segunda-feira, 21 de abril de 2014

Teatro popular nas Beiras









Pré-publicação do artigo que vai sair no nº 15 da revista "ALDRABA", atualmente no prelo. Jaime Gralheiro é, há 45 anos (!), amigo de elementos da atual Direção da associação Aldraba. Tendo presentemente 83 anos, o Jaime nasceu na serra do S. Macário, em Macieira, freguesia de Sul, no concelho de S. Pedro do Sul. Homem de convicções, gosta de fazer teatro, ler e viajar. Foi pastor de ovelhas e de cabras. Quando chegou à escola já tinha 9 anos. Licenciou-se em Direito. Antes de descobrir a profissão, descobriu a poética das letras e o engenho das palavras. Deu em advogado, em dramaturgo e em escritor: três atividades para as quais a palavra é muito importante. Do menino das ovelhas e das cabras ficou a sua solidariedade para com os mais desfavorecidos.

Toda a arte e todo o saber têm duas vias: a via popular e a erudita.
A via popular é, ao fim e ao cabo, a sublimação artística do trabalho e das vivências quotidianas de um povo, enquanto que o saber é acumulação histórica das várias experiências vitais desse mesmo povo, constituindo, tudo, o seu verdadeiro património cultural ou folclore.
 A via erudita da arte popular é a reflexão aprofundada feita sobre a arte e os saberes populares, procurando descobrir nestes a expressão universal das raízes que os animam.
Ao lado desta arte e destes saberes há outras formas fechadas, de caráter elitista e que pouco ou nada têm a ver com as profundas aspirações do povo em geral.
Existe em S. Pedro do Sul, desde 1971, um grupo de teatro popular, fundado por Jaime Gralheiro, José de Oliveira Barata e Manuela Cruzeiro.
Este grupo, com a designação de Cénico – Grupo de Teatro Popular de S. Pedro do Sul, fez, ao longo de 30 anos, desde a sua fundação até 2010, um teatro exigente, do ponto de vista da sua criação e feitura, mas profundamente ligado aos interesses culturais das populações onde se inseria (S. Pedro do Sul e toda a Região de Lafões) e, mesmo, de todo o país. 
O seu primeiro espetáculo (O Auto da Compadecida de Areano Suassuna), com encenação de José de Oliveira Barata e de Jaime Gralheiro, foi apresentado em 1971, encostado a um grupo de futebol local (União Desportiva São-pedrense) e como sua secção cultural.
Este espetáculo causou tal escândalo nos meios clericais e da direita assanhada que as autoridades policiais logo o proibiram após sete apresentações, com o argumento de que os estatutos da União Desportiva São-pedrense não previam a criação de uma secção cultural…
Depois de muitos esforços e fintas, o Cénico da “União Desportiva São-pedrense” conseguiu que os seus estatutos fossem aprovados pelo Governo Civil do distrito de Viseu, em Setembro de 1972, com a designação atual de Cénico - Grupo de Teatro Popular de S. Pedro do Sul.
Já devidamente legalizado, o Cénico apresentou na temporada 1972/73, com encenação dos mesmos responsáveis, o seu segundo espetáculo: A Sapateira Prodigiosa de Federico Garcia Lorca, com um prólogo de Jaime Gralheiro. Com o argumento de que este prólogo não fora submetido à Censura ou Exame Prévio, o espetáculo foi todo proibido, após sete representações.
Esta transgressão acarretou para o Grupo um processo judicial de que veio a ser absolvido, por o juiz considerar que o tal “prólogo” mais não era do que a representação do programa distribuído pelos espetadores e que fora devidamente aprovado...
Procurando fugir a este “mau-olhado” das sete representações, o Cénico decidiu apresentar na temporada de 73/74 um texto fora de qualquer suspeita, escrito pelo dramaturgo e encenador Jaime Gralheiro, Na Barca com Mestre Gil, que mais não era do que uma seleção de textos interligados de Gil Vicente, patrono do Teatro Português. 
Quando o espetáculo estava em ensaios, o texto foi remetido para a Censura ou Exame Prévio que o aprovou na íntegra, com o corte de algumas passagens mais brejeiras de Gil Vicente.
Esta aprovação deixou-nos a todos muito satisfeitos, pois todos nós bem sabíamos que o texto final, embora baseado em Gil Vicente, era uma recreação de Jaime Gralheiro com grande carga de atualidade disfarçada nas “curvas” do texto vicentino…
Esta alegria durou pouco tempo, pois, passado alguns dias (em Março de 1974), quando o espetáculo estava já em ensaios de apuro, foi o Cénico notificado de que, não só o texto, mas todo o espetáculo eram totalmente proibidos.
O Grupo recebeu muito mal esta proibição, tendo recorrido da mesma para as instâncias superiores, sendo tal recurso acompanhado pela Sociedade Portuguesa de Autores (SPA). Entretanto, os ensaios continuaram com todo o grupo inteiramente unido à volta da sua direção artística. Esta rebeldia provocou uma forte irritação dentro das estruturas policiais de então (PIDE/DGS) que passou a seguir os ensaios de uma forma escondida e clandestina, fazendo, ao mesmo tempo, ameaças e pressões juntos dos atores e atrizes que eram funcionários público e municipais.
Felizmente, no mês seguinte, aconteceu o 25 de Abril, tendo todas as proibições e ameaças caducado, e sendo o espetáculo apresentado, livremente, em plena euforia revolucionária.
Mais tarde, ao lado de Fulgor e Morte de Joaquim Murieta de Pablo Neruda, montado pelo Grupo de Campolide, excertos de Na Barca com Mestre Gil integraram, modesta e revolucionariamente, as Campanhas de Dinamização do MFA no distrito de Viseu.
Depois de Abril de 74, o Cénico apresentou, sob direção do seu autor, o espetáculo Arraia Miúda, ensaiado por dezenas de jovens, em situações extremas (numa eira para onde dava um curral de vacas que, de vez enquando, “atravessavam o palco” e obrigavam à suspensão dos ensaios!). Este espetáculo foi visto por muitos milhares de pessoas, em todo o distrito de Viseu, estendendo-se por todo o país, desde Amarante, a norte, até Évora, a sul, passando pelo Porto, Lisboa e Setúbal e outras cidades e vilas.
Tal espetáculo teve a sua grande apoteose numa apresentação que fez em Abril de 77, no Teatro Virgínea, de Torres Novas, com a presença de Vasco Gonçalves a quem a peça fora dedicada pelo autor. A casa estava à cunha e, inesperadamente, durante a representação, houve uma explosão revolucionária vinda do público que tomou conta do espetáculo e obrigou os próprios atores a suspenderem a representação, deixando que esta passasse para o mesmo público, durante vários momentos.
Terá sido uma experiência única não só para os elementos do Cénico, como para todo o público onde havia gente farta de ver teatro por esse mundo a cabo…
Em 1978/79, o Cénico apresentou O Homem da Bicicleta, que era a dramatização feita por Jaime Gralheiro do romance de Manuel Tiago Até amanhã, camaradas. Com esta representação, o Cénico pôs em cena cerca de 40 atores e atrizes, tendo sido o último espetáculo revolucionário do Grupo.
Na temporada de 78/79, montou um espetáculo infanto-juvenil com texto e encenação de Jaime Gralheiro, “D. Beltrão de Rebordão”. Em 1980, apresentou A Grande Jogada de José Viana.
A partir deste espetáculo, começaram, para o Cénico e para a sociedade portuguesa, anos de refluxo. Os atores e atrizes do Cénico tiveram de emigrar, pois os patrões de S. Pedro do Sul não lhes davam trabalho por terem pertencido ao Cénico.
Procurando manter alguma atividade e dado não ter atores e atrizes adultos, o grupo virou-se para o teatro infantil, tendo montado, em 1985, Viva o Lobo Mau de Carlos Rodrigues, e Farruncha de Jaime Gralheiro.
Só nos anos 90, com nova gente e alguns poucos que resistiram da primeira fase, o Cénico montou: Lafões é um Jardim (revista) (1990/91) e Onde Vaz, Luiz? (1991/92) ambos com texto de Jaime Gralheiro; Era uma Vez um Coração, ainda de Jaime Gralheiro, sobre texto de Polybio Serra e Silva (Cénico/Infantil, 1992/93); Tartufo de Molière/Llovet (1993/94); Viva o Lobo Mau e Farruncha (Cénico/Infantil, 1994/95); É (h) Meu! de Jaime Gralheiro (Cénico/Juvenil, 1995/96); O Canto da Terra com o Grupo de Cantares de Manhouce e Rancho de Manhouce (1995); Vem aí o Zé das Moscas de António Torrado (Cénico/Infantil,1997/98); Na Barca com Mestre Gil (2ª versão) (Cénico/Adultos, 1997/98); Graças e Desgraças de el-Rei Tadinho de Alice Vieira (Cénico/Infantil, 2001/2) e nova montagem de O Auto da Compadecida de Areano Suassuna (Cénico/Adultos, 2001/2) e João e Guida de Ilse Losa (Cénico/ Infantil, 2002/2003); Médico à Força de Molière (Cénico/Adultos, 2003/2004); Dantas e Dantas, Almada & Cia de Júlio Dantas e Almada Negreiros (Cénico/Adultos 2005/2006); e O Bem Amado de Dias Gomes, (Cénico/Adultos, 2009/2010).

Após este espetáculo, que foi um êxito artístico e de bilheteira, a direção do grupo, que fora tomada por gente pertencente a forças políticas desalinhadas da linha tradicional do Cénico, sem aviso nem explicações, afastou o fundador e encenador tradicional do grupo, montando um espetáculo, meio clandestino, e para a estreia do qual nem o antigo diretor e encenador convidou. Este espetáculo nada tinha a ver com a tradição estética do Cénico e foi um falhanço.

A partir daí, Jaime Gralheiro afastou-se do grupo que, após a exibição do seu espetáculo de rutura, deixou de ter qualquer atividade artística e teatral, passando a hibernar.

Entretanto o teatro popular que o Cénico fazia continuou a fazer-se, agora, na Universidade Sénior de S. Pedro do Sul que convidou Jaime Gralheiro para a direção da sua disciplina de Teatro e que apresentou na linha do velho Cénico, na temporada de 2012/2013, o espetáculo N´Arca Barca de Gil e Jaime, onde sobressaiu a nova peça de Jaime Gralheiro, O Levantamento de Arcozelo (evocação do motim popular histórico acontecido em Arcozelo de S. Pedro do Sul, em 1635, e foi um ato preparatória da Revolução de 1640). Prepara para este ano uma súmula feita pelo próprio autor da sua peça Arraia míúda a qual, se espera, será estreada no próximo dia 25 de Abril.

O teatro é uma escola onde se afina e aprofunda a sensibilidade estética de quem o faz e de quem a ele assiste, ao mesmo tempo que o sentido crítico de uns e de outros é refinado, por via de uma leitura mais aprofundada dos factos que estão na base da representação (espetáculo).

Este é o teatro popular que se faz em S. Pedro do Sul e por estas terras da Beira.

Jaime Gralheiro

terça-feira, 15 de abril de 2014

Continuar Abril



 


 




Foi em 25 de Abril de 2005 que a Aldraba iniciou a sua caminhada na descoberta e divulgação de todo um património invisível.

No decorrer dos anos, os objectivos da Aldraba vão sendo naturalmente atingidos, através de colóquios, convívios, passeios, entrevistas, tertúlias, tendo sempre como horizonte a salvaguarda desse património que está espalhado por todo o País, nas cidades, aldeias, lugares. A publicação da revista reveste-se de enorme importância para levar mais longe esse conhecimento.

Assim, deveremos continuar a ouvir e a conversar com pessoas que nos podem transmitir saberes, nomeadamente ao nível de profissões em via de extinção ou irremediavelmente extintas, numa recolha sistemática para memória futura.

Só preservamos o que conhecemos e amamos. O nosso contributo para o desenvolvimento é este.

A par de muitas outras associações já existentes, ou que vão surgindo, porque há espaço para isso, o património deverá unir e motivar todos os cidadãos, porque desconhecimento provoca o abandono, a ruína.

Convém lembrar que, antes de 1974, o associativismo ligado ao património era incipiente e apenas coisa de eruditos.

Toda uma série de objectos, que fazem ou fizeram parte do nosso quotidiano. Homens e mulheres que nos deram teatro, danças, contos, poetas de raiz popular, tradições e nos transmitiram ensinamentos, costumes ancestrais, que nos remetem para outros povos e outras culturas que aqui viveram antes de nós.

Este legado obriga-nos a continuar no caminho traçado e porventura sermos mais interventivos, alertando e estimulando municípios e demais entidades, sobre os atentados e delapidação a que assistimos todos os dias.

Comemoramos os quarenta anos do 25 de Abril, na nossa esfera de actuação.

É urgente que continuemos a lutar por um mundo melhor.

VIVA O 25 DE ABRIL!

Maria do Céu Ramos


(pré-publicação do texto desta vice-presidente da Direcção da Aldraba, que constituirá o editorial do nº 15 da nossa revista, actualmente em composição tipográfica) 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Na casa do Alentejo, com Abril em fundo
















A Aldraba propôs aos seus associados assinalar por diversas formas, ao longo do mês de Abril de 2014, o 40º aniversário da data luminosa que, em 1974, marcou a conquista da democracia no nosso país, comemorando, em simultâneo, o 9º aniversário da nossa Associação.
Nesta primeira iniciativa, revisitámos a Casa do Alentejo, ponto de encontro obrigatório de todos os alentejanos radicados na Grande Lisboa, e de muitos amigos que nos acompanham neste gosto pelo Alentejo e por tudo o que de lá nos chega. Por parte da sua Direcção, onde contamos com amigos certos (de que destacamos a nossa associada Rosa Honrado Calado), sempre nos sentimos acarinhados pela recepção calorosa que nos dispensam.
Foi um serão inesquecível este, em que apreciámos as iguarias que nos haviam preparado e em que conhecemos, ou lembrámos, detalhes da história e do percurso cívico e cultural da “Casa” e das suas perspectivas de desenvolvimento futuro.
Inesquecível também pelo que cada um de nós partilhou das suas memórias pessoais e de grupo ligadas ao 25 de Abril. Alegrias muitas, algumas tristezas, talvez saudades pelos tempos vividos há 40 anos, mas sempre a convicção de que ainda temos força que baste para cumprir Abril...ou cumprir Portugal!

Jorge de Sena, em Maio de 1974, escreveu um texto a que deu o título de "Com que então libertos, hein!" de que aqui fica um excerto:
...
Porque é belo e é magnífico
o entusiasmo e é sinal esplêndido de estar viva uma nação inteira.
Mas a vida não é só correria e gritos de entusiasmo, é também
o desafio terrível do ter-se de repente nas mãos
os destinos de uma pátria e de um povo, suspensos sobre o abismo
em que se afundam os povos e as nações que deixaram fugir
a hora miraculosa que uma revolução lhes marcou.
...
MEG (com fotografias de LFM)

quarta-feira, 26 de março de 2014

O acervo documental da ALDRABA (13): Vultos
























A Associação ALDRABA começou a germinar em 2004, e constituiu-se formalmente em 2005, pela positiva, em torno de um conjunto de objetivos e preocupações ligados à identidade e ao património das nossas populações.

Surgimos também, numa ótica de contraste, em rutura com práticas e atitudes dos “assassinos de sonhos”, dos “vampiros de ideias”, dos “plagiadores de luz”, dos que “precisam de retratos”, de “artigos a louvaminhá-los” e de “aplausos comprados” (manifesto de 5.4.2005).

Por este caldo inicial, a ALDRABA sempre resistiu a tudo o que pudesse ser entendido como culto desmedido de personalidades individuais, e a nossa matriz é fortemente centrada nos coletivos de onde os indivíduos emergem.

Por conseguinte, os testemunhos pessoais que têm sido evidenciados nas páginas da nossa revista são, precisamente, os daqueles portugueses que, em nosso entender, melhor souberam potenciar os conhecimentos e o sofrimento do povo onde nasceram, contribuindo modestamente para o seu progresso.

Retomando a divulgação das referências aos textos que integram o nosso acervo documental, abordamos hoje o descritor VULTOS, do grupo temático “Referências culturais”.

Reproduzem-se em seguida as indicações dos trabalhos, neste domínio, publicados até ao presente na revista “ALDRABA”:

Vultos

Alexandra Leandro, “João Gonçalves Carrasco”, in “ALDRABA”, nº 4 (Dez.2007), p.6

José Alberto Franco, “Domingos Carvalho e Pedro Ornelas: Dois companheiros e amigos que nos deixaram”, in “ALDRABA”, nº 6 (Dez.2008), p.21

José Alberto Franco, “Evocação de João Honrado”, in “ALDRABA”, nº 13(Abr.2013), contracapa

Luís Filipe Maçarico, “Alves Redol: O escritor-etnógrafo que amava o futuro”, in “ALDRABA”, nº 12 (Out.2012), p.2

Luís Filipe Maçarico e Sónia Frade, “João Honrado: O património da memória num testemunho sobre o tempo em que não havia liberdade”, in “ALDRABA”, nº 3 (Jun.2007), p.9

Luís Filipe Maçarico, “Rocha Peixoto e Leite de Vasconcelos”, in “ALDRABA”, nº 8 (Dez.2009), p.2

Manuela Florêncio, “No centenário de Manuel da Fonseca”, in “ALDRABA”, nº 11 (Abr.2012), p.19

Nuno Roque da Silveira, “Elsa Rodrigues dos Santos”, in “ALDRABA”, nº 12 (Out.2012), p.19

Nuno Roque da Silveira, “Manuel Fernandes Tomás”, in “ALDRABA”, nº 14 (Out.2013), p.19

Olavo Rasquinho e Sónia Frade, “Centenário de Adeodato Barreto”, in “ALDRABA”, nº 1 (Abr.2006), p.14

Órgãos sociais da Aldraba, “Em memória do Manuel Sobral Bastos”, in “ALDRABA”, nº 10 (Jul.2011), p.21


Como anteriormente, os leitores e amigos que pretendam aceder a estes textos, e que se manifestem em comentário ao presente post, ou por e-mail para aldraba@gmail.com, receberão uma cópia digitalizada do ou dos artigos que assinalarem.

JAF

terça-feira, 25 de março de 2014

17º Jantar-tertúlia na Casa do Alentejo, no dia 3 de abril, 5ª feira












A Aldraba propõe-se assinalar por diversas formas, no próximo mês de abril de 2014, o 40º aniversário da data luminosa que, em 1974, marcou a conquista da democracia no nosso país.

Nesses eventos, comemoraremos também o 9º aniversário da nossa Associação, e procederemos ao lançamento do nº 15 da revista “Aldraba”.

Começaremos com o 17º jantar-tertúlia numa casa regional sediada em Lisboa. Desta vez iremos jantar e conviver na Casa do Alentejo, que se situa na Rua das Portas de Santo Antão, 58, em Lisboa, no dia 3 de abril, às 19.30h.

A Casa do Alentejo foi fundada em 1923 e é ponto de encontro obrigatório de todos os naturais daquela província radicados na Grande Lisboa.

Vamos ser acompanhados no jantar por elementos da Direção da Casa do Alentejo, que nos falarão do rico percurso cultural e cívico daquela instituição, e das suas perspetivas de desenvolvimento futuro. Entre os presentes, serão também partilhadas memórias pessoais e de grupo ligadas ao 25 de abril.

O jantar, pelo preço global de 13€, compreende entradas, sopa, prato de peixe ou carne à escolha, vinhos e refrigerantes, sobremesa e café.

Os interessados em participar devem manifestá-lo por e-mail ou telefonema para a Maria Eugénia Gomes (megomes2006@gmail.com / 96 444 52 70 ou 91 964 71 95), até ao próximo dia 1 de abril, 3ª feira.

Aparece e traz outro amigo!

sábado, 15 de março de 2014

Visita às Galerias da Vida Rural (M.N.Etnologia) no próximo domingo, 23.março


A ALDRABA vai começar no domingo, dia 23 de março, de manhã, a dar execução a um novo objetivo do Plano de Atividades para 2014, aprovado pela primeira vez pela Assembleia Geral de 31.1.2014.

Trata-se de promover “visitas a museus ou exposições que se insiram no espaço e património popular”, o que nos propomos desencadear desde agora, com iniciativas da Direção ou propostas pelos associados.

Começaremos pelo Museu Nacional de Etnologia, situado na Avenida Ilha da Madeira, em Lisboa (a cerca de 10 minutos a pé do Estádio do Restelo, ou a 15 minutos do Mosteriro dos Jerónimos), e que dispõe do telefone 21 304 11 60.

O Museu foi criado em 1965, e encontra-se desde 1975 instalado num edifício expressamente construído segundo os mais atualizados critérios museológicos.

É dirigido pelo conceituado antropólogo Prof. Joaquim Pais de Brito, amigo da nossa Associação, que em 2008 já nos deu o privilégio de fazer o lançamento de um dos números da revista “Aldraba”.

O Museu tem hoje um acervo de mais de 26 000 objetos, provenientes de todo o mundo, e entre os quais sobressaem as coleções de alfaias agrícolas portuguesas, de têxteis tradicionais e de objetos de arte africana provenientes dos países lusófonos.

Possui uma das mais completas coleções dedicadas ao mundo rural, merecendo a visita de todos os que por estas matérias têm interesse.

O centro desta visita da ALDRABA vão ser, precisamente, as “Galerias da Vida Rural”, um espaço dedicado às coleções ilustrativas dos temas da agricultura, pastoreio, tecnologias tradicionais e equipamento doméstico na sociedade rural em Portugal.

Testemunhos materiais de modos de vida evanescentes ou, em muitos casos, já desaparecidos no momento da sua recolha, a maior parte dos objetos apresentados nestas Galerias foi reunida sobretudo entre as décadas de 1960 e 1970, por Ernesto Veiga de Oliveira e Benjamim Pereira, elementos da equipa que está na origem do Museu Nacional de Etnologia e que, com Jorge Dias e Fernando Galhano, havia iniciado em finais da década de 1940 o seu percurso de investigação.

Esta investigação foi conduzida de acordo com um projeto inovador que consistiu em levantamentos e recolhas sistemáticas, extensivos a todo o território continental e ilhas, prestando particular atenção à identificação e estudo das técnicas e tecnologias tradicionais do mundo rural, com profunda consciência das mutações que se anteviam.

Os participantes nesta visita da ALDRABA (associados, familiares e amigos), devem concentrar-se à entrada do Museu às 10 horas da manhã.

As entradas são gratuitas durante o período da nossa visita.

Divulguem! Compareçam! Participem!

A Direção

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Museu da aldeia da Luz: reconstruir um lugar sem pessoas e sem partilha?









"As suas exposições temporárias e de natureza diversa - têm como eixo de abordagem as temáticas de fundo do museu: a identidade, a história, a paisagem deste lugar. Leituras múltiplas e diversas que reativam memórias e significados para a reconstrução do lugar." "O museu foi construído como lugar de memória e criação."

Se consultarmos o site do Museu da Luz (http://www.museudaluz.org.pt) é este tipo de discurso que encontramos. Convencer-nos-ia, decerto, se o interesse e a curiosidade não nos levasse ao espaço físico do Museu.

A visita, do passado dia 2 de Fevereiro, revelou-me um lugar impessoal e vazio deixando a impressão que carece de alguma atenção na organização dos poucos objectos existentes que compõem, de forma desgarrada, uma exposição que, alegadamente, por lá existe! Decerto pretende ser uma demonstração da imensa criatividade que caracteriza os designers ultra supra modernos mas que, certamente, nada dirá à população, ausente há muito.

Entre a “inovadora” e “brilhantíssima” ideia de colocar à disposição meia dúzia de binóculos para, fora do Museu, os visitantes observarem os pássaros, e as projecções de imagens de objectos e utensílios, incessantes e vertiginosas numa espécie de sessões contínuas que, no mínimo, nos deixam estonteados - existem três ou quatro peças (quem saberá onde estarão amontoadas as restantes) oferecidas pelos luzenses, espalhadas pelo espaço do Museu, sem qualquer referência ou classificação.

Dessas peças sobrantes da exposição que existiu e que se pretendia permanente, que contam histórias, vivências e modos de vida e que tanto significam para os habitantes que abdicaram delas para construir um espaço de memória e partilha, nada se diz.

Seria útil que os “iluminados” que dirigem este Museu tivessem em consideração as diferenças que existem entre os conceitos de museu e galeria de arte. Mais do que isso, que se informassem sobre as funções do Museu, designadamente sobre a função social de um Museu. O caso da Luz merece, em particular, esse cuidado e essa preocupação e os seus habitantes merecem o respeito pela sua identidade.

Regressando ao discurso inicial será pertinente questionar: Que história? Que memória? Que reconstrução do lugar se faz sem pessoas e sem partilha?

Ana Isabel Carvalho (associada da ALDRABA)