quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

O Vagabundo das Mãos de Ouro, de Romeu Correia























Em apoio à visita que a associação ALDRABA vai fazer no próximo sábado, 20.1.2018, à exposição "Um homem chamado Romeu Correia", no Museu da Cidade de Almada (Cova da Piedade), recuperámos um texto escolar elaborado em 2009 por uma aluna do ensino secundário de Lamego, que resume uma das peças emblemáticas de Romeu Correia, antecedido desta explicação: "Eu escolhi este livro por causa do título, sobretudo por causa da palavra "vagabundo". Antes de o ler, fiz uma pequena pesquisa e constatei que a peça apresenta a história de um homem que anda, de feira em feira, a mostrar as suas peças de teatro. As mãos de ouro são as suas, pois é ele que faz os seus próprios fantoches. Por esta razão, achei a peça interessante para a apresentar à turma. Contudo, não foi só por causa do título, mas também porque não conhecia este autor, Romeu Correia, e fiquei interessada em conhecer a sua forma de escrever e poder compará-la com outros autores que já li".

Albino andava de aldeia em aldeia, nas feiras e romarias, a fazer as suas peças de teatro, uma vez que é ele que as faz com a ajuda do Zé. Albino tinha um grande problema: a bebida, às vezes, até chegava a ficar maluco.

Ele fazia as peças de teatro com o Zé e deixavam-se levar pelos sentimentos, pois tudo o que eles representavam estava ligado à sua vida real. Embora Albino tentasse esquecer, não conseguia, então, transmitia os seus sentimentos para o público através das marionetas.

A história começa com Cláudia que queria mudar de vida, pois já estava farta da vida que levava, de sofrer e de esperar por Albino já que este a tinha abandonado quando estava grávida de Hortense.

Ela decide casar-se novamente, ter outra vida, viver outra aventura, pois tinha esse direito. Contudo ela ainda amava Albino. Cláudia ia casar-se com Aleixo, mas ainda ninguém sabia; andava o rumor pela aldeia, mas ninguém tinha a certeza de nada. Mónica vai a casa de Cláudia para ver se já estava tudo preparado e Cláudia manda sair Hortense. Hortense vai à fonte e, ao vir para casa, começa a ser gozada pelas pessoas da aldeia. Começam a olhá-la de outra maneira e a fazer perguntas: Quando chega o teu padrasto? Essa água é para ele? etc..

Hortense, sem perceber o que se estava a passar, começa a correr e, quando chega a casa, começa a contar a sua mãe. Cláudia, então, conta-lhe a verdade e esta não aceita, pois vai ser mal vista na aldeia, uma vez que as pessoas tinham uma mentalidade antiquada. Tudo o que fosse novo não era aceite e se uma mulher arranjasse outro homem era mal vista e considerada uma mulher da vida.

A mãe de Cláudia também lhe dizia que aquilo que ela ia fazer também não estava certo e se o homem que ela teve não lhe chegava… Cláudia revolta-se e diz que ninguém tem o direito de a julgar e que ela tem o direito de fazer a sua vida, pois Albino abandonou-a.

De repente, aparece Aleixo mais Ernesto em casa de Cláudia para marcarem as coisas. Hortense não se sentou à mesa porque não aceitava e a avó, que tanto criticou, sentou-se à mesa…
Depoi de almoçarem, Cláudia, Mónica, Ernesto e Aleixo saíram e a avó ficou em casa. Hortense critica a avó e começa a chorar. A avó conta-lhe que o seu pai está vivo e que tem mãos de ouro. Hortense fica muito contente e decide ir à procura do seu pai.

Neste momento, Albino emociona-se e Hortense ganha vida. Ela começa a falar com ela e diz-lhe que o seu pai está vivo e que ia à procura dele, pois ele tinha umas mãos de ouro. Ela diz que sim, que sabe disso tudo e começa a gritar com o Zé para que ele começasse a vestir as marionetas… Queria mudar, queria fazer outra peça, visto que estava a sentir-se mal, porque estava a lembrar-se da sua vida passada…

Hortense foge e ele começa a fazer outra peça.

No segundo acto entram as mesmas personagens, mas com outros nomes e em outras vidas. Hortense volta e começa a participar na peça. Ela aparece em casa de uma família burguesa, numa discussão e ela aparece muito engraçada, calma, meiga e a brincar. D. Elisa estava confusa: como foi ela parar ali?, e perguntava-lhe quem era ela e ela dizia que era a Hortense.

Ela não estava a gostar da brincadeira e chama a criada, pensando que era uma amiga dela, mas esta enganou-se. Leonardo dizia à mãe para ficarem com ela, que era muito engraçada e que queria fazer um retrato dela. A mãe começa a discutir com ele e Honorato, Clara e Leonardo começam-se a rir dela. Honorato estava farto de Elisa, pois esta não lhe dava amor, só o criticava. Ela só pensava em ter dinheiro, luxo e o trabalho do marido era uma trabalho sujo e Honorato não gostava, pois era graças ao seu trabalho que ela comprava as suas coisas e sustentava a casa.

Eles vão-se embora e Honorato começa a abraçar Hortense, a dizer que ela era muito bonita, e que iam fugir os dois para longe, sem ninguém saber.

Hortense começa a gritar e a pedir ajuda à sua mãe e à sua tia Mónica. Ela consegue soltar-se e foge para os braços de Leonardo.

No terceiro acto, Hortense entra em estado de loucura, pois começa a confundir as pessoas, visto que começa a chamar a Leonardo Leandro, chama a Honorato Aleixo etc... D. Elisa pensa que ela é doente e acalma-a adormecendo-a. 

Quando ela adormeceu, começou a sonhar e chamava pela sua família, até que vomitou sangue para almofada e eles pensaram que era serradura, fugindo dela, porque pensavam que era uma doença contagiosa. Leonardo foi o único que não fugiu, porque gostava dela e não ia abandoná-la. De repente, entra pelo palco Albino, dizendo que lhe querem roubar Hortense. Zé continua a representar…

Dagoberto dá uma novidade à família, dizendo que Albino foi internado no manicómio porque ficou doido.

Assim acaba a peça de teatro e o mestre Albino chora e embala os farrapos da boneca, que era Hortense, e começa a relembrar a sua infância.


Telma Coelho, n.º 23 da turma 11.ºE da Escola Secundária de Latino Coelho – Lamego 
(in blogue auladeliteraturafim.blogspot.com)

sábado, 13 de janeiro de 2018

Visita à exposição “Um homem chamado Romeu Correia”, no Museu da Cidade de Almada, próximo sábado, 20.1.2018, pelas 10h30















Enquanto 7ª iniciativa na sua série “Visitas a Espaços de Interesse para o Património Popular”, a ALDRABA vai levar a efeito na manhã do sábado 20 de janeiro próximo, a partir das 10 horas e 30 minutos, uma visita guiada à interessantíssima exposição sobre Romeu Correia, no Museu da Cidade de Almada, na Cova da Piedade.

Todos os associados e amigos são convidados a comparecerem, e a “trazerem outros amigos também…”

Completaram-se, em 2017, 100 anos sobre o nascimento de Romeu Correia.

Para assinalar o centenário do seu nascimento, a Câmara Municipal de Almada organizou a exposição “Um homem chamado Romeu Correia”, celebrando e divulgando a sua obra como escritor, desportista, cidadão, cinéfilo e dramaturgo.

Na exposição, objetos quotidianos, livros, excertos da obra, heróis e personagens, documentos, testemunhos apresentam, num registo poético e intimista, o homem que cresceu, viveu, trabalhou e sonhou em Almada, contando as suas “histórias” que, evocando outras, constroem a memória da cidade, das suas gentes, do Tejo, do país ao longo de quase todo o século XX.

A encenação de objetos, documentos, imagens e citações presentes nesta exposição evocam paisagens, quotidianos, espaços de trabalho, o movimento associativo, a prática desportiva, a festa, a resistência e o ativismo cívico.

O design da exposição é da autoria do cenógrafo José Manuel Castanheira, sublinhando a importância da experiência do teatro na obra de Romeu Correia e da cenografia como contexto narrativo.

Com cerca de 41 títulos publicados – contos, novelas, romance, teatro, biografias e divulgação da história local –, a obra de Romeu Correia é indissociável do imaginário de gerações de almadenses, reconstruindo e fixando paisagens, lugares, personagens e histórias quotidianas que marcam a identidade da cidade, afirmam valores e causas comuns.

Os seus textos para teatro tiveram pelo menos uma centena de encenações de norte a sul do país, por grupos amadores e profissionais. Grande entusiasta e divulgador do desporto, nas décadas de 1930/40, foi atleta nas modalidades de estafeta, peso, disco e dardo. Praticou também pugilismo, participou na fundação do Almada Atlético Clube e criou, com a sua mulher Almerinda Correia, um núcleo de raparigas praticantes de atletismo.

Desenvolveu uma atividade cívica constante, participou e colaborou regularmente com bibliotecas e comissões culturais das coletividades no concelho e em todo o país. Participou no Movimento de Unidade Democrática. Após o 25 de abril, no âmbito da FEPU, foi eleito e integrou a Assembleia Municipal de Almada.

Romeu Correia foi ainda divulgador da história local e dos seus protagonistas, guiando percursos pela cidade, participando em sessões em escolas dos vários níveis de ensino, e colaborando com a Biblioteca Municipal.

A associação ALDRABA evocou já a personalidade de Romeu Correia aquando do nosso XIX Encontro temático, em Cacilhas, no dia 19 de novembro de 2011: “Do Ginjal à Incrível, percursos do vagabundo das mãos de ouro”. Por outro lado, no nº 19 da nossa revista (abr.2016), publicámos o artigo “Romeu Correia: o escritor de teatro que espelhava a vida em páginas inspiradas pelo povo de Almada”, de Luís Maçarico.

No próximo sábado 20.1.2018, todos os interessados em participar na visita são estimulados a aparecer às 10h30 no Museu da Cidade, na Praça João Raimundo – Cova da Piedade (Tel. 21 273 40 30). Depois da visita, para os que puderem, teremos um almoço de convívio em local agradável próximo do Museu.


JAF 

sábado, 30 de dezembro de 2017

Profissões e ofícios tradicionais























Quando fixámos em 2013 os descritores temáticos em que se organiza o acervo documental da ALDRABA, fomos explicando em sucessivos post's os critérios de estabelecimento e os conteúdos dos grupos de descritores adotados.

No post "O acervo documental da Aldraba (5) - Os ofícios, as ciências e o território", explicou-se o alcance do grupo "Profissões e ofícios", onde se diz, designadamente: "Este grupo – necessariamente em aberto – considera como descritores, apenas, as profissões e os ofícios tradicionais de que haja informação disponível para classificar".

Em 2017, estão compreendidos no grupo "Profissões e ofícios" 9 descritores (aguadeiros, alfaiates, amoladores, barbeiros, costureiras, ferreiros, moleiros, polidores de móveis e sapateiros), dos quais temos informação tratada, em especial artigos publicados na nossa revista semestral.

Estes 9 ofícios tradicionais não estão todos eles extintos ou em vias de extinção. Mas, sem exceção, foram todos atingidos pelas transformações sociais e económicas dos últimos séculos, e as funções que eles desempenhavam ou desempenham são agora asseguradas de outras formas. O engenho e a criatividade humanas vão encontrando tecnologias que podem libertar as pessoas para outras ocupações e para o lazer, e importa valorizar essa evolução.

Mas, jamais, poderemos deixar esquecer ou depreciar o esforço, a arte e a dedicação das gerações de trabalhadores que nos antecederam, e a ALDRABA continuará esse combate pelo conhecimento e pela recuperação das memórias!

Neste dealbar do ano de 2017 para 2018, um artigo da jornalista Cátia Mateus, na edição de hoje do caderno Economia do semanário "Expresso", enumera outros novos ofícios (por sinal, também 9) que, no seu entender, estarão "em risco" num futuro próximo:

- Carteiros (substituídos pelas comunicações eletrónicas);
- Portageiros (sistemas de pagamento automático nas autoestradas);
- Trabalhadores de armazém (inteligência artificial na logística das cargas);
- Empregados bancários (operações bancárias pela internet);
- Operadores de caixa (sistemas de pagamento self-service);
- Operadores de call-center (equipamentos de reconhecimento de fala);
- Recrutadores (software de entrevista a candidatos a emprego);
- Agentes de viagem (marcação de viagens online);
- Maquinistas e motoristas (comboios e veículos sem condutores).

Muita matéria para reflexão...

Um bom ano de 2018.

JAF




terça-feira, 26 de dezembro de 2017

“Tradição e sabedoria” : Levar água no bico



















Significado: Ter intenções ou propósitos ocultos.

Origem: Na linguagem dos marinheiros, “navegar com água no bico” significava remar contra a corrente levando água do mar na proa, o que tornava o mar traiçoeiro. A expressão foi adaptada e tornou-se naquela que conhecemos hoje.


Cafés Chave d’Ouro

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Jantar-tertúlia junta Aldraba na Caixa Económica Operária





























































Jantar-Tertúlia da Aldraba, na Caixa Económica Operária, cooperativa com 141 anos, no passado dia 18 de Dezembro, que contou com mais de vinte convivas.

Graças ao Vice-Presidente da Direcção Albano Furtado Ginja. 

Permitam-me que destaque o nosso associado, também Presidente da Casa de Tondela e Vice-Presidente da Associação das Casas Regionais em Lisboa, o fantástico Elísio Chaves. 

E o associativista Augusto Teixeira. 

Mas também Jacqueline Aragão, que nos presenteou com uma estrela linda de argila, ternurenta. 

E ainda Maria Beatriz Rocha-Trindade, companhia excelente, não desfazendo dos restantes, todas e todos maravilhosos, como Luís Ferreira que ofereceu dois postais com poesia, alusiva ao Natal, de sua autoria.

José Alberto Franco procedeu a um leilão para obtenção de fundos. 

E a alegria reinou, ao lado do espanto, na descoberta do edifício onde - segundo lembrou Isabel Galacho -, Maria Lamas e Fernando Lopes Graça fizeram inolvidáveis conferências, no tempo do Estado Novo, com todas as proibições que o regime deposto em Abril de 74 impunha aos intelectuais e artistas que não aceitavam a censura à Liberdade e aos Direitos Humanos.

LFM (texto e fotos)

sábado, 16 de dezembro de 2017

M.Beatriz Rocha Trindade apresentou revista da Aldraba






























Na tarde do dia 12 de Dezembro de 2017, a Aldraba fez o lançamento da sua revista nº 22, na Padaria do Povo, com apresentação de Maria Beatriz Rocha-Trindade. 


O Presidente da Cooperativa, José Zaluar, fez as honras da casa. 

José Alberto Franco apresentou a oradora. 

A professora Maria Beatriz foi incansável, na pesquisa que partilhou com todos, dissertando acerca de cada artigo, apresentando imagens e conhecimentos, que transcenderam largamente expectativas. Magnífica apresentação. Excelente Power Point. 

A sessão foi bastante concorrida e terminou num jantar de confraternização muito agradável.

LFM (texto e fotos)

domingo, 10 de dezembro de 2017

O nº 22 da revista ALDRABA em distribuição























Ficou concluída a publicação do nº 22 da nossa revista, cuja distribuição pelos associados teve já início e de que iremos ter o lançamento público na próxima 3ª feira, dia 12 de dezembro, pelas 18h30, na cooperativa Padaria do Povo (R. Louis Derouet, 20-A, 1º andar, Campo de Ourique, em Lisboa), com a apresentação da Profª Maria Beatriz Rocha Trindade.

Plano do nº22 da revista

EDITORIAL
O nosso património florestal em perigo
Albano Ginja

OPINIÃO
António Braz – O rambóia comendador
Nuno Santos

LUGARES DO PATRIMÓNIO
A Casa do Gaiato em Santo Antão do Tojal
Nuno Roque da Silveira
Visitando a Natureza
Carlos Henrique Carneiro

RITUAIS, TRADIÇÕES E REALIDADE
A possível origem da “bilha de segredo”
ou quem inventou essa piada?
Jacqueline Aragão

ARTES E OFÍCIOS
O regadio tradicional da aldeia do Mosteiro
João Coelho
O barbeiro Augusto
Luís Filipe Maçarico

SONS COM HISTÓRIA
A natureza no cante alentejano
Ana Isabel Veiga e Luís Filipe Maçarico

ALDRABA EM MOVIMENTO
Maio a Outubro de 2017
Maria Eugénia Gomes