terça-feira, 31 de agosto de 2010

Pelo país fora - mais aldrabas e batentes


Alter do Chão (Capela da Misericórdia)


Berlenga (Fortaleza de S. João Baptista)


Coja


Condeixa (Câmara Municipal)


Lisboa (Câmara Municipal)


Monforte (Câmara Municipal)


Montemor-o-Novo - 4


Montemor-o-Novo - 3


Montemor-o-Novo - 2


Montemor-o-Novo - 1


Torres Novas


Vila Nova da Barquinha (colecção na "Tasquinha da Adélia"-2)
Vila Nova da Barquinha (colecção na "Tasquinha da Adélia"-1)

Vila Viçosa

Nos últimos meses, novas imagens de aldrabas e batentes de porta foram sendo recolhidas ao longo do país.
Portas de casas modestas, portas de casas apalaçadas, portas com aldrabas, aldrabas sem portas...
Venham mais fotografias destes objectos, que serão publicadas com todo o gosto!

MEG (fotos JAF)

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Viva o pastel de bacalhau!



O pastel de bacalhau (que no norte de Portugal também é conhecido como bolo, ou bolinho, de bacalhau) é uma verdadeira instituição nacional.

Nas nossas memórias de infância e adolescência, o pastel de bacalhau preenche um papel insubstituível.

Barato, popular, acessível, mas nem por isso menos saboroso e estruturante de uma refeição portuguesa integral.

Acompanha com um belo arroz de tomate, ou de pimentos, e com uma vibrante salada de alface, tomate e/ou pepino.

* * *

Na rede social Facebook, mais precisamente no grupo “Descobrir Portugal”, a Irene Rosa da Silva lançou em 13 de Agosto último um apelo em favor das delícias do pastel de bacalhau.

Muitos dos seus interlocutores mostraram surpresa pelo tema, a ponto de pedirem que alguém fornecesse a receita (!).

A “culpada” (Irene) não se fez rogada, e aí veio a receita e respectivas instruções práticas:

“Ingredientes: bacalhau 300 g / batatas para cozer 300 g / ovos 4 unid. /azeite 1 dl / cebola 1 unid. / salsa 1 ramo /sal e pimenta q.b. /óleo q.b.;
Como fazer:
1 Coza as batatas inteiras e com pele depois de muito bem lavadas, de 30 a 35 minutos. Coza o bacalhau noutro tacho durante 10 minutos. Retire as peles e espinhas ao bacalhau e desfie-o esfregando dentro de um saco limpo de pano. Depois das batatas cozidas, escorra-as e pele-as. Ponha-as num tacho em lume muito brando para secarem um pouco. Depois esmague-as reduzindo-as a puré.
2 Entretanto, pique muito bem a cebola e refogue-a em azeite. Escolha, lave e pique a salsa. Bata os ovos. A quantidade dos ovos pode ser ajustada ao tamanho destes e da qualidade das batatas.
3 Misture as batatas, o bacalhau desfiado e a cebola refogada até ficar uma massa homogénea. Depois acrescente a salsa e os ovos amassando mais um pouco.
4 Com o auxilio de 2 colheres embebidas em azeite molde os pastéis, fritando-os em seguida em óleo abundante e muito quente.
5 Escorra-os em papel absorvente e sirva-os decorados com um raminho de salsa”

A ALDRABA associa-se a esta promoção e estimula os verdadeiros cultivadores da gastronomia popular portuguesa.

JAF

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A Senhora dos Marinheiros em Alcoutim










No post Alpedrinha, Terra de Amigos , em Fevereiro de 2009, escreveu-se neste blogue que “A Aldraba gosta de Alpedrinha”, localidade da Beira Baixa onde participámos já em diversas actividades populares…

Da mesma forma, e por razões idênticas, a Aldraba gosta de Montemor, de Viana do Alentejo, da Aldeia da Estrela, de Coruche, de Aljustrel, de Sintra, de Alvaiázere, de Loulé, de Torres Vedras, de Mértola, de Almada, de Estremoz, do Fundão, da Azambuja, de Vila Franca de Xira, de Carnaxide, de Aljezur, de Pedrógão Grande, e de tantos outros locais de Portugal onde as nossas actividades se têm desenvolvido desde finais de 2004.

Assim, a Aldraba gosta também de Alcoutim, hospitaleira vila algarvia do Guadiana, onde realizámos um dos nossos Encontros, em Maio de 2008, e onde criámos raízes e amigos.

Neste cálido verão de 2010, assistimos ali a mais uma edição da festa da Senhora dos Marinheiros, tradicional festividade religiosa que aproxima as populações da vila espanhola de Sanlúcar (do outro lado do rio) e da vila portuguesa de Alcoutim.

Integrada num variado programa cultural e recreativo, realiza-se todos os anos, a 15 de Agosto, uma tocante procissão fluvial, em que a imagem da Senhora (padroeira dos que trabalham no rio e no mar) é transportada num grande desfile de embarcações entre Sanlúcar e Alcoutim, desembarca e vai “visitar” o exterior da capela de Santo António, e regressa depois a Espanha num vistoso cortejo de barcos de pesca, canoas a remos, iates e outros barcos engalanados e com vibrantes buzinas…

Muitos elementos da população de Alcoutim aguardavam a imagem, e associaram-se aos espanhóis que a acompanhavam, tendo viajado juntos para Sanlúcar. À noite, do outro lado do rio, comemorou-se o Dia de Portugal, tendo actuado um grupo etnográfico do concelho de Loulé (Quelfes).

Lamentavelmente, as autoridades locais do lado português não estavam presentes. Ao que parece, desinteligências patetas entre o alcaide socialista do ayuntamiento de Sanlúcar e o presidente social-democrata do município de Alcoutim, sobrepõem-se ao desejo e à força da confraternização entre as duas populações irmãs.

Também aqui, o associativismo popular dá o exemplo, e mostra o caminho a seguir: a ATAS – Associação Transfronteiriça Alcoutim-Sanlúcar, com associados dos dois lados do rio, e cuja direcção é alternadamente assegurada por um português ou por um espanhol. Conforme analisámos com o actual presidente português da ATAS, Carlos Brito, esta esforça-se por “segurar as pontas”, e colabora activamente nas festividades de Agosto.

Um abraço de felicitações a estes amigos.

JAF (texto e fotos)

domingo, 8 de agosto de 2010

Honremos António Dias Lourenço – património e memória viva do que foi a resistência do povo português à ditadura fascista





António Dias Lourenço deixou-nos hoje, com 95 anos de idade, numa velhice tranquila e lúcida que se seguiu a uma vida longa e corajosa de combate, não só pelos ideais políticos que professava mas também, interessa aqui sublinhar, pelo derrube do regime ditatorial que oprimiu o país durante 48 anos.

A associação ALDRABA, sem perder de vista a sua postura de colectividade cultural que cultiva as memórias populares portuguesas, não pode deixar de assinalar com respeito e emoção a figura e o exemplo deste homem.

E não esquecemos aquele sábado de Janeiro de 2006, em que vários membros e dirigentes da nossa associação participaram numa visita ao Forte de Peniche, promovida pelo grupo cultural Atrium, e que foi orientada de forma magistral pelo ex-preso Dias Lourenço. Neste mesmo blogue, dois posts registam esses momentos inolvidáveis (No Forte de Peniche, com António Dias Lourenço - Primeira Parte e No Forte de Peniche, com António Dias Lourenço - Segunda Parte )

Todos os que puderam integrar essa actividade retêm para sempre a forma modesta e simples com que Dias Lourenço descrevia, nos próprios locais onde centenas de portugueses sofreram torturas, privações e sevícias de toda a espécie, a coragem e a determinação que foram necessárias para sobreviver física e psiquicamente, para continuar a alimentar a esperança da liberdade e do derrube da ditadura.

António Dias Lourenço foi preso por duas vezes, em 1949 e 1962, tendo passado ao todo 17 anos nas cadeias do regime. Protagonizou uma das mais audaciosas fugas ao evadir-se da “solitária” do Forte de Peniche em 1954, numa bem sucedida aventura individual, arquitectada ao longo de semanas, que foi já brilhantemente tratada no cinema. Também esses factos o próprio nos descreveu com a maior singeleza, sublinhando sempre que tudo aquilo só valia para contribuir para o fim do sofrimento do nosso povo.

Operário mecânico, nasceu em Vila Franca de Xira, onde conviveu no início dos anos 1940’s com Soeiro Pereira Gomes e Alves Redol, tendo colaborado numa série de iniciativas que contribuíram para o desenvolvimento do movimento cultural neo-realista.

Foi funcionário clandestino do seu partido (o PCP) desde 1942, onde assumiu responsabilidades organizativas em todos os escalões, tendo sido depois do 25 de Abril director do jornal oficial e deputado à Assembleia da República. Escreveu textos como “Vila Franca de Xira: um concelho no país – contribuição para a história do desenvolvimento socio-económico e do movimento político-cultural”, “Alentejo: legenda e esperança”, e “Saudades... não têm conto! - Cartas da prisão para o meu filho Tónio”.

Voltando às nossas recordações do convívio com Dias Lourenço em 21/1/2006, seja permitido ao autor deste post uma memória pessoal curiosa, que resultou do privilégio de ter ficado ao lado dele no almoço que se seguiu à visita ao Forte:

Numa conversa informal, suscitada por perguntas diversas que os circundantes lhe dirigiam sobre a sua longa experiência, Dias Lourenço contou que fez parte de uma delegação de partidos comunistas da Europa Ocidental que visitou a República Popular da China (quando ainda não se tinha verificado a divergência entre a China e a União Soviética). Numa reunião de trabalho com Mao Tsé tung, quando os comunistas europeus lhe perguntaram o que fazer se o imperialismo americano, perante revoltas populares no ocidente, bombardeasse a Europa com armas nucleares, o grande líder não hesitou e respondeu-lhes (com gestos enérgicos de mãos, que Dias Lourenço imitava) – Não há problema, os povos europeus podem ser dizimados, mas o povo chinês é muito numeroso, virá até à Europa e volta a povoar o continente e dar continuidade à revolução…

Calafrio para os europeus presentes naquela reunião, de que Dias Lourenço nos deu conta com a maior candura. E que nos dá também a nós que pensar, numa reflexão mais alargada sobre utopias e tragédias que têm atravessado os nossos tempos.

JAF (fotos de LFM)

quinta-feira, 29 de julho de 2010

A drogaria do meu bairro










Como nas aldeias e vilas, também em alguns bairros da grande cidade ainda sobrevive o convívio gregário dos seus moradores, os vizinhos conhecem-se pelos seus nomes, interessam-se pelas vidas, pelos sucessos e pelas preocupações uns dos outros.
Neste contexto, desempenham importante papel os pequenos estabelecimentos comerciais de bairro, as leitarias, as mercearias, os talhos, os capelistas, os cafés, as casas de comidas, os sapateiros, as retrosarias, as lojas de móveis, os barbeiros, as drogarias.
Em Lisboa, entre o Areeiro e a Alameda Afonso Henriques, fica um desses bairros em que a escala humana resiste e se afirma. É o chamado Bairro dos Actores, parte integrante da freguesia do Alto do Pina, que se desenvolve entre uma dúzia de pequenas ruas paralelas ou perpendiculares à Av. Almirante Reis.
Na rua Actriz Virgínia, podemos encontrar (visitar e fazer compras...) a Drogaria Sali, instalada no mesmo local desde há mais de 50 anos, e cujo proprietário, o Sr. António Pires, vai completar em breve 60 anos initerruptos nesta profissão.
Hoje em dia, em que a saúde do proprietário já não lhe permite passar os dias inteiros atrás do balcão, são o seu filho Jorge Pires e a empregada de quase 20 anos de casa, D. Edite Branco, que asseguram o atendimento cuidadoso e personalizado da clientela.
Na Drogaria Sali há de tudo, desde os artigos domésticos de higiene aos produtos químicos para a horticultura, desde as bonecas para crianças aos pequenos electrodomésticos, desde as loiças de cozinha aos utensílios de plástico, dos materiais de jardinagem às ferragens, à espuma para almofadas, aos insecticidas e raticidas, enfim, tudo o que uma casa pode necessitar...
Mas não pensem que esta casa de comércio se desenvolve ao longo de um espaço extenso ou de uma grande superfície. Não, a área do chão da loja não será mais de 4 m2... Só que, com um pé direito de mais de 5 metros, e graças ao enorme escadote (e à perícia de quem ali trabalha), tudo se encontra, tudo é fornecido com uma palavra de simpatia e de explicação ao cliente, que tem ali três amigos e até, se necessário, quem lhe ensine a bem aplicar o produto.
"Tem arame para um estendal? Um momento, aqui está ele, quantos metros quer que lhe corte?"
"Tem decapante para limpar a cera do soalho? Sim, claro, arranjo-lhe um litro avulso numa garrafa de plástico, que as embalagens de 5 litros são caras e não vai precisar de tanto..."
É este "regresso ao passado", este reviver de uma relação amigável entre o consumidor e o comerciante, que a drogaria do meu bairro demonstra ser possível!

JAF (texto e fotografias, à excepção da primeira - reproduzida da revista Atlantis, Jan-Fev.07)

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O Bairro dos Ilhéus, na Picanceira - Mafra





Recebemos da Margarida Alves esta informação sobre o Bairro dos Ilhéus, que foi construído no século XIX por açorianos que deixaram a sua terra para trabalharem na Quinta dos Machados, então uma das mais importantes propriedades da Estremadura.

Trata-se de um complexo habitacional pertencente à Quinta dos Machados, constituído por 23 moradias, exemplares curiosos de uma arquitectura sem igual na região.

Com os seus 500 hectares distribuídos por explorações vitivinícolas, pecuária, pomicultura e florestal, foi a quinta fundada em 1830 por Domingo Dias Machado, natural da Ilha de São Miguel, Açores.

As casas, que se alinham à saída de uma curva, surpreendem pelo seu aspecto ímpar, de que se destacam as saliências cilíndricas nas traseiras - fornos, com a chaminé a subir pela parede em direcção ao quarto de dormir, que permitiam um aquecimento barato e eficaz para todo o piso superior.

Informação em

terça-feira, 20 de julho de 2010

Mais aldrabas de Mértola





O nosso companheiro Luís Filipe Maçarico, activista incansável da recolha, da preservação e da valorização dos elementos do património popular de Portugal, acaba de enviar para publicação no blogue mais cinco ricas fotografias de aldrabas de porta da vila de Mértola.
Aqui estão elas, pelo seu próprio valor, e também como desafio para todos os amigos que passam à beira destas riquezas singelas e que se "esquecem" de disparar uma câmara e de enviar os resultados para esta nossa plataforma.
Obrigada Luís!
Venham muitas mais!
MEG (fotos LFM)