sexta-feira, 29 de junho de 2012

Sessão sobre projectos associativos e acesso a financiamentos

No próximo dia 13.7.2012 (6ª feira), pelas 18.00 horas, numa organização conjunta da CPCCRD - Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura Recreio e Desporto e da Associação ALDRABA, vai realizar-se uma sessão de aproximação à noção de projecto e à forma de proceder para que uma colectividade possa aceder a financiamentos comunitários ou nacionais, em apoio a projectos concretos.

Em particular, exercitar-se-á o preenchimento de um formulário de candidatura para financiamento a um projecto de actividade associativa.

A sessão terá lugar na sede da CPCCRD, à Rua da Palma, 248, em Lisboa (perto do Martim Moniz).

Teremos como orador o Dr. Joaquim Jorge, assessor do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Loures na área do património cultural, a partir de Janeiro de 2011. Na CM de Loures, tem desenvolvido a sua actividade profissional na área dos museus desde 1990.

Antropólogo pelo ISCTE, com pós-graduação em patrimónios e identidades na mesma instituição académica, Joaquim Jorge é especializado em captação de financiamentos para a área da cultura. Integra desde 2006 a Comissão Intermunicipal para a criação da “Rota Histórica das Linhas de Torres”, projecto candidatado ao Mecanismo Financeiro do Espaço Económico Europeu (EFTA/EEA Grants), e que é uma parceria entre as CM Arruda dos Vinhos, CM Loures, CM Mafra, CM Sobral de Monte Agraço, CM Torres Vedras e CM Vila Franca de Xira, tendo como parceiros  associados nacionais a Associação Napoleónica Portuguesa, o Ministério da Defesa Nacional (Exército) e a Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais/IGESPAR, e como parceiros associados transnacionais a English Heritage, a British Historical Society e a British Archaeological Society.

Os associados e amigos da ALDRABA são convidados a participar na sessão, e a divulgá-la junto de colectividades ou grupos que possam tirar proveito da formação prática que irá ser proporcionada.

JAF

terça-feira, 19 de junho de 2012

Nomes de localidades em azulejos (cont.11)










Voltamos hoje à divulgação de mais placas toponímicas de azulejos, das tais que o Automóvel Clube de Portugal colocou quase há cem anos nas entradas das cidades, vilas e aldeias.

Os amigos da ALDRABA têm sido a nossa principal alimentação, o que muito nos alegra!

Anteontem (17.6.2012), a nossa incansável amiga Susana Rodrigues enviou-nos umas tantas fotografias, com a seguinte estimulante mensagem:

“Caros amigos,
Anexo as últimas descobertas. Sei que algumas já são repetidas para vós, contudo envio na mesma, pois em duas das localidades encontrei-as em ambas as entradas (Norte e Sul). Soube também por um arqueólogo de Almodôvar que, em Castro Verde, "a placa se encontra danificada pois procederam a obras nas paredes da casa e metade da placa desapareceu com a parte de parede que foi deitada abaixo". Ora, como eu nesse mesmo dia a fotografara de manhã, devo concluir que provavelmente existirá outra placa que não encontrei, essa sim já danificada pelas ditas obras.
Também percebi que, ao longo da Nacional 2, se não há, já houve placas por tudo quanto é terrinha. Se alguém fizer esta estrada, para sul, até Faro, ou para Norte, até Chaves, mantenha a pestana bem aberta…”

Muito obrigado, Susana, e aqui reproduzimos as que ainda não havíamos publicado antes, ou seja, de Alcáçovas, das Caldas de Monchique, de Ciborro (Sul), duas do Escoural (Norte e Sul), de Oeiras e da Póvoa de Santa Iria. Por conseguinte, quatro do distrito de Évora, uma do distrito de Faro e duas do distrito de Lisboa. As de Ciborro (Norte), de Castro Verde e de Ourique já saíram no nosso blogue.

O Luís Maçarico disponibilizou-nos recentemente fotografias de duas placas da cidade de Évora, ambas à volta das Portas de Moura. Uma delas já a tínhamos publicado, a outra reproduzimo-la hoje.

Finalmente, e com a devida vénia, tomamos de empréstimo do blogue “Diário de Bordo” mais uma fotografia aí publicada do Manuel Campos Vilhena, desta vez de S. Miguel de Machede (também do distrito de Évora).

Com este 12º post da nossa série “Nomes de localidades em azulejos”, completamos 91 gravuras reproduzidas, de 85 localidades diferentes em 12 distritos do país.

JAF

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Balada do país triste















A cronista insurge-se, com brilho e com veemência, contra as mesmas realidades que a ALDRABA quis enfrentar, ao constituir-se em 2005. Estamos no mesmo combate!


…Quando eu era criança, Portugal também era bonito, embora miserável.
Foi-se desfeando.
A relação entre miséria e beleza é tão complexa como a que as Humanidades mantêm com humanidade.
A Alemanha civilizada pariu o nazismo. Portugal, desgraçado e triste, exibia dos melhores cenários da Europa.
O progresso chegou com 50 anos de atraso e foi o que se viu.
Arquitetura popular arrasada, construção desenfreada, autoestradas to nowhere.
Fartos do fedor a pobreza, os portugueses demoliram o passado à picareta.
Onde havia um carro de mulas, um Mercedes.
Onde havia um lugar de hortaliça, um friporte.
Praias impolutas passaram a timeshare.
As sardinhas, a salmão bimby.
O país, poupado aos bombardeamentos da guerra, bombardeia-se alegre e cavaquisticamente a si próprio.
Ao querer cortar o mal pela raiz, corta, impunemente, 2600 sobreiros.
Alheio ao rigor da ciência, forja painéis socráticos que até carregam de noite.
Sem tradição democrática, defeca montes de prescrições e presunções de inocência…
Por todo o lado, um escuro dos raios. A lanterna não pisca e foi comprada no chinês. Tudo isto dá vontade de chorar e nem a poesia nos salva…

Ana Cristina Leonardo, in Atual, nº 2067 (Expresso, 9.6.2012)

(fotografia reproduzida de arquiteturafashion.blogspot.pt)

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Itinerantes por Santana de Cambas













Caros Amigos e Amigas,

Foi uma caminhada muito agradável!
Beijos & abraços

José Constantino* (texto e foto)

* José Constantino Costa é o presidente da Cooperativa Itinerante, que conduziu os participantes do XXI Encontro da Aldraba pelo trilho do contrabando a partir de Santana de Cambas. Dos 16 corajosos caminhantes, que percorreram os 10 km de terra batida na manhã do domingo 27 de maio de 2012, falta apenas o José Rodrigues Simão que, mal chegámos ao fim da caminhada, e antes de ser tirada a foto, teve de ir a correr de volta para Moreanes, para as tarefas que o esperavam no Centro de Apoio a Idosos

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O XXI Encontro da Aldraba juntou memórias, sentimentos e inteligências no concelho de Mértola













Foram duas dezenas de associados, da área de Lisboa e dos concelhos de Mértola e de Aljustrel, e com eles diversos outros amigos, os que se reuniram no fim de semana de 26 e 27 de maio de 2012 nas povoações de Mértola, da Moreanes, de Santana de Cambas e da Mina de São Domingos.

Encontro muito caloroso de amigos e de militantes do associativismo e da valorização dos patrimónios locais, que proporcionou experiências muito fortes a todos os presentes, e o justo estímulo aos que trabalham em meios difíceis e muitas vezes hostis.

No Campo Arqueológico de Mértola, logo na manhã do sábado, o Encontro teve o acolhimento dos professores Cláudio Torres e Susana Goméz, que apresentaram o rico trabalho aí desenvolvido, e nos acompanharam em visita ao Museu Islâmico.

Juntaram-se também ao grupo, nessa altura, o presidente da Associação de Defesa do Património de Mértola, Jorge Revez, e o chefe de gabinete do presidente da Câmara Municipal, João Serrão Martins.

No resto do dia 26, os participantes almoçaram no Centro de Apoio a Idosos da Moreanes, onde conheceram a sua intensa atividade de dinamização local, e mais tarde foi visitado o Museu do Contrabando de Santana de Cambas, com um animado diálogo travado com os antigos contrabandistas Francisco Pereira e Francisco Neto, e com Maria Júlia Carrasco, filha de um comerciante que teve grande envolvimento no setor.

No fim da tarde, o Encontro incluiu ainda uma breve passagem pela Casa do Mineiro, em São Domingos, e às ruínas das instalações do que foi a Mina, com o acompanhamento muito profissional da Sara Ribeiro.

Na manhã do dia 27, guiados pelo José Constantino Costa, da Cooperativa Itinerante, os participantes deste XXI Encontro da Aldraba realizaram um percurso pedestre de 10 quilómetros, num dos trilhos do contrabando do concelho, numa experiência que permitiu um estimulante convívio em torno da dureza da vida ali vivida.

À tarde desse domingo, de novo com o acompanhamento de Susana Goméz, foi o contacto com a Igreja/Mesquita de Mértola, e com a estação arqueológica da base do Castelo.

Dois dias intensos de conhecimento e partilha, com a identificação de muitas pistas para iniciativas futuras.

JAF (fotos de MEGomes)

terça-feira, 15 de maio de 2012

"Da Mértola islâmica à raia do contrabando"

Centrado no conhecimento do património histórico do concelho de Mértola e das memórias das suas gentes contrabandistas e mineiras, a ALDRABA vai levar a efeito o XXI Encontro, com a colaboração do Campo Arqueológico de Mértola, da Cooperativa Itinerante, do Centro de Apoio a Idosos da Moreanes e da Câmara Municipal de Mértola.

Sábado, 26 de Maio

11h00 – Concentração na Casa Amarela (Campo Arqueológico de Mértola). Sessão de abertura do Encontro, com a presença de representante do Presidente da Câmara Municipal e do próprio Campo Arqueológico.

12h00 – Visita ao Museu Islâmico de Mértola.

13h00 – No Centro de Apoio a Idosos da Moreanes (CAIM), recepção pelo Presidente da Direcção.

13h30 – Almoço no CAIM, seguido de visita às suas instalações.

16h00 – Visita ao Museu do Contrabando de Santana de Cambas. Depoimentos de Maria Júlia Carrasco e de alguns familiares de contrabandistas.

17h30 – Visita à Casa do Mineiro e Mina de S. Domingos.

20h00 – Jantar no Restaurante Tamuje, em Mértola.

Domingo, 27 de Maio

10h00 – Percurso pedestre nos trilhos do contrabando de Santana de Cambas.

13h00 – Almoço no Restaurante Alengarve, em Mértola.

15h00 – Passeio pelo centro histórico de Mértola, à Mesquita e ao Castelo, com Santiago Macias e Susana Goméz.

18h00 – Encerramento do Encontro.

O alojamento dos participantes, na noite de sábado para domingo, poderá ocorrer em vários estabelecimentos locais, cujos contactos a organização pode facultar.

As inscrições para a participação neste Encontro podem ser feitas junto da Círia Brito (T: 969067494 / ciriabrito@sapo.pt), do Nuno Roque Silveira (T: 962916005) ou do Leonel Costa (T: 918403252 / costaleonel@hotmail.com).

terça-feira, 8 de maio de 2012

Sobre o património cultural imaterial


















Nas Edições 70, Ldª, com o apoio do INATEL e da Comissão Nacional da UNESCO, a nossa amiga Clara Bertrand Cabral publicou recentemente “Património Cultural Imaterial – Convenção da Unesco e seus contextos”, obra que reflete e dá testemunho de todo um percurso profissional, e de um pensamento que o livro ajuda a sistematizar e a desenvolver.

Ao longo das 214 páginas de texto (complementadas com uma muito rica bibliografia e com cópia dos documentos institucionais mais relevantes), a autora alinha de forma crítica conceitos relativos ao património, à cultura e à sua salvaguarda, o que é a parte mais estimulante e inovadora deste trabalho.

O livro descreve como nasceu e se desenvolveu na UNESCO a ideia da Convenção para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, de 2003, em interação com a sua antecessora Convenção para a Proteção do Património Mundial, Cultural e Natural, de 1972. Tudo no contexto de uma agência especializada das Nações Unidas criada no imediato pós-guerra (16.11.1945) para promover a paz no mundo pela cooperação entre os povos nas áreas da educação, da ciência, da cultura e da comunicação.

Como mero aperitivo para uma leitura direta do livro – que se recomenda vivamente – ficam aqui alguns apontamentos do que foi mais impressivo para o crítico.

No que se refere à ideia de “património”, a autora dá conta de como se evoluiu de uma “visão elitista e oficial”, que só retinha como relevantes os “monumentos”, para, a partir dos anos 50 do séc. XX, se ter passado a “incluir os objetos quotidianos, as construções vernáculas e os testemunhos mais recentes da atividade humana”. A ponto de, em finais do século, a noção de património se ter alargado até aos “bens cuja essência é intangível, como as práticas, as expressões, as representações e os saberes-fazer”.

Do monumento como suporte da memória, ter-se-á passado ao património como suporte da identidade. Esta última será o grau de identificação e solidariedade de um indivíduo com o grupo a que pertence, baseado na perceção dos membros de uma comunidade da sua homogeneidade social. A referida identidade não é estável nem imutável, pelo que o património cultural imaterial “é constantemente recriado pelas comunidades e grupos em função do seu meio, da sua interação com a natureza e da sua história”.

A atual globalização sobre os povos e culturas é apontada como frequentemente traumática para as comunidades, daí a consciência que se vai adquirindo da “importância sem precedentes do património”. Passando pelos conceitos de comunidades, grupos e indivíduos, a autora chega depois ao tema dos direitos culturais coletivos. Daí desembocar, mais à frente, nas questões das minorias e dos grupos de migrantes. E, finalmente, concluir com reflexões sobre folclore e cultura popular, onde, judiciosamente, assinala como estes termos foram explorados no séc. XX por regimes totalitários na Europa, e na colonização de territórios noutros continentes, em que as pessoas eram apresentadas “como um espetáculo de si próprias…”

A salvaguarda do património cultural imaterial é concebida por Clara Cabral, na linha da Convenção, como o conjunto das medidas que visam assegurar a sua viabilidade, incluindo a “identificação, documentação, pesquisa, preservação, proteção, promoção, valorização, transmissão e revitalização dos diferentes aspetos desse património”. E que tem de ser, por natureza, um “processo participativo”.

No desenvolvimento desse processo de salvaguarda, a autora dá grande destaque à tarefa da inventariação dos elementos do património, tal como já o fizera em julho de 2009, em entrevista que deu à “Aldraba”, nº 7:

“Qualquer organização vive com escassez de recursos. Se o Estado se propõe apoiar a salvaguarda do património imaterial, e se para isso os meios orçamentais serão inevitavelmente limitados, é normal que se queira basear numa identificação exata de quais os bens que justificarão os investimentos, daí a necessidade do tal inventário”.

Questionada nessa altura sobre o papel que as associações de cidadãos, como a Aldraba, podem ter nesse processo participativo, reconheceu-o como muito importante, cabendo-lhes sensibilizar a sociedade civil para a importância de salvaguardar o património cultural imaterial, dar a conhecer esse património e contribuir para alimentar as várias bases de dados de bens culturais imateriais criadas por diversas entidades.

É oportuno recordar essas considerações da autora, a propósito da parte final do livro em que enumera as instituições oficiais que estima serem as principais responsáveis pela Convenção em Portugal, e onde refere o papel das ONG’s de cariz local ou regional, “mediadoras esclarecidas e privilegiadas, sem as quais será impossível aplicar a Convenção de forma eficaz”.

A Associação Aldraba quer que contem com ela para esse trabalho!

José Alberto Franco (“Crítica de Livros”, publicada no nº 11 da revista “ALDRABA”)