No passado ano de 2025,
reapareceu em Portugal o castor europeu (castor fiber), segundo dá conta
a associação Rewilding Portugal, organização privada sem fins lucrativos,
fundada em janeiro de 2019 na Guarda, com a missão de promover a conservação da
natureza por meio de medidas de “rewilding” em Portugal, e que trabalha
atualmente na Beira Alta e em Riba-Coa (onde, segundo afirma, “as altas
taxas de abandono de terras criaram oportunidades para trazer a natureza de
volta”).
A “rewilding”, ou renaturalização,
propõe-se ser uma abordagem progressista para a conservação, deixando a
natureza cuidar de si mesma, ao permitir que os processos naturais moldem a terra
e o mar, reparem ecossistemas danificados e restaurem paisagens degradadas.
Há anos que a Rewilding Portugal (RP)
acompanhava sinais da aproximação do castor a partir de Espanha, cuja última
presença confirmada em Portugal remontava ao final do século XV. Desde então, a
espécie desaparecera devido à caça intensiva e à destruição do seu habitat.
Nessas ações de monitorização,
foram identificadas marcas de roedura em árvores e estruturas típicas de
manipulação da água. Câmaras confirmaram depois a presença de um jovem castor
já em solo português.
“Estávamos atentos a este
avanço há já alguns anos, e agora é com enorme entusiasmo que confirmamos este
regresso. O castor é um aliado natural no restauro da saúde dos nossos rios e
zonas húmidas e tem um papel fundamental a desempenhar nos nossos ecossistemas
fluviais”, afirmou Pedro Prata, líder da equipa da RP, em comunicado de
imprensa.
Verdadeiro “engenheiro dos
ecossistemas”, o castor constrói represas, escava canais e transforma as
margens dos rios. Estas alterações aumentam a retenção de água no solo,
melhoram a qualidade da água e criam habitats ricos em biodiversidade. As
estruturas criadas pelos castores contribuem ainda para mitigar cheias,
combater a erosão e ajudar no armazenamento de água.
“O regresso do castor a
Portugal é um símbolo de esperança e de mudança. Mostra que, se deixarmos
espaço e tempo à natureza, ela responde. Cabe-nos agora garantir que este
regresso seja bem acolhido e protegido”, reforçou Pedro Prata.
Apesar dos benefícios, a presença
de castores pode gerar conflitos, sobretudo com atividades humanas junto aos
rios, como agricultura e infraestruturas mal adaptadas. No entanto, vários
países europeus (Suécia, Alemanha, Suíça e França) têm já estratégias eficazes
para garantir a coexistência, seja no apoio a agricultores afetados, seja na
implementação de infraestruturas de proteção.
Em Portugal, as autoridades foram
alertadas pela RP para a chegada iminente do castor, propondo a criação de um
plano de preparação e diálogo com as comunidades locais. Estes esforços merecem
toda a nossa simpatia e apoio.
JAF

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