sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Ernesto Silva, poeta de Aljezur e a Aldraba


Ernesto Silva, cidadão de Aljezur nascido em 1938, participou activamente no XV Encontro da Aldraba, que realizámos no seu concelho em 28/29 Nov.2009.

Esteve connosco na sessão da tarde de 28.11, no Grupo Folclórico do Rogil, quando trocámos informações e reflexões acerca da batalha aérea de Aljezur de 1943, e acerca da importância cultural e económica da batata doce. Deu testemunho das suas memórias remotas, com cinco anos (era o seu avô comandante do posto da Guarda Fiscal da Arrifana), quando os aviões nazis e a aviação aliada se defrontavam nos céus portugueses, e os adultos protegiam as crianças contra eventuais bombas perdidas...

Esteve connosco, também, no convívio da noite desse dia 28.11, no restaurante Onex, quando degustámos batata doce em saborosos petiscos que o Município nos proporcionou.

E presenteou-nos, o Ernesto Silva, com os seus poemas - ele que publicou recentemente o livro "A minha rua - Poesias 1995/2000", editado pela Câmara Municipal de Aljezur.

No prefácio desse livro do Ernesto Silva, da autoria do Presidente Manuel Jesus Marreiros, lê-se:

"A maior riqueza deste concelho são as pessoas. Foram elas que fizeram esta terra e são elas o seu futuro. Com trabalho, suor, sacrifícios e arte, cada um foi escrevendo uma página importante do nosso desenvolvimento(...). A forma imediata com que transforma uma ideia em poesia só é comparável à versatilidade com que de uma simples fatia de pão faz uma flor ou uma mão cheia de barro se tranforma numa peça de arte. A C.M.Aljezur agradece a este nosso conterrâneo ter acedido ao nosso convite para editar esta publicação e enaltece também tudo aquilo que tem feito para divulgar a nossa terra. Este livro de poesia já fazia falta. O autor merece e Aljezur agradece."

A Aldraba também agradece ao Ernesto Silva a sua participação, a sua criatividade, e, em especial, o carinho e a acutilância que pôs no poema que nos dedicou e que declamou nessa inesquecível noite de 28.11.2009:

A ALDRABA

Já o sabe toda a gente
que o indicativo presente
deste verbo tão antigo,
tem na terceira pessoa,
esse termo que bem soa
quando nos chega ao ouvido.

Desde os tempos ancestrais,
quase todos os portais,
em posição evidente,
têm aldraba elaborada
para ser accionada
e chamar, logo, o utente.

Hoje, porém, tenho esse ensejo:
Esta Aldraba, que ora vejo,
é um grupo especial,
forte, seguro e coeso,
na cultura tem mais peso
e provém da capital.

Em busca do mar azul
demandam terras do sul.
Ouvir. Sabores desgustar.
E, mesmo pouco que fosse,
Só comer batata doce,
Já era um grande manjar.

Com grande satisfação,
num abraço terno, irmão,
está a porta escancarada.
É tão grande a alegria,
que, por obra de magia,
a aldraba nem foi tocada.

A este rincão pequeno,
Fraterno, sadio, ameno,
onde o amor não acaba
e sabemos receber,
venha sempre que quiser,
basta tocar na aldraba.

28-11-2009


Bem haja, Ernesto Silva!
JAF

3 comentários:

  1. O Sr Ernesto Silva é uma pessoa ímpar no concelho de Aljezur.
    Com algumas analogias com Pessoa, também teve uma profissão carregada de rotinas formais e verbais. No entanto, possui uma criatividade que, felizmente, nunca permitiu ser esmagada nem por poderes públicos arrogantes nem por convenções estúpidas e cuja expressão se encontra na beleza multiforme da sua poesia e das suas imagens em pão e em cerâmica. Também é 'dono' de uma boa cultura geral refletida e não apenas memorizada. Por último é 'dono' de uma grande qualidade já realçada por Kant em finais do séc. XVIII na expressão «sapere aude», ousa pensar! O Sr Ernesto Silva ousou sentir, pensar e por partilhar com todos o nós o que vai na alma. Trata-se de uma dupla virtude: a da coragem e a da partilha generosa. Há poucos assim, que eu conheça.

    Ibn Kaci, séc VIII, Aljezur

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  2. nao gosto do seu poemas sao muito atigos

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