quinta-feira, 14 de maio de 2015

Quinta-feira de Ascensão ou Quinta-feira de Espiga












Cerca de quarenta dias depois da Páscoa, sempre a uma quinta-feira do mês de Maio, a Igreja Católica celebra a ascensão de Jesus ao céu, depois de ter sido crucificado e de ter ressuscitado. Dada a sua estreita ligação à Natureza, pensa-se que esta celebração pode vir talvez de antigas tradições pagãs associadas às festas da deusa Flora que aconteciam por esta altura e que se mantêm ligadas à tradição dos Maios e das Maias.

Tradicionalmente, de manhã cedo, rapazes e raparigas vão para o campo apanhar a espiga. Regiões há, ou havia, em que as famílias se juntam e passam o dia no campo, não esquecendo o farnel para o almoço.

 A “espiga” é um ramo com espigas de trigo, folhagem de oliveira, malmequeres e papoilas, em que cada elemento simboliza um desejo:
As espigas significam que haja pão isto é, que nunca falte comida, que haja abundância em cada lar; O ramo de folhas de oliveira, que haja paz, pois a pomba da paz traz no bico um ramo de oliveira e também que nunca falte a luz (divina); As flores, malmequeres, papoilas, etc., significam que haja alegria, simbolizada pela cor das flores - o malmequer ainda traz ouro e prata, a papoila traz amor e vida e o alecrim saúde e força.

O ramo é guardado ao longo de um ano, pendurado algures dentro de casa, até ser substituído pelo do ano seguinte. 

MEG (Fotografia: Hernâni Matos - Blogue Do tempo da outra senhora)


terça-feira, 12 de maio de 2015

Alice Samara e o nº 17 da revista ALDRABA














"Quando se lê esta revista, o que se percebe, pela forma como os textos estão organizados, é que estes textos são escritos com a generosidade de dar aos outros... Há aqui uma partilha generosa. A fruição (...) O prazer da leitura e a possibilidade de aprender. O espírito da revista é: transmitir, esta troca que se consegue fazer. Manter as coisas vivas."

Palavras de Maria Alice Samara, na apresentação do nº 17 da revista “Aldraba” na Casa de Angola, no passado dia 8 de Maio.

LFM (texto e fotos)


domingo, 10 de maio de 2015

XXVII Encontro da Aldraba – “No coração do Oeste – história, etnografia e património”, sábado, 16 de Maio










 
Vai realizar-se no sábado, 16 de Maio, mais um dos Encontros temáticos da ALDRABA, agora na região do Oeste, entre os concelhos de Torres Vedras e da Lourinhã.

Será mais um Encontro que vai proporcionar o contacto com terras e gentes em torno da sua história, da etnografia e do património daquela zona, para além de uma nova oportunidade de convívio entre nós todos.

Embora com a duração de apenas um dia, vamos ter um programa diversificado, que incluirá:

9.45h – Ponto de encontro na cidade de Torres Vedras, junto ao Museu Municipal Leonel Trindade, Rua António Batalha Reis, perto do Tribunal Judicial de Torres Vedras.

10.00h – Visita ao Museu Municipal Leonel Trindade. Trata-se de um museu de Arqueologia e História, destinado ao estudo das origens e evolução histórica do Homem no Concelho de Torres Vedras. O Museu tem como missão a interpretação, preservação e divulgação do passado, das vivências e tradições locais, aliadas a uma componente educativa e de lazer, para fruição das gerações do presente e do futuro.

12.00h – Ainda em Torres Vedras, visitaremos o Forte e Capela de São Vicente. Monumento classificado, fica situado ao Norte da cidade e integra o conjunto fortificado das Linhas de Torres, anel de defesa de Lisboa face às invasões francesas. Mandado construir secretamente, compreende um conjunto de três redutos, continha 39 bocas de fogo e capacidade para 2200 homens.

13.00h – Almoço no Restaurante Braga, no Vimeiro, ao preço de 10€ por conviva, que terá à nossa espera um buffet recheado de iguarias apetitosas ao gosto de cada um – feijoada do mar e bacalhau com broa para os amantes de peixe, os da carne poderão saborear ensopado de borrego e carne de porco à portuguesa. Teremos igualmente à nossa disposição salgados, queijo, saladas, fruta, doces, vinho, águas, sumos e café.

15.00h – Centro de interpretação da Batalha do Vimeiro. O Centro congrega um importante espólio arqueológico e museológico e permite ao visitante uma visão quase integral do campo de batalha.

16.00h – Na freguesia de A-dos-Cunhados e pela mão da Associação Pró-Memória, associação de cariz cultural e etnológico, contactaremos com as memórias e tradições das suas gentes, designadamente através da visita à Azenha, Casa do Moleiro e Adega.

Para se inscreverem no Encontro, os interessados devem comunicar até 5ª feira, dia 14 de maio, por telefone ou por escrito, com o João Coelho (T: 967007423 // j.h.coelho@hotmail.com) ou com a Mª Eugénia Gomes (T: 919647195 // megomes2006@gmail.com).

Os participantes que não utilizem transporte próprio na viagem, devem assinalar a necessidade de boleia, que se tentará providenciar.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Lançamento do nº17 da revista ALDRABA na próxima 6ªfeira, 8.5.2015, às 18.30h, na Casa de Angola














É já na próxima 6ª feira, dia 8 de maio, que teremos o gosto de fazer a primeira apresentação pública do nº 17 da nossa revista, que acaba de sair da tipografia.

A sessão de lançamento terá lugar na Casa de Angola em Lisboa, onde realizámos um jantar-tertúlia em dezembro do ano passado, e cuja direção nos desafiou para voltarmos a lá realizar atividades.

A Casa de Angola fica situada na Travessa da Fábrica da Seda, 7, próximo do Largo do Rato, do jardim das Amoreiras e da Rua de Artilharia Um.

Fará a apresentação da revista a professora Alice Samara, que é historiadora e investigadora das realidades contemporâneas.

Todos os nossos associados e amigos são convidados a comparecer, pelas 18.30 horas da 6ª feira, 8.5, e a trazerem outros amigos consigo.


Sumário do nº 17 da revista


EDITORIAL
Um sonho que já leva dez anos…
José Alberto Franco

OPINIÃO
A magia do café
Ana Isabel Carvalho e Luís Filipe Maçarico
Uma alma de Viana no Rio de Janeiro
Carolina Figueiras

PATRIMÓNIO IMATERIAL
A arte marcial portuguesa - a defesa com um pau
Álvaro Pato

LUGARES DO PATRIMÓNIO
Portais de pedra em Lisboa
Sónia Marques
Espaço museológico da Junta de Freguesia de Pias
Luís Filipe Maçarico

ARTES E OFÍCIOS
Soldados da paz
Salomé Câmara e Ema Câmara

OS AMIGOS E A MEMÓRIA
Amadeu Ferreira, um cibo de Trás-os-Montes
aria Hercília Agarez

CRÍTICA DE LIVROS
A ação cívica e cultural de João de Araújo Correia
João Coelho

ALDRABA EM MOVIMENTO
Novembro de 2014 a Março de 2015
Maria Eugénia Gomes



sábado, 25 de abril de 2015

Em ABRIL, com o POVO PORTUGUÊS e a sua CULTURA

Neste dia em que se assinala o 41º aniversário do 25 de abril de 1974, quando em Portugal abrimos as portas de um país novo, a ALDRABA comemora também o seu 10º aniversário.

Antes de 1974, como já o afirmámos na revista nº 15, "o associativismo ligado ao património era incipiente e apenas coisa de eruditos". Mesmo depois de abril de 1974, algumas iniciativas nesta área ainda visavam apenas a mera defesa ou preservação de tradições, sem um real esforço de mobilização da populações para valorizarem a sua identidade.

Em 25 de abril de 2005, a ALDRABA iniciou uma nova experiência, propondo-se proceder à abordagem integrada de objetos, práticas, factos e vivências, privilegiando a valorização dos testemunhos humanos e recorrendo às disciplinas científicas adequadas.

Têm sido dez anos de trabalho persistente, apesar de sereno e discreto, de que nos orgulhamos, e que alguns amigos, consultados a propósito dos nossos 10 anos, valorizam de forma muito gratificante.

António Monteiro Cardoso, historiador, afirma que "o principal aspecto a realçar na vida longa da Aldraba é a sua fidelidade ao modelo, que decorre do seu próprio nome. A revista, tal como a peça de ferro que lhe dá o nome, serve para bater às portas, para alertar umas vezes de mansinho, outras com força, sobre o que se vai passando e nós olhamos e não vemos... Um outro aspecto que quero realçar é o modo como a revista dá a conhecer atividades, pessoas, lugares pouco ou nada conhecidos, sem cair no erro de as folclorizar, no mau sentido".

Fernando Duarte, geógrafo, sustenta que "a Aldraba sempre teve uma matriz original, em valores que se colocam mais à esquerda, mas que são universais, plenamente humanos. Também isso definiu, de alguma forma, o que se foi fazendo. Foi possível definir, por vezes com discussões acaloradas, alguns conceitos, filtros, percursos, questões que a priori não seriam da esfera do pequeno património, ou do imaterial, mas que foram “repuxados” e que hoje é possível pensar, contextualizar e estudar".

Apio Sotomayor, olisipógrafo, é de opinião que "num tempo em que tudo parece convidar a que se meta cada um no seu cantinho, vivendo melancolicamente o seu dia-a-dia, cansado muitas vezes das mediocridades e das pantominas que constantemente lhe surgem pela frente, torna-se quase valentia empunhar um facho – modesto que seja – e desafiar alguém para levar a cabo um projecto comum. O associativismo, viçoso nalgumas eras passadas, vive uma agonia longa. Desde as simples agremiações de bairro até aos grupos que pretendem promover o conhecimento mais profundo de uma certa realidade, quase todas as colectividades se encontram em plena letargia, lamentando sócios que se afastam, novas caras que não aparecem, quotas que ficam por liquidar, possíveis antevisões de um fechar de portas... Mas, em todo o pântano podem nascer nenúfares. E é por isso que vão subsistindo (e persistindo) associações que, sem se alardearem como corifeus da cultura e da arte, vão levando a cabo as missões que a si próprias se propuseram. A Aldraba estará neste caso. Tendo tomado consciência da importância do património cultural do País que somos, vai mostrando caminhos – com encontros, com visitas, com debates. Devagarinho, vai agitando, vai perguntando, vai despertando o amor que cada um deve ter por aquilo que é seu".

Por último, a antropóloga Paula Godinho considera que "durante estes dez anos, além de um reconhecimento do país - partilhado, festivo, com o prazer da comensalidade sempre associado -, a Aldraba trouxe textos de grande interesse. A nível histórico, arqueológico, etnográfico, literário, a revista publicou novidades e divulgou trabalhos, que nos permitiram reconhecer melhor o campo que pisamos". E termina desejando, como todos nós:

LONGA VIDA À ALDRABA!

JAF (fotografia de “O BOM POVO PORTUGUÊS”, de Rui Simões)




 


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Um sonho que já leva 10 anos...

Editorial do nº 17 da revista ALDRABA, que se encontra no prelo:

Em finais de 2004, princípios de 2005, uma vintena de homens e mulheres reuniram-se, primeiro em Montemor-o-Novo e depois em Viana do Alentejo, desejosos de conhecer e valorizar o património popular.

Património tão maltratado, num território e com uma população com um passado e uma experiência muito ricas, mas com atitudes de desconhecimento, facilitismo e, até, vergonha das raízes, que apagam a memória e prejudicam a identidade.

Decidiu essa vintena de cidadãos aprender com os outros, apreciar e contactar regiões e costumes diversos, realizar encontros com habitantes, coletividades e autarquias, sem esquecer o passado mas participando na construção do futuro.

Em 25 de abril de 2005, no Ateneu Comercial de Lisboa, reuniu a Assembleia Constituinte que, com oitenta aderentes, deliberou a criação da ALDRABA – Associação do Espaço e Património Popular, com as preocupações que vinham sendo identificadas.

As perspetivas eram as que decorriam do Manifesto aí adotado, e as formas de organização foram as constantes dos Estatutos aprovados, consagrando que a ALDRABA tinha como objetivo ser um ponto de encontro e de comunicação para a preservação e divulgação do património popular nos espaços onde ele se encontra, através da pesquisa, recolha e tratamento das memórias dos sítios, das pessoas, dos grupos e das coletividades.

Para o efeito, a ALDRABA propôs-se proceder à abordagem integrada de objetos, práticas, factos e vivências, privilegiando a valorização dos testemunhos humanos e recorrendo às adequadas disciplinas científicas.

Tivemos, na altura, que nos demarcar de experiências menos positivas que tinham sido vividas por alguns dos impulsionadores da associação, designadamente quando se apelava a todos os que não têm compromissos duvidosos com ninguém, que não precisam de retratos, artigos ou aplausos comprados.

Apelámos em 2005 à criação de algo novo, com todos aqueles que têm coragem de dar a cara, de discordar, de dizer não, de lutar.

E avançámos, faz agora precisamente dez anos…

Valeu a pena? Seguramente que sim!

Ao longo de uma década, a Aldraba já promoveu encontros temáticos em 26 localidades dos 9 distritos que vão de Castelo Branco a Faro, realizou 18 jantares-tertúlia em casas regionais e coletividades desses distritos e também da Beira Alta, de Trás-os-Montes, da Galiza e de Angola, levou a efeito 5 rotas pedestres em percursos patrimoniais em Lisboa, e publicou dezasseis números da revista que têm abordado uma grande diversidade temática sobre o património identitário.

Interagimos com 70 associações e coletividades populares e com mais de meia centena de municípios e freguesias.

Encontrámos sempre nos nossos parceiros grande disponibilidade, interesse e até empenho na partilha de experiências e atividades. Percebemos quão importante é desenvolver-se a autoestima das populações, e valorizarem-se as particularidades de cada cultura local.

E tudo isto com um número reduzido de associados, em que os novos aderentes vão de alguma forma compensando os que já não estão presentes.

Atualmente, dos 15 elementos eleitos em fevereiro último para os corpos sociais da Aldraba, apenas seis são fundadores, sendo que os outros nove se foram inscrevendo ao longo das atividades desenvolvidas.

É determinação firme de todos nós levarmos por diante esta pequena associação que não pede licença para existir!

José Alberto Franco

domingo, 19 de abril de 2015

10º aniversário da ALDRABA - Jantar comemorativo no Restaurante Bonjardim, 25.abr.2015, 19.30h

No próximo sábado, dia 25 de abril de 2015, a Associação ALDRABA assinala 10 ANOS sobre a assembleia constituinte que, no Ateneu Comercial de Lisboa, formalizou a sua criação, aprovou o Manifesto e os Estatutos, elegeu os órgãos sociais para o mandato 2005/2006, e aprovou o primeiro programa de atividades.

25 de abril de 2005, além de constituir mais um aniversário da data em que Portugal comemora o "dia inicial inteiro e limpo / onde emergimos da noite e do silêncio / e livres habitamos a substância do tempo" (Sophia MBA), foi também o dia luminoso em que 80 cidadãos decidiram iniciar uma experiência associativa inovadora, em prol do património popular.

10 anos depois, animados com os resultados atingidos, ainda que apreensivos com as dificuldades encontradas, a ALDRABA manifesta-se disposta a continuar o seu combate! 

E vamos comemorar este aniversário, com um jantar de confraternização no mesmo local aonde nos dirigimos em 25.4.2005 após a Assembleia Constituinte: o Restaurante Bonjardim, na Trav. Santo Antão, 11 (1º andar) (próximo do Coliseu dos Recreios), com uma sala reservada para o nosso encontro.

Apelamos a todos os nossos associados, familiares e amigos a que compareçam. Para organizarmos o evento, pede-se que nos transmitam a intenção de estarem presentes ao presidente da direção José Alberto Franco (jaffranco@gmail.com ou TM 963708481) ou à vice-presidente Maria do Céu Ramos (ceuazevedo@hotmail.com  ou TM 965307898).

A Direção da ALDRABA