sábado, 10 de novembro de 2018

As estafetas (2)














Reproduz-se hoje a segunda metade da crónica publicada no”Diário do Alentejo” de 31.8.2018:


AS ESTAFETAS (2)
(...)

Já as idas a Lisboa eram mais para levar do que trazer - eram os frangos para a família, o pão para um filho cheio de saudades dele, as linguiças, os paios, os bocados de presunto, os queijinhos, tudo dentro de alcofas, por vezes, bem pesadas. Mas havia sempre alguém para ajudar - os estafetas conheciam-se todos uns aos outros e eram solidários.

Depois, metiam-se no comboio, de madrugada, e ainda tinham de fazer o transbordo no Barreiro - mudavam-se, com toda a carga, para o cacilheiro e lá atravessavam o Tejo, numa viagem longa e aborrecida, sempre com a capital à vista. É uma viagem linda, mas não para quem a tem que fazer por obrigação.

E na estação, dita de Sul e Sueste, desembarcavam para o Terreiro do Paço, e toca de apanhar um elétrico a caminho das voltas de obrigação.

No regresso, com os mandados dos fregueses, repetiam a viagem em sentido contrário. E, além das encomendas, traziam sempre as últimas novidades de Lisboa - dos boatos da política, dos teatros e dos cinemas, do que viram nas montras.

Ao chegar à estação de Alvito, a dois quilómetros da vila, ao fim da tarde, havia dois carros de canudo, os churriões do Quinito e do Afogadinho, e um deles, não me lembro qual, trazia a Ameijoinha para cima, cabeceando no banco, cansada mas tendo ainda que cumprir a tarefa de entregar as encomendas aos clientes.

E tudo por uns tostões...

Maria Antónia Goes

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

As estafetas (1)














No”Diário do Alentejo” de 31.8.2018, foi publicada uma crónica muito interessante, de que aqui reproduzimos a primeira metade:


AS ESTAFETAS (1)

Antigamente, quando as viagens se faziam com muito mais dificuldade que hoje, havia em todas as terras um estafeta.

Refiro-me até aos anos 40 e 50 de século XX.

No Alvito, havia uma mulher, a “Ameijoinha”, que se encarregava de fazer recados – ia a Beja, todos os dias da semana, e a Lisboa, de vez em quando. Era filha de um antigo funcionário dos Caminhos de Ferro, por isso não pagava nada nos comboios. E nem por deixar de ser assim, porque o que ganhava limitava-se a uns tostões por dia.

Precisava-se de uma linha que desse bem para coser um tecido – dava-se uma amostra à Ameijoinha e ela calcorreava Beja inteira em busca da linha que melhor lhe parecia. Ou um fecho de correr, ou um botão, ou uns colchetes, ou um pano para acabar uma obra, ela procurava tudo.

Mas também se lhe podia pedir para ir ao Luís da Rocha comprar uma dúzia de empadas ou uma caixa de trouxas de ovos, ou um porquinho de chocolate.

Podia ter que correr as farmácias para aviar uma receita, comprar uma câmara de ar para uma bicicleta, uma lâmpada, sei lá, uma quantidade de coisas que não se vendiam na vila, onde as lojas, poucas, se limitavam a ter azeite, farinha, arroz, misturados com pano cru, chita da tabela, botas grosseiras ou galochas (…).


Maria Antónia Goes

sábado, 13 de outubro de 2018

Oliveiras milenares























Pré-publicação do editorial do n.º 24 da revista ALDRABA, que se encontra no prelo:

AS OLIVEIRAS MILENÁRIAS, UM PATRIMÓNIO ÍMPAR

Temos vindo a assistir ao derrube inconsciente de oliveiras centenárias e milenárias pelas mais diversas razões – plantio de novo olival, construção de vias e edificações -, ignorando-se todo o seu valor e simbolismo, nos planos ambiental, histórico e económico. E, com isso, perdem-se memórias, fere-se a paisagem, perde-se a qualidade no azeite.
As oliveiras das modernas explorações tornam-se menos duradouras e resistentes às condições climáticas, ao serem submetidas a ações sucessivas de poda, de rega e a uma exploração mais intensiva.
Em Portugal existem ainda muitas oliveiras milenárias, das quais destacamos:
- Em Loures. A oliveira milenária de Santa Iria de Azóia, que esteve em risco de ser derrubada para se alargar uma rotunda, mas a comunidade movimentou-se e hoje tem-na como um património muito seu.
- Em Tavira. A oliveira bimilenária do aldeamento de Pedras d`El-rei;
- Em Abrantes. A oliveira trimilenária das Mouriscas, cuja idade, de 3.350 anos, foi cientificamente comprovada, em 2016, pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.
Esta durabilidade advém, segundo os seus estudiosos, como Stéphane Moreaux, da enxertia de um zambujeiro, árvore da sua espécie, conhecido também por oliveira silvestre.
A origem da oliveira, segundo a história, remonta à Era Terciária, situando-se na Ásia Menor, onde foram encontradas folhas fossilizadas, datadas do Neolítico. Mais tarde, veio a difundir-se em torno do Mediterrâneo, zona em que assumiria uma invulgar proeminência na sua paisagem e gastronomia.
Desde a antiguidade, a oliveira tem sido associada a manifestações culturais, a usos gastronómicos e medicinais e a práticas religiosas. Na Bíblia e no Corão, ela é a árvore mais referida e venerada. “O ramo verdejante trazido pela pomba a Noé não poderia ser outro que não um ramo de oliveira” (Génesis).
Da sua madeira faziam-se cetros reais e com o azeite ungiam-se monarcas, atletas e sacerdotes. Daí o ser considerada símbolo da sabedoria, da paz e da abundância.
Foi cantada por Homero, Ovídio, Virgílio e Plínio. “E com um ramo de oliveira o homem se purifica” (Virgílio, Eneida).
A oliveira constitui, sem dúvida, o elemento mais identitário do património natural dos países do Mediterrâneo, juntamente com a azinheira e a videira. E o seu azeite é o ingrediente fulcral da sua denominada dieta.
A palavra azeite deriva do vocábulo árabe al-zait que significava “sumo de azeitona”. Um sumo mítico, bíblico e histórico, servindo até de apelativo à verdade: “o azeite vem sempre ao de cima”.
A oliveira é um ser vivaz e resistente, de folhagem perene e violácea, que se inclina sempre para a luz e sendo também luz: na mesa, no candelabro, na candeia,… E que Van Gogh tão bem pintou, mas confessando: ”Mas é bem difícil. Mas isso convém-me e atrai-me no ouro e na prata. E talvez um dia faça delas uma interpretação pessoal, como os girassóis estão para os amarelos”.
Por tudo isto, a oliveira é uma árvore singular e ímpar da natureza, da vida e cultura mediterrânica. Mas não só. Pela realidade que as oliveiras milenárias encerram e representam, impõe-se que o Governo - com meios e legislação adequada -, as autarquias e as associações do património cultural concorram para garantir a sua defesa, conservação e preservação.
A Aldraba fará o possível para assumir a sua responsabilidade, na sensibilização e cooperação.
João Coelho


sábado, 6 de outubro de 2018

"Tradição e sabedoria" : Que maçada











Significado: Expressão utilizada para referir uma tragédia ou contratempo.

Origem: É uma alusão à fortaleza de Massada, na região do Mar Morto. Israel, reduto de Zelotes, onde permaneceram anos, resistindo às forças romanas após a destruição do Templo de Jerusalém em 70 dC, culminando com um suicídio coletivo para não se renderem.


Cafés Chave d’Ouro

sábado, 29 de setembro de 2018

Imagens do jantar-tertúlia na Padaria do Povo






















































Mais de 20 associados e amigos da Aldraba participaram em 27.9.2018 no 25º Jantar-Tertúlia, na Cooperativa A Padaria do Povo. Ao animado repasto na esplanada, seguiu-se um debate em sala, calorosamente acolhidos pelo presidente da direção José Zaluar e pelo cooperante Vasco Loução.

Falou-se da rica história da casa, da notável Universidade Popular que Bento de Jesus Caraça ali dirigiu, das atuais encruzilhadas do associativismo, e dos projetos futuros.

No final da sessão, o pintor Albino Moura presenteou a nossa associação com uma gravura de sua autoria, gesto que muito sensibilizou todos os presentes.

Ficam aqui algumas fotografias de uma noite memorável.

JAF (fotos de Teresa Reis e de Luís Maçarico)

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

25º Jantar-Tertúlia, na Padaria do Povo (Campo de Ourique), 5ª feira, dia 27.9.2018, pelas 20h













Na 5ª feira da próxima semana, dia 27 de setembro, vamos realizar na esplanada da Padaria do Povo, em Lisboa, o nosso 25º jantar-tertúlia.

A “Padaria do Povo” fica na rua Luís Derouet, 20-A, 1º andar, Campo de Ourique, próximo da rua Ferreira Borges. Trata-se de uma cooperativa centenária, criada em 1904 para fabricar pão mais barato para os habitantes da zona. É, desde 2013, uma grande sala de convívio de Campo de Ourique, com xadrez, matraquilhos, dardos e bebidas a preços convidativos, e com um simpático terraço nas traseiras onde se podem organizar jantares de grupo.

Tal como aconteceu em dezembro de 2017, quando ali fizémos o lançamento do nº 22 da nossa revista, vamos ser acolhidos pelo presidente da direção da Padaria do Povo, o amigo José Zaluar, que participará no jantar e no debate-convívio que se seguirá.

O jantar vai incluir entradas quentes e frias, pratos de peixe e de carne, bebidas, sobremesa e café, pelo preço de 15 euros por pessoa. Os interessados em participar devem manifestar-se, até 3ª feira, 25 de setembro, pelo e-mail aldraba@gmail.com, ou pelos telefones 917037007 (Odete Roque) ou 914773956 (Albano Ginja).

Associados, familiares e amigos são convidados a aderir e a participar nesta iniciativa num sítio emblemático da cidade de Lisboa.

JAF

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Nomes de localidades em azulejos (cont. 35)















Há mais de um ano atrás (30/12/2016), publicámos três novas placas de azulejos, duas de Gaia (distrito do Porto) e uma de Mondim de Basto (distrito de Vila Real), todas elas enviadas pela nossa amiga Graça Regueiras, em mensagem que nos enviou, que terminava com o voto de "continuação de um bom trabalho para a vossa Associação”.

Na altura, comentámos que tínhamos divulgado 165 placas de 16 distritos do Continente, só faltando dos distritos de Aveiro e de Braga.

Uns tempos depois, a mesma amiga voltou a escrever: "Junto então uma do Luso, concelho da Mealhada, distrito de Aveiro e uma de Lordelo, concelho de Guimarães, distrito de Braga e estão todos os distritos representados". Por razões técnicas ligadas ao formato das duas gravuras, demorámos muito a publicá-las, o que só hoje acontece.

Um novo grande abraço à Graça Regueiras pela sua preciosa colaboração.

Atingimos hoje um total de 167 placas publicitadas, dos 18 distritos do Continente.

JAF (fotos de Graça Regueiras)