quinta-feira, 1 de junho de 2023

António dos Olhos Tristes


 










António dos Olhos Tristes foi o único homem que eu conheci que sabia falar com os bichos todos que há na vida. Mas todos. Todos mesmo.

E quando falava com eles fazia uma voz tão triste, tão triste que as pessoas que o ouviam ficavam a cismar se o António dos Olhos Tristes não teria nascido para ser monge, ou eremita, daquelas criaturas que vivem a vida toda nas montanhas, mais cerca do céu do que da terra, vestidos de silêncio, de paz e simplicidade.

Ou então António dos Olhos Tristes em vez de pessoa devia ter sido talhado para nascer árvore, daqueles sobreiros tristes, sozinhos, que a gente avista nos descampados, de braços abertos como que a dizer salve-os Deus a maiorais, a ciganos, a moinantes e uma enormidade de seres que levam a vida inteira à procura dum lugar, dum sítio.

Nos dias em que o calor escarchava as pinhas, sorvia a água dos pegos e riscava faúlhas na lonjura da charneca, António dos Olhos Tristes sentava-se ao abrigo de qualquer ramada, agarrava num tronco de marmeleiro e em meia dúzia de golpes de canivete fazia uma figura que parecia mesmo um santo, enquanto o diabo esfregava um olho. Não era bem uma cara de santo de igreja, era como que a figura duma pessoa boa, duma pessoa triste, ora um homem, ora uma mulher, ora uma criança, ora às vezes até um animal qualquer mas sempre com uma expressão na cara e nos olhos que quem visse dizia logo: – É tal e qual um santo, só lhe falta ser benzido! E era. Era mesmo assim tal e qual.

António dos Olhos Tristes não tinha pai nem tinha mãe, era tão sozinho como um rio, uma abetarda, uma lebre ou um vime. Nem os mais antigos sabiam donde é que ele viera nem sequer o dia em que ele aparecera ali na nossa aldeia. Nem os mais antigos falavam do seu passado, nem os mais antigos adiantavam fosse o que fosse à história da sua vida. Ali aparecera e ali ficara, há tanto tampo já que devia ser um velho e ainda era um jovem, tão bom e tão triste que devia ser filho de todos os pais e de todas as mães que há no mundo e não tinha nem um pai nem uma mãe só que fosse. Mas todos gostavam tanto dele, todos sentiam tão no peito aquela alegria de estar ao pé dele, que António dos Olhos Tristes era como se fosse assim um poucochinho pertença de todos nós.

A minha mãe, então, gostava tanto dele quanto gostava de mim. O meu pai deixava de comer metade da ceia só para que o António dos Olhos Tristes ceasse na nossa mesa. Até o Mestre Manuel Regedor deixava a voz grossa que ele fazia quando ralhava com os malteses e arranjava uma fala nova, muito mais sossegada e macia, para conversar com o António dos Olhos Tristes: era como que uma voz de pai, a fala que ele arranjava.

Podia contar aqui muitas histórias, muita coisa passada com António dos Olhos Tristes ou de quando ele ordenhou uma vaca taurina tão bem como um boieiro sem nunca ter aprendido, ou de quando ele deu um beijo na cara do Chico Mudo e ele abriu a boca, fez uma data de caretas e falou a única vez da vida dele a dizer – ó-bri-gá-du, ou de quando ele levou três dias e três noites a malhar cevada branca na eira da Tia Almerinda Viúva, sem dormir nem descansar, e quando acabou tudo só quis aceitar um cacho de uvas com pão. A Tia Almerinda Viúva contava que enquanto punha as uvas na boca, bago a bago, devagar, o António dos Olhos Tristes ia mudando a cara, mudando a cara tanto e de tal maneira que ao fim dela estar a olhar para ele um quarto de hora era como se estivesse a olhar a cara do seu homem, igualzinho sem tirar nem pôr. Ela ainda hoje afiança que viu a cara do seu homem na cara de António dos Olhos Tristes, e há que séculos que isto foi. Quem é que pode negar? Quem é que viu? – Se só ela é que viu, só ela é que pode afiançar ou desmentir.

Podia ainda falar de outras histórias, umas tristes, outras esquisitas e estranhas, que ouvi contar ou que aconteceram mesmo ao pé de mim. Duma mão cheia delas que me lembro escolhi estas 15 que irei discorrendo consoante a lembrança que tenho hoje.

A primeira foi quando António dos Olhos Tristes falou com uma lebre que saltou dum barranco.

Os homens tinham acabado de fazer meio dia a roçar mato, mesmo na extrema da herdade onde começa o barranco que vai dar aos foros da Chaminé. Sentados uns, estiraçados outros, enrolavam os tanganhos do tabaco nas mortalhas có-có-ró-có-có. Um ou outro bebia da água, mais morna que caldo de beldroegas, pelo cocharro.

Foi nisto que saltou a lebre. Grande como um galgo, um lebrão, lombo cinzento e acastanhado, barriga a roçar o branco e duas orelhas apontadas à copa do arvoredo. Em três saltos galgou a rampa do barranco e especou-se, queda, tensa, nervosa, nem chegava a vinte metros do chaparro onde o pessoal descansava.

António dos Olhos Tristes estava entretido a ajudar uma formiga azelhuda que se tinha alambazado com uma espigona de centeio, cem vezes maior do que ela, às pandaretas prá’qui, às pandaretas prá’li. António dos Olhos Tristes, segurando uma folhinha seca, ora levantava daqui, ora empurrava dacolá, tentando ajudar a arara a levar a tralha a bom termo.

O Zaías gritou: – Olha uma lebre, parece um cavalo! O bicho agitou as orelhas e retesou mais os músculos, pronto para a corrida. O pessoal ficou todo pregado onde estava, olhos fincados no bicho.

Foi então que António dos Olhos Tristes se levantou. Devagar, primeiro uma mão no ar, depois a outra, até que se ergueu todo e começou a andar. Um passo. Parou. Outro passo. Parou. A gente nem acreditava: um lebrão é um animal que assim que vê um homem levantar um dedo maminho prega logo três saltos e desaparece a mais de cem à hora. E aquele ali estava, quieto, fixo, a olhar para António dos Olhos Tristes, que em vinte passadas quase ficou com as botas a baterem-lhe no pêlo.

O Chico da Caniçada ia a levar um pedaço de queijo à boca, com a folha do canivete, e quedou-se assim, com o braço no ar, o canivete a meio da viagem, de boca aberta, como se fosse de pedra. Os outros na mesma: pareciam tão encantados por uma jibóia que até o suor deixou de correr nas caras e ficou parado, colado à barba.

António dos Olhos Tristes baixou-se devagarinho, passou a mão pelo lombo da lebre, da cabeça ao rabo, da cabeça ao rabo, duas vezes, três vezes, a seguir põe-se de cócoras e começa a alisar-lhe as patas, de cima para baixo, ora as da frente ora as de trás. E sempre a falar-lhe: – Pronto, pronto, não tenhas medo. Sou eu, não tenhas medo. Foi caçador, foi caçador ou raposo que te assustou, minha linda. Eles são maus, eles são maus. Não tenhas medo. Pequerrucha. Pequerrucha.

E a lebre quieta. E a lebre tão parada que até parecia entender tudo o que ele lhe dizia, cada vez mais calma, cada vez com as pernas mais quietas e o corpo menos em arco…

Então António dos Olhos Tristes dá-lhe uma palmada no rabo e manda: – Agora já podes ir à tua vida descansada. Vá. Vai. Não tenhas medo.

A lebre ensaia um salto, um salto curtinho, e fica a acompanhar com os olhos o regresso de António dos Olhos Tristes para o pé da gente.

Daí a nada arrancou numa corrida que até levantava pó entre a caruma.

(…)

Eduardo Olímpio 

segunda-feira, 22 de maio de 2023

Em tempos de incerteza









Editorial do n.º 33 da revista ALDRABA:

Pandemia, guerra, alterações climáticas, inflação… Situações de crise em Portugal, na Europa e no mundo que se têm sucedido e que têm feito crescer o mal-estar, a angústia e mesmo o sofrimento dos nossos concidadãos nos dias que correm.

Simultaneamente com o agravamento das condições de vida, assistimos também ao florescer da descrença, da perda de referências coletivas e, até, da simpatia por opções de desespero e desnorte.

Cabe-nos a todos nós reagir pela positiva, procurando valorizar e desenvolver as demonstrações da cultura e sabedoria popular, que reforcem a identidade das nossas comunidades e a sua autoestima, que ajudem as populações a unir-se e a estimular a criatividade na busca de soluções para os seus problemas.

É esse o caminho que, persistentemente, a ALDRABA tem tentado percorrer desde a sua criação e que pretendemos prosseguir agora com o estatuto de “maioridade” – completámos em 25 de abril de 2023 a bonita soma de 18 anos sobre a fundação da Associação, na Assembleia Geral constituinte que reuniu no Ateneu Comercial de Lisboa!

No presente número da nossa revista, damos voz a trabalhos de cariz histórico sobre temas menos conhecidos do passado comunitário português, tal como se descreve uma experiência inovadora de associativismo em defesa do património natural e humano da serra da Estrela.

Não faltam igualmente nesta revista os testemunhos vividos de quem preza a sua terra e o seu património, valorizando as riquezas locais e as memórias de quem aí habita ou aí nasceu. De referir ainda experiências na emigração e em ofícios tradicionais.

A poesia continua a ter uma expressão significativa nas nossas páginas, seja na evocação de autores cujas efemérides se assinalam, seja na divulgação de poetas populares portugueses, seja na publicação ou recensão de trabalhos poéticos de amigos e associados da Aldraba.

Em fevereiro do corrente ano, a nossa Associação procedeu à eleição dos órgãos sociais para o biénio de 2023/2024, tendo sido incluídos três novos elementos que, certamente, saberão dar continuidade ao esforço e à dedicação dos que os antecederam.

José Alberto Franco


 

Publicado o n.º 33 da revista ALDRABA


 








Saiu da gráfica e iniciou-se a distribuição aos associados do novo número da nossa revista, do qual teremos em breve uma sessão pública de apresentação.

Sumário do número 33:

EDITORIAL

Em tempos de incerteza

José Alberto Franco

 

OPINIÃO

Couto Misto, uma república entre dois reinos

Luís Filipe Maçarico

O etnógrafo elvense António Thomaz Pires

J. Fernando Reis de Oliveira

 

LUGARES DO PATRIMÓNIO

Onde está o Sul do Tejo?

Myriam Jubilot de Carvalho

 

ASSOCIATIVISMO E PATRIMÓNIO

Guardiões da Serra da Estrela

Manuel Franco

 

RITUAIS, TRADIÇÕES E REALIDADE

A Fonte dos Milagres

Sofia de Azevedo Teixeira

 

ARTES E OFÍCIOS

O sapateiro de Almada Negreiros

Carlos Fernandes Maria

 

SONS COM MEMÓRIA

“Tourada” 50 anos – A canção saiu à rua

Maria Odete Roque

 

OS AMIGOS E A MEMÓRIA

O obituário que nunca estamos preparados para escrever

Pedro Gomes Martins

Jaime da Manta Branca um poeta analfabeto

Manuel Xarepe


DESABAFOS

Emigrar não é fácil

Ana Gonçalves

 

VULTOS A ADMIRAR

Eugénio de Andrade – um poeta de sempre

João Coelho

 

ALDRABA EM MOVIMENTO

Novembro de 2022 a Abril de 2023

José Alberto Franco

 

 

Cartographya

Núcleo Editorial

“António dos olhos tristes” e "Um girassol chamado Beatriz”

Luís Filipe Maçarico

Amoras Silvestres - Valdanta – Chaves

Rodrigo Dias

O mar é a minha casa

Myriam Jubilot de Carvalho

terça-feira, 16 de maio de 2023

XLI Encontro da ALDRABA - "A Real Fábrica do Gelo e a Serra de Montejunto", Cadaval, sáb. 3 junho 2023

















O nosso quadragésimo primeiro Encontro temático esteve para se realizar em julho de 2022, mas teve de ser adiado dois dias antes, pela emergência florestal verificada, que impediu quaisquer atividades públicas na Serra, como medida de prevenção contra os incêndios.

A ALDRABA deixou para agora a concretização desta atividade, e vai proporcionar-nos, assim se espera, o conhecimento direto de "uma construção única, um prazer intemporal"...

É assim caracterizada a Real Fábrica do Gelo, ou Fábrica de Neve da Serra de Montejunto, situada na parte cimeira da serra, no concelho do Cadaval.

Esperam por nós os competentes guias do Centro Interpretativo Ambiental, para uma visita de uma hora a esta edificação singular, que data de 1741 e que funcionou até 1885, produzindo gelo natural, armazenado durante o inverno e transportado no verão (em carroças até ao Carregado e depois em barcaças pelo Tejo) para Lisboa, destinado aos sorvetes na casa real e em alguns cafés da Baixa - como o centenário Martinho da Arcada...

O encontro vai ter o seu início às 10h00, no Centro Interpretativo, que fica no cimo da Serra, aonde se acede por estrada alcatroada muito bem sinalizada, a cerca de 60 km de distância de Lisboa. Acessos rodoviários sugeridos: pela autoestrada A1, até ao Carregado, ou até Aveiras de Cima, passando-se depois por Alenquer ou pelo Cadaval, respetivamente.

Durante a manhã, teremos uma breve palestra no Auditório do Centro e a visita propriamente dita à Fábrica do Gelo. De seguida, visitaremos o Santuário de N. Srª das Neves (local de uma importante romaria anual) e as ruínas do Convento dominicano do séc. XIII, acompanhados pelo respetivo zelador.

Findo esse período da manhã, desceremos até à localidade de Pragança, onde seremos recebidos pela nossa amiga Raquel Marques, presidente da Sociedade Filarmónica 1º Dezembro, fundada em 1882, que se mantém em pleno funcionamento, e que nos dará a conhecer as suas atuais atividades.

É na Sociedade Filarmónica de Pragança que teremos o nosso almoço, preparado e servido pelos ativistas dessa coletividade, e que constará de uma ementa integrada, ao preço único de 15 euros, incluindo entradas, sopa de legumes, prato principal (carne à portuguesa ou chanfana), bebidas (águas, sumos ou vinhos), sobremesa (pudim ou salada de frutas) e café.

Pelas 16h00, teremos uma interação com o CRASM - Centro de Recuperação de Animais Selvagens de Montejunto, na aldeia da Tojeira. Recebidos pela nossa amiga Filomena Barros, que nos apresentará em detalhe o trabalho que ali desenvolvem de proteção do património natural, o que incluirá, provavelmente, a libertação ao vivo de uma ave selvagem já recuperada pela instituição.

Para finalizar, pelas 17h30, teremos na aldeia do Vilar a visita a um moinho tradicional da Serra, devidamente mantido pelo seu proprietário Miguel Luís.

Estima-se o final do encontro para cerca das 18h30.

Todos os que desejarem participar deverão transmiti-lo, telefonicamente ou por mail, para o Nuno Silveira (TM 962916005, nunoroquesilveira@gmail.com), para a Ana Isabel Veiga (TM 932260334, anaisa1640@gmail.com) ou para a própria Aldraba (aldraba@gmail.com), o mais tardar até 4ª feira, 31 de maio.

JAF



 

domingo, 30 de abril de 2023

Abril, águas mil


 







ABRIL, ÁGUAS MIL

Abril foi metáfora de um certo Portugalzinho para ver por fora, quando o turismo começava a cheirar o fulgor do sol neste soturno e desconhecido país à beira-mar, um país que foi sendo reduzido a “três sílabas de plástico, que era mais barato”, no dizer irónico e carregado de remorso de Alexandre O’Neill.

Abril, e não Janeiro, Setembro ou qualquer outro mês, não consta que a meteorologia tenha orientado tal escolha, como se comprova analisando o destino futuro das correntes futuras.

Em Abril de 1974, o Abril em Portugal mudava de figura. Os dias aumentavam de volume, a luz expandia-se, parecia que chegávamos, com Ruy Belo, à “terra da alegria”. Depois, apagado o “ladrilhado de lindos adjectivos” (O’Neill), as cinco letras de Abril aí estão reduzidas à beleza simples do que valem, quando juntas na ordem convencionada de modo a designarem o quarto mês do ano, o primeiro integral e simbólico de uma “Primavera assaltando o ano” (Octávio Paz).

“Abrir os braços, acolher nos ramos / o vento, a luz ou o quer que seja; / sentir o tempo fibra a fibra, / a tecer o coração duma cereja”, assim se dispõe Eugénio de Andrade a receber Abril e todo o trabalho depositado nas suas mãos de Primavera.

ABRIL, ORA CHORA, ORA RI, e, entre chuva e sol, aumentam os dias, os ramos e as promessas dos frutos. São mil as águas, mas COADAS POR UM FUNIL ou PENEIRADINHAS POR UM MANDIL. Vendo bem, CABEM TODAS NUM BARRIL. São AS ÁGUAS DO CUCO, MOLHAM QUANDO ESTÁ ENXUTO; cuco que, se não responder ao chamamento dos campos, OU É MORTO OU NÃO QUER VIR.

De resto, da perdiz, como do enxame, EM ABRIL ESTÁ CHEIO O COVIL, e A RÊS PERDIDA COBRA VIDA; quanto à solha e à sardinha, É VÊ-LA E DEIXÁ-LA IR. Medida higiénica ou biocida, QUEM MATA UMA MOSCA EM ABRIL, MATA MAIS DE MIL.

Nesta altura do ano, já a duração do período diurno ultrapassa a do nocturno, a zona intertropical de convergência e as cinturas anticiclónicas subtropicais estão em fase de migração para norte e as perturbações frontais evoluem em latitudes mais a norte do que nos meses anteriores.

Apesar disso, atravessando ainda frequentes vezes a Península Ibérica, os sistemas frontais possuem menor actividade e, tendo-a, mesmo assim diminui de norte para sul. O ditado popular deverá ter origem nortenha e, sobretudo, litoral.

Manuel Costa Alves, in "Mudam os ventos, mudam os tempos"

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Caloroso Jantar-tertúlia no GDE Os Combatentes










 








Na noite do passado dia 31 de março de 2023, um grupo de associados da Aldraba retomou a nossa prática - já antiga - dos jantares-tertúlia em coletividades populares de Lisboa.

Fomos recebidos desta vez nos Combatentes, associação de cultura e recreio da Rua do Possolo, onde nos foram servidas umas magníficas favas guisadas com entrecosto, enquadradas por um ambiente dinâmico de muita gente nova e com perspetivas de futuro.

Convívio muito animado, que culminou com uma gratificante interação com o presidente da Direção do GDEC, o nosso jovem amigo Tiago Mendes.

Longa vida às coletividades populares do nosso país!

JAF (fotos AIVeiga)