terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Nomes de localidades em azulejos (cont.45)





















 










Prestes a terminar o ano de 2025, pretendemos com a publicação de hoje levar tão longe quanto possível a tarefa que empreendemos a partir de 2010 - com a colaboração de muitos amigos da Aldraba e recorrendo ao que outros ativistas do património têm também efetuado incansavelmente - no sentido de localizar e registar fotograficamente as belas placas toponímicas de azulejos que o Automóvel Club de Portugal colocou à entrada das localidades do nosso país a partir do 1.º quartel do séc. XX.

Sendo cada vez mais raro conseguirmos encontrar novas placas ainda não divulgadas, optámos, tal como já fizemos anteriormente, por reproduzir aqui as fotografias publicitadas pela Maria Teresa Oliveira no seu blogue "Diário de Bordo", nos anos mais recentes, e que não coincidissem com placas já por nós publicitadas.

Publicamos pois, com a forte expressão do nosso agradecimento, 20 placas ACP divulgadas no blogue "Diário de Bordo", que a seguir se discriminam:

- uma segunda placa do Alandroal, concelho do mesmo nome e distrito de Évora (que se vem juntar a uma outra do Alandroal que fotografámos e divulgámos em 11/4/2010);
- uma placa de Alte, do concelho de Loulé e distrito de Faro;
- duas placas diferentes da localidade e concelho de Baião, do distrito do Porto;
- uma placa de Caldas de Vizela (o "S" e o "Z" trocados), do concelho de Vizela e distrito de Braga;
- uma segunda placa de Carvalhal da Louça, do concelho de Seia e distrito da Guarda (que se vem juntar a uma outra da mesma localidade que divulgámos em 23/10/2015);
- uma placa de Contenças de Baixo, do concelho de Mangualde e distrito de Viseu;
- uma placa de Forjães (falta o azulejo com o "F"), do concelho de Esposende e distrito de Braga;
- uma placa de Lanheses (faltam as 3 últimas letras), do concelho e distrito de Viana do Castelo;
- uma placa de Lavos, do concelho da Figueira da Foz e distrito de Coimbra;
- duas placas diferentes de Mourilhe, do concelho de Mangualde e distrito de Viseu;
- uma placa de Pinheiro de Baixo (faltam 3 letras no início e 1 no fim), do concelho de Mangualde e distrito de Viseu;
- uma placa de Rossas, do concelho de Vieira do Minho e distrito de Braga;
- uma placa de Serreleis, do concelho e distrito de Viana do Castelo;
- uma placa da localidade e concelho da Sertã (antiga grafia Certã), do distrito de Castelo Branco;
- duas placas diferentes da Tornada (a segunda com falta de 3 letras centrais), do concelho de Caldas da Rainha e distrito de Leiria;
- uma placa de Torredeita, do concelho e distrito de Viseu;
- uma placa da localidade e concelho de Vouzela, do distrito de Viseu.

As 20 placas hoje publicitadas, somadas às 183 que divulgámos até 11/10/2025, perfazem um total de 203 placas de azulejos divulgadas no blogue da Aldraba! Tais placas são afetas a 178 diferentes localidades, situadas em 93 concelhos da totalidade dos 18 distritos do continente português.

JAF
 
 

 


quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Os cheiros e outras memórias do Natal português

Um texto maravilhoso que a nossa amiga Ana Marta Nobre (natural do Sobral da Adiça e trabalhadora da Câmara Municipal de Moura, que já publicou um poema seu na revista "Aldraba" em 2013) divulgou ontem e que aqui reproduzimos com todo o gosto:

O Natal regressa sempre pela via mais antiga da memória: o olfacto. Antes da palavra, antes da imagem, é o cheiro que anuncia a infância — essa pátria primeira onde o tempo parecia deter-se. A casa respirava de outro modo em dezembro. Havia no ar uma gravidade doce, feita de frio e de expectativa, como se até as paredes soubessem que algo essencial se aproximava.

O frio, sim, tinha cheiro. Um frio limpo e presente, que entrava cedo na casa e a obrigava ao recolhimento. Era um frio que avivava os sentidos, tornava os gestos mais atentos e fazia do interior um refúgio necessário. Nesse frio, a memória aprendia a escutar.

Na cozinha, coração silencioso do Natal, os cheiros organizavam-se como uma liturgia antiga. A canela erguia-se no ar com autoridade serena, misturada com o açúcar e o leite das farófias, leves e contidas, repousando em travessas fundas. O frango acerejado libertava um perfume denso e grave, onde o tempo tinha sido ingrediente, e a carne de caça trazia consigo um odor profundo, quase ancestral, lembrando que cozinhar era, antes de tudo, um acto de permanência.

E depois vinham os doces que eram herança e gesto repetido. As fatias paridas, embebidas e quentes, guardando no interior a doçura lenta do leite e da canela. As filhoses, feitas pelas mãos sábias da avó Luísa, cheirando a massa viva, a açúcar e a tradição transmitida sem palavras. O nógado repousava sobre folhas de laranjeira, onde o mel se encontrava com o verde fresco das folhas, num equilíbrio silencioso, quase solene.

A infância habitava esses cheiros sem necessidade de os nomear. Sabia apenas que eram sinal de pertença, de continuidade, de um mundo ordenado por rituais simples e repetidos. Cada aroma era uma promessa: de mesa cheia, de vozes cruzadas, de um instante suspenso antes da consoada, quando o tempo parecia reconciliar-se consigo próprio.

Talvez por isso o Natal nunca seja apenas uma data. É uma geografia sensível, feita de casas fechadas ao frio, de cozinhas em murmúrio, de cheiros que persistem. E é, sobretudo, esse lugar invisível onde a infância permanece — intacta — pronta a regressar ao primeiro sopro de canela no ar.

Ana Marta Nobre, 23/12/2025

 







quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Apresentação do n.º 38 da revista e jantar-tertúlia de confraternização












Apresentação da revista da Aldraba na Casa do Concelho do Sabugal, em 16 de Dezembro de 2025.

Houve depois uma mesa de reflexão acerca da importância da publicação para a salvaguarda do património com João Coelho, Myriam Jubilot de Carvalho e J. Fernando Reis Oliveira.

Houve intervenções da assistência, designa- damente de António Ferreira, Ana Isabel Veiga e  Inês Ramos. Todos com sugestões para a revista ser mais divulgada.

A Casa do Concelho do Sabugal recebeu com muita qualidade, trazendo para a mesa convivial que se seguiu, enchidos da região representada, uma salada deliciosa e um bacalhau único com bom azeite e batata a murro. Os visitantes terminaram a refeição com arroz doce, bolo rei (da mesma padaria do pão de centeio servido na refeição) e até aguardente. Quem fez dieta comeu queijo e laranja.

Esta Casa e os actuais dirigentes recebem muito bem quem os visita.

Bem hajam!

LFM (fotos LFM e Pedro Silva)

segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

Ecos do XLV Encontro temático no Sobral de Monte Agraço























Um agradável sábado e um sol radioso receberam, na manhã e na tarde de 13 de dezembro de 2025, um grupo de 26 participantes que aceitaram o apelo da associação Aldraba para este 45.º Encontro temático, em busca das riquezas do nosso património local e regional.

Grupo muito animado de associados e amigos (que incluiu até 3 pessoas desta zona Oeste, 2 das quais preencheram a ficha de adesão à Aldraba!), que usufruíram de um programa diversificado, compreendendo as visitas ao magnífico Centro de Interpretação das Linhas de Torres, ao Forte do Alqueidão e à Igreja monumental de Santo Quintino, sempre acompanhados pela simpática e eficiente guia da C.M. do Sobral Monte Agraço, Mariana Soares, que nos orientou de forma competente e cativante.

Depois de um bom almoço no Restaurante Avenida (que se recomenda...), tivemos um momento de convívio associativo na sede da Associação Cultural e Recreativa 13 de Setembro de 1913, cuja direção nos recebeu de modo muito cordial.

No final da tarde, no auditório da Câmara Municipal, onde fomos recebidos pelo vereador do associativismo Diogo Gregório (em representação explícita da Presidente de Câmara), teve lugar uma sessão cultural evocando a grande escritora do séc. XX Irene Lisboa, figura de relevo dos concelhos de Arruda dos Vinhos e Sobral de Monte Agraço, cuja obra está finalmente a ser agora reconhecida na região e no país.

A Aldraba, que trouxe a esta sessão os brilhantes contributos de Jorge da Cunha e Catarina Gaspar, orgulha-se de ter contribuído modestamente para esta aproximação dos dois municípios, e quer continuar presente na formação da Alma Nova - Associação Irene Lisboa, em processo de institucionalização.

Mais um dia memorável na história da associação Aldraba!

JAF (fotos MB)

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

41.º Jantar-tertúlia, na Casa do Concelho do Sabugal, na próxima 3.ª feira, 16.dez.2025, 20h


 










Vamos confraternizar no tradicional jantar de convívio da Aldraba na quadra natalícia, que terá lugar na Casa do Concelho do Sabugal, sita na Av. Alm. Reis, 256/2.ºEsq., em Lisboa, na próxima 3.ª feira, dia 16 de dezembro de 2025, pelas 20 horas.

Este jantar seguir-se-á à sessão relativa à revista ALDRABA que realiza no mesmo local a partir das 18h30.

A Casa do Sabugal já nos acolheu amistosamente no passado (dezembro de 2013), quando aí levámos a efeito o nosso 12.º jantar-tertúlia, e vai receber-nos agora na pessoa do seu dirigente Ramiro Matos.

A ementa do jantar, ao preço único de 20 €, incluirá entradas, sopa, prato de bacalhau à Sabugal, vinho ou refrigerantes, sobremesa, café e bolo-rei. Outros consumos serão cobrados à parte.

Os interessados em participar neste jantar-tertúlia devem inscrever-se, até domingo, dia 14.12.2025, para o email aldrabaassociacao@gmail.com , para o Albano Ginja (TM 914773956 / albanoginja@gmail.com ) ou para o José Alberto Franco (TM 963708481 / jaffranco@gmail.com).

JAF

Felício Correia apresenta o n.º 38 da revista ALDRABA












Na próxima 3.ª feira, dia 16 de dezembro de 2025, pelas 18h30, na Casa do Concelho do Sabugal (Av. Alm. Reis, 256/2.ºEsq., Lisboa), iremos ter a sessão de apresentação do número 38 da revista semestral editada pela nossa Associação.

Para apresentar esta nova publicação, estará connosco o economista António Felício Correia, que tem também formação em direito e foi já professor universitário. Desde há alguns meses atrás, este amigo é ainda nosso associado. 

Durante a sessão, e sob a coordenação do nosso vice-presidente Luís Maçarico, teremos uma troca de impressões sobre o percurso da revista ALDRABA nos 20 anos da Associação, para a qual foram convidados vários amigos que têm contribuído assiduamente com a publicação de textos e artigos seus.

JAF 

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

Ainda acerca dos nossos 20 anos



Editorial do número 38 da revista "Aldraba":

Ao longo de duas décadas, a Aldraba, enquanto Associação do Espaço e Património Popular, realizou mais de 40 Encontros em torno de valores patrimoniais de diversos concelhos do Centro (como Idanha-a-Nova, Fundão, Tondela) até ao Sul (como Loulé, Mértola, Aljezur).

Esta revista espelhou durante 38 números, em edições semestrais, esses eventos e muita temática relacionada. Com as suas páginas abertas a autodidatas, académicos, associados e amigos, divulgámos artigos acerca de gastronomia, doçaria, territórios (como o Couto Misto), práticas e ofícios onde se inserem moinhos, chafarizes, aldeias de xisto ou paisagens naturais, que são identitárias.

A nossa ida a locais como Querença, Castro Marim, Pias, Moura, Alenquer, Alpedrinha, Póvoa de Atalaia, Fundão, Souto da Casa, Salvaterra do Extremo, Vilarelhos, etc., deixou rasto. Ficou a revista, ficou o nosso compromisso na salvaguarda do saber-fazer, também com os dois cadernos temáticos editados sobre aldrabas e batentes de porta e cataventos do concelho de Moura.

A participação em manifestações culturais, como o Encontro Transfronteiriço de Poesia, Património e Arte de Vanguarda em Meio Rural, que se efectua no final de Julho, em Alfândega da Fé, ou a Festa dos Chocalhos no 3º fim de semana de Setembro, em Alpedrinha, onde recentemente participámos na iniciativa “Ecos dos Chocalhos”, amplia – pela divulgação da nossa revista – a mensagem que, desde a fundação, pretendemos partilhar.

A vida colectiva está ferida de amnésia. O património sofre atentados, como há poucos meses sucedeu no Ginjal (Almada), terraplanando a memória de Romeu Correia e Columbano Bordalo Pinheiro, ali nascidos. Há alguns anos, o Palácio do Barão de Quintela, no Chiado, viu surgirem seis comedouros para turistas. A CML teve pudor em colocar um marco, assinalando que, na 1ª Invasão Napoleónica, Junot alojou-se ali, “comendo à grande e à francesa”, e ficando “a ver navios”…

Chegámos a 2025 mais pobres. Uma parte das lojas tradicionais foram sendo abatidas com rendas incomportáveis, devido à gentrificação que prejudicou bastante outras cidades europeias (Barcelona, Veneza, Dubrovnik).

Centenas de baiúcas emergiram como cogumelos na zona histórica, vendendo o mesmo: águas, cachecóis, souvenirs de cortiça irrelevantes e ímans para frigoríficos, servindo um turismo que vem desenfreado aos milhares por dia, em navios de cruzeiro.

A Aldraba continua a obra iniciada em 25 de Abril de 2005 e desenvolvida por voluntários inesquecíveis, que entretanto partiram pela lei natural da existência. Seguiremos os seus ensinamentos e valores de cidadania, com a vontade de fazer sempre bem e melhor.

Luís Filipe Maçarico