domingo, 24 de agosto de 2014

Nomes de localidades em azulejos (cont.19)


Agora na Beira Baixa, a ALDRABA foi desencantar uma placa toponímica do ACP, numa pequena localidade do concelho de Idanha-a-Nova, distrito de Castelo Branco, de entre as que ainda sobrevivem das que o Automóvel Clube de Portugal colocou no primeiro quartel do séc. XX nas entradas de muitas localidades portuguesas.

Proença-a-Velha é uma garbosa localidade, que exibe um interessantíssimo Museu do Azeite (designação oficial, Núcleo Museológico do Azeite), de grande riqueza etnográfica. A receber-nos, está o jovem Ricardo, muito envolvido e conhecedor das matérias (e, por sinal, conhecido do Eddy Chambino, amigo da Aldraba, que publicou em outº2013, na nossa revista, um bom artigo sobre a região).

Total de placas ACP publicitadas em "A Aldraba": 122 placas, de 111 diferentes localidades, situadas em 13 distritos.

JAF (texto e foto)





sábado, 16 de agosto de 2014

Carta de um soldado português na I Guerra Mundial à sua família no Alentejo

O diário "Público" tem vindo a editar uma série notável de suplementos dedicados à Guerra de 1914/1918, de cujo início estamos a comemorar o respetivo centenário.

O primeiro conflito armado à escala global foi uma tragédia mundial na competição entre grandes potências industriais, que se saldou num morticínio de cerca de 9 milhões de pessoas, com mais de 20 milhões de feridos.

Portugal, por iniciativa de um governo republicano pressuroso em demonstrar fidelidade à aliança secular com Inglaterra e para defesa das colónias africanas ameaçadas pela Alemanha, participou na guerra com o CEP (Corpo Expedicionário Português), que registou mais de 2000 mortos.

Na edição de hoje do "Público", Isabel Pestana Marques reproduz um significativo conjunto de mensagens escritas por soldados portugueses, colocados nas trincheiras na Flandres, e que se correspondiam com as suas famílias em Portugal.

Como diz a historiadora, "o pulsar e o rosto humano emergem, ainda hoje, das cartas portuguesas, amarelecidas pelo tempo, tintas de sangue, suor e pó e sobreviventes a uma guerra de características originais e de consequências absolutas na história de Portugal, da Europa e do mundo".

Publicamos aqui o texto comovente de uma dessas cartas, que o soldado raso Manuel Martinho, com toda a genuinidade de um homem do povo pouco letrado, endereça ao seu pai (José Bartolomeu da Silva), para Ourique:

"França, 15 de Agosto de 1918

Meus queridos paes do coração,

Os meus mais ardentes votos é que a receber desta minha carta estejam na posse duma perfeita e felis saúde assim como meus queridos manos eu bem felismente.
Ouve aqui grande bombardeamento o qual fez muitos estragos e algumas mortes mas pala minha parte não ouve novidade.
Eu já sabia que não me acontecia mal, porque tenho mandado ler a minha sina e dis-me o seguinte: muito tempo em guerra e morrer na pátria.
Meus queridos paes: em vista disto também devem ficar satisfeitos e nunca perderem a esperança de me ver, porque algum dia será; tenho ido felis e heide ser até ao fim.
O que tive mais à contra fôe a doença que me deixou muito atrapalhado, mas como adoeço em França, tão em bem adoeço em Portugal, assim o mal venha não á mais que aceitar-se, escapei porque estou guardado para maiores tormentos.
Vou contar a minha mãe porque não tenho ido de licença; não é porque eu não tenha direito, que já tenho direito a 3 licenças, porque já conto 18 meses de campanha, mas é outro caso. Em campanha fazem-se injustiças como se fazem em Portugal, as quais têem-se que gramar e calar a bôca. Aqui da minha formação foram muitos sargentos de licença, assim como de todas as outras e nem mais cá voltaram; nós aqui não básta termos muito trabalho porque somos poucos como também não podemos ir de licença por fazer falta ao serviço.
Isto agradese-se ao senhor ministro da guerra, porque nem só não rende a gente, como também não torna a mandar os que vão de licença: isto é próprio do governo Portuguez, que nunca o fez por menos; faz do direito torto, e do torto direito. É uma sussia de canalhas que só pençam em robar e não se lembram daqueles que vivem na amargura á 18 meses, separados de suas famílias e dando a última pinga de sangue pela sua pátria.
Tenham passiencia e conformem-se com a sorte que Deus me deu: convensan-se que o mais prejudicado sou eu e com tudo eu cá vou indo. As horas que mais sofro são aquelas em que me lembre minha família, minha mocidade e liberdade. Nessas horas até quido de estalar de paixão, vingo-me em chorar assim como muitos meus colegas, mas não temos outro remédio que é disfarçar-mos uns com os outros.
No dia em que recebi as voças fotografias, não calculam o abalo que me deu, ao ver aqueles que tantos beijos me deram e tantos tormentos passaram para me criar e encontrar-me longe e muito longe.
Muitos abraços aos meus manos, beijinhos ao José e ao Almiro; muitas recomendações a toudos os meus tios e tias, primos e preimas, a todos os rapazes e raparigas do meu tempo e a toda a nossa vesenhança.
Meus queridos paes recebam uma viva saudade e um grande abraço d'este seu querido filho que já mais os esquesse e lhe deseja pedir a bênção.
Manuel Martinho".
                                                                                                                                                                                                                          
JAF (texto)
Fotografia extraída do blogue "APC Gorgeios", relativa ao soldado raso José Pires Pinto, de Gorjães (aldeia a 14 km de Faro), vítima da I Guerra Mundial.

terça-feira, 12 de agosto de 2014

Nomes de localidades em azulejos (cont.18)




Apesar da grande dificuldade em localizar e registar algumas outras placas toponímicas de azulejos que ainda sobrevivam, daquelas que o Automóvel Clube de Portugal colocou no primeiro quartel do séc. XX nas entradas de muitas localidades portuguesas, tal tarefa não pode considerar-se terminada.

O repórter da ALDRABA encontrou e fotografou a placa que referencia a vila de Mafra (concelho do mesmo nome, distrito de Lisboa), numa recôndita Rua Moreira, bastante distanciada dos atuais limites da povoação.

Por outro lado, Manuel Campos Vilhena registou a placa de Vila de Frades (concelho da Vidigueira, distrito de Beja), que acaba de ser publicada no blogue "Diário de Bordo", e que aqui reproduzimos gostosamente.

Total de placas ACP até agora publicitadas em "A Aldraba": 121 placas, de 110 diferentes localidades, situadas em 13 distritos do país.

JAF (texto e foto de Mafra)




terça-feira, 22 de julho de 2014

Por terras da Ericeira, em contacto com as atividades tradicionais e com a história local










































Num sábado fresco e luminoso, juntaram-se um total de 35 participantes neste XXVI Encontro, entre os quais muitos associados e amigos, a totalidade dos membros da Direção e vários membros da Ass.Geral e do C.Fiscal da ALDRABA. Alguns dos presentes participavam pela primeira vez numa das nossas atividades, e manifestaram-se no final muito satisfeitos com a experiência…

De manhã, no Sobreiro, fez-se uma interessante visita à olaria do mestre Henrique Santos, orientada pela técnica Drª Maria Manuel da C.M.Mafra.

Após uma breve passagem pela aldeia típica de José Franco, encaminhámo-nos todos para o norte da vila da Ericeira, onde se visitou a ermida de S. Sebastião (séc. XVII), original na sua traça hexagonal e com rica azulejaria.

Antecedido de retemperante caminhada a pé, com passagem pela Praia do Algodio, seguiu-se um inesquecível almoço de massada de peixe no Clube Naval da Ericeira, junto à Praia dos Pescadores.

Pela tarde, atravessámos a parte central da vila, visitando a capela da Senhora da Boa Viagem, com as suas tradições ligadas ao mar e à pesca, e a retrosaria José Rola Paulo, de montras famosas pelas suas evocações culturais.

Terminámos com animada sessão no Parque de Santa Marta (Sala Atlântico), onde Maria José Santos, presidente da Filarmónica Cultural Ericeira, começou por nos apresentar um exemplo vivo do trabalho que desenvolvem, com uma encantadora exibição de cinco jovens clarinetistas. Os amigos António Carlos Serra, editor da Mar de Letras e dirigente do ICEA, e José Constantino Costa, presidente da Cooperativa Itinerante, falaram-nos apaixonadamente da história, da cultura e do associativismo ericeirenses.

À despedida, culminando um dia caloroso de convívio, disfrutámos de um beberete ao pôr do sol no terraço da casa de amigos locais.

JAF (fotos de ABrito, LFMaçarico e JViegas)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Aperitivos da localidade onde a ALDRABA vai fazer o seu XXVI Encontro

Passeie pelas ruas, observando os registos de azulejos. São verdadeiras chaves para entrar nos segredos das casas. No seu conjunto, a Ericeira oferece-nos harmonia entre a terra e o mar.

Observe as gaivotas no seu porte de princesa. Em dias de nortada parecem um acampamento recolhido e sereno, sempre viradas para o vento, porque gaivota que se preza não se despenteia.

Mas a face mais bela desta terra são as pessoas. Ainda tem tempo para escutar quem não estiver muito apressado. Símbolo da Ericeira é o ouriço. Por fora pica, mas é o mais saboroso dos mariscos.

Há uma dimensão trágica na história da Vila, assinalada no pelourinho, no Alto da forca, onde foram justiciados muitos da insurreição contra os Filipes (1585), dos que seguiram Mateus Álvares, dito falso rei da Ericeira.

Lembramos também os naufrágios, os assaltos da pirataria do norte de África, as partidas quase na adolescência para a pesca do bacalhau e esta dimensão da história que foi a saída da família real em 5 de Outubro de 1910.

(reproduzido do folheto "A face mais bela", editado pela paróquia de São Pedro da Ericeira)

domingo, 13 de julho de 2014

Ericeira, 19.7.2014 - "A olaria, a pesca e o veraneio", temas do XXVI Encontro da ALDRABA













Conforme foi já anunciado diretamente aos associados, a ALDRABA vai realizar no próximo sábado, 19 de julho, mais um dos seus Encontros temáticos, agora no distrito de Lisboa, a pouco mais de 40 km da capital.

Será na vila da Ericeira, mais conhecida como estância de férias, mas que tem outros aspetos da sua história e da sua gente com grande interesse. O Encontro vai proporcionar certamente um dia de contacto com as realidades presentes e passadas da população da zona, para além de uma nova oportunidade de convívio entre nós todos.

O programa consolidado compreenderá os seguintes momentos:

a) 10h da manhã, concentração no Sobreiro (junto à entrada do parque de campismo, a cerca de 5 km entre a Ericeira e Mafra), de onde sairemos para uma visita guiada a uma olaria em atividade, orientados por técnicos da C.M.Mafra;

b) 12.30h, no extremo norte da vila da Ericeira, visita à ermida de S. Sebastião, uma das peças mais originais do património religioso local;

c) 13.30h, almoço de massada de peixe (possíveis ementas alternativas) no Clube Naval da Ericeira, junto à Praia dos Pescadores, onde também falaremos de artes de pesca e da vida dos homens do mar, orientados pelo ericeirense Joaquim Ferreira;

d) cerca das 16h, iniciamos um percurso pedestre pela parte central da vila, que incluirá breve visita à capela da Senhora da Boa Viagem, local emblemático das tradições ligadas ao mar e à pesca;

e) 17h, sessão na Sala Atlântico (Parque de Santa Marta), onde os amigos José Constantino Costa, presidente da Cooperativa Itinerante, António Carlos Serra, editor da Mar de Letras e dirigente do ICEA (Instituto de Cultura Europeia e Atlântica), e Maria José Santos, presidente da Filarmónica da Ericeira, nos falarão da história, da cultura e do associativismo ericeirenses. Uma das clarinetistas da Filarmónica presentear-nos-á com uns momentos musicais;

f) 19h, beberete de encerramento e pôr do sol no terraço da Rua Alves Crespo, 42.

O almoço no Clube Naval, incluindo entradas, prato principal, bebidas e café, importará em 12 euros.

Os participantes que não utilizem transporte próprio na viagem até à Ericeira, devem assinalar a necessidade de boleia, que se tentará providenciar.

Para se inscreverem no Encontro, os interessados devem comunicar até 5ª feira, dia 17.7, por telefone ou por escrito, com a Círia Brito (T: 969067494 // ciriabrito@sapo.pt), com o Nuno Silveira (T: 962916005), ou com a Maria Eugénia Gomes (T: 919647195 // megomes2006@gmail.com).

sexta-feira, 27 de junho de 2014

A nossa pátria é a língua portuguesa















Com a frase glosada de Fernando Pessoa, a ALDRABA – Associação do Espaço e Património Popular, assinala também os 800 anos da língua portuguesa, e reproduz o Manifesto que hoje tem vindo a ser divulgado:

A língua que falamos não é apenas comunicação ou forma de fazer um negócio. Também é. Mas é muito mais.

É uma forma de sentir e de lembrar; um registo, arca de muitas memórias; um modo de pensar, uma maneira de ser – e de dizer. É espaço de cultura, mar de muitas culturas, um traço de união, uma ligação. É passado e é futuro; é história. É poesia e discurso, sussurro e murmúrios, segredos, gritaria, declamação, conversa, bate-papo, discussão e debate, palestra, comércio, conto e romance, imagem, filosofia, ensaio, ciência, oração, música e canção, até silêncio. É um abraço. É raiz e é caminho. É horizonte, passado e destino.

Na era da globalização, falar português, uma das grandes línguas globais do planeta, que partilha e põe em comum culturas da Europa, das Américas, de África e da Ásia e Oceânia, com centenas de milhões de falantes em todos os continentes, é um imenso património e um poderoso veículo de união e progresso.

Em 27 de junho de 2014, passam oitocentos anos sobre o mais antigo documento oficial conhecido em língua portuguesa, a nível de Estado - o mais antigo documento régio na nossa língua, o testamento do terceiro rei de Portugal, D. Afonso II.

Nesse dia, queremos festejar oito séculos da nossa língua, a língua do mar, a língua da gente, uma grande língua da globalização. Fazemo-lo centrados nesse dia e ao longo de um ano, para festejar com o mundo inteiro esta nossa língua: a terceira língua do Ocidente, uma língua em crescimento em todos os continentes, uma das mais faladas do mundo, a língua mais usada no hemisfério sul. Celebramos o futuro.

Em qualquer lugar onde se fala português.

"MANIFESTO 2014"