sábado, 28 de março de 2026

Mamíferos selvagens em Portugal (4) - Castores





No passado ano de 2025, reapareceu em Portugal o castor europeu (castor fiber), segundo dá conta a associação Rewilding Portugal, organização privada sem fins lucrativos, fundada em janeiro de 2019 na Guarda, com a missão de promover a conservação da natureza por meio de medidas de “rewilding” em Portugal, e que trabalha atualmente na Beira Alta e em Riba-Coa (onde, segundo afirma, “as altas taxas de abandono de terras criaram oportunidades para trazer a natureza de volta”).

A “rewilding”, ou renaturalização, propõe-se ser uma abordagem progressista para a conservação, deixando a natureza cuidar de si mesma, ao permitir que os processos naturais moldem a terra e o mar, reparem ecossistemas danificados e restaurem paisagens degradadas.

Há anos que a Rewilding Portugal (RP) acompanhava sinais da aproximação do castor a partir de Espanha, cuja última presença confirmada em Portugal remontava ao final do século XV. Desde então, a espécie desaparecera devido à caça intensiva e à destruição do seu habitat.

Nessas ações de monitorização, foram identificadas marcas de roedura em árvores e estruturas típicas de manipulação da água. Câmaras confirmaram depois a presença de um jovem castor já em solo português.

“Estávamos atentos a este avanço há já alguns anos, e agora é com enorme entusiasmo que confirmamos este regresso. O castor é um aliado natural no restauro da saúde dos nossos rios e zonas húmidas e tem um papel fundamental a desempenhar nos nossos ecossistemas fluviais”, afirmou Pedro Prata, líder da equipa da RP, em comunicado de imprensa.

Verdadeiro “engenheiro dos ecossistemas”, o castor constrói represas, escava canais e transforma as margens dos rios. Estas alterações aumentam a retenção de água no solo, melhoram a qualidade da água e criam habitats ricos em biodiversidade. As estruturas criadas pelos castores contribuem ainda para mitigar cheias, combater a erosão e ajudar no armazenamento de água.

“O regresso do castor a Portugal é um símbolo de esperança e de mudança. Mostra que, se deixarmos espaço e tempo à natureza, ela responde. Cabe-nos agora garantir que este regresso seja bem acolhido e protegido”, reforçou Pedro Prata.

Apesar dos benefícios, a presença de castores pode gerar conflitos, sobretudo com atividades humanas junto aos rios, como agricultura e infraestruturas mal adaptadas. No entanto, vários países europeus (Suécia, Alemanha, Suíça e França) têm já estratégias eficazes para garantir a coexistência, seja no apoio a agricultores afetados, seja na implementação de infraestruturas de proteção.

Em Portugal, as autoridades foram alertadas pela RP para a chegada iminente do castor, propondo a criação de um plano de preparação e diálogo com as comunidades locais. Estes esforços merecem toda a nossa simpatia e apoio.

JAF


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