domingo, 10 de dezembro de 2017

O nº 22 da revista ALDRABA em distribuição























Ficou concluída a publicação do nº 22 da nossa revista, cuja distribuição pelos associados teve já início e de que iremos ter o lançamento público na próxima 3ª feira, dia 12 de dezembro, pelas 18h30, na cooperativa Padaria do Povo (R. Louis Derouet, 20-A, 1º andar, Campo de Ourique, em Lisboa), com a apresentação da Profª Maria Beatriz Rocha Trindade.

Plano do nº22 da revista

EDITORIAL
O nosso património florestal em perigo
Albano Ginja

OPINIÃO
António Braz – O rambóia comendador
Nuno Santos

LUGARES DO PATRIMÓNIO
A Casa do Gaiato em Santo Antão do Tojal
Nuno Roque da Silveira
Visitando a Natureza
Carlos Henrique Carneiro

RITUAIS, TRADIÇÕES E REALIDADE
A possível origem da “bilha de segredo”
ou quem inventou essa piada?
Jacqueline Aragão

ARTES E OFÍCIOS
O regadio tradicional da aldeia do Mosteiro
João Coelho
O barbeiro Augusto
Luís Filipe Maçarico

SONS COM HISTÓRIA
A natureza no cante alentejano
Ana Isabel Veiga e Luís Filipe Maçarico

ALDRABA EM MOVIMENTO
Maio a Outubro de 2017
Maria Eugénia Gomes

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

23º Jantar-Tertúlia, na Caixa Económica Operária, dia 18.12.2017, 2ª feira, pelas 19h30






















Na quadra de Natal de 2017, o jantar-tertúlia da Associação ALDRABA vai ser na Caixa Económica Operária, na Rua Voz do Operário, 64 (à Graça), em Lisboa.

O jantar terá lugar no dia 18 de dezembro de 2017, 2ª feira, a partir das 19h30. A ementa será constituída por entradas (pão fatiado, azeitonas temperadas e patés), sopa de creme de legumes, pratos de lombinho de pescada e carne de porco frita, acompanhados de batata frita, arroz branco e salada de alface e tomate, doce e fruta, bebidas e café, tudo pelo preço de 15 € por pessoa

A Caixa Económica Operária é uma sociedade cooperativa de consumo, fundada há 141 anos. Foi criada em 4 de junho de 1876 por oito operários, numa pequena casa na Rua do Vigário. Passados onze anos, a 16 de agosto de 1887, passaram a ter casa própria, situado na Rua da Infância (atual Rua Voz do Operário), onde, para além dos armazéns para os géneros de consumo e escritório, contava também com um gabinete de leitura e biblioteca, e ainda uma sala da aula para os filhos dos associados.

Os associados e amigos que desejem participar neste jantar de confraternização devem manifestá-lo até 6ª feira, dia 15.12, por telefone ou e-mail, para a Maria Eugénia Gomes (T: 96 444 52 70, megomes2006@gmail.com), para o Albano Ginja (T: 91 477 39 56, albanoginja@hotmail.com) ou para a própria Associação (aldraba@gmail.com).


JAF

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Lançamento do nº 22 da revista ALDRABA em 12.12.2017, na "Padaria do Povo", pelas 18.30h

















Na 3ª feira da próxima semana, dia 12 de dezembro de 2017, pelas 18h30, iremos ter o lançamento público do nº 22 da nossa revista “Aldraba”.

Dá-nos a honra de fazer a apresentação da revista a professora Maria Beatriz Rocha Trindade, socióloga, doutorada pela Universidade de Paris V (Sorbonne) e agregada pela Universidade Nova de Lisboa (FCSH). É professora catedrática na Universidade Aberta, onde fundou em 1994 o Centro de Estudos das Migrações e das Relações Interculturais (unidade de I&D da Fundação para a Ciência e a Tecnologia). A professora Maria Beatriz Rocha Trindade introduziu em Portugal o ensino da Sociologia das Migrações e é autora de uma vasta bibliografia sobre matérias relacionadas com as migrações, sendo colaboradora habitual de revistas científicas internacionais neste domínio.

A sessão de lançamento terá lugar no Salão Bento de Jesus Caraça da “Padaria do Povo”, à rua Luís Derouet, 20-A, 1º andar, Campo de Ourique, em Lisboa, próxima da rua Ferreira Borges. A Padaria do Povo é uma cooperativa centenária, criada em 1904 para fabricar pão mais barato para os habitantes da zona. É, desde 2013, uma grande sala de convívio de Campo de Ourique, com xadrez, matraquilhos, dardos e bebidas a preços convidativos, e com um simpático terraço nas traseiras onde se podem organizar jantares de grupo.

Seremos acolhidos pelo presidente da direção da Padaria do Povo, o amigo José Zaluar, que participará na mesa da sessão.

Todos os associados e amigos são estimulados a aparecerem no dia 12 próximo, e a trazerem outros interessados pelos temas do património popular.


JAF

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A reintrodução do camponês


















O nosso associado Manuel Franco partilhou com a ALDRABA um interessantíssimo artigo de Jaime Izquierdo, estudioso espanhol dos problemas do mundo rural, que conhecera no âmbito de um debate sobre modelos alternativos de recuperação do ecossistema das montanhas ibéricas.
Aqui reproduzimos esse artigo, que também reputamos de enorme atualidade.
Segundo descreve o Manuel, começaram por debater o plano de intervenção ambiental municipal da Covilhã, ouviram duas excelentes comunicações, uma do Jaime Izquierdo e outra do Arq. Henrique Pereira dos Santos sobre floresta e as consequências dos incêndios, numa perspetiva muito fundamentada, pragmática mas nada catastrófica, e acabaram a "pôr as mãos na massa numa ação de voluntariado de recuperação de terrenos ardidos na reitoria da UBI".
Conforme escrevemos no agradecimento ao Manuel Franco, "o camponês tinha a precisão do cirurgião, a visão do alquimista e a arte de um diretor de orquestra que em cada momento se preocupava com a harmonia de tudo e de todos aqueles seres para que não houvesse notas dissonantes no seu viver. No seu viver com todos!"

Depois de reintroduzir o urso nos Pirenéus, o lince ibérico na Serra Morena, o pica-ossos nos Picos da Europa, o bufo-real na Orihuela e a lebre do piornal em Sória, e antes que o façam com o peneireiro e o galo-da-floresta, chegou a vez de reintroduzir o camponês, o montanhês, na montanha.

Na sequência de controlo e de manipulação da informação genética que fluía nos genes, destes às espécies e, por último, aos ecossistemas, escapara-se-lhe a presença ativa de um animal racional – o camponês, subespécie montanhês, que durante séculos tinha regulado, estimulado, restringido ou potenciado os fluxos entre animais e plantas, entre o solo e o voo, determinando o que se destinava ao cereal e ao bosque permanente de frutas de outono ou ao carvalhal e não só isso.

Com as suas misturas e seleções acabou por criar centenas de novas raças de animais e plantas — desde a vaca ratina à castanha valduna— e com as suas manobras acabou por conseguir um equilíbrio entre as partes. Fez tudo isso sem nunca ter ido à universidade e, o que é pior, a universidade nunca foi ter com ele.

Com precisão de cirurgião, com visão de alquimista, os fluxos de energia do sol, da água que move moinhos, da gravidade, do herbívoro, do predador, do animal de tiro e do porco reciclador, entravam e saíam por ciclos principais e secundários, em cadeias de alimentação e realimentação, de duração anual, compassadas com as estações.

O camponês era então o diretor de uma grande orquestra sinfónica que manobrava a batuta com que interpretava a partitura do lugar, no que tinha sido, e para o que tinha sido, instruído, e concertava todos os instrumentos da natureza para sobreviver e para propiciar que nenhum deles, nenhuma das suas notas, nenhum dos músicos que zurravam ou mugiam, deixassem de o fazer no ano seguinte.

Mas o camponês partiu, ou expulsaram-no, do monte. E o desconcerto apropriou-se do lugar. Algumas espécies dispararam os seus contingentes, outras perderam-se até desaparecer. Chegaram com soluções desde fora "plantaremos pinhos nas montanhas" disseram uns - "não, não, não, - disseram outros – reintroduziremos veados e logo lhe chamaremos espaço natural".

Depressa o mosaico de terras, socalcos, prados, costas, mato para estrume, malhadas e estábulos de inverno se foi dissipando. A paisagem tornou-se mais basta, mais monótona e o matagal expandiu-se como o colesterol nos obesos. Nada parecia ser a solução. As terras donde os camponeses tinham feito um traje que recobria a natureza, começaram a despir-se. O traje desfazia-se em pedaços puído pela negligência.

Entretanto, os cientistas industriais e analíticos inventariavam e cartografavam uma a uma as plantas e os burocratas tramitavam, perante a UNESCO, um novo reconhecimento honorífico para o monte. Por sua parte, os partidos políticos e os seus aparatos de governo, listavam as espécies em boletins oficiais e editavam luxuosos livros de montanhas com modelos de photoshop. E proibiu-se o corte de carrascos e o olhar de esguelha ao mergulhão.

E ninguém se lembrou que antes de tudo isso, apenas umas décadas atrás, existia ali uma ordem consensual, comunitária e oral, tão-só escrita em prescrições que, ao jeito de norma local e religião laica de obrigatório cumprimento, regulavam as formas, os procedimentos e os usos. As prescrições dos camponeses eram para os montes o que a Constituição é para o Estado democrático.

Ninguém se dava conta de que o mundo existia com independência da nossa capacidade para o investigar. Chegaram os guardas, as mil normas distintas, as fiscalizações do meio ambiente e, agora, chegam os turistas a observar os ursos e os jovens ultra atletas a correr por uma terra abandonada à sua sorte. E chegou também o fogo, um antigo criado do camponês que se reconvertera em chefe rufião de um bando de delinquentes.

Mas um dia alguém perguntou porque é que antes não havia incêndios, porque é que antes as espécies mais oportunistas não se tinham desenvolvido, porque é que as mais invasivas não eram tantas, porque é que as paisagens eram mais variadas, porque é que cada lugar tinha um nome, um uso e uma função. E repararam então no camponês, no pagador que assegurava as remunerações, no que fazia país, nomeava os sítios e fazia trajes como paisagens. Repararam tanto no diretor de orquestra extinto como no ruído insuportável que desde as Administrações fazemos agora no cenário cada um tocando o seu apito.

"Já não há camponeses, mas podemos voltar a fazê-los” disse alguém. "Ser camponês, uma nova profissão", disse outro. A universidade, onde germinava hegemónica a ciência da industrialização, deixou de armazenar mapas, informação e estatísticas e, com muito menos dinheiro, começaram a semear sementes de conhecimento. Saíram para as aldeias e perguntaram aos avós, pastores retirados.

Descobriram o pensamento sistémico, os princípios agroecológicos aplicados e o empirismo brilhante dos aldeões. Rebuscando nos patrões das velhas prescrições, encontraram soluções para desenhar os novos trajes da paisagem. Reelegeram Carlos III e os ilustrados de Pablo de Olavide, os institucionistas de Giner de los Ríos e Sierra Pambley.

Assim, a solução, finalmente, foi deixar de remendar e atreverem-se a reintegrar os camponeses nas montanhas órfãs, sem dúvida os seus melhores sócios.

Recolonizaram-na com os montanheses, com as suas comunidades e com as suas culturas locais. Regressaram mais jovens, melhor preparados. Com privilégios como os de Leitariegos. Livres de impostos contanto que o monte ficasse livre de incêndios, produzisse os queijos, as energias e as carnes que lhes são próprias e conservassem as formas paisagísticas ajustadas, em acordo com o Governo. O camponês, uma espécie extinta no século XX que foi necessário reproduzir antes de a reintroduzir no XXI -e já que a reproduzimos, a melhoramos— encarregou-se de devolver a música ao monte e a paisagem recobrou a harmonia perdida.

Não me recordo em que ano recomeçou a recolonização camponesa da montanha. Mas o que de facto me lembro, é que foi no mesmo ano em que ao Ministério de Fomento, Meio Ambiente e Conservação da Natureza lhe mudaram o nome para o de Fomento do sentido comum com os pés na terra e fecharam as Secretarias Técnicas.

Jaime Izquierdo

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A Aldraba em notícia no Jornal do Fundão




Na sua edição de 9 de Novembro  passado,  o Jornal do Fundão dá  notícia do Encontro que a nossa Associação fez em terras de Idanha-a-Nova nos dias 28 e 29 de Outubro. Embora de forma resumida, ali se conta por onde andámos e o que vimos sem nada ter sido esquecido.

O Jornal do Fundão foi, desde a sua fundação em 1946 por António Paulouro e em paralelo com o Comércio do Funchal, um jornal de grande rigor e de grande combatividade nos tempos da ditadura. Quer em termos informativos, quer do ponto de vista cultural – no seu Suplemento Literário eram incluídos amiúde trabalhos de muitos artistas e intelectuais perseguidos pelo regime de Salazar, sempre foi uma referência de enorme prestígio.

Alvo de uma vigilância apertada pela polícia política, PIDE, chegou a estar suspenso durante seis meses em 1965 por ter incluído na sua edição referências elogiosas a Luandino Vieira, então preso no Tarrafal e a quem a Sociedade Portuguesa de Escritores atribuíra o Grande Prémio de Novela. A partir daí seria obrigado a apresentar as provas à delegação de Lisboa dos Serviços de Censura e não de Castelo Branco, como era habitual.

Em 2011 foi inaugurada uma estátua do seu fundador, em frente às instalações do jornal no Fundão, na Praça Velha (espaço que ele definiu como a sua universidade), da autoria do escultor Francisco Simões que na altura diria ter usado o granito porque “Granítico é também o passado de Paulouro, o seu carácter e até a sensiblidade de um homem de aparência dura como o granito, mas que tinha a alma mais doce que conheci”.

Aquando dos seus setenta anos de existência foi feita uma edição de selos comemorativos na qual colaborou o artista Manuel Cargaleiro.

MEG (texto e fotografias)

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

"Tradição e sabedoria” : Jurar a pés juntos


















Significado: Declarar solenemente ser verdade aquilo que se diz.

Origem: A expressão surgiu através das torturas executadas pela Santa Inquisição, nas quais o acusado de heresias tinha as mãos e os pés amarrados (juntos) e era torturado para dizer a verdade.


Cafés Chave d’Ouro

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

António Braz, o rambóia comendador


















Pré-publicação do artigo que vai sair no n° 22 da revista ALDRABA, a ser editado muito brevemente:


O burburinho deixava de ser burburinho para ser outra coisa. Incomodava de um núcleo a outro espalhado pela sala da biblioteca onde estava patente a exposição...

E as pessoas saíam de perto de mim, que entretanto explicava a fotografia de António Braz, o rapaz de 19 anos que sai de Tondela para a África do Sul em 1937, levando consigo uma caixa ou mala de ferramentas de carpinteiro.

Era a arte geracional de alguém que sonhava ser alfaiate ou militar. Assim não foi por desígnio de seu pai, mas nada o pôde contrariar a continuar com a vontade de erguer um mundo novo onde pouco de novo havia por entre o regime que dividia literalmente brancos e negros.

Visita Brooklyn do Pós-Guerra e leva para Pretória a ideia e a liquidificadora dos milkshakes... Os primeiros.

Mas não só. Leva também o projecto de arcas de amadurecimento de bananas que, importadas de Moçambique ainda verdes, em poucos dias se tornariam maduras e de qualidade soberba.

Banana King passariam a chamá-lo…

António Braz movimenta muito capital mas não renega as origens humildes. É nesse sentido que a família, através dos seus sobrinhos e da fundação com o mesmo nome, decidem erguer uma exposição comemorativa dos cem anos sob o seu nascimento.

Tondela abre-se ao seu famoso conterrâneo que se torna comendador da ordem de Benemerência e é distinguido diversas vezes com mérito por associações e pelos governos sul-africano e português.

Ora, a exposição dividida em quatro núcleos, com viagem de áudio walk pela cidade até um documentário com a sua vida e obra, reflecte a narrativa linear de alguém nada linear.

O homem da aldeia e de família, o empresário de sucesso, o coleccionador aventureiro e o anfitrião patrono das artes.

É nestes quatro núcleos que se espalham informações, obras e regras publicitárias à frente do seu tempo, sabendo que a quarta classe de escolaridade não o limita em nada. Torna-se um dos mais influentes emigrantes portugueses em África, dono de um patriotismo gigante e maior que o Adamastor.

Se assim não fosse, como não patrocinaria a viagem de recriação de caravela para ir além do cabo Bojador 500 anos depois, sendo o máximo responsável pela criação e colocação de um monumento ao navegador português?

Apreciador da vida... Era nos bares que fazia muito das suas colecções de garrafas e miniatura e outros artigos. E foi num bar que conheceu alguém com uma ideologia muito diferente da sua... 

Passaram a noite a falar. No dia seguinte, apesar das divergências políticas, António Braz tinha descoberto o jornalista certo para o seu “Século de Joanesburgo”.

É dessa coluna onde está o primeiro exemplar do jornal que se justifica o burburinho. Uma senhora descobre o irmão na fotografia. É o jornalista…

O grupo da Aldraba cria uma ligação inequívoca à passagem da exposição que esteve patente em Tondela até 17 de setembro. Contam-se histórias, fazem-se mais memórias e, sobretudo, alargamos numa rede preciosa a figura de um comendador que teve, no papel humanista e no empreendedorismo não bacôco dos dias de hoje, marcas impossíveis de apagar...

À Aldraba o bem-haja pelo momento!


NUNO SANTOS  
(Curador da exposição “António Braz – O Rambóia Comendador”, que foi visitada pelos participantes no XXXIV Encontro da Aldraba, em Tondela, a 29.7.2017)