segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

6º Jantar tertúlia - Clube de Futebol Benfica, Lisboa 15-12-2009


Na próxima 3ª feira, dia 15 de Dezembro, pelas 20 horas, e prosseguindo este género de convívios, teremos um jantar-tertúlia no Clube de Futebol Benfica ("Fofó"), na Rua Olivério Serpa, junto ao mercado de Benfica.

Não se sabe ao certo, mas dizem os mais velhos que o Clube Futebol Benfica existe desde 1895, contudo, a reorganização dá-se a 23 de Março de 1933, data que se assinala como aniversário do Clube, através de um documento distribuído à população do bairro de Benfica....

Para mais informação basta seguir este link: http://www.cfbenfica.net/principal_ind.html

O preço do jantar, por pessoa, será 12€ e a ementa constará de entradas, grelhada mista (à discrição), sobremesa (doces ou fruta), vinhos, águas e sumos, e café.
Neste jantar tertúlia contamos com a companhia do Presidente da colectividade, Domingos Estanislau.

As inscrições deverão ser feitas até ao próximo dia 11 para
- Margarida Alves -tlm 966474189; e-mail: margarida.alves@gmail.com ou
- Maria Eugénia Gomes - tlm 919647195; e-mail: megomes2006@gmail.com

MPA

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Ernesto Silva, poeta de Aljezur e a Aldraba


Ernesto Silva, cidadão de Aljezur nascido em 1938, participou activamente no XV Encontro da Aldraba, que realizámos no seu concelho em 28/29 Nov.2009.

Esteve connosco na sessão da tarde de 28.11, no Grupo Folclórico do Rogil, quando trocámos informações e reflexões acerca da batalha aérea de Aljezur de 1943, e acerca da importância cultural e económica da batata doce. Deu testemunho das suas memórias remotas, com cinco anos (era o seu avô comandante do posto da Guarda Fiscal da Arrifana), quando os aviões nazis e a aviação aliada se defrontavam nos céus portugueses, e os adultos protegiam as crianças contra eventuais bombas perdidas...

Esteve connosco, também, no convívio da noite desse dia 28.11, no restaurante Onex, quando degustámos batata doce em saborosos petiscos que o Município nos proporcionou.

E presenteou-nos, o Ernesto Silva, com os seus poemas - ele que publicou recentemente o livro "A minha rua - Poesias 1995/2000", editado pela Câmara Municipal de Aljezur.

No prefácio desse livro do Ernesto Silva, da autoria do Presidente Manuel Jesus Marreiros, lê-se:

"A maior riqueza deste concelho são as pessoas. Foram elas que fizeram esta terra e são elas o seu futuro. Com trabalho, suor, sacrifícios e arte, cada um foi escrevendo uma página importante do nosso desenvolvimento(...). A forma imediata com que transforma uma ideia em poesia só é comparável à versatilidade com que de uma simples fatia de pão faz uma flor ou uma mão cheia de barro se tranforma numa peça de arte. A C.M.Aljezur agradece a este nosso conterrâneo ter acedido ao nosso convite para editar esta publicação e enaltece também tudo aquilo que tem feito para divulgar a nossa terra. Este livro de poesia já fazia falta. O autor merece e Aljezur agradece."

A Aldraba também agradece ao Ernesto Silva a sua participação, a sua criatividade, e, em especial, o carinho e a acutilância que pôs no poema que nos dedicou e que declamou nessa inesquecível noite de 28.11.2009:

A ALDRABA

Já o sabe toda a gente
que o indicativo presente
deste verbo tão antigo,
tem na terceira pessoa,
esse termo que bem soa
quando nos chega ao ouvido.

Desde os tempos ancestrais,
quase todos os portais,
em posição evidente,
têm aldraba elaborada
para ser accionada
e chamar, logo, o utente.

Hoje, porém, tenho esse ensejo:
Esta Aldraba, que ora vejo,
é um grupo especial,
forte, seguro e coeso,
na cultura tem mais peso
e provém da capital.

Em busca do mar azul
demandam terras do sul.
Ouvir. Sabores desgustar.
E, mesmo pouco que fosse,
Só comer batata doce,
Já era um grande manjar.

Com grande satisfação,
num abraço terno, irmão,
está a porta escancarada.
É tão grande a alegria,
que, por obra de magia,
a aldraba nem foi tocada.

A este rincão pequeno,
Fraterno, sadio, ameno,
onde o amor não acaba
e sabemos receber,
venha sempre que quiser,
basta tocar na aldraba.

28-11-2009


Bem haja, Ernesto Silva!
JAF

domingo, 29 de novembro de 2009

Pelas terras de Aljezur - 28 e 29 de Novembro




Vindos de vários pontos do país, as duas dezenas e meia de associados e amigos da Aldraba demandaram Aljezur preparados e animados para mais uma descoberta ao sul.

O nevoeiro cerrado e alguns desencontros na partida de Lisboa não nos fariam esmorecer, tanto mais que tínhamos pela frente um fim-de-semana com um programa aliciante e meticulosamente preparado com a colaboração dos amigos da Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur (ADPA).

Programa cheio e de que é difícil salientar qualquer dos seus momentos, de tal maneira foi importante conhecer, desde logo o trabalho da ADPA, mas também o da Associação de Produtores da Batata Doce ou do Clube Recreativo e Folclórico Amador do Rogil, trocar ideias com todos os que nos acompanharam, incansáveis em conhecer-nos e dar-se a conhecer a si, à sua terra, ao seu trabalho e às suas expectativas e sonhos.

Falámos do passado, da II Guerra Mundial, da Batalha de Aljezur e das memórias, ainda hoje vivas, dos episódios que o povo testemunhou daquele conflito longínquo e terrível, do presente e do futuro ficamos a conhecer os projectos em que estão envolvidos e o entusiasmo que colocam nos desafios actuais e vindouros.

Seja no plano cultural, apoiando as escavações no Ribat, recuperando peças únicas do arquivo municipal ou divulgando as belezas e potencialidades do concelho através da edição de múltiplas publicações, seja ao nível do desenvolvimento económico da região, nomeadamente à volta da cultura da batata doce, é firme propósito destes nossos amigos levar o nome de Aljezur cada vez mais longe e com cada vez maior prestígio.
MEG

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

XV Encontro “Ver, ouvir e saborear ao Sul”- Aljezur, 28/29.Nov.2009





A Aldraba vai levar a efeito o seu XV Encontro no concelho algarvio de Aljezur, no fim de semana de 28 e 29 de Novembro de 2009, centrado nos usos e tradições da população local, e ainda nas memórias populares relacionadas com a 2ª Guerra Mundial.

O Encontro conta com o apoio da Câmara Municipal de Aljezur, e a colaboração activa dos amigos da Associação de Defesa do Património Histórico e Arqueológico de Aljezur (ADPHA) e da Associação dos Produtores de Batata Doce de Aljezur (APBDA).

Está programado que visitemos os locais e os acervos museológicos mais significativos da história de Aljezur, que ouçamos os testemunhos e os registos da memória popular local, e que degustemos as delícias da gastronomia da região (com especial destaque para a batata doce).

Daí, o título que entendemos atribuir a esta nossa nova incursão no Sul do país…

O Encontro iniciar-se-á às 11h30m de sábado, sendo a concentração no largo em frente da Câmara Municipal, na parte nova da povoação. Os participantes que partam de Lisboa concentram-se na Praça de Espanha, pelas 8h, frente ao local onde era antes o Teatro Aberto, e os restantes dirigem-se pelos seus meios para o ponto de encontro em Aljezur. Nessa parte final da manhã, teremos uma pequena visita de reconhecimento ao centro da vila, e à sede da ADPHA, cuja actividade nos será apresentada pelos seus Presidente José Manuel Marreiros e Vice-Presidente José Francisco Estêvão.

O almoço de sábado, com entradas, prato principal e sobremesas típicas da região, terá lugar no restaurante Chefe Dimas, de onde nos deslocamos depois para a povoação do Rogil, a pouca distância de Aljezur. Aí, com a colaboração da APBDA, realizaremos uma sessão em sala – que inclui uma apresentação sobre o que foi a batalha aérea de Aljezur, de Julho de 1943 (entre aviões ingleses e da Alemanha nazi, tendo sido abatido sobre os arredores da vila um bombardeiro alemão), e também testemunhos sobre a vida dos artesãos e agricultores do concelho.

Também no Rogil, teremos no final da tarde uma refeição volante, com petiscos e doces facultados pela Câmara Municipal, e à noite um convívio com poetas e músicos populares. O alojamento será na residencial “Alcatruz”, que comporta quartos duplos e alguns individuais.

No domingo de manhã, efectuaremos visitas guiadas aos museus de Aljezur, ao Castelo e ao Ribat da Arrifana, terminando o Encontro com um almoço, de novo com ementa típica, no restaurante Pont’a Pé.

Os custos da participação no Encontro por pessoa, incluindo refeições, alojamento e transporte Lisboa-Aljezur-Lisboa em autocarro fretado, importarão em 70 € para os associados, e 75 € para não associados. Os participantes que necessitem de usar automóvel particular pagarão, respectivamente, 50 ou 55€. Quem necessite de ficar alojado em quarto individual terá de suportar um suplemento de 10€.

As inscrições para participação no XV Encontro devem ser feitas até 24 de Novembro, 3ª feira, através dos telemóveis da Natividade Anastácio (963967534) ou da Mª Eugénia Gomes (919647195).

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Acepções de património



De um artigo da antropóloga Paula Godinho (Processos de emblematização: fronteira e acepções de “património”) respigo esta passagem que pode constituir motivo de reflexão.

"Tornado matéria-prima para a construção das culturas nacionais, inócuo e desgarrado do contexto em que emergia, o popular só se tornou objecto de interesse porque o seu perigo foi eliminado.
Antes censurado, vigiado e expurgado pelo seu cariz perigoso e subversivo, passa a estar conotado com a pureza, a inocência, as origens, a ingenuidade, ou a natureza. Esse fenómeno de estetização e preservação do que é arredado dos modos de produção, atribuindo um novo formato mercantil aos recursos culturais e ao conhecimento local, tem como agentes os elementos das elites, em vários patamares, que replicam uma idêntica lógica empreendedora."

Esta atitude, que se refere à reputação do popular junto das elites do século XIX, será ainda actual?

JMP

Castanhas e Magustos

Oriundo da Ásia, ao que se supõe, e chegado à Europa há mais de três mil anos, o castanheiro que existe em quase todo o interior centro e norte do país, é hoje considerado uma árvore autóctone de tal maneira pegou e se desenvolveu nas nossas terras.

As suas sementes – as castanhas, foram a base da alimentação de transmontanos e beirões nos séculos XVII e XVIII em substituição da batata e do pão. Chegaram aos nossos dias como um pitéu e já entraram na tradição associadas aos Magustos, ao S. Martinho e à água-pé ou à prova do vinho novo. No dizer do adágio popular: “Pelo S. Martinho vai à adega e prova o vinho”.

Recordo, a todos os que tivemos o privilégio de estar no encontro da Aldraba no Fundão, em Dezembro de 2007, o magnifico ambiente criado pela Associação de Convívio e Amizade nas Donas à roda do Magusto que prepararam para nós.

Foi uma noite fantástica. A alegria de anfitriões e convidados à volta das labaredas da caruma a arder no chão da eira e das castanhas a estalar e a saltar aos nossos pés, juntou-se ao frio de Dezembro, à noite e ao nevoeiro que envolviam a serra e tornavam irreais as luzes nas aldeias mais próximas.

Hoje é dia de S. Martinho, que vivam as castanhas e o vinho novo!

Mais informação sobre o tema das castanhas, que reputo de grande importância e actualidade, disponível nestes dois endereços: http://www.cm-mirandela.pt/index.php?oid=3624 e http://cafeportugal.net/pages/dossier_artigo.aspx?id=1295

MEG

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O rei vai nu!


As histórias da nossa infância remetem-nos para um tempo de ingenuidade e de sonho, onde certas verdades, incómodas para a sociedade estabelecida, também tinham o seu lugar.

Esta manhã, em conversa ligeira com um colega finlandês presente na mesma reunião internacional em que eu estava, fiz-lhe um reparo sobre a página electrónica do serviço da Comissão Europeia em que ele trabalha. E comentei que tal incorrecção (falta a ligação ao principal texto legal aplicável no seu sector, enquanto é possível chegar directamente a uma multidão de textos secundários...) certamente já foi notada por muita gente, mas ninguém é capaz de o dizer aos responsáveis.

Provocando o Timo Altonen, disse-lhe que fazia lembrar um conto infantil que conheci há muitas décadas em Portugal, em que uma criança denuncia na praça pública que o rei vai nu no seu habitual desfile, enquanto os cortesãos e o povo atemorizado repete, respeitosamente, que são tão belas as roupas de Sua Majestade!

Para meu espanto, responde-me o colega nórdico, que vive em Bruxelas e que hoje estava comigo em Genebra, que sim senhor, estava de acordo, pois também na sua infância conheceu a mesma história, e há de facto situações como esta em que as pessoas se "auto-hipnotizam" e perdem a sua capacidade crítica, seduzidas como estão pelas conveniências sociais.

Grande lição esta. Temos patrimónios populares que até são comuns a muitos povos, temos memórias e sabedorias com tanto potencial, e tantas vezes as reprimimos.

Venham outras memórias infantis até ao nosso blogue, e lutemos contra o seu apagamento...

JAF, gravura reproduzida do blogue "Dragoscópio"