
A figura do Zé Povinho é uma, entre tantas outras, das figuras relevantes do imaginário português dos séculos XIX e XX – que, convém lembrar, foram os séculos em que nasceram, cresceram e se tornaram adultos TODOS os portugueses que têm agora mais de nove anos, e em que nasceram os seus pais e avós, ou seja, as gerações cujas experiências e cujas memórias marcam o nosso presente e o nosso futuro próximo.
Segundo a Wikipédia, o Zé Povinho é uma personagem de crítica social, criada por Rafael Bordalo Pinheiro, que apareceu pela primeira vez em “A Lanterna Mágica”, a 12 de Junho de 1875, num desenho alusivo aos impostos (onde se representava Fontes Pereira de Melo, vestido de Stº António com o "menino" D. Luís I ao colo, enquanto Serpa Pimentel, Ministro da Fazenda, sacava o dinheiro do Zé, que permanecia boquiaberto a coçar a cabeça, vestido com um fato rural gasto e roto).
Nos números seguintes da “Lanterna Mágica”, o Zé Povinho continuou a surgir de boca aberta e a não intervir, resignado perante a corrupção e a injustiça, ajoelhado pela carga dos impostos e ignorante das grandes questões. O próprio Rafael Bordalo Pinheiro diz que “o Zé Povinho olha para um lado e para o outro e... fica como sempre... na mesma".
Como refere João Medina, o Zé Povinho é uma figura cheia de contradições: "Se ele é paciente, crédulo, submisso, humilde, manso, apático, indiferente, abúlico, céptico, desconfiado, descrente e solitário, também não deixa por isso de nos aparecer (…) simultaneamente capaz de se mostrar incrédulo, revoltado, resmungão, insolente, furioso, sensível, compassivo, arisco, activo, solidário, convivente...".
Tem como característica principal o gesto do manguito como expressão de revolta e insolência, criticando de forma humorística os problemas sociais e políticos da sociedade portuguesa, e caricaturando o povo português na sua característica de eterna revolta perante o abandono e esquecimento da classe política, embora pouco ou nada fazendo para alterar a situação.
Para Miguel Sousa Tavares, na crónica de 19.9.2009 que publicou no semanário Expresso, “o Zé Povinho representa o pior de Portugal, pelos manguitos que faz aos poderosos, não por serem poderosos mas por os invejar… E que só o faz pelas costas. Porque, pela frente, come e cala, não arrisca nada de nada, etc.”
Associamo-nos a quem, na internet, vem recordar que foram muitos os Zés Povinhos que durante os anos de escuridão foram lutando por direitos sociais e pelo direito de livre expressão de que ele abusa.
Segundo o blogue “Zé Povinho”
“o Zé é um bom português, dos verdadeiros, sem casas na Lapa nem montes no Alentejo, só porque isso dá algum status e dá uma imagem de sucesso que todos deviam invejar, mesmo aqueles por quem o Miguel nutre um ódio doentio – todos os Zés Povinhos...”
JAF