sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Como foi o lançamento do nº 18 da nossa revista












No fim da tarde da quarta~feira, dia 9, o Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes" recebeu a Professora Doutora Fátima Sá, que apresentou a revista número 18 da Aldraba. 

O presidente da colectividade, Carlos Oliveira, saudou a Associação do Espaço e Património Popular e a assistência, de forma calorosa, e o Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Aldraba, João Coelho, fez uma intervenção breve, introduzindo a convidada.
A abordagem da Profª Fátima Sá incidiu sobre os diversos equívocos entre popular e rural, entre central e local, entre cultura popular e tradição, que a revista 18 da Aldraba não comete, em qualquer dos artigos. 
"O primeiro equívoco possível é a abrangência do adjectivo popular e do substantivo povo. Neste número não se cai nesse equívoco. A revista aborda temáticas do mundo rural e urbano. Inicia-se com um artigo sobre a prática antiga do pastoreio do Alto Minho, seguido de um ensaio sobre a Rua dos Sapateiros, em Lisboa. As duas coisas conjugam-se. A revista contorna os equívocos de maneira muito clara." 
Citando a obra "A Invenção da Tradição", lembrou que as tradições são muito recentes e quantas vezes reinventadas.
"Nem exclusivamente tradicional, local, rural - a cultura popular faz parte do nosso património comum." 
Elogiando o percurso da Aldraba, a Professora Fátima Sá destacou o facto do Associativismo ser "uma parte importantíssima da cultura popular, da modernidade, entendendo-se esta a partir do período, que se inaugura com a revolução liberal, através da qual vão florescer associações de cultura popular e cidadania, que são a ossatura do património civil".
LFM (texto e fotos)

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

10 anos, 30 encontros temáticos













É esta a contracapa do nº 18 da revista "ALDRABA", que amanhã, 9.12.2015, pelas 18h30, tem o seu lançamento n' "Os Combatentes", em Lisboa:

Ao longo dos dez anos de existência da Associação ALDRABA, tentámos dar corpo ao nosso objetivo estatutário de sermos “um ponto de encontro e de comunicação para a preservação e divulgação do património popular nos espaços onde ele se encontra, através da pesquisa, recolha e tratamento das memórias dos sítios, das pessoas, dos grupos e das coletividades”, através da “abordagem integrada de objetos, práticas, factos e vivências”.


Para isso, deambulámos pelo país, interagindo com coletividades locais, associações populares e autarquias, e promovendo encontros centrados em temas patrimoniais das realidades dessas populações.

Desde o arranque da Aldraba até ao corrente ano de 2015, realizámos 30 encontros temáticos. Para tal, deslocámo-nos a 28 concelhos do país, havendo alguns em que foram feitos mais do que um encontro, embora em localidades distintas.

Aqui fica o registo desses municípios, situados em 9 distritos do continente português:

Alcoutim
Aljezur
Aljustrel
Almada
Alter do Chão
Amadora
Arruda dos Vinhos
Azambuja
Barreiro
Castro Verde
Coruche
Fundão
Lisboa
Loulé
Lourinhã
Mafra
Mértola
Montemor-o-Novo
Moura
Mourão
Odivelas
Oeiras
Pedrógão Grande
Serpa
Setúbal
Torres Vedras
Viana do Alentejo
Vila Franca de Xira

Fica também a nossa expressão de vontade de continuar a fazer pontes com as populações destes concelhos e do resto do país…

JAF

sábado, 5 de dezembro de 2015

Lançamento do nº 18 da "ALDRABA" no próximo dia 9.12.2015, 4ªf, às 18.30h

O nº 18 da revista "Aldraba", já editado e presentemente a ser distribuído pelos associados, terá uma sessão pública de lançamento na próxima 4ª feira, 9 de dezembro, às 18.30h, no salão da coletividade popular "Os Combatentes", sita na Rua do Possolo, 5 a 9, em Lisboa (junto a Campo de Ourique).
Teremos a honra de contar, para a apresentação da revista, com a historiadora Profª Fátima Sá, docente do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa, onde leciona História e Humanidades, e que é doutorada em história social pela Sorbonne. É ainda diretora da revista "Ler História".

Convidamos a comparecerem todos os muitos amigos da nossa Associação, e aqueles que seguem com interesse as atividades que desenvolvemos. E que tragam outros amigos também...

Como aperitivo, aqui fica o sumário do nº 18 da revista:


EDITORIAL
Conhecer, para quê?
Luís Ferreira

LUGARES DO PATRIMÓNIO
Sistelo: entre o vale e a montanha
Fernando Cerqueira Barros
Rua dos Sapateiros em Lisboa
Nuno Roque da Silveira

ASSOCIATIVISMO E PATRIMÓNIO
Congresso Nacional das Coletividades, Associações e Clubes
Albano Ginja

RITUAIS, TRADIÇÃO E REALIDADE
“Jordões”: uma tradição singular
Luís Filipe Maçarico
Festa dos Tabuleiros em Tomar
Maria do Céu Ramos e Luís Ferreira
Santas Cruzes: memória e crença em Vila Nova de S. Bento
Ana Isabel Carvalho

ARTES E OFÍCIOS
Uma arte da cultura popular portuguesa: a filigrana
Maria João Marques

SONS COM HISTÓRIA
Fomos a Alcáçovas - concerto de estreia do chocalhofone em 21.6.2015
Maria do Céu Ramos

CRÍTICA DE LIVROS
"Sr. Doutor, dói-me tudo"
João Coelho

ALDRABA EM MOVIMENTO
Abril a outubro de 2015
Maria Eugénia Gomes

POEMA
Do cimo da minha rua
Flávio Gil

CONTRACAPA
10 anos, 30 encontros temáticos    


A Direção da Aldraba

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Concerto de chocalhofone em Alcáçovas










Condensação de artigo incluído no nº 18 da revista "ALDRABA", a ser lançado dentro de poucos dias:

Alcacevas, Alcassovas ou Alcáçovas. A sua origem perde-se no tempo, mas sabe-se que, no tempo dos romanos, foi famosa cidade de nome Castraleucos, que significa Castelos Brancos, a qual os mouros tomaram e mudaram-lhe o nome para Alcáçovas.

Não é de estranhar, segundo a tradição, terá existido um castelo para o lado norte que dominava uma vasta distância ao norte e nascente, que segundo refere o padre Joaquim Pedro de Alcântara “existiam por lá vestígios de antigas edificações”.

Em 1259, D. Martinho I, Bispo de Évora, e o seu cabido, dão foral à limitada aldeia de Alcáçovas, cuja jurisdição lhes pertenceria. D. Afonso III, senhor das Alcáçovas, elevou-a à categoria de Vila, melhorando-a e acrescentando-a consideravelmente.

D. Dinis dispensou à vila as maiores regalias e privilégios, ordenou que nunca mais saísse da coroa nem se desse a pessoa alguma. Terá transformado em paço real o antigo castelo. Passava largas temporadas naquela vila e dizia que ali tinha juntas, num só lugar, a sua Sintra e Almeirim, porque, sendo Sintra deliciosa no verão e fria no Inverno, Almeirim amena no Inverno e insuportável no verão, Alcáçovas era agradável nas duas estações.

D. Dinis ainda mandou arrancar pedra para cercar a vila, que não se efectuou por via de sua morte.

É em Alcáçovas que, em 1479, se assina o tratado de Alcáçovas/Toledo que deu um fim à guerra de sucessão de Castela.

Dito isto, a nossa ida a Alcáçovas prende-se com o facto de, no âmbito da candidatura da Arte Chocalheira a Património Cultural Imaterial com Necessidade de Salvaguarda Urgente, assistirmos ao Concerto de Estreia do Chocalhofone Alentejano, em 21 de Junho de 2015.

Este instrumento é concebido com a utilização de chocalhos, escolhidos nos seus diversos tamanhos, que produzem naturalmente sons completamente diferentes uns de outros e com os quais é possível transmitir música erudita.

O chocalho tem sido utilizado na música erudita há bastante tempo, mas sempre como instrumento não afinado e sempre individualmente.

Segundo o maestro e compositor Christopher Bochmann, a ideia não é nova, dado que já haviam sido construídos instrumentos deste tipo. Eram essencialmente feitos de chocalhos alpinos e terão sido utilizados por um compositor francês, nalgumas peças musicais.

Este ano, e dada a candidatura do chocalho a património, pensou-se construir um instrumento com os chocalhos artesanais das Alcáçovas, fazer a ligação entre o som do campo e a natureza, por um lado e o som da sala de concerto e o raciocino humano (palavras do maestro), que acrescenta:

“A peça Pastorale que escrevi para a estreia do instrumento pretende reflectir precisamente a ligação entre estes dois mundos sonoros”.

Estas as palavras do Maestro que tão bem nos soube explicar, cativar e ensinar que para além do título sugestivo a música faz ainda referência a outras obras de Beethoven e Arthur Honegger.

Dizer que na Igreja Matriz de Alcáçovas se ouviu música de Elgar, Bruckner, Meyerbeer, Brahms e Bochmann, excelentemente interpretada pela Orquestra Sinfónica Juvenil, sendo o Chocalhofone tocado pelo jovem Rui Pinto, sob a direcção de Christopher Bochmann. Fechou com a Marcha de Pompa e Circunstância, op. 39, nº1, que deliciou o público que enchia completamente a Igreja.

Além de ouvir muito boa música excelentemente interpretada, ver de perto o novo instrumento tendo como origem os chocalhos de Alcáçovas, foi um momento mágico.

Maria do Céu Ramos

domingo, 15 de novembro de 2015

Povo que canta não morrerá!
















































































Realizou-se ontem, tal com estava previsto, o XXX Encontro da Aldraba: “O cante e a memória rural, vozes e olhares cruzados”, em Serpa e Pias.

Em Serpa, na Casa do Cante, decorreu a primeira parte do encontro. O José Alberto Franco referiu o 10º aniversário da Associação e o percurso que aqui nos fez chegar, desde as expectativas do começo até às muitas realizações conseguidas até agora. O Paulo Lima falou-nos das candidaturas  para a obtenção do reconhecimento do Património Imaterial da Humanidade da UNESCO a que esteve e está ligado, das contingências da globalização em áreas tão sensíveis como são as do património imaterial e para a necessidade imperiosa da sua salvaguarda.

O painel que tratou do cante foi diverso e com riquíssimas intervenções. O Paulo Nascimento (Vereador da Cultura da C.M. de Castro Verde) deixou-nos o testemunho do empenho e do forte apoio e estímulo que a Câmara tem vindo a dar aos grupos existentes no concelho e, sobretudo, na sua introdução como disciplina curricular nas suas escolas. Do António Lebre (Camponeses de Pias) retivemos a sua grande experiência de uma vida como cantador e como ensaiador, enquanto que os jovens Filipe Pratas (Ganhões de Castro Verde) e Hilário Serra (Mainantes de Pias) nos trouxeram o futuro e a certeza que pela sua mão se vai continuar a tradição.

Difícil, muito difícil mesmo, foi a moderação a cargo do Luís Maçarico e da Ana Isabel Carvalho pois foi escasso o tempo para tantos e tão interessantes testemunhos e questões trazidas para a discussão.

 

Em Pias, sentimo-nos em casa, tal a afectuosidade dos amigos que nos receberam no Núcleo Museológico. Aí tivemos flores e cante, numa surpresa que nos emocionou, e os mestres Romão Mariano, António e Domingos Borralho que nos falaram das suas antigas ocupações como ferreiro e poeta popular, adegueiro e alfaiate, respectivamente.

Mais uma vez a Madalena Borralho se desdobrou em atenções e, com o seu grande entusiasmo e generosidade, mostrou a obra que muito ajudou a construir – o Núcleo Museológico de Pias - e que, fazendo já parte da Rede de Museus do Alentejo, guarda as memórias do povo da sua terra.

 

Terminámos o dia na Bética, uma acolhedora casa de turismo rural, onde o Marco Valente nos mostrou um conjunto de peças arqueológicas coleccionadas pelo antigo dono, já falecido, explicando com saber e detalhe a sua proveniência e significado.


MEG

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O nº 18 da revista ALDRABA está no prelo

Editorial do nº 18 da revista, atualmente em composição na tipografia, e que vai sair dentro de dias:


CONHECER, PARA QUÊ?

Não se pode verdadeiramente amar aquilo que se desconhece. Como evitar então o desconhecimento, a indiferença e mesmo o vandalismo, nos diferentes tipos de património?

Os dezoito números da revista Aldraba já publicados contêm artigos de mais de nove dezenas de colaboradores, sobre diversas temáticas do espaço e património popular. Este espólio de conhecimento, sobre interessantes realidades culturais de várias regiões, faz agora parte do acervo de várias bibliotecas do país e de diversas associações locais. Cooperámos e estabelecemos articulações e parcerias com mais de sete dezenas de coletividades, associações populares e entidades. Realizámos encontros, visitas temáticas, jantares-tertúlia, rotas pedestres e eventos que possibilitam convívios e relacionamentos personalizados entre os seus participantes, onde se partilham conhecimentos e estabelecem laços de afetos entre as pessoas que participam nestes eventos.

Segundo a UNESCO, o património imaterial tem como características ser ao mesmo tempo tradicional, contemporâneo e vivo, integrador, representativo e baseado na comunidade. Património imaterial não são só as tradições do passado, mas também os usos e as expressões rurais e urbanas característicos de diversos grupos culturais, que refletem um sentimento de identidade e de continuidade no tempo, que podemos partilhar ou que são transmitidos de geração em geração. O património imaterial deve ser reconhecido pelas comunidades que o criam, mantêm e transmitem, floresce nas próprias comunidades e depende dos conhecimentos, tradições, técnicas e costumes transmitidos ao resto da comunidade, de geração em geração, ou por outras comunidades, e não deve ser valorizado ou apropriado como bem cultural isolado do seu próprio contexto.

A Aldraba procurou orientar a sua atividade ao longo dos 10 anos da sua existência, tendo presente estes princípios. Tem adotado uma abordagem que permite aprofundar o conhecimento, fazer a divulgação e promover a interação que se tem revelado adequada e frutuosa, porque levada a cabo de forma personalizada e respeitadora dos valores culturais e das respetivas comunidades, que com carinho preservam e dão vida a esses valores.

Atendendo às possibilidades existentes, valeu a pena o percurso e parece-nos positivo o contributo desta Associação.

Esperamos prosseguir e consolidar esta caminhada, em cooperação com outras associações e entidades, por forma a contribuir eficazmente para a valorização e divulgação do espaço e património popular.

Luís Ferreira

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O Ateneu Comercial de Lisboa













Há dez anos, precisamente no dia 25 de Abril de 2005, através da sua primeira Assembleia Geral, a Aldraba nasceu numa das salas do Ateneu que a direcção da altura nos cedeu para o efeito.
Regressámos lá por diversas vezes. Era notória a degradação e o abandono dos espaços outrora quase sumptuosos que constituíam o Palácio dos Condes de Povolide.
Em artigo publicado no Observador intitulado “Ateneu de Lisboa – Morrer lentamente aos 135 anos”, Maria Catarina Nunes traça o percurso de uma instituição nascida pela mão de um grupo de trabalhadores do comércio e com que se pretendia estender o acesso ao ensino e à cultura, garantindo “uma instrução especializada aos da sua classe (das mais numerosas do país), encontrar um espaço onde pudessem encontrar-se e, a longo prazo, incentivar a prática desportiva. “Mente sã em corpo são” era o lema. Tudo por fases, claro, que não seria fácil instituir todas as categorias de uma vez só. Agarraram no nome de Camões – soldado e homem de letras – e fizeram-no seu patrono. O busto do poeta ainda sobrevive no átrio do Ateneu Comercial de Lisboa. Mas é dos poucos, porque nos últimos anos tudo se foi perdendo. Mesmo os livros (a biblioteca foi das primeiras conquistas da associação, que recebeu donativos e ofertas de obras das mais variadas pessoas), estão abandonados e esquecidos numa sala fechada”.
Refere que “Os primeiros estatutos do Ateneu eram claros e motivadores: organização de uma biblioteca, aulas diurnas de instrução primária para os filhos dos sócios e para as crianças pobres, aulas noturnas de gramática portuguesa, francesa e inglesa, de geografia e de escrituração comercial para os sócios”.
Nos anos 70 do século passado foi escola – a Secção do Ateneu da Escola Comercial Veiga Beirão, também ela já fechada, “recebeu tertúlias, formou desportistas, animou culturalmente Lisboa. Agora é um palácio degradado, as atividades morreram e quem resiste diz-se alvo de intimidações. Afinal, o que se passa no Ateneu?”, pergunta que a jornalista coloca e a que dá algumas respostas.
Deixo a ligação de acesso ao artigo não só pelas memórias que recupera, mas também pela ligação que o Ateneu tem com a criação da nossa associação.
Texto MEG
Fotografia A. Videira Santos (net)