Prestes a terminar o ano de 2025, pretendemos com a publicação de hoje levar tão longe quanto possível a tarefa que empreendemos a partir de 2010 - com a colaboração de muitos amigos da Aldraba e recorrendo ao que outros ativistas do património têm também efetuado incansavelmente - no sentido de localizar e registar fotograficamente as belas placas toponímicas de azulejos que o Automóvel Club de Portugal colocou à entrada das localidades do nosso país a partir do 1.º quartel do séc. XX.
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
Nomes de localidades em azulejos (cont.45)
Prestes a terminar o ano de 2025, pretendemos com a publicação de hoje levar tão longe quanto possível a tarefa que empreendemos a partir de 2010 - com a colaboração de muitos amigos da Aldraba e recorrendo ao que outros ativistas do património têm também efetuado incansavelmente - no sentido de localizar e registar fotograficamente as belas placas toponímicas de azulejos que o Automóvel Club de Portugal colocou à entrada das localidades do nosso país a partir do 1.º quartel do séc. XX.
quarta-feira, 24 de dezembro de 2025
Os cheiros e outras memórias do Natal português
O Natal regressa sempre pela via mais antiga da memória: o
olfacto. Antes da palavra, antes da imagem, é o cheiro que anuncia a infância —
essa pátria primeira onde o tempo parecia deter-se. A casa respirava de outro
modo em dezembro. Havia no ar uma gravidade doce, feita de frio e de
expectativa, como se até as paredes soubessem que algo essencial se aproximava.
O frio, sim, tinha cheiro. Um frio limpo e presente, que
entrava cedo na casa e a obrigava ao recolhimento. Era um frio que avivava os
sentidos, tornava os gestos mais atentos e fazia do interior um refúgio
necessário. Nesse frio, a memória aprendia a escutar.
Na cozinha, coração silencioso do Natal, os cheiros
organizavam-se como uma liturgia antiga. A canela erguia-se no ar com
autoridade serena, misturada com o açúcar e o leite das farófias, leves e
contidas, repousando em travessas fundas. O frango acerejado libertava um
perfume denso e grave, onde o tempo tinha sido ingrediente, e a carne de caça
trazia consigo um odor profundo, quase ancestral, lembrando que cozinhar era,
antes de tudo, um acto de permanência.
E depois vinham os doces que eram herança e gesto repetido.
As fatias paridas, embebidas e quentes, guardando no interior a doçura lenta do
leite e da canela. As filhoses, feitas pelas mãos sábias da avó Luísa,
cheirando a massa viva, a açúcar e a tradição transmitida sem palavras. O
nógado repousava sobre folhas de laranjeira, onde o mel se encontrava com o
verde fresco das folhas, num equilíbrio silencioso, quase solene.
A infância habitava esses cheiros sem necessidade de os
nomear. Sabia apenas que eram sinal de pertença, de continuidade, de um mundo
ordenado por rituais simples e repetidos. Cada aroma era uma promessa: de mesa
cheia, de vozes cruzadas, de um instante suspenso antes da consoada, quando o
tempo parecia reconciliar-se consigo próprio.
Talvez por isso o Natal nunca seja apenas uma data. É uma
geografia sensível, feita de casas fechadas ao frio, de cozinhas em murmúrio,
de cheiros que persistem. E é, sobretudo, esse lugar invisível onde a infância
permanece — intacta — pronta a regressar ao primeiro sopro de canela no ar.
Ana Marta Nobre, 23/12/2025
quarta-feira, 17 de dezembro de 2025
Apresentação do n.º 38 da revista e jantar-tertúlia de confraternização
Houve depois uma mesa de reflexão acerca da importância da
publicação para a salvaguarda do património com João Coelho, Myriam Jubilot de
Carvalho e J. Fernando Reis Oliveira.
Houve intervenções da assistência, designa- damente de António
Ferreira, Ana Isabel Veiga e Inês Ramos. Todos com sugestões para a revista ser
mais divulgada.
A Casa do Concelho do Sabugal recebeu com muita qualidade,
trazendo para a mesa convivial que se seguiu, enchidos da região representada,
uma salada deliciosa e um bacalhau único com bom azeite e batata a murro. Os
visitantes terminaram a refeição com arroz doce, bolo rei (da mesma padaria do
pão de centeio servido na refeição) e até aguardente. Quem fez dieta comeu
queijo e laranja.
Esta Casa e os actuais dirigentes recebem muito bem quem os
visita.
Bem hajam!
LFM (fotos LFM e Pedro Silva)
segunda-feira, 15 de dezembro de 2025
Ecos do XLV Encontro temático no Sobral de Monte Agraço

terça-feira, 9 de dezembro de 2025
41.º Jantar-tertúlia, na Casa do Concelho do Sabugal, na próxima 3.ª feira, 16.dez.2025, 20h
Vamos confraternizar no tradicional jantar de convívio da
Aldraba na quadra natalícia, que terá lugar na Casa do Concelho do Sabugal,
sita na Av. Alm. Reis, 256/2.ºEsq., em Lisboa, na próxima 3.ª feira, dia 16
de dezembro de 2025, pelas 20 horas.
Este jantar seguir-se-á à sessão relativa à revista ALDRABA
que realiza no mesmo local a partir das 18h30.
A Casa do Sabugal já nos acolheu amistosamente no passado
(dezembro de 2013), quando aí levámos a efeito o nosso 12.º jantar-tertúlia, e
vai receber-nos agora na pessoa do seu dirigente Ramiro Matos.
A ementa do jantar, ao preço único de 20 €, incluirá entradas,
sopa, prato de bacalhau à Sabugal, vinho ou refrigerantes, sobremesa, café e
bolo-rei. Outros consumos serão cobrados à parte.
Os interessados em participar neste jantar-tertúlia devem inscrever-se,
até domingo, dia 14.12.2025, para o email aldrabaassociacao@gmail.com , para
o Albano Ginja (TM 914773956 / albanoginja@gmail.com
) ou para o José Alberto Franco (TM 963708481 / jaffranco@gmail.com).
JAF
Felício Correia apresenta o n.º 38 da revista ALDRABA
Na próxima 3.ª feira, dia 16 de dezembro de 2025, pelas 18h30, na Casa do Concelho do Sabugal (Av. Alm. Reis, 256/2.ºEsq., Lisboa), iremos ter a sessão de apresentação do número 38 da revista semestral editada pela nossa Associação.
Para apresentar esta nova publicação, estará connosco o economista António Felício Correia, que tem também formação em direito e foi já professor universitário. Desde há alguns meses atrás, este amigo é ainda nosso associado.
Durante a sessão, e sob a coordenação do nosso vice-presidente Luís Maçarico, teremos uma troca de impressões sobre o percurso da revista ALDRABA nos 20 anos da Associação, para a qual foram convidados vários amigos que têm contribuído assiduamente com a publicação de textos e artigos seus.
JAF
sexta-feira, 5 de dezembro de 2025
Ainda acerca dos nossos 20 anos
Editorial do número 38 da revista "Aldraba":
Ao
longo de duas décadas, a Aldraba, enquanto Associação do Espaço e Património
Popular, realizou mais de 40 Encontros em torno de valores patrimoniais de
diversos concelhos do Centro (como Idanha-a-Nova, Fundão, Tondela) até ao Sul
(como Loulé, Mértola, Aljezur).
Esta
revista espelhou durante 38 números, em edições semestrais, esses eventos e
muita temática relacionada. Com as suas páginas abertas a autodidatas,
académicos, associados e amigos, divulgámos artigos acerca de gastronomia,
doçaria, territórios (como o Couto Misto), práticas e ofícios onde se inserem
moinhos, chafarizes, aldeias de xisto ou paisagens naturais, que são
identitárias.
A
nossa ida a locais como Querença, Castro Marim, Pias, Moura, Alenquer,
Alpedrinha, Póvoa de Atalaia, Fundão, Souto da Casa, Salvaterra do Extremo,
Vilarelhos, etc., deixou rasto. Ficou a revista, ficou o nosso compromisso na
salvaguarda do saber-fazer, também com os dois cadernos temáticos editados
sobre aldrabas e batentes de porta e cataventos do concelho de Moura.
A
participação em manifestações culturais, como o Encontro Transfronteiriço de
Poesia, Património e Arte de Vanguarda em Meio Rural, que se efectua no final
de Julho, em Alfândega da Fé, ou a Festa dos Chocalhos no 3º fim de semana de
Setembro, em Alpedrinha, onde recentemente participámos na iniciativa “Ecos dos
Chocalhos”, amplia – pela divulgação da nossa revista – a mensagem que, desde a
fundação, pretendemos partilhar.
A
vida colectiva está ferida de amnésia. O património sofre atentados, como há
poucos meses sucedeu no Ginjal (Almada), terraplanando a memória de Romeu
Correia e Columbano Bordalo Pinheiro, ali nascidos. Há alguns anos, o Palácio
do Barão de Quintela, no Chiado, viu surgirem seis comedouros para turistas. A
CML teve pudor em colocar um marco, assinalando que, na 1ª Invasão Napoleónica,
Junot alojou-se ali, “comendo à grande e à francesa”, e ficando “a ver navios”…
Chegámos
a 2025 mais pobres. Uma parte das lojas tradicionais foram sendo abatidas com
rendas incomportáveis, devido à gentrificação que prejudicou bastante outras
cidades europeias (Barcelona, Veneza, Dubrovnik).
Centenas
de baiúcas emergiram como cogumelos na zona histórica, vendendo o mesmo: águas,
cachecóis, souvenirs de cortiça irrelevantes e ímans para frigoríficos,
servindo um turismo que vem desenfreado aos milhares por dia, em navios de
cruzeiro.
A
Aldraba continua a obra iniciada em 25 de Abril de 2005 e desenvolvida por
voluntários inesquecíveis, que entretanto partiram pela lei natural da
existência. Seguiremos os seus ensinamentos e valores de cidadania, com a
vontade de fazer sempre bem e melhor.
Luís Filipe Maçarico
































