Depois do post que aqui publicámos em 29 de maio último, com informação sobre a realidade etnográfica dos lenços de namorados do Minho, temos a notícia animadora de que esta preciosidade popular portuguesa acaba de ser registada no quadro jurídico da União Europeia para produtos artesanais e industriais, passando a ser protegida e reconhecida com Indicação Geográfica na UE (sistema que começou a ser aplicado em 1 de dezembro de 2025).
Segundo comunicado do Instituto da Propriedade Inteletual da União Europeia (EUIPO), divulgado no jornal Público, "Portugal é o país mais ativo no âmbito do novo sistema de proteção do património artesanal e industrial a nível europeu"...
Surpresa muito agradável, que saudamos calorosamente, e que contrasta com tanta indiferença e incúria que se tem observado sobre estes temas na nossa terra!
O diretor executivo do EUIPO, João Negrão, afirma que esta inscrição dos lenços de namorados do Minho evidencia "a riqueza e a diversidade cultural que o novo sistema europeu de indicações geográficas para produtos artesanais e industriais procura proteger".
E afirma ainda que se trata de "um símbolo importante da identidade portuguesa e da sua história, mas também de um exemplo de como as indicações geográficas podem ajudar a preservar o saber-fazer local, apoiar os artesãos e reforçar as economias em toda a Europa".
Os lenços de namorados do Minho fazem parte do primeiro grupo de produtos registados na União Europeia, a par com outros produtos solicitados pela Eslováquia, pela República Checa, pela Suécia, pela Eslovénia e pela França.
Na lista de produtos portugueses com processos de reconhecimento em curso estão bordados de Guimarães e das Caldas da Rainha, o fio de seda de Freixo de Espada à Cinta, a tecelagem de ponto alto da ilha de S. Jorge, os bonecos de Estremoz, a viola amarantina e a camisola poveira.
Informa o EUIPO que, durante os primeiros 6 meses de aplicação do novo regime, recebeu 74 pedidos de registo, o que reflete "o interesse contínuo e a crescente sensibilização dos produtores locais para a importância de combater a contrafação e a imitação".
JAF
