segunda-feira, 13 de abril de 2020

Profissões perdidas (O capelista)
















Bonés, suspensórios, cintos, atacadores, gravatas e toda a parafernália de complementos da indumentária masculina da década de 1940, eram vendidos de rua em rua por estes capelistas especializados em artigos para homem. Circulavam com uma carroça fechada onde a mercadoria estava devidamente arrumada, de modo a que, abertas as portas, ficavam expostas como numa montra de loja. Na imagem, um capelista de Lisboa, em 1948.

Carla Ribeiro, in "Memória de Portugal - dois séculos de fotografia", Atlântico Press, Lisboa, 2020

domingo, 5 de abril de 2020

Abril 2005/Abril 2020: 15 anos da Associação ALDRABA










Em 25 de abril de 2005, no Ateneu Comercial de Lisboa, reuniu a Assembleia Constituinte da ALDRABA - Associação do Espaço e Património Popular, em que cerca de 80 cidadãos decidiram:

"Vamos criar algo de novo.
Uma ideia para partilhar, uma aventura, um projecto, uma associação.
Para que serve esta nova Associação?
Para reflectir o património invisível, que tão maltratado está neste território, com sol, boa comida e uma população com um passado e uma experiência muito ricas, é certo, mas com muitas atitudes (o desconhecimento, o facilitismo ou até a vergonha das raízes) que apagam as memórias, prejudicando a identidade de um povo e do seu futuro.
Para, através de colóquios, viagens, convívios e de tudo o que entretanto os associados imaginarem e quiserem concretizar, chamar a atenção sobre tantos objectos e tanta cultura imaterial que podem ser salvos da ignorância que os condena à extinção".
(do Manifesto)

15 anos passados, com muito (e bom) caminho percorrido, sentimos que o nosso propósito se mantém atual, e que há imenso por fazer.

Na Assembleia Geral ordinária de 14 de fevereiro do corrente ano, discutimos e aprovámos uma exigente agenda de atividades para o ano do 15º aniversário, que compreendia 6 eventos comemorativos da efeméride.

Devido à pandemia que atingiu o país e o mundo, a maior parte destas atividades tiveram que ser adiadas, mas esperamos vir a poder realizá-las mais tarde, nos 12 meses que se seguem até abril de 2021.

A primeira seria já em 17 de abril - o colóquio "Patrimónios do quotidiano", com um rico painel de oradores, a ter lugar na Torre do Tombo, em Lisboa. Tentaremos levá-lo a efeito a partir de setembro próximo, logo que as circunstâncias o permitam.

Entretanto, está em fase adiantada de preparação o n.º 27 da nossa revista, que contamos poder editar até ao final deste mês e enviá-lo por correio a todos os associados.

Fiquemos todos atentos e firmes na nossa atitude cívica, certos de que estes tempos difíceis vão ser ultrapassados.

Saúde e energia para todos!

A Direção da ALDRABA 

sexta-feira, 3 de abril de 2020

"O Mostrengo"


















O MOSTRENGO
 
O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar;
À roda da nau voou três vezes,
Voou três vezes a chiar,
E disse: «Quem é que ousou entrar
Nas minhas cavernas que não desvendo,
Meus tectos negros do fim do mundo?»
E o homem do leme disse, tremendo:
«El-Rei D. João Segundo!»
 
«De quem são as velas onde me roço?
De quem as quilhas que vejo e ouço?»
Disse o mostrengo, e rodou três vezes,
Três vezes rodou imundo e grosso,
«Quem vem poder o que só eu posso,
Que moro onde nunca ninguém me visse
E escorro os medos do mar sem fundo?»
E o homem do leme tremeu, e disse:
«El-Rei D. João Segundo!»
 
Três vezes do leme as mãos ergueu,
Três vezes ao leme as reprendeu,
E disse no fim de tremer três vezes:
«Aqui ao leme sou mais do que eu:
Sou um Povo que quer o mar que é teu;
E mais que o mostrengo, que me a alma teme
E roda nas trevas do fim do mundo;
Manda a vontade, que me ata ao leme,

De El-Rei D. João Segundo!»

9/9/1918  

Fernando Pessoa, "Mensagem", Parceria António Maria Pereira, Lisboa, 1934 

sábado, 28 de março de 2020

O acervo documental da Aldraba (17) - Música















No seguimento da intenção oportunamente anunciada, vamos continuar a publicação da lista dos textos que constam do nosso acervo documental, por temas.

Divulgamos hoje os trabalhos que saíram na revista "Aldraba" relativos ao descritor MÚSICA, integrado no grupo temático “Referências culturais”:


MÚSICA

Alfredo Flores. “Património folclórico”, nº 20 (Out.2016), p.20
Ana Carina Dias, “Ao encontro do adufe”, nº 8 (Dez.2009), p.13
Ana Isabel Carvalho, “A marcha infantil da “Voz do Operário”, nº 14 (Out.2013), p.15
Ana Isabel Carvalho, “Para a história da Ronda dos quatro caminhos”, nº 9 (Out.2010), p.13
Joaquim Silva, “União e Capricho Olivalense – Uma filarmónica de Lisboa com 133 anos de atividade”, nº 26 (Out.2019), p.11
José Nelson Cordeniz, “Os carrilhões de Mafra: do desconhecimento à incompreensão de um património”, nº 24 (Out.2018), p.20
Leonel Costa, Editorial, nº 14 (Out.2013), p.1
Luca Fernandes, “Os bombos de Lavacolhos”, nº 25 (Abr.2019), p.19
Luís Cangueiro e Andreia Gomes Martins, “Viajar, sonhar, reviver…”, nº 24 (Out.2018), p.13
Luís Filipe Maçarico, “Filarmónicas: escolas populares de música – mitos e preconceitos”, nº 25 (Abr.2019), p.22
Luís Filipe Maçarico, “Pequeno inventário poético dos sons: Esboço antropológico, nº 14 (Out.2013), p.2
Luís Filipe Maçarico, “Ronda dos quatro caminhos – expoente do património musical popular”, nº 9 (Out.2010), p.14
Manuel Morais, “Historial do Orfeão da Comenda ‘Estrela da Planície’” , nº 24 (Out.2018), p.14
Maria do Céu Ramos, “Fomos a Alcáçovas - concerto de estreia do chocalhofone em 21.6.2015”, nº 18 (Out.2015), p.27
Virgílio Vidinha, “Banda Municipal Alterense”, nº 19 (Abr.2016), p.10

Os leitores e amigos que pretendam aceder a alguns destes textos e que se manifestem por mensagem enviada para aldraba@gmail.com, receberão uma cópia digitalizada do ou dos artigos que indicarem.

JAF

quinta-feira, 19 de março de 2020

Viver em família antes do 25 de abril


















Retratar a família é olhar para dentro, para um certo recanto resguardado da sociedade. Na modernidade, consideramo-lo privado, um domínio que se fecha à vida pública e afirma a sua autonomia. Encontramos na vida familiar, em ponto pequeno, o rasto das relações de poder e das desigualdades, o impacto dos contextos e do tempo. Inversamente, a família participa na construção da mudança: protagonistas, dinâmicas e valores moldam o tecido social.

Nas décadas aqui retratadas*, a família mantém traços comuns. Num país pobre, rural, católico e analfabeto, o modelo que predomina em vastos setores da população é o da família como grupo de trabalho para a sobrevivência económica. As crianças não disfrutam de uma infância, como hoje a entendemos: a maioria nunca andou na escola. São braços para o trabalho familiar, adultos em miniatura. A ordem moral, imposta pela Ditadura, estabelece uma hierarquia entre homem (o chefe, protetor e provedor da família) e mulher (subalterna, dependente da autoridade masculina, enaltecida no seu papel doméstico e de mãe). Vive-se sob o signo de um trilho moral único virtuoso, onde o bem e o mal, o lícito e o ilícito se distinguem com nitidez.

A investigação científica (e estas fotografias) revela como esse modelo destoa de muitas formas de viver em família no Portugal dessas décadas e mostra como o panorama se altera significativamente nos anos 1960: os movimentos migratórios, as frestas que se abrem a novos valores vindos da Europa, e a Guerra Colonial, que mobilizaa os homens mas deixa as mulheres na Metrópole à frente das famílias, vêm "desarrumar" o espaço que parecia tão avesso à mudança. O 25 de abril encarregar-se-á de a colocar em movimento de vertiginosa aceleração.

Ana Nunes de Almeida e Karin Wall, in "Memória de Portugal - dois séculos de fotografia", Atlântico Press, Lisboa, 2020

Fotografia: Arquivo Aliança de Braga, Museu da Imagem - "Cabreiros, Braga, 1910. Trajados como manda a tradição minhota, exibindo as suas jóias, as famílias abastadas assinalavam os dias festivos com uma fotografia de estudio para a posteridade"


* 1900-1970

domingo, 15 de março de 2020

Todos dependemos de todos



















Face à situação de saúde pública que o país atravessa, estão suspensas as iniciativas da Aldraba que envolvam a participação presencial dos associados, compro- metendo pois boa parte dos planos divulgados através da Agenda oportunamente distribuída.

Tal como todos os cidadãos, iremos acompanhando o evoluir da situação e decidindo em conformidade, do que daremos notícia.

Desejamos a todos a saúde necessária para enfrentar os desafios que se nos colocam, lembrando que "todos dependemos de todos".

A direção da ALDRABA

segunda-feira, 9 de março de 2020

Registo do jantar-tertúlia na ADF de Pedrouços




































A Associação Dramática Familiar 1º de Novembro de 1898, de Pedrouços, recebeu-nos calorosamente no passado dia 4 de março, com um delicioso jantar, em que sobressaíram o caldo verde, o bacalhau à Brás e os doces, e com uma animada conversa sobre a coletividade no final do repasto.

O presidente Ricardo Tavares, a tesoureira Beatriz Fernandes (Bia) e o vogal Zé Espírito Santos, com duas outras associadas, confecionaram os pitéus, e contaram-nos no fim como conseguem manter viva uma associação popular de 121 anos e o conteúdo das atividades que continuam a desenvolver.

A Aldraba fez assim mais amigos, e ficou até apalavrada uma iniciativa conjunta lá para o mês de julho...

Durante a visita que fizémos, já à saída, ao resto das instalações, foi tirada a habitual foto de família, no magnífico salão de sessões. Por se terem já ausentado, faltam no retrato alguns dos 22 participantes da Aldraba.

JAF (fotos de Círia Brito)