terça-feira, 14 de julho de 2009

Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa, no Crato - Abertura ao público


A Câmara Municipal do Crato e a Direcção Regional de Cultura do Alentejo promoveram, a 3 de Julho, a reabertura ao público do Mosteiro de Santa Maria de Flor da Rosa, no Crato.

Culminando um conjunto alargado de acções de investigação, recuperação e valorização, o monumento é agora aberto ao público visitante com uma área de Acolhimento e Interpretação onde são disponibilizados diferentes serviços de apoio que permitirão, quer uma melhor compreensão de toda a história deste sítio, quer as condições adequadas de recepção.

São de acesso público os seguintes espaços:
Área da acolhimento de visitantes, bilheteira e loja do Monumento, Exposição interpretativa do conjunto monumental, Igreja, Sacristia, Coro-alto e acesso à torre sineira (acesso condicionado), Claustro, Área lúdica/pedagógica e “Oficinas do Mosteiro”, Núcleo de Escultura do Museu Nacional de Arte Antiga, Espaços para Exposições Temporárias, Concertos, Palestras, etc. e o Posto de Turismo da Flor da Rosa.

MEG, com informação da CM do Crato

terça-feira, 7 de julho de 2009

E Carnaxide aqui tão perto ...






Mais de três dezenas de associados e amigos, um terço dos quais com idades entre os vinte e os trinta anos, deram forma ao que foi o XIV Encontro da Aldraba, por terras do Concelho de Oeiras – Carnaxide e Linda-a-Pastora, no passado domingo, dia 5 de Julho.

Estas localidades foram, em tempos e por motivos diversos, terras de acolhimento de poetas e escritores. Cesário Verde aí se acolheu por duas vezes, em 1857 com a família, no intuito de fugirem da peste que grassava em Lisboa e, em 1885, na esperança de que os bons ares da serra o ajudassem a vencer a tuberculose a que acabaria, mais tarde, por sucumbir.

Tomás Ribeiro escolheu Carnaxide para veraneio, tendo em 1882 adquirido a «Casa Branca» de que muito gostava. Na «Casa Branca» recebeu El-Rei D. Luís e importantes figuras do mundo intelectual e político daquela época. Relacionada com a Senhora da Rocha, Linda-a-Pastora e Linda-a-Velha, deixou-nos o poeta, no campo literário o «Mensageiro de Fez», poema cuja complicada acção se inspira na nossa História e se desenvolve em torno da «Senhora Aparecida» numa gruta do Jamor.

À imagem de outros arrabaldes da cidade de Lisboa, Carnaxide foi zona de bonitas quintas. A Casa de Saúde de Carnaxide é uma clínica especializada em doenças psiquiátricas que tem as suas instalações, desde 1945, na antiga Quinta da Igreja, nome talvez explicado pela proximidade à Igreja de S. Romão. É nesta quinta que em 1887 pouco anos antes do suicídio e já com graves problemas de saúde que Camilo Castelo Branco fixa residência por alguns meses. Sofreu várias obras e remodelações ao longo do tempo sendo de destacar as efectuadas sob a orientação de Luigi Manini e mais tarde do arquitecto Jorge Segurado que faz as adaptações da quinta rústica a clínica, sendo construída na altura a capela e jardins. No átrio de entrada destacam-se belos painéis de azulejo de Bordalo Pinheiro.

Em Carnaxide, sempre conduzidos pelo nosso amigo João Figueiredo (funcionário da C.M.Oeiras), visitámos a Igreja de S. Romão, a Mãe-de-Água e parte do labirinto engenhoso, mandado construir no Sec. XVIII, por D. José I, que permitia a captação da água na Nascente das Francesas e a sua condução até ao chafariz público situado em frente daquela igreja.

Fomos a pé até ao Santuário da Senhora da Rocha, passando pela cerca da casa que foi de Tomás Ribeiro, hoje a ameaçar ruína. Ao contrário, como pudemos constatar na parte da tarde, a que em tempos foi pertença da família de Cesário Verde, está recuperada e acolhe um jardim-de-infância, cercada de um belíssimo jardim, ao cuidado das freiras Franciscanas Hospitaleiras.

Almoçámos no Mirante da Rocha, em alegre convívio de amigos, visitámos a Casa de Saúde de Carnaxide e acabámos a tarde na Sociedade Filarmónica Fraternidade de Carnaxide (SFFC), com uma muito sentida e participada conversa com o seu vice-presidente, sobre o movimento associativo e as suas grandes dificuldades actuais. Do seu testemunho, ressaltam as palavras singelas com que descreveu o carinho de um carnaxidense a quem a SFFC encomendou um trabalho de reparação e que, no final, nada quis cobrar porque "devo tudo o que sou à Sociedade, nela brinquei, ali conheci a minha mulher e lá me casei...".

Por fim houve poesia, não fosse a Aldraba uma associação (também) de poetas, em terra que poetas demandaram noutros tempos!

MEG, com informação da JFCarnaxide
Fotos - MEG e LFM

domingo, 21 de junho de 2009

“Do verso ao solidó: memórias de Carnaxide”

O XIV Encontro da Aldraba vai realizar-se durante o próximo dia 5 de Julho de 2009, domingo, em Carnaxide, com a colaboração da Divisão de Cultura e Turismo da Câmara Municipal de Oeiras e da Junta de Freguesia de Carnaxide.

O Encontro iniciar-se-á às 9h30m, sendo o ponto de encontro no Largo de Carnaxide, na parte velha da povoação. A partir daí, visita-se a Mãe-de-água e a igreja de S. Romão, e, em seguida, a igreja da Senhora da Rocha e a casa em que Cesário Verde habitou.

Depois, será o almoço de convívio, cerca das 13 horas, no Restaurante “Mirante da Rocha”. A ementa inclui um prato à escolha de entre as especialidades da casa - cozido à portuguesa, arroz de pato, borrego no forno, bacalhau com natas ou açorda com carapaus fritos.

A partir das 14h30m, ver-se-á a casa onde viveu Tomás Ribeiro (Quinta da Fonte) e diversas outras casas por onde passaram quer a fidalguia quer alguns escritores ilustres.

O Encontro termina numa das colectividades populares mais antigas e prestigiadas de todo o concelho de Oeiras, a Sociedade Filarmónica de Carnaxide, onde somos recebidos pelas 17h.

As inscrições para participação neste XIV Encontro devem ser feitas até 2 de Julho, 5ª feira, através dos telemóveis do José Alberto Franco (963708481) ou da Manuela Sacarrão (966149752).

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Património cultural imaterial

Foi publicado em Diário da República, no passado dia 15 de Junho, o Decreto-Lei n.º 139/2009, que estabelece o regime jurídico de salvaguarda do património cultural imaterial.

Consagra as componentes da política de salvaguarda e os deveres das entidades públicas, dedica um longo capítulo às importantes questões da inventariação do património cultural imaterial e cria, com funções deliberativas e consultivas nesta matéria, a Comissão para o Património Cultural Imaterial. Constituída por dirigentes do Ministério da Cultura (2), por individualidades de reconhecido mérito nomeadas, umas pelo Governo (5), outras pela Associação Nacional de Municípios Portugueses (2), é previsto que venha a ter um papel fundamental na salvaguarda de tão importante factor de identidade e memória colectiva de comunidades e grupos.

O diploma agora publicado, abrange os seguintes domínios:
a) Tradições e expressões orais, incluindo a língua como vector do património cultural imaterial;
b) Expressões artísticas e manifestações de carácter performativo;
c) Práticas sociais, rituais e eventos festivos;
d) Conhecimentos e práticas relacionados com a natureza e o universo;
e) Competências no âmbito de processos e técnicas tradicionais.
Congratulamo-nos por mais este passo que acaba de ser dado pelas entidades oficiais e esperamos que contribua para o reconhecimento da importância do património imaterial.

MEG e MSBastos

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Cortiça - Um contrato entre gerações



Embora do nome da minha terra conste a palavra sobral, não há grandes matas de sobreiros por perto. Apenas existem alguns espalhados no meio das azinheiras. Ainda assim, lembro-me de, muito pequena, meu avô me levar ao campo para ver os “tiradores” arrancar a cortiça.

Vem-me à memória o intenso calor dos dias no princípio do Verão, o cantar dos ralos e das cigarras e o som seco dos machados, com que mãos hábeis e sabedoras iam cortando as pranchas com cautela para não ferir nem a casca nem o tronco, que a cada nove/dez anos voltará a produzir nova camada de cortiça para nosso proveito.

É uma tarefa muito dura, como a maior parte das que se realizam no campo em pleno Alentejo, e que mantém intactas as tradições de outros tempos.

Recomenda-se, pela sua grande qualidade, a leitura de um texto sobre esta matéria, acessível em

MEG, com foto da APCOR

segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Património Cultural Imaterial em debate

O Grupo de Parlamentares conexo com a UNESCO e a Comissão Nacional da UNESCO, com o apoio da Associação Nacional de Municípios Portugueses, organizam um colóquio vocacionado para a informação e o debate sobre a importância do Património Cultural Imaterial. Pretende-se, com esta acção, informar sobre os vários aspectos relacionados com a Convenção da UNESCO para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial, contextualizar o património cultural imaterial no âmbito das políticas do património em Portugal e debater o papel dos vários actores na sua promoção.
O referido colóquio terá lugar no próximo dia 15 de Junho, no Auditório do Edifício Novo da Assembleia da República.
Consulte o Programa Provisório em

http://www.gpeari.pt/wwwbase/newsletter/newsletter.
A entrada é livre, sujeita à capacidade da sala.
Inscrições:
Indicação do nome e organização para:




quinta-feira, 4 de junho de 2009

As portas monumentais de Toledo
























Toledo foi a capital da Espanha visigótica, até à conquista árabe da Península Ibérica, no séc. VIII. Sob o Califado de Córdova, Toledo conheceu uma era de prosperidade.

Após a decomposição do Califado de Córdova em 1035, tornou-se capital do reino do Taifa de Toledo, cujo território coincidia com as actuais províncias de Toledo, Cidade Real, o norte de Albacete, Cáceres, Guadalajara (até a fronteira com as terras saragoçanas em Medinaceli), Madrid até a Serra de Guadarrama e Cuenca.

A 25 de Maio de 1085, Afonso VI de Castela ocupou Toledo e estabeleceu controle directo sobre a cidade. Este foi o primeiro passo concreto do Reino de Leão e Castela na chamada Reconquista.

Toledo era famosa pela sua produção de aço, especialmente espadas, e a cidade ainda é um centro de manufactura de facas e pequenas ferramentas de aço. Após Filipe II de Espanha mudar a corte de Toledo para Madrid em 1561, a cidade entrou em lento declínio, do qual nunca recuperou.

Cervantes descreveu Toledo como a "glória da Espanha". A parte antiga da cidade está situada no topo de uma montanha, cercada em três lados por uma curva no rio Tejo. Dos locais históricos destacam-se o Alcazar, a catedral (a igreja primaz da Espanha), e o Zocodover, seu mercado central.

Toledo era famosa pela sua tolerância religiosa e possuía grandes comunidades de judeus e muçulmanos, até à sua expulsão, em 1492. A cidade ostenta importantes monumentos religiosos, como a “Sinagoga de Santa Maria la Blanca”, a “Sinagoga de El Tránsito”, e a “Mesquita de Cristo de la Luz”.

No século XIII, Toledo era um importante centro cultural sob o domínio de Afonso X, cuja alcunha era "El Sabio". A escola de tradutores de Toledo deixou grandes trabalhos académicos e filosóficos originalmente produzidos em árabe e hebraico, depois traduzidos para latim.

Ainda hoje estão patentes expressões da grande riqueza cultural da cidade. Disso são exemplo as imagens das grandiosas portas e artefactos que se mostram.

MEG – Texto e fotografias