sábado, 26 de março de 2016

20º jantar-tertúlia, na Associação Caboverdeana, dia 2 de abril de 2016, sábado

















A Associação ALDRABA também tem nos seus princípios fundadores o objetivo de aproximação à cultura e ao património popular dos territórios e países lusófonos, e já desenvolveu no passado iniciativas com a Casa de Goa (2005), com a Xuventude de Galicia (2010) e com a Casa de Angola (2014).

É agora possível anunciarmos, com toda a satisfação, o início da cooperação com a Associação Caboverdeana, em cujas instalações iremos realizar o 20º Jantar-tertúlia da ALDRABA, no próximo sábado, dia 2 de abril, a partir das 19.30 horas.

As instalações da Associação Caboverdeana (ACV) situam-se na Rua Duque de Palmela, 2/8º, em Lisboa, próximo do Marquês do Pombal.

A ACV tem por objeto a “defesa e promoção da cidadania e dos interesses económicos, sociais, culturais e políticos da comunidade caboverdeana residente em Portugal, visando nomeadamente a salvaguarda e a expansão dos valores culturais e identitários da caboverdeanidade e da universalidade da cultura do povo caboverdeano, nas ilhas e diásporas (…)” (dos Estatutos).

O jantar do próximo sábado terá como ementa entradas de torresmos à moda de Cabo Verde, o prato principal de cachupa rica, sobremesa de doce de coco, bebidas à descrição, e café, tudo pelo preço unitário de 13 euros para os associados e amigos da ALDRABA.

A acompanhar-nos no jantar, teremos amigos da Associação Caboverdeana, designadamente o seu Presidente Mário de Carvalho.

Depois do jantar, haverá animação musical com artistas caboverdeanos e dança.

Todos os associados e amigos da ALDRABA são desafiados a inscrever-se e a participar neste jantar-tertúlia, para o que deverão contatar o Luís Maçarico, através do telefone 967187654 ou do mail lmacarico@gmail.com, até 5ª feira, dia 31.3.2016.

A Direção da ALDRABA

quarta-feira, 9 de março de 2016

“Tradição e sabedoria” : Caiu o Carmo e a Trindade

















Significado: Desgraça; aparato; surpresa; confusão.

Origem: Durante o terramoto de 1755, ouviu-se um enorme estrondo por toda a cidade de Lisboa. Quando os habitantes descobriram qual tinha sido a causa de tal barulheira, logo disseram: “Caiu o Carmo e a Trindade!”. Isto é: desabaram os Conventos do Carmo e da Trindade.


Cafés Chave d’Ouro

domingo, 28 de fevereiro de 2016

“Tradição e sabedoria” : Cair que nem tordos















Significado: Cair em grande quantidade; queda fácil.

Origem: O significado vem da caça. Os tordos voam em bandos densos e, quando atingidos por um tiro de caçadeira – que dispara muitos chumbos ao mesmo tempo – caem em grande quantidade. Com um só tiro, matam-se muitos tordos.

Cafés Chave d’Ouro

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

“Tradição e sabedoria” : Andar em fila indiana











Significado: Enfiada de pessoas ou coisas dispostas uma após outra.

Origem: Forma de caminhar dos índios da América que, deste modo, tapavam as pegadas dos que iam na frente.

Cafés Chave d’Ouro

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Nomes de localidades em azulejos (cont. 29)












Desta vez, duas placas com os belos azulejos do Automóvel Clube de Portugal, com quase cem anos desde a sua aplicação, que foram fotografadas por Pedro Figueira e publicadas no blogue "Diário de Bordo".

Trata-se da placa da Cortegana (freguesia da Ventosa, concelho de Alenquer, distrito de Lisboa) e de Ponte de Sor (freguesia e sede de concelho, distrito de Portalegre).
 
Com o post de hoje, completamos 155 placas de localidades.
 
JAF

sábado, 13 de fevereiro de 2016

“Tradição e sabedoria” : Amor platónico
















Há uns anos atrás, a marca de cafés Chave d’Ouro editou uma coleção de 30 pacotes de açúcar dedicada à epígrafe “Tradição e sabedoria”.

Ao longo dessas dezenas de pequenas embalagens, a Chave d’Ouro presenteou-nos com outras tantas frases ou ditados populares, descodificados de forma simples e sugestiva, que a ALDRABA gostaria de evitar que se perdessem.

Assim, comprometemo-nos a aqui reproduzir o texto desses pacotes de açúcar, um em cada “post”. Começamos hoje com o “amor platónico”:


Significado: Amor casto; desprovido de sensualismo; amor ideal.

Origem: No sentido popular, é um amor impossível de se realizar, um amor perfeito, casto. Trata-se, contudo, de uma má interpretação da filosofia de Platão, quando vincula o atributo “platónico” ao sentido de algo existente apenas no plano das ideias.

Cafés Chave d’Ouro

sábado, 30 de janeiro de 2016

Bens de consumo
















Sob as luzes demasiado brancas dos supermercados, aprendem-se grandes lições. Só raramente os roteiros turísticos incluem visitas a supermercados, ainda assim, há muita informação que não se encontra em monumentos. Para o visitante interessado e atento, os supermercados são retratos da economia, da gastronomia, de inúmeras faces da cultura real, da identidade de um país.

Nessas prateleiras, estão os produtos tradicionais, consequências da história, mas também está aquela pasta de dentes com uma embalagem amarela e preta, fórmula química e industrial que todos os portugueses de certa idade recordam, publicitada durante anos na televisão. Ou, mesmo ao lado, está o restaurador capilar Olex, símbolo de uma época, frase publicitária lembrada por tantos que, nesse tempo, estavam longe de ter falta de cabelo. E é possível sentir saudades daqueles carrinhos de linhas, daqueles rebuçados para a tosse ou daqueles algodões para limpar os dourados e os prateados.

Nos anos oitenta, eu ia à mercearia. Com o dinheiro trocado, notas e moedas, pedia o que levava escrito num papel. O balcão tinha um tampo de mármore e chegava-me à altura do peito. Enquanto a senhora Dalila procurava o que lhe pedia, eu ficava a olhar para os brinquedos que estavam expostos, se fosse perto do Natal, havia comboios a pilhas e guarda-chuvas de chocolate; havia fotografias de gelados nos meses do verão. Não era habitual que a conta incluísse essas extravagâncias, mas olhar para elas também tinha valor, também me alimentava o desejo.

Depois, quando chegaram os hipermercados a Portugal, a minha família e eu surpreendíamo-nos com os preços de tudo, as promoções eram loucas e enlouqueciam-nos. Ao longo de corredores, eu empurrava carros com pilhas de detergente para a roupa, tínhamos de aproveitar a viagem. No parque de estacionamento, só o meu pai, com grande arte, conseguia encontrar espaço no porta-bagagens para todas as compras que fazíamos a pensar no mês seguinte, pelo menos. Voltávamos para casa com as vozes dos altifalantes a ecoarem-nos na cabeça, alguém precisava de ir à caixa número não-sei-quantos, alguém precisava de ir com muita urgência e repetidamente à caixa número não-sei-quantos.

Hoje é tudo igual? Não concordo. Uma Coca-Cola com o rótulo em alfabeto cirílico, mandarim, árabe ou hindi tem muita diferença de uma Coca-Cola com o rótulo em inglês, Coke comprada numa loja de conveniência em Manhattan. Mesmo que a composição seja exatamente a mesma, o sabor será tão distinto como o cenário, o preço ou a história que essa bebida possui naquele lugar, o que representa ali.

Para quem esteja na disposição de ver, há museus em toda a parte, tudo pode ser um museu.

Pasta medicinal Couto, a minha mãe ainda prefere essa marca. Atualmente, dá-se a grandes trabalhos para achá-la, mas vale sempre a pena.

Sentiremos saudades de muitas coisas que hoje parecem banais. Nada é suficientemente industrializado ou massificado a ponto de não poder ser recordado com nostalgia. Essa saudade somos nós, é o próprio tempo.

José Luís Peixoto (in revista UP, janeiro de 2016)