quinta-feira, 16 de fevereiro de 2006

"Memórias do Contrabando em Santana de Cambas” - A opinião de António Eloy


“Memórias do Contrabando em Santana de Cambas”, de Luís Filipe Maçarico é um documento notável. Porque faz um registo detalhado, antropológico, de algumas dezenas de informantes, das suas histórias, das suas angústias. Porque recolhe estórias da nossa literatura sobre o contrabando e assim abre um capítulo de estudo da história sobre as estórias deste. Num livro cuidadosamente apresentado, com uma bonita capa e um texto lindo de Miguel Rego em introdução, Luís Maçarico fornece-nos ao seu estilo escorreito, que mesmo em prosa faz a luz que da poesia emana, um documento precioso sobre as memórias do contrabando. As memórias são, há que dize-lo, muitas vezes invenções sobre a história e destas tem que se tirar ilações com luvas de pelica, destas tem que se deixar assentar a poeira para fazer história. A história do contrabando ainda está por fazer, o seu enquadramento e definição. Este é um importante levantamento antropológico e um belo escrito de estórias. A outra história, a história das relações sociais de produção, das lógicas económicas, da interligação do poder político, da organização do Estado, da função punitiva deste sobre um quadro legal, e numa lógica de direito, essa ainda falta escrever. Essa terá que resultar de um confronto com outras realidades locais e de uma discussão sobre o fazer história. Essa terá que passar sempre por esta pequena pérola do Luís. Para que com esta façamos sentido contribuiremos."
António Eloy, in INSIGNIFICANTE

De "ÁGUAS DO SUL"
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2006

“Mértola, O Último Porto do Mediterrâneo”



Santiago Macias o associado nº 100 da Aldraba, apresentou ontem o seu livro mais recente, na Sala das Colunas do Castelo de S. Jorge, acompanhado por muitos homens e mulheres deste país, que raramente temos o prazer de escutar nas televisões.
De entre as centenas de convidados presentes, destaco nove, para quem o Alentejo e a existência é sortilégio: Cláudio Torres, Miguel Rego, António Borges Coelho, José Mattoso, António Eloy, Nádia Torres, Isabel Macias, José Alberto Franco e Maria Eugénia Gomes.
"Mértola, O Último Porto do Mediterrâneo" obra monumental, dividida em três volumes, é o resultado de duas décadas de trabalho estimulante no terreno, escavando um chão repleto de tesouros e de respostas para perguntas pertinentes, respostas essas que certamente também passaram pela observação e interpelação da peculiar forma de estar do povo.Consequência de imensa pesquisa, inúmeras reflexões, intensos registos, este livro foi apresentado pelo vereador da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, pelo presidente da Câmara Municipal de Mértola, pelo orientador do arqueólogo, pelo director do Campo Arqueológico de Mértola e pelo autor, que de uma forma muito envolvente passou em revista o percurso que originou este documento fundamental para o conhecimento da bela terra do Baixo Alentejo.
Terminou o investigador - que é, desde Outubro, vereador na Câmara de Moura - dizendo: "O futuro está à esquina".
Ficaram também na memória as palavras de Cláudio Torres, que reafirmou o empenho do Campo Arqueológico de Mértola no estreitamento de laços com os povos magrebinos, numa altura em que as portas que se foram abrindo estão agora a ser mediatizadas pelos piores motivos.
A magnífica exposição que este trabalho motivou, pode ser visitada entre as 9 e as 18horas, até 2 de Abril. Em Outubro esta mostra estará no Museu do Bardo em Tunis e em breve, com o apoio das Universidades de Huelva, Évora e Algarve, serão orientados cursos superiores no âmbito do estudo da cultura árabe.O evento terminou com um beberete, que incluía um tinto excelente, acompanhado por espetadas de tâmaras com rodelas de banana, entre outras iguarias de chorar por mais, que desapareceram num ápice.
A lua crescia ao lado do castelo e apesar da noite fria e ventosa soube bem ser embalado pelas ruas de Lisboa, no regresso a casa, com estórias à mistura e uma grande satisfação por poder ter estado ali e ter convivido com amigos com quem sabe sempre bem partilhar as pequenas grandes coisas do quotidiano. Obrigado Santiago!
(fotos de LFM)

De “’AGUAS DO SUL”
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COMENTÁRIOS
augustoM disse...
Luís, estava convencido que o último porto do Mediterrâneo tinha sido Silves, agora fiquei baralhado.Um abraço. Augusto
15 Fevereiro, 2006 14:16

domingo, 12 de fevereiro de 2006

Blogue da Aldraba fez um ano


No dia 1 de Fevereiro de 2005 nascia o blogue a aldraba
O primeiro texto começava assim: "É uma associação que está a ser pensada há três meses. À volta desta ideia, nascida em Novembro de 2004 e semeada em Montemor-o-Novo num almoço festivo, com duas dezenas de entusiastas, várias simpatias se manifestaram. Dia 3 de Fevereiro reúnem 7 dos semeadores, indicados pelos outros para tratarem dos preparativos para a festa maior que é concretizar o sonho."
Um ano na vida de um blogue é algo que merece ser celebrado. No caso deste, tem servido para divulgar as iniciativas da associação do espaço e património popular, que adoptou o velho utensílio que servia para bater à porta como símbolo.
Com visitas assíduas de associados e amigos, esperemos que, não obstante dentro de semanas a associação passar a ter um site, o blogue se mantenha como espaço de diálogo e partilha, e que Margarida Alves, vice-presidente da direcção da Aldraba, continue a divulgar o património que vai descobrindo nas suas andanças...
(fotografia de LFM: porta e batentes de Vendas Novas, perto do restaurante Pastor)

De "ÁGUAS DO SUL"
postado por oasis dossonhos às 02:16 3 comentários
COMENTÁRIOS
Mendes Ferreira disse...
silencioso. porém persistente...parabéns à Aldraba. e a ti. sempre tão empenhado....
12 Fevereiro, 2006 15:23
Dozedetalhes disse...
cada vez melhor.
12 Fevereiro, 2006 15:29
Platero disse...
Parabéns pelo ano de vida, obrigado pela visita e pelo incentivo!Sobre a publicação é uma via a estudar, podemos conversar sobre isso.Um abraço
13 Fevereiro, 2006 02:00

sábado, 4 de fevereiro de 2006

Um morábito em Aljustrel?




Em Novembro, aquando da deslocação de alguns associados da Aldraba para se preparar um Encontro daquela associação na vila mineira, que ocorrerá no início do próximo mês de Abril, o olhar deparou-se com uma construção semelhante a um morábito, acoplada à igreja matriz.
Como tenho deixado escrito, e no caso mais recente, em Janeiro, aquando de uma visita a Peniche, em que me deparei com um monumento destes, ensanduichado por construções diversas, pode tratar-se de uma ermida, erguida a um santo homem do islão (sidi), que terá vivido no local, e seria um eremita, a quem os habitantes em redor iriam pedir conselhos, pois lhe reconheceriam uma postura de exemplar sabedoria.
Todavia, pode tratar-se apenas de uma reprodução, da arquitectura mudéjar (a arte assim chamada refere-se a construções executadas por mouros submetidos ao cristianismo, que não perderam as suas raízes culturais), que se estrutura em forma de cubo, com cúpula...
Mais uma vez, os arqueólogos podem pronunciar-se acerca do tema, que considero apaixonante.

(fotografias de LFM)

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2006

Fernando Duarte



Conhecemo-nos há uma vida.
O Fernando desde muito novo tenta absorver de cada dia a essência. É perfeccionista, não gosta das coisas feitas em cima do joelho. Estive com ele em Cacia, numa noite de risos, com a Paula, as três Cristinas. Belas lembranças de uma caminhada feliz pela Torreira, no parque de campismo do Porto. Em Alpedrinha.
Conhecemos melhor o Alentejo.
Fundámos associações e o João, sempre ao nosso lado, questionando, seguindo as pegadas dos pais...
O Fernando é daqueles amigos que são verdadeiramente irmãos. Tantos sábados e domingos a saborear as belas iguarias com que a Paula nos presenteia. Tanta descoberta de patrimónios, a três...a quatro...
O Fernando não brinca em serviço e é o grande obreiro, com o Fernando Amaral e com o Duarte pai, do documentário que a Aldraba está a fazer sobre Jorge Rua de Carvalho.
Lembro-me de cortarmos em velocidade de cruzeiro um nevoeiro denso, depois de uma inesquecível festa em Vila de Frades e Vidigueira na rota do vinho novo. Que tabernas, que descobertas!
Recordo que na véspera de uma viagem para Cabo Verde adoeci e o Fernando ficou triste.
Mas pudemos estar há um ano juntos no sonho da formação de uma associação com um espírito fraterno, verdadeiramente novo, onde ele tem entusiasticamente participado.
Escrevi estas linhas só para dizer que o Fernando, como a Paula e o João são uma parte importante da minha família, e que um dia destes quero festejar o facto de andarmos por cá, às vezes em ruas tortas, por caminhos apertados, mas com vontade de partilhar sonhos e tornar o ar mais respirável com as nossas gargalhadas.
Abração.
Luís
(fotografias LFM: o Fernando Duarte a filmar o documentário, com o Jorge Rua perto)

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Postado por oasis dossonhos às 00:56 3 comentários

COMENTÁRIOS
MRS disse...
Tb gostaria de deixar aqui o meu gesto de forte amizade pelo Fernando, que tive o prazer de me cruzar com ele na constituição da A Aldraba, fiquei logo fan do Fernando, pessoa afável, amigo e com muito saber, a ele e a ti Luis, dois fortes abraço e continuem a ser como são, pessoas fantásticas.Mário Sousa
02 Fevereiro, 2006 09:58
augustoM disse...
Estive a ver as fotografias da Assembleia Geral da Aldraba e consegui, numa delas, identificar-me pela careca. Na próxima vez ficas proibido de fotografares o meu lado mais desfavorecido.Ainda ninguém entrou em contacto comigo para a colaboração no trabalho sobre Coruche.Um abraço. Augusto
02 Fevereiro, 2006 14:02
Mendes Ferreira disse...
venho deixar um testemunho sossegado de uma amizade para "uma vida"...
04 Fevereiro, 2006 11:42

domingo, 29 de janeiro de 2006

Assembleia Geral da Aldraba









Decorreu na tarde de ontem, sábado 28 de Janeiro, a terceira Assembleia Geral da Aldraba. Esta sessão destinava-se a discutir e votar o relatório e contas.
Não só foi aprovado por unanimidade pelas duas dezenas de associados presentes no magnífico salão do Ateneu Comercial de Lisboa que nos acolheu, como motivou por parte do associado João Coelho (ex-presidente da direcção da Casa de Pedrógão Grande, ex-membro da direcção da Federação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio e actual vereador da oposição no Executivo da sua terra natal) um voto de reconhecimento à actividade da direcção no primeiro ano da associação.
(fotografias de LFM)
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sexta-feira, 27 de janeiro de 2006

Orlando Costa


Recebi agora mesmo a notícia. Com lágrimas, porque foi dos sorrisos mais bonitos que vi. Encontrei-o uma única vez na vida, mas tocou-me.

A Sónia Frade, minha colega da direcção da Aldraba, enviou-me estas palavras:
"É com muita tristeza que vos envio a notícia de que o escritor Orlando da Costa faleceu esta manhã. Tinha 76 anos. Ainda no mês passado em minha casa no final de mais uma reunião do Grupo de Trabalho Adeodato Barreto, a Dina telefonou-lhe a fim de marcarmos um encontro para conversar sobre o Adeodato. O Orlando da Costa foi uma simpatia ao telefone e respondeu que tinha todo o prazer. Ficamos de combinar então uma tarde pelo mês de Janeiro ou Fevereiro, na Casa de Goa (lugar sugerido pelo próprio) para uma pequena tertúlia. Infelizmente esse encontro não se chegou a concretizar. Espero que agora se encontre em paz, esteja onde estiver."

Ser humano de excelência, Orlando Costa não teve tempo de voltar a ver-nos.
Naquele dia dei-lhe poemas e ele sorriu, dizendo que o meu nome lhe era familiar. O sorriso iluminou-se ainda mais, quando acrescentei: "É provável. Sou seu camarada!"
A vida derrama-se assim na estupidez dos dias. E os sorrisos esvaem-se, sem retorno.

(fotografia de LFM: jardim das Necessidades, perto da Casa de Goa)

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