segunda-feira, 5 de outubro de 2015

XXIX Encontro da ALDRABA: "Os chocalhos a património imaterial da humanidade" - Alcáçovas, 17out2015 (sáb.)













A Associação Aldraba vai realizar mais um Encontro temático, a levar a efeito no sábado 17 de outubro próximo, em Alcáçovas (Viana do Alentejo, distrito de Évora), em estreita colaboração com a Associação dos Amigos das Alcáçovas.

O mote será a consagração do Património Chocalheiro como Património Imaterial da Humanidade.

Dez anos passados após a criação da Aldraba e a sua primeira presença em Alcáçovas, em 19 de fevereiro de 2005, a Associação cresceu e evoluiu, e reveste-se de um simbolismo particular o seu regresso a esta localidade.

No programa do Encontro, que  em breve será detalhado, prevê-se a concentração dos participantes pelas 10 horas da manhã do dia 17.10.

Pelas 10.30h, começaremos por uma visita guiada ao Paço dos Henriques e Capela dos Embrechados, que estão atualmente num Projecto de Recuperação e Valorização, acompanhados pelo Vereador da Cultura da Câmara de Viana do Alentejo.

De seguida, o maestro Christopher Bochmann apresentar-nos-á o instrumento chocalhofone, que criou, interpretando algumas peças musicais.

O almoço de convívio será no restaurante "O Chocalho", com ementas alternativas que iremos divulgar e um preço global da ordem dos 12€ por pessoa.

À tarde, vamos visitar o Museu do Chocalho, do mestre Penetra, e a oficina dos Chocalhos Pardalinho (em atividade).

Durante o dia, teremos ainda um momento de troca de experiências com a Associação dos Amigos das Alcáçovas, nas suas instalações. 

Todos os associados e amigos da ALDRABA que queiram deslocar-se às Alcáçovas, devem quanto antes manifestar essa intenção, por mail ou telefone, para o LFMaçarico (lmacarico@gmail.com // TM: 96 718 76 54) ou para o JAFranco (jaffranco@gmail.com // TM: 96 370 84 81).

JAF

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Registos do Encontro de Carnide

Algumas imagens do passado dia 13 de setembro, em que os 20 participantes do XXVIII Encontro da ALDRABA foram deambulando pela freguesia de Carnide, em Lisboa, à procura do seu riquíssimo património popular e artístico, com a orientação técnica do historiador Carlos Inácio, e a companhia solidária da presidente da assembleia de freguesia Maria Vilar.

Foi um dia marcante de convívio e de cultura, que terminou com uma estimulante visita à sociedade dramática Teatro Carnide, cujas dirigentes e animadoras nos receberam calorosamente.

Carnide, um tesouro que merece ser revisitado!

JAF (fotos AB e LFM)

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Nomes de localidades em azulejos (cont. 27)









A recuperação das placas de azulejos com nomes de localidades colocadas há cerca de 100 anos  pelo Automóvel Clube de Portugal, à entrada dos aglomerados populacionais, é um esforço que não acaba.

Desta vez, o "repórter da Aldraba" encontrou e fotografou duas placas pelo interior da Beiras, uma à noite (daí a menor claridade...), em Castro Daire - freguesia e concelho do distrito de Viseu -, e outra em plena luz do dia na povoação da Orca - freguesia do concelho do Fundão, distrito de Castelo Branco -, que aqui se reproduzem.

Assim, ultrapassamos a centena e meia de placas publicadas, e chegamos à bonita soma de 151 placas de azulejos do ACP divulgadas!

JAF (fotos MEG)

  

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

XXVIII Encontro da Aldraba “Carnide – entre o velho e o novo, o diverso e o singular”/Lisboa, 13.9.2015











 

Vai realizar-se mais um Encontro da Aldraba no domingo, 13 de Setembro, desta vez em estreita colaboração com a Junta de Freguesia de Carnide.

O programa é variado e incluirá:

10.00h - Encontro dos participantes no jardim em frente da Junta de Freguesia de Carnide.

Manhã (10.30h/12.30h) - Visita ao núcleo histórico, cuja centralidade se situa no Largo do Coreto.

13.00 h – Almoço* no Restaurante Portas Verdes.

Tarde (15.00h/17.00h) - Visita ao Convento de Santa Teresa de Jesus, ao Convento dos Franciscanos e à Igreja da Luz

Nas actividades da manhã e da tarde, contamos com a colaboração amiga dos Drs. Fernando Andrade Lemos e Carlos Inácio, do Centro de Estudos Eça de Queirós, e grandes conhecedores da realidade e do território que vamos percorrer.

Ao fim da tarde, teremos um encontro com a Sociedade Dramática Teatro Carnide, associação centenária que nos vai receber e dar conta do seu intenso trabalho

Os participantes podem acabar o domingo deambulando pela Feira da Luz, fruindo de todas as propostas que uma feira de cariz popular lhes pode proporcionar.

*Almoço – Terá o preço de 16,50€ e será composto de entradas, prato de peixe (bacalhau à Braz), prato de carne (bifinhos com cogumelos), sobremesas, bebidas e café.

Contactos: Maria Eugénia (919647195 ou 964445270), aldraba@gmail.com

MEG


segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A Aldraba vai estar em Pias na 6ªf 28.8 e em Campo Maior no sáb. 29.8

Nos próximos 6ª feira e sábado, dias 28 e 29 de agosto, a nossa associação vai estar presente em dois relevantes eventos culturais no Alentejo.

No dia 28, a partir das 19 horas, participaremos na inauguração do Espaço Museológico da Freguesia de Pias, que é um trabalho notável desta autarquia, ao qual se dedica um artigo no último nº da nossa revista. Durante a inauguração, o autor desse artigo, Luís Maçarico, fará uma intervenção realçando os aspetos inovatórios da montagem daquele espaço museológico, e serão também apresentadas a associação ALDRABA e a sua revista.

No dia seguinte, durante a parte da tarde, a ALDRABA marca presença nas Festas do Povo de Campo Maior, que é um grande acontecimento atualmente em curso naquela vila do Alto Alentejo. No espaço de que a poetisa campomaiorense Rosa Dias, nossa associada, dispõe nas Festas (junto ao Jardim) faremos a divulgação da revista e, em particular, do trabalho que publicámos no nº 17 acerca do Centro de Ciência do Café.

Todos os associados, amigos e familiares são convidados a aparecerem em Pias e/ou em Campo Maior, disfrutando e apoiando estas festas populares.

JAF





quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Nome de localidades em azulejos (cont. 26)

Novamente a partir do blogue "Diário de Bordo", que felicitamos, reproduzimos hoje o registo fotográfico de Manuel Campos Vilhena acerca da placa toponímica de Malgas, no concelho de Sobral de Monte Agraço, distrito de Lisboa.

Para nós, o post de hoje representa que já publicámos 149 placas diferentes publicadas, de 133 localidades em 15 distritos do país.

JAF

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Portugal, país querido













De uma obra de ficção, extraímos um texto de rara beleza, que descreve o quotidiano abnegado de um militante clandestino, no Portugal do fascismo. O autor, que usava o pseudónimo de Manuel Tiago, foi um grande dirigente político português, nascido em 1913 e falecido precisamente há 10 anos, em 2005:

Fora o último encontro. Agora, tratava-se de regressar a casa. Às 10 da noite, vendo-se na estrada livre e escura, acomodou-se melhor no selim, apressou o pedalar e ouviu com prazer o chiar dos pneus no asfalto molhado.

(…) Só quando chegou a subida das oliveiras teve a noção da própria fadiga. Não foi além do primeiro marco. As pernas recusavam-se, tinha o corpo alagado em suor e respirava fundo, como se o ar pudesse ir desalojar-lhe do peito a angústia crescente.

Tendo andado mais de cem quilómetros de bicicleta contra o vento e aguentado algumas cargas de água, as batatas que comera ao meio-dia estavam moídas e esmoídas e o organismo cansado pedia novo auxílio. “Tenho de comer alguma coisa”, pensou. E lembrou-se que dali por légua e meia encontraria ainda certamente aberta aquela pequena venda do homem curioso. Ao cimo da ladeira, embalou e deixou correr.

A aragem fresca e húmida fustigava-lhe rosto e pescoço e entrava-lhe pelos punhos, braços acima, revigorando o corpo fatigado. Mais um pouco, comeria um quarto de pão com o mais que houvesse e o resto seguiria melhor.

A venda estava fechada. Na rua escura e silenciosa da aldeia não se enxergava vivalma. Vaz viu então na sua frente todo o longo percurso até casa (…) Viu as aldeias, os casais, as matas, as pontes. E, sentindo a lassidão do corpo e a crescente vontade de se deitar e de se cobrir, lembrou-se do rosto indignado de um camarada médico discordando do ritmo de trabalho nos últimos dois anos: “Andais a matar-vos!”

(…) Todo o cansaço lhe tombava nos olhos. O médico não tinha razão. Há muitas formas de morrer. Via-o como se fosse hoje. Parecia zangado. Depois sorria. Hã?!

A roda resvalou. Procurou ainda segurar-se, mas uma força invencível o atirou pelo ar de encontro à terra, enquanto a bicicleta, dando cambalhota estranha, se ia enrolar na valeta. O farolim apagou-se. Na fundura da noite, em que só muito ao longe se via um salpico de luzes, de novo ouviu o coaxar das rãs, indolente e repousante.

O dínamo funcionava. Ajeitou um ombro dorido, endireitou o guiador e seguiu um bocado a pé, batendo ruidosamente com as botas a espantar o sono.

(…) Quando, já passada a meia-noite, chegou a uma comprida ponte que separava as duas metades de uma aldeia e imaginou a íngreme subida que tinha pela frente, dobrou-se-lhe o cansaço, o peito apertado numa tenaz. Se tudo corresse bem, não chegaria a casa antes das 3 horas.

(…) Depois viria aquela recta de três árvores, e a curva de areia, e o bocado plano com casita de onde uma vez uma miudinha lhe dissera adeus, e a rampa encurvada e enganadora cuja inclinação é muito maior do que parece, e mais a grande serpentina da estrada cortando com largueza o planalto, e depois a pequena aldeia, primeiro sinal de vida após três quilómetros de deserto, e de novo subir, subir, subir até ao alto dos moinhos.

Quando ali chegava e sentia vindo do Norte o bafo frio da noite afagar-lhe a pele suada, costumava pensar: “Estou aqui, estou em casa”. E era com novas forças e nova alegria que se lançava a mais uma hora e meia de caminhada, mais trinta quilómetros de estrada dura e difícil.

Agora faltava ainda muito para “estar em casa”. Ainda algumas luzes tímidas da aldeia junto à ponte se viam abaixo, muito abaixo, como enterradas na massa informe da noite. Adivinhava lá no fundo o rasto sinuoso do ribeiro e as encostas despidas olhando-se por cima das curvas do vale.

Parou um instante. Nem vento, nem chuva, nem uma voz humana, nem um grito de ave, nada perturbava o belo e trágico silêncio da noite. Mas, ao chegar ao muro branco, bateu-lhe em cheio nos ouvidos o cantar distante dos moinhos: Uuu… Uuu… Uuu…

Com que alegria recebeu aquele anúncio do alto. Não era só a antecipação do momento em que teria vencido a grande subida. Era também uma companhia amistosa no descampado. Sabia bem que aquele canto, umas vezes ténue e amortecido pelas encostas que se interpunham, outras vezes ousado e aberto como se toda a atmosfera fosse sua, umas vezes melancólico e fugitivo, outras ameaçador e exaltado, e cada vez mais próximo, mais sentido, mais arrebatador, não o abandonaria até chegar lá acima.

Apesar do cansaço, da fome, do sono que voltava e da fatigante escuridão, sentia-se embalado pela canção estranha e pensava que só por isso valeria a pena passar por ali a horas mortas.

Ó Portugal! Como és belo, na diversidade acolhedora da tua paisagem, na pureza e nos caprichos da tua atmosfera, na melancólica bondade da tua gente! Ó Portugal, país querido! Sairás do longo pesadelo, sairás dele, decerto. O povo acorda e luta.

(...) Na noite, os moinhos cantavam. Um cheiro doce a erva e a terra molhada andava na negrura do ar. Arfando, Vaz caminhava sempre, num passo certo e arrastado, e as pálpebras pesavam mais e mais. Ia acordado ou adormecido?

Álvaro Cunhal, “Até amanhã camaradas”