimos tempos.
Debruçamo-nos hoje sobre os lobos, da família dos canídeos,
sendo a espécie mais conhecida em Portugal o lobo cinzento (canis lupus).
O lobo é conhecido muitas vezes através de contos, fábulas,
mitos e lendas, que se difundiram na Europa e na Ásia por as populações
sedentárias temerem as investidas dos lobos contra os animais de criação
pecuária.
O “lobo mau” aparece em inúmeras fábulas folclóricas de muitos
países, designadamente em histórias clássicas como o Capuchinho Vermelho e os 3
Porquinhos.
O “lobisomem” é um ser lendário que é descrito como um
humano capaz de se transformar em lobo em noites de lua cheia. Tais lendas são
muito antigas e encontram a sua raiz na mitologia
grega, tendo-se espalhado também no novo mundo com o colonialismo, em paralelo
à crença nas bruxas.
JAF

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