A festa anual da Senhora da Boa Viagem, na vila da Ericeira, é um evento popular mais que centenário, realizado todos os meses de agosto, que inclui habitualmente cerimónias religiosas (procissão até à praia dos pescadores, com deslocação da imagem em embarcação até ao largo e volta, procissão pela vila com bênção do mar, etc.) e festejos vários (espetáculos, fogo de artifício, comes e bebes…).
Desde 2011, foi introduzida uma inovação de cariz artístico, que este ano teve pois a sua segunda edição, e que consiste na confeção de um tapete em areia e sal colorido, com motivos ligados à pesca e à devoção dos pescadores pela imagem considerada sua padroeira.
O autor dos desenhos e dos moldes – preparados laboriosamente ao longo de muitas semanas – é um jovem de pouco mais de 20 anos, António Brites, nado e criado na Ericeira, a quem aqui saudamos pela sua criatividade.
A colocação e enchimento dos moldes, na rua fronteira à capela da Srª da Boa Viagem, é feita com muito carinho por um numeroso grupo de mulheres e homens da vila, durante toda a noite que antecede a procissão principal.
Um expressivo exemplo de como a “tradição” não é um conjunto estático de práticas e de objetos repetidos mecanicamente, mas sim um campo aberto em que as populações se dispõem a exprimir de forma sempre rica os seus sentimentos, aspirações e experiências.
JAF (texto e fotos)














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