Está agora concluída a impressão do n.º 37 da revista ALDRABA, cuja distribuição se inicia desde já, e estando prevista para muito breve uma sessão pública de apresentação (a anunciar dentro de dias).
Divulgam-se hoje as passagens mais significativas do Editorial:
O prazer das pequenas coisas
Neste mês
de Abril de 2025, completam-se 20 anos de militância da nossa Aldraba.
Podemos
dizer que estamos contentes, mais, que estamos felizes, mais ainda, que estamos
vaidosos do nosso percurso.
Esse
grupo de amigos que, em 2005, se juntou no edifício do Ateneu em Lisboa,
imbuído de coragem para dar corpo a um projecto que defendesse a memória, o
nosso património (material e imaterial), que procedesse à sua divulgação e
agregasse quem se lhe quisesse juntar nesse salutar esforço, continua presente,
acolhe sempre novos amigos, segue em frente.
Este
conjunto de “modestos magníficos”, que sem modéstia somos, com parcos recursos,
estrebuchou num mundo de abundância teimando em mostrar o prazer das pequenas
coisas. Uns e outros, todos “cosculhas”, carrearam para os momentos de reflexão
das suas reuniões aquilo que cada um ia descobrindo e que não queriam só para
si: havia que tudo se divulgasse na nossa revista, tinha que se organizar
visitas temáticas, tanto em Lisboa como nos mais diversos pontos do país,
marcar refeições-tertúlia com amigos em associações em que também eles teimam,
como nós, em manter vivas as boas práticas de partilha.
(...) Nestes 20
anos, visitando o passado, procurámos relembrá-lo para que de algum modo
servisse ao presente no que teve de melhor, conscientes que os que nos
acompanharam se de algum modo o viveram que dele não se esquecessem nas suas
pequenas coisas boas. Convivemos com “teimosos” que aqui e acolá nos ensinaram
muito do seu saber neste mundo em movimento e em permanente evolução, cientes
de que esse seu outro mundo vai morrendo e muito do que ficar se transformará
em folclore ou em curiosidades museológicas.
Com
alegria, verificámos em como muitas autarquias, com os seus “carolas”,
empregaram bem os dinheiros que lhes foram concedidos para não só melhorarem o
aspecto das suas localidades mas também na atenção dada à preservação do seu
património material e imaterial. (...)
Denunciámos
e continuaremos a denunciar a incúria e o abandono de todo o nosso património.
(...) O turismo, na sua magnânime prostituição, tem sido responsável pelo restauro do
muito que se via em ruína. Pequenos empreendedores também participam no
banquete e compram tugúrios transformando-os em AL.
Os habitantes que viviam nessas casas foram “amavelmente” convidados a
abandoná-las e a procurarem refúgio fora dos seus lugares de residência. Uma
nova população ambulante aí se instala em trânsito constante, e as cidades dão
jus ao que Fernão Lopes dizia do seu tempo de “muitas e variegadas gentes”:
Lisboa e Porto estão mais lindos!
(...) Nós,
os da Aldraba, continuaremos a procurar o outro mundo, o das boas pequenas
coisas mesmo que em evolução, com amigos, não conseguindo resolver os problemas
do mundo, mas vivendo-o com o prazer que nos é permitido.
Nuno Roque da Silveira